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sábado, 20 de junho de 2026

PAGAMENTOS EXORBITANTES NO JUDICIÁRIO


O presidente do STF, Edson Fachin, reconheceu ontem, 19, a existência de casos de magistrados que receberam valores acima do teto constitucional sem justificativa. Segundo ele, a própria Corregedoria Nacional de Justiça já determinou a devolução de pagamentos considerados exorbitantes. Fachin comentou o trabalho do grupo criado no CNJ para revisar os chamados “penduricalhos” do Judiciário. Ele espera que, até julho, o STF conclua o julgamento que estabelece regras para verbas indenizatórias e que, até novembro, seja apresentado um anteprojeto de lei federal sobre o tema. O grupo de trabalho é formado por cinco juízes que receberam, em 2025, rendimentos acima do teto constitucional, com ganhos brutos anuais de até R$ 2,1 milhões. Em março, o STF fixou limites provisórios para os penduricalhos até que o Congresso aprove legislação específica. Pela decisão, verbas indenizatórias não podem superar 70% do salário dos magistrados, permitindo remuneração mensal de até cerca de R$ 78,8 mil.

Fachin defendeu maior transparência sobre os rendimentos da magistratura. Segundo ele, a população tem o direito de conhecer os valores recebidos por juízes, que têm o dever de divulgar essas informações. Durante o evento Justiça do Amanhã, no Rio de Janeiro, o presidente do STF também afirmou esperar a criação, em breve, de um código de ética para a Corte. O texto deverá estabelecer regras sobre participação de ministros em palestras, cursos e eventos. A ministra Cármen Lúcia, relatora da proposta, está elaborando o projeto que será discutido pelo tribunal. Ela também participou do evento, que reuniu presidentes de tribunais superiores para debater os desafios do Judiciário. 

GOVERNO COBRA R$ 1 MILHÃO DA ONG INSTITUTO CONHECER BRASIL


O Governo do Distrito Federal cobra R$ 1 milhão do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina Ferreira da Gama, por supostas falhas na execução de um convênio na área de educação. Segundo a Secretaria de Educação, a entidade entregou kits de robótica com problemas de funcionamento, não prestou suporte técnico adequado e deixou de apresentar a documentação final do projeto Steam Maker. Em 12 de junho, a Fundação de Apoio à Pesquisa do DF rejeitou preliminarmente as contas referentes a um aditivo de R$ 1 milhão e abriu prazo de 15 dias para defesa da ONG. O convênio foi firmado em 2023 por R$ 4 milhões e ampliado para R$ 5 milhões em 2025. O governo avalia também revisar toda a parceria para verificar possíveis débitos adicionais. O projeto previa a instalação de laboratórios maker em escolas públicas, com notebooks, impressoras 3D e equipamentos de robótica para atender ao menos 500 alunos. Relatórios de visitas às escolas registraram reclamações de professores sobre falhas nos equipamentos, falta de treinamento e suporte insuficiente. Em alguns casos, houve relatos de reparos improvisados com fita crepe devido à fragilidade dos materiais.

Apesar das queixas, a primeira etapa do convênio, de R$ 4 milhões, teve as contas aprovadas pelo governo. A Secretaria de Educação informou que nem todas as metas previstas foram comprovadas e que a prestação de contas final segue pendente. Karina alegou que ainda aguardava dados complementares, incluindo um artigo científico da USP, e pediu mais prazo para concluir o relatório, mas o pedido foi negado. Em nota, o ICB contestou a interpretação de inexecução do projeto, afirmando que as atividades foram realizadas e que documentos comprobatórios já foram apresentados ou estão em fase de complementação. A entidade ressaltou que o processo ainda está em fase de defesa. Karina também é sócia da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Além desse convênio, o ICB possui contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para fornecer internet em comunidades de baixa renda.

 

ACORDO IRÃ X EUA ENFRENTA VIOLÊNCIA NO LÍBANO


Pouco depois de ser assinado, o acordo entre Irã e Estados Unidos já enfrenta ameaças devido à escalada da violência no Líbano, onde Israel afirmou que manterá operações contra o Hezbollah. Bombardeios israelenses deixaram ao menos 18 mortos e 33 feridos durante a noite, segundo o Ministério da Saúde libanês. Israel também confirmou a morte de quatro soldados, incluindo um oficial de alta patente. Os ataques foram os mais intensos desde o anúncio do cessar-fogo, firmado na segunda-feira, que previa a suspensão dos confrontos em todas as frentes, inclusive no Líbano. A guerra, iniciada após ataques de EUA e Israel ao Irã em fevereiro, provocou milhares de mortes e afetou a economia global, especialmente pelo fechamento do Estreito de Ormuz. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o Exército permanecerá no Líbano pelo tempo necessário e prometeu responder a qualquer ação do Hezbollah. O grupo, por sua vez, afirmou que seguirá em alerta.

No campo diplomático, a Suíça adiou, sem nova data, as negociações entre Teerã e Washington sobre o programa nuclear iraniano. Apesar do acordo assinado por Donald Trump e Masoud Pezeshkian, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, aprovou o documento com ressalvas e afirmou que futuras negociações não significam aceitar as posições dos EUA. O tráfego no Estreito de Ormuz começou a ser retomado, mas operações de remoção de minas continuam. Nos Estados Unidos, o acordo enfrenta críticas por conceder benefícios econômicos ao Irã sem exigir o fim de sua infraestrutura nuclear. O negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf afirmou que Teerã manterá suas “linhas vermelhas” e advertiu que responderá com força a qualquer ameaça. Enquanto isso, muitos iranianos demonstram ceticismo sobre a duração da trégua.

 

ALERTA FALSO NA MADRUGADA


Moradores de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador e do Distrito Federal receberam, na madrugada deste sábado (20), um alerta extremo da Defesa Civil com a palavra “misantropi4” e um som semelhante a uma sirene de emergência. Nas redes sociais, o Ministério do Desenvolvimento Regional e a Defesa Civil Nacional informaram que a mensagem não foi enviada pelos canais oficiais do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. A suspeita é de um ataque hacker. O governo do Paraná afirmou que o alerta não partiu da Defesa Civil estadual e que a Anatel e a Defesa Civil Nacional foram acionadas para investigar o caso. O órgão também garantiu que não havia previsão de eventos climáticos severos para Curitiba. A Defesa Civil de São Paulo informou que a mensagem foi transmitida pela tecnologia Cell Broadcast, mas não seguiu os protocolos oficiais de comunicação de emergências. Segundo o órgão, o sistema foi desligado.

“Misantropia” é um termo que significa aversão, desconfiança ou desprezo pela humanidade. O episódio gerou grande repercussão nas redes sociais e rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados. Usuários relataram susto com o som do alerta durante a madrugada. Entre eles, o humorista Paulo Vieira, que disse nunca ter ouvido um aviso semelhante no celular. Apresentadores da CazéTV também receberam a mensagem durante uma transmissão ao vivo após a vitória do Brasil sobre o Haiti. Diversos internautas compartilharam relatos de surpresa e preocupação com o alerta misterioso.

 

LÍDER IRANIANO DIZ QUE TRUMP ASSINOU ACORDO "POR DESESPERO"


Os novos confrontos entre Israel e o Hezbollah ontem, 19, ameaçam o acordo provisório firmado entre Estados Unidos e Irã para interromper a guerra no Oriente Médio. Quatro soldados israelenses morreram em uma das ofensivas mais letais do Hezbollah desde o início do conflito, enquanto bombardeios atribuídos a Israel mataram ao menos 47 pessoas no Líbano. 
Os ataques levaram a França a pedir que Washington pressione Israel por um cessar-fogo. O entendimento entre EUA e Irã, assinado no domingo (14), prevê o fim das operações militares de todas as partes, inclusive no Líbano, mas os combates voltaram a crescer após uma breve redução da violência. Israel e Hezbollah anunciaram nova trégua para as 16h locais, porém a agência Reuters relatou novos bombardeios israelenses após a entrada em vigor do cessar-fogo. Ao mesmo tempo, foram adiadas na Suíça as negociações técnicas para transformar o memorando em um acordo de paz permanente. 

O acordo enfrenta resistência de Israel, que considera insuficientes as garantias sobre o programa nuclear iraniano, e também de aliados republicanos do presidente Donald Trump, que criticam o alívio de sanções ao Irã. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que Trump assinou o acordo “por desespero” e disse que Teerã não aceitará exigências excessivas. O memorando prevê 60 dias para um acordo final, além de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o Irã. O chanceler iraniano Abbas Araghchi acusou Israel de buscar uma “guerra permanente” após declarações do ministro israelense Itamar Ben Gvir, que disse que “todo o Líbano deve queimar”. No Líbano, o Ministério da Saúde informou 47 mortos e 97 feridos nos ataques israelenses. Israel afirmou ter atingido mais de 80 alvos do Hezbollah no sul do país e disse ter eliminado dezenas de combatentes. O Hezbollah declarou ter destruído três tanques israelenses e atacado tropas com foguetes e artilharia. O conflito atual começou em 2 de março, quando o Hezbollah passou a atacar posições israelenses em apoio ao Irã. Desde então, Israel mantém tropas em uma zona de segurança no sul do Líbano. Segundo Beirute, os ataques israelenses já mataram 3.912 pessoas no país; do lado israelense, morreram ao menos 32 soldados e quatro civis.


MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 20/06/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Trump chama Lula de "muito volátil" e diz não se importar com ele

Petista já havia respondido às provocações de Trump durante o encontro do G7, na França, e alertou para que o americano "não se meta nas eleições do Brasil"

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Sobrevoo de drone em busca de cachorro levou a ‘surto’ de Vorcaro e à ofensiva de capangas

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Governo do DF cobra R$ 1 milhão de ONG ligada ao filme de Bolsonaro por falhas em convênio

OUTRO LADO: instituto nega inexecução do projeto, diz que atividades foram realizadas e que defesa será apresentada ONG de produtora do filme 'Dark Horse' assinou convênio de R$ 5 milhões por projeto envolvendo laboratórios de robótica

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Busca contra Wagner desconfortou Planalto

A operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) ainda causa repercussões no meio político.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Brasil goleia o Haiti por 3 a 0 e assume a liderança do Grupo C na Copa do Mundo

Após deixar dúvidas na estreia, Seleção domina o adversário, controla o jogo e conquista a primeira vitória no Mundial

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

IA. Energia verde e conectividade de Portugal e Espanha são chave para fechar o "buraco" de 480 mil milhões na produtividade europeia

O bloqueio da Anthropic pelos EUA expôs a fragilidade tecnológica do continente e expôs a urgência por uma "IA Soberana". Estudo da consultora McKinsey revela que a Península Ibérica está posicionada na linha da frente para liderar a computação de hiperescala que tem potencial para valer quase meio bilião de euros por ano até 2030

sexta-feira, 19 de junho de 2026

RADAR JUDICIAL

ARTE

Infográfico produzido por IA com informações apuradas pela reportagem - ARTEMAIOR 

ÍNDICE DE MORTE NO TRÂNSITO

A taxa de mortes no trânsito ligadas ao consumo de álcool voltou a crescer no Brasil após anos de queda. Em 2024, o país registrou 6,2 mortes por 100 mil habitantes, o maior índice desde 2016, segundo estudo do Cisa. Foram 13.075 óbitos, alta de 6,2% em relação a 2023. Especialistas apontam que o aumento da frota de motocicletas desde a pandemia pode ter contribuído para o avanço dos acidentes. Em 2023, os motociclistas representaram 40% das mortes no trânsito. Homens são as principais vítimas, respondendo por 86,7% dos óbitos. Tocantins, Piauí e Mato Grosso apresentaram as maiores taxas do país. Apesar do reforço na fiscalização e do aumento das blitze da Lei Seca, os números continuam crescendo. Especialistas defendem a combinação de fiscalização, educação, prevenção e atendimento de emergência para reduzir a mortalidade. A Lei Seca completa 18 anos e segue considerada fundamental, mas especialistas afirmam que seu sucesso depende de ações permanentes e de uma mudança cultural que torne socialmente inaceitável dirigir após beber.


GUERRILHEIROS ENTREGAM ARMAS NA COLÔMBIA

Cerca de cem guerrilheiros da CNEB entregaram as armas ontem, 18, em Putumayo, no sul da Colômbia, em um avanço da política de “paz total” do presidente Gustavo Petro. Ao todo, 99 rebeldes deixaram seus fuzis e seguirão para uma zona especial onde permanecerão por dez meses enquanto negociam o desarmamento definitivo e sua situação jurídica. A entrega é considerada o maior progresso das negociações de paz conduzidas pelo governo com grupos armados. Os guerrilheiros, ligados a uma dissidência das Farc, receberam apoio logístico e serão protegidos pelo Estado. O grupo, com estimados 2.000 a 2.500 integrantes, atua em áreas estratégicas para o narcotráfico na fronteira com o Equador. O gesto ocorre às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para domingo (21). A disputa opõe Iván Cepeda, aliado de Petro e defensor da continuidade do processo de paz, e Abelardo de la Espriella, que promete endurecer o combate aos grupos armados. O próximo presidente poderá manter ou encerrar as negociações. Petro deixará o cargo em 7 de agosto. A iniciativa ocorre em meio à pior onda de violência da última década e sob críticas dos Estados Unidos à política de paz colombiana.


PREFEITO É ELEITO DEPUTADO AO PARLAMENTO BRITÂNICO

Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester, foi eleito deputado ao Parlamento britânico ontem, 18, fortalecendo sua posição para disputar a liderança do Partido Trabalhista e desafiar o primeiro-ministro Keir StarmerBurnham venceu com folga a eleição especial em Makerfield, obtendo 24.937 votos (55%). Após o resultado, afirmou que a população votou por mudança, mais poder para o norte da Inglaterra e esperança. Em seu discurso, defendeu uma renovação do Partido Trabalhista e disse que esta é a “última chance” de o partido reconquistar a confiança dos eleitores. O partido de direita Reform UK, liderado por Nigel Farage, ficou em segundo lugar com 15.696 votos (34%), sem ameaçar a vitória de Burnham. O prefeito também criticou a polarização política e afirmou que pretende unir o país, evitando divisões semelhantes às observadas nos Estados Unidos. A vitória reforça a ala trabalhista que vê Burnham como o nome mais forte para enfrentar o avanço da direita populista. Com a crescente impopularidade de Starmer, aumenta a pressão interna para uma possível disputa pela liderança do governo e do partido.

PROFESSORES COM PISO REAJUSTADO PELO PRESIDENTE

O presidente Lula sancionou nesta sexta-feira (19) a lei que reajusta o piso salarial dos professores da educação básica pública em 5,4%, elevando o valor de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63. O aumento ficou acima da inflação acumulada, de 3,9%. Segundo o governo, a medida busca fortalecer a valorização dos profissionais da educação. Estudo da Consultoria de Orçamentos do Senado estima impacto de até R$ 6,4 bilhões nas contas de estados e municípios em 2026. A nova regra garante que o reajuste anual do piso nunca seja inferior à inflação medida pelo INPC. Além disso, o cálculo passará a considerar também 50% da média de crescimento das receitas do Fundeb nos cinco anos anteriores. Pela regra antiga, o aumento em 2026 seria de apenas 0,37%. A lei também amplia a transparência do processo ao exigir a divulgação da memória de cálculo pelo Ministério da Educação. Outra mudança é a inclusão dos profissionais contratados por tempo determinado entre os beneficiários do piso salarial nacional.

TRUMP INVENTA HISTÓRIA, ENVOLVENDO MELONI 

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, cancelou uma viagem aos EUA após Donald Trump afirmar que a premiê italiana, Giorgia Meloni, teria implorado para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7. Segundo a emissora La7, Trump disse que Meloni insistiu no registro e que só aceitou por pena. A primeira-ministra reagiu nas redes sociais, classificando as declarações como “completamente inventadas” e afirmando estar consternada com a atitude do presidente americano. Meloni criticou o que considera maior tolerância de Trump com adversários do Ocidente do que com aliados históricos dos EUA. Em apoio à premiê, Tajani afirmou que as declarações foram graves e ofensivas, atingindo toda a Itália. Outros integrantes do governo também condenaram as falas, acusando Trump de prejudicar as relações entre EUA e Europa. O episódio evidencia o desgaste na relação entre dois líderes que já foram aliados próximos. Nos últimos meses, divergências sobre a guerra contra o Irã e críticas de Trump ao papa Leão 14 ampliaram as tensões entre Washington e Roma.

JOGADOR MARROQUINO VAI RESPONDER POR ESTUPRO

O lateral marroquino Achraf Hakimi, do Paris Saint-Germain, será julgado na França por uma acusação de estupro feita por uma jovem em 2023. A Justiça francesa confirmou nesta sexta-feira (19) a decisão de enviá-lo a julgamento, entendendo que a investigação reuniu indícios suficientes para o caso seguir adiante. Hakimi, que sempre negou as acusações e as considera falsas, afirmou que aguarda o julgamento “com impaciência” para apresentar sua versão dos fatos. Sua advogada destacou que o envio a julgamento não significa condenação. A defesa da denunciante classificou a decisão como uma “vitória judicial” e afirmou que a medida traz alívio à cliente após anos de disputa na Justiça. A jovem relata ter conhecido o jogador pelo Instagram e afirma que foi estuprada na casa dele, em fevereiro de 2023. Indiciado desde março daquele ano e sob controle judicial, Hakimi segue atuando normalmente e se prepara para disputar mais uma partida pela seleção do Marrocos na Copa do Mundo. A data do julgamento ainda não foi divulgada.

Salvador, 19 de junho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso

Pessoa Cardoso Advogados.

 

MAIOR REFORMA ECONÔMICA EM CUBA


O Parlamento cubano aprovou por unanimidade um amplo pacote de reformas econômicas que amplia o espaço para o livre mercado na ilha, em meio à grave crise econômica e à pressão dos Estados Unidos. Mais de 400 deputados aprovaram 176 medidas apresentadas pelo primeiro-ministro Manuel Marrero e respaldadas pelo presidente Miguel Díaz-Canel, pela direção do Partido Comunista e por Raúl Castro. As mudanças atingem setores como empresas estatais e privadas, sistema bancário, turismo, agricultura, investimentos estrangeiros, impostos, salários e mercado cambial. Considerado por especialistas o maior programa de reformas econômicas desde a Revolução de 1959, o pacote amplia significativamente o papel da iniciativa privada na economia cubana. Entre as principais medidas estão a transformação de empresas estatais em sociedades comerciais, a autorização para empresas privadas com mais de 100 funcionários, a entrada de capital estrangeiro no setor privado e a abertura de contas em moeda estrangeira para cidadãos.

Agricultura, turismo, bancos e câmbio também serão abertos ao investimento privado nacional e estrangeiro. Os cubanos poderão possuir mais de uma empresa e participar de outras sociedades, além de negociar salários dentro das empresas. Apesar da abertura econômica, o governo afirma que as reformas não alteram o sistema político de partido único nem os princípios do socialismo. Díaz-Canel disse que as mudanças são decisões soberanas e não resultado das pressões dos EUA. As reformas ocorrem enquanto o governo Donald Trump intensifica sanções contra Cuba, agravando a escassez de alimentos, combustíveis, medicamentos e energia, e aumentando a pressão por mudanças no modelo econômico da ilha.

 

SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO

 
 WALDEMAR MAGALDI FILHO

Bets e dízimo a igrejas moem pobres com fantasia de salvação mágica

  • Arquétipo do vigarista que seduz com promessas cintilantes e esvazia bolsos e almas inspira ambos os sistemas
  • Indivíduo esmagado por desigualdades projeta no líder religioso ou na roleta virtual ideia de resgate fantástico
  • Waldemar Magaldi Filho
    Waldemar Magaldi Filho

    Analista junguiano, mestre e doutor em ciências da religião e fundador do IJEP (Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa). Autor de "Dinheiro, Saúde e Sagrado"

No grande teatro da miséria humana, a esperança é a moeda de troca mais valiosa. O desespero, por sua vez, funciona como o ingresso VIP para um espetáculo de ilusões.

Nesse palco, atualmente no nosso país, operam duas máquinas implacáveis de moer pobre. Elas vestem fantasias distintas para encenar a mesma tragicomédia. De um lado, temos o dízimo cobrado sob a ameaça do fogo eterno e a promessa de um paraíso financeiro. Do outro lado, brilham os sites de apostas, as famosas bets, que acenam com a riqueza instantânea a um clique de distância.

A imagem apresenta uma ilustração estilizada de uma pessoa sentada em uma rocha, com um fundo noturno. A figura tem cabelo vermelho e veste uma roupa laranja, enquanto observa o céu. O céu é predominantemente azul escuro, com nuvens em diferentes tons de azul e uma lua crescente amarela visível. A rocha em que a pessoa está sentada é de cor escura, e a cena transmite uma sensação de contemplação e tranquilidade.
É urgente acabar com a farra da isenção fiscal para templos e impor limites draconianos às casas de apostas, escreve autor -  Catarina Pignato 

Ambos os sistemas são exploradores da fé e da agonia. Eles operam sob a batuta do arquétipo do Trickster: malandro, embusteiro, vigarista e enganador. Esse trapaceiro mítico e zombeteiro nos seduz com promessas cintilantes para esvaziar os nossos bolsos e as nossas almas no apagar das luzes. É fascinante observar como os mecanismos de transferência de renda dos mais vulneráveis para os mais espertos são idênticos.

Vendem-se promessas sem qualquer garantia. Pode ser o milagre divino inquestionável ou o sorteio cego do algoritmo. O apelo emocional é sempre covarde e fisga o indivíduo pela jugular do sonho. Quem lucra de verdade são lideranças que vivem do suor alheio. Elas desfilam em jatinhos e carros de luxo e transformam o altar e a internet em palcos lucrativos. Podem ser pastores com suas roupas, relógios e carros de luxo e cintilantes ou influenciadores digitais ostentando desde a camisa do seu time do coração até jatinhos e iates caríssimos.

Quando a promessa falha, a isenção de responsabilidade é imediata e cínica. Para a igreja, a desculpa é a vontade de Deus ou a falta de fé do irmão. Para a plataforma de apostas, a justificativa é a falta de sorte naquela noite. Os números dessa falsa alquimia são estarrecedores e pintam um retrato sombrio do nosso Brasil.

Em 2025, o mercado legal de apostas online atraiu mais de 25 milhões de brasileiros e teve uma receita bruta absurda de R$ 37 bilhões. Do outro lado do balcão da fé, as cifras também assustam. Investigações apontaram que apenas a Igreja Universal do Reino de Deus movimentou cerca de R$ 42 bilhões em doações bancárias em um período de quatro anos e meio.

Não é por acaso que o Censo de 2022 revelou que o Brasil possui mais de 579 mil estabelecimentos religiosos. Esse número supera com folga a soma de todas as escolas e hospitais do país. Sob a lente da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, percebemos a gravidade do fenômeno. Tanto o templo quanto o aplicativo funcionam como telas em branco para a projeção da nossa Sombra e do nosso anseio inato por salvação.

O indivíduo esmagado pela desigualdade e pela falta de perspectiva projeta no líder religioso ou na roleta virtual a figura do salvador mágico. Ele abdica da sua autonomia e do seu poder de agência.

Somos confrontados com a figura do Puer Aeternus. Essa criança eterna dentro de nós que recusa o trabalho árduo da realidade e implora por um resgate fantástico. As bets e a teologia da prosperidade alimentam essa fantasia infantil. Elas oferecem uma alquimia corrompida que promete transformar o chumbo do sofrimento diário no ouro da riqueza instantânea.

O resultado físico e simbólico dessa exploração é percebido pela quantidade de sintomas mentais e, consequentemente, físicos. Os corpos adoecem pela ansiedade crônica da aposta perdida. Os estômagos são corroídos pela culpa religiosa asfixiante. As mentes se fragmentam pelo endividamento, e as famílias se rompem em silêncio. Afinal, quem não aposta é excluído da roda de amigos modernos e quem não devolve o dízimo é expulso do rebanho sagrado. A exploração é normalizada sob o disfarce perverso de ajuda ou entretenimento.

Chegamos então ao ápice da hipocrisia estrutural. O mesmo fiel que condena a aposta como um jogo de azar pecaminoso senta-se na primeira fileira do culto da prosperidade. Ele espera que os seus R$ 50 se multipliquem magicamente por obra do Espírito Santo. Um deposita na conta do pastor pela promessa de cura e riqueza. O outro deposita no site sediado em um paraíso fiscal pela promessa de retorno financeiro imediato.

Ambos saem mais pobres e sangrados por uma indústria do vício. Essa máquina usa algoritmos e bônus de boas-vindas ou se blinda com isenções fiscais e absoluta falta de transparência. A igreja na sua defesa ainda oferece o amparo social de uma cesta básica e o calor de uma oração compartilhada. A plataforma de apostas te deixa apenas com o brilho frio da tela do celular na madrugada.

A diferença real é que uma usa Deus como fiador inquestionável da ilusão e a outra usa o acaso matemático. A saída para esse labirinto não é escolher qual explorador tem a melhor lábia ou a melhor interface. O buraco é muito mais profundo. O problema central não é a dicotomia entre igreja e aposta. A verdadeira engrenagem é um país profundamente desigual e carente de educação financeira e de letramento teológico.

É preciso dizer que Malaquias 3:10 nunca foi um recibo de depósito bancário com garantia de salvação e prosperidade, apesar da ameaça de que reter os recursos de dízimos e oferendas equivale a roubar a Deus. Precisamos de reflexão crítica e de uma regulação séria. É urgente acabar com a farra da isenção fiscal para templos que operam como corporações financeiras. Também é fundamental impor limites draconianos às casas de apostas que lucram com o vício.

A pergunta que deveria ecoar na nossa autoconsciência não é a quem devemos entregar o nosso dinheiro suado. A verdadeira questão é: por que tantos brasileiros ainda precisam acreditar, desesperadamente, em milagres financeiros comprados a prestação?

Enquanto não tivermos educação universal e de qualidade que incentive o pensamento crítico, o autoconhecimento e a autonomia e enquanto não houver salários dignos e uma distribuição de renda menos criminosa, os mercadores de ilusão continuarão prosperando. Enquanto escolas e hospitais perderem de goleada para templos e cassinos virtuais, sempre haverá um espertalhão vendendo um pedaço do céu para quem já vive no inferno da sobrevivência diária.