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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

BOLSONARISTAS APOIAM INTERVENÇÃO AMERICANA NO BRASIL


No segundo mandato, Donald Trump vem promovendo mudanças na política externa dos EUA e tentando influenciar eleições em diferentes países, sobretudo na América Latina. 
A estratégia busca reduzir a influência da China e ampliar o predomínio americano na região. No Brasil, tarifas, declarações de Trump e atritos diplomáticos provocam preocupação sobre possível interferência nas eleições de 2026. O objetivo apontado no texto seria favorecer Flávio Bolsonaro e prejudicar Lula. Em negociações após o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil, o governo Trump teria exigido participação de “dissidentes políticos” nas eleições. A crise no STF também passou a ser usada como argumento para possíveis novas sanções americanas contra autoridades brasileiras. Eduardo Bolsonaro tem atuado nos Estados Unidos, enquanto Flávio e aliados exploram politicamente o conflito envolvendo Alexandre de Moraes. Eduardo afirmou ter relatado a autoridades americanas uma suposta tentativa de contestar eventual vitória de seu irmão. O governo Trump também acusou o Brasil de não combater adequadamente o PCC e o Comando Vermelho. A possibilidade de interferência americana vem sendo monitorada por setores do governo e da sociedade civil brasileira. Relatório da Abin classificou como crítico o nível de ameaça relacionado à influência externa dos EUA nas eleições. Ao mesmo tempo, grupos bolsonaristas demonstram apoio a uma eventual intervenção americana. Nas redes sociais, circularam vídeos produzidos por inteligência artificial simulando a prisão de Lula por Trump. O texto afirma que Trump tem procurado influenciar disputas eleitorais em diversos países. Essa atuação pode ocorrer por apoio público, promessas econômicas, sanções ou pressão política.

Na América Latina, consultores ligados ao trumpismo também participaram de campanhas eleitorais. O argentino Fernando Cerimedo, citado no texto, atuou em campanhas e foi acusado de crimes que nega. Investigações na Bolívia encontraram equipamentos e dinheiro em espécie em local associado a ele. Cerimedo também foi citado em investigação brasileira sobre disseminação de informações falsas sobre as urnas. Ele afirmou ter recebido cerca de US$ 1 milhão por mês com atividades de consultoria política no exterior. Especialistas ressaltam que a interferência eleitoral pode variar de influência política até ações diretas sobre o processo eleitoral. Trump já adotou medidas econômicas e sanções contra autoridades brasileiras, além de fazer declarações favoráveis a Bolsonaro. O governo americano chegou a planejar o envio de funcionários ao Brasil para questionar a integridade das eleições, segundo o Washington Post. O Itamaraty recusou vistos para dois funcionários americanos, enquanto os EUA negaram intenção de interferir no pleito. Experiências recentes na Hungria, Canadá, Argentina e Colômbia mostram diferentes efeitos da atuação política de Trump. No Brasil, ainda existem dúvidas sobre a dimensão que eventual interferência americana poderá alcançar. Trump já afirmou manter boa relação com o Brasil e chamou Lula de “muito dinâmico”. Ao mesmo tempo, decisões americanas foram interpretadas por especialistas como alinhadas a interesses políticos brasileiros. A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas ocorreu após encontro de Flávio Bolsonaro com autoridades americanas. Pesquisas mostram desconfiança significativa dos brasileiros em relação a Trump e preocupação com possível interferência estrangeira. Uma pesquisa Datafolha indicou que metade dos brasileiros vê possibilidade de interferência externa nas eleições. O cenário permanece aberto, com dúvidas sobre os efeitos políticos das ações de Trump e sobre a dimensão da influência americana no pleito de 2026. 

"ÔNIBUS MAIS LENTOS QUE UMA GALINHA"


A velocidade dos ônibus em São Paulo cai para 12,37 km/h no pico da tarde, segundo dados da SPTrans. 
O índice foi registrado às quartas-feiras, pior dia da semana, entre 17h e 19h30. Nesse ritmo, os coletivos são mais lentos que uma galinha e muito abaixo dos patinetes elétricos. Fora do horário de pico, a maior velocidade chega a 28,84 km/h durante a madrugada. Na comparação com 2019, os ônibus também circulam mais lentamente em alguns trechos. No pico da manhã, a média atual é de 15 km/h, contra 16 km/h antes da pandemia. Nos corredores, a velocidade caiu de 22 km/h para 20 km/h no mesmo período. Especialistas apontam a falta de prioridade ao transporte coletivo como uma das causas. Ciro Biderman, da FGV Cidades, defende mais corredores eficientes e faixas exclusivas. Segundo ele, maior velocidade reduziria custos e permitiria aumentar a frequência dos ônibus. Paris registra média de 8,85 km/h nos horários de pico, enquanto Barcelona chega a 10,8 km/h. Londres apresenta média de 14,76 km/h, pouco acima da registrada na capital paulista. A Prefeitura afirma ter entregue 54 km de faixas exclusivas e novos trechos de corredores. Também estão em obras os BRTs Radial Leste e Aricanduva e outros corredores importantes. Em Curitiba, o BRT alcança média de 20 km/h em faixas prioritárias nos horários de pico. A lentidão e a irregularidade dos ônibus têm contribuído para a perda de passageiros. Segundo dados da SPTrans, o sistema transportou 166,5 milhões de passageiros em julho de 2026. No mesmo mês de 2019, foram quase 212 milhões, uma redução de aproximadamente 22%. A frota também diminuiu, passando de 14.151 para 13.573 veículos.

Especialistas apontam um ciclo de queda de passageiros, ônibus e velocidade. O congestionamento e a falta de infraestrutura agravam os atrasos no transporte coletivo. Além da lentidão, investigações apontam suspeitas de infiltração do PCC em empresas de ônibus. A Operação Vectura Corrupta afirma que 12 empresas da Grande São Paulo seriam controladas pela facção. Uma das companhias investigadas é a Transwolff, que atua na zona sul e nega irregularidades. A investigação levou à prisão do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Milton Leite. Outras 15 pessoas tiveram mandados de prisão expedidos e 18 endereços foram alvo de buscas. A Prefeitura afirma que analisa contratos e possíveis vínculos com os fatos investigados. O município também diz que não compactua com irregularidades e colabora com as autoridades. A gestão destaca ainda investimentos em ônibus elétricos, ar-condicionado, USB e internet. O desafio permanece melhorar a velocidade, a frequência e a segurança do transporte coletivo. 

AVENTUREIRO CAMINHA NO MUNDO HÁ 28 ANOS


Há 28 anos, o aventureiro britânico Karl Bushby percorre o mundo a pé em uma jornada que se aproxima do fim. 
Aos 29 anos, ele partiu do Chile rumo à sua cidade natal, Hull, na Inglaterra. Estabeleceu duas regras: não usar transportes para avançar e não retornar ao Reino Unido antes de concluir o percurso. A viagem, inicialmente prevista para durar 12 anos, já ultrapassa 28 anos. Restrições de visto, a crise financeira de 2008, a pandemia e questões geopolíticas atrasaram a expedição. Bushby atravessou Argentina, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, América Central, México, EUA e Canadá. Também cruzou o estreito de Bering e percorreu regiões da Rússia, Mongólia, China e Ásia Central. Ele atravessou a nado, em trechos, cerca de 300 quilômetros do mar Cáspio. Aos 57 anos, já percorreu mais de 48 mil quilômetros. Agora, caminha pela Bélgica em direção a Calais, na França. De Calais, pretende atravessar a nado o Canal da Mancha em outubro. Seu pedido para usar um túnel de serviço do Eurotúnel foi rejeitado. Durante a aventura, Bushby enfrentou situações de extremo risco e dificuldades financeiras. No Tapón del Darién, chegou a se disfarçar de pessoa em situação de rua para evitar sequestros. Sua principal companheira de viagem é “A Fera”, um carrinho que ele próprio construiu na Nicarágua. Quando iniciou a jornada, tinha apenas US$ 500 e nenhum patrocinador. Depois, passou a financiar a expedição com publicações, livros e palestras. Bushby afirma que a persistência foi seu principal aprendizado durante a caminhada.
Ele também diz que a viagem mudou sua visão sobre as pessoas e mostrou a solidariedade que recebeu.

Sua mãe, Angela, continua acompanhando a aventura e enviou-lhe uma carta durante a etapa final. Ela lembrou ao filho que ele havia provado ser capaz de realizar aquilo que antes julgava impossível. Bushby conta que a dislexia não diagnosticada na infância afetou sua confiança e o tornou alvo de bullying. O Exército britânico, segundo ele, ajudou a recuperar parte dessa confiança. Aos poucos, a jornada tornou-se também uma forma de provar a si mesmo e aos outros do que era capaz. Agora, porém, ele afirma que chegou a hora de encerrar a aventura.
Bushby admite ter receio do futuro após tantos anos vivendo na estrada. Ele considera os relacionamentos a parte mais difícil da viagem, mais dolorosa que os desafios físicos. Espera sentir grande emoção ao avistar os famosos penhascos brancos de Dover. Essa será sua primeira visão da Inglaterra desde que partiu do Chile, há 28 anos. Depois de uma jornada extraordinária, Bushby se prepara para finalmente voltar para casa. 

GOVERNO BRITÂNICO PREPARA A POPULAÇÃO PARA POSSÍVEL GUERRA


O governo britânico quer preparar a população para possíveis graves perturbações e para a eventualidade de uma guerra. 
Entre as medidas estão estoques de água e alimentos e o fortalecimento da resiliência civil. O Reino Unido também trabalha na atualização de seu chamado “livro de guerra”, abandonado há décadas. O chefe da Defesa, Richard Knighton, considera o atual período o mais perigoso de seus 35 anos de carreira. Apesar disso, a possibilidade de tanques russos nas ruas de Londres é considerada pequena, mas a principal preocupação está em ameaças assimétricas, como ataques cibernéticos e sabotagens de infraestrutura. A historiadora Margaret MacMillan afirma que os britânicos não estão psicologicamente preparados para uma guerra e observa que a sociedade se acostumou a considerar a paz como uma condição permanente. Especialistas comparam o momento atual ao período anterior à Primeira Guerra Mundial. Em 1914, muitos europeus acreditavam que uma eventual guerra seria rápida e vitoriosa, mas a experiência da Primeira Guerra Mundial, deixou profundas marcas na sociedade britânica. Um em cada oito homens britânicos que se alistaram morreu nos campos de batalha e o conflito mudou a percepção europeia sobre a guerra e eliminou sua antiga imagem de aventura gloriosa. Segundo o acadêmico Andrew Michta, vários países europeus reduziram suas capacidades militares após o fim da Guerra Fria. Ele afirma que o Reino Unido também ficou pouco preparado, inclusive no aspecto psicológico.

A dependência europeia da energia russa é apresentada como exemplo dessa percepção equivocada sobre a segurança. Para o general aposentado Richard Shirreff, a invasão russa da Ucrânia em 2014 marcou uma mudança decisiva. Segundo ele, a Rússia passou a representar uma ameaça persistente à segurança ocidental. Os defensores de maior gasto militar argumentam que estar preparado pode ajudar a evitar uma guerra. O psicólogo Jim Orford, porém, alerta para o risco de simplificar excessivamente a visão sobre ameaças e inimigos e considera que a Europa já entrou em uma fase de contemplação da possibilidade de guerra. A percepção da ameaça varia entre os países europeus, sendo maior nas nações próximas da Rússia. A Suécia abandonou sua histórica neutralidade depois da invasão russa da Ucrânia em 2022, daí porque mantém um sistema de alistamento parcial e treinamento militar de até 15 meses. A população sueca também participa de iniciativas de preparação para possíveis crises. As repúblicas bálticas reforçaram suas defesas devido à proximidade e à experiência histórica com a Rússia. A Finlândia é apontada como exemplo de preparação psicológica e de resiliência civil. Após 2022, os finlandeses também abandonaram sua neutralidade e ingressaram na Otan e mantém alistamento masculino universal e uma grande força de reservistas treinados. A Finlândia consegue mobilizar rapidamente cerca de 280 mil militares. Em 2025, destinou 2,5% do PIB à defesa, enquanto o Reino Unido gastou 2,3%. O modelo finlandês integra militares, população civil, empresas e instituições em planos de emergência. Líderes políticos e dirigentes de organizações recebem treinamento anual para administrar situações de crise. Especialistas defendem que o Reino Unido poderia ampliar sua preparação e capacidade militar. Shirreff cita o modelo norueguês de alistamento e treinamento como uma possível referência e defende que os líderes expliquem claramente à população os riscos e as medidas necessárias. O debate europeu combina aumento dos gastos militares, preparação civil e preocupação com possíveis ameaças russas. A questão central é como preparar as sociedades para crises sem transformar a possibilidade de guerra em uma certeza. 

COPOM E FED COM DIREÇÕES OPOSTAS


Copom e Fed adotaram direções opostas nos juros na última quarta-feira (16). 
O Banco Central brasileiro reduziu a Selic para 13,75%, enquanto o Fed elevou os juros para 3,75% a 4%. A redução do diferencial de juros tende a diminuir a atratividade dos ativos brasileiros, porque os juros maiores, os Treasuries dos EUA passam a oferecer maior remuneração aos investidores. Ainda assim, analistas avaliam que outros fatores mantêm o Brasil atraente para o capital estrangeiro entre os quais estão o petróleo valorizado, a elevada Selic e o relativo isolamento geopolítico brasileiro. Segundo Vitor Kayo, da Nomad, a diferença entre os juros brasileiros e americanos continua grande e a mudança reduz o incentivo aos investimentos no Brasil, mas não significa interrupção dos fluxos. No mercado americano, havia 57% de chance de nova alta dos juros em outubro, segundo o FedWatch.  No Brasil, 57% das posições nas Opções de Copom indicavam Selic de 13,5% em novembro. A redução do diferencial também pode pressionar o real e favorecer a valorização do dólar. O cenário diminui ainda o incentivo ao chamado carry trade, baseado no diferencial de juros. O petróleo acima de US$ 100 beneficia empresas brasileiras e aumenta a arrecadação do país. Rachel de Sá, da XP, destaca também os investimentos estrangeiros em data centers no Brasil. Em maio, a Ascenty anunciou R$ 30 bilhões para um complexo de inteligência artificial em São Paulo. Segundo ela, investidores consideram tanto os juros quanto a atratividade das empresas e da Bolsa.

A perda de força do chamado trade de inteligência artificial também favorece uma rotação de investimentos. Com menor concentração em empresas de tecnologia, parte dos recursos pode migrar para outros mercados. Para 2027, o mercado projeta juros americanos de até 4,5%, enquanto o Focus prevê Selic de 12%. A desaceleração da economia brasileira pode abrir espaço para novas reduções dos juros domésticos. O Focus estima crescimento de 1,45% do PIB brasileiro em 2027, ante 1,89% em 2026. Incertezas externas e fiscais, porém, dificultam prever a trajetória dos juros e do câmbio. Entre os fatores estão o preço do petróleo, as decisões do Fed e a política fiscal brasileira. Mesmo com a queda, a Selic de 13,75% mantém a renda fixa brasileira atrativa. Os investimentos pós-fixados continuam sendo considerados alternativas diante das incertezas. Nos EUA, os rendimentos dos Treasuries subiram com a perspectiva de juros mais altos. A taxa do Treasury de dois anos chegou a 4,745%, maior nível desde 2024. No Brasil, a expectativa de cortes da Selic aumentou o interesse por títulos prefixados. Esses papéis permitem travar taxas elevadas antes de uma eventual queda dos juros. Para analistas, a combinação de incertezas externas e internas recomenda cautela nas alocações. 

A AFD CRESCE NA ALEMANHA


Pesquisas de boca de urna indicam forte avanço da AfD, partido de extrema direita, nas eleições estaduais da Alemanha. 
O resultado ocorre em meio à fragilidade do governo do chanceler Friedrich Merz, que classificou o desempenho como um desastre. Após o fechamento das urnas, Merz afirmou que seu programa de reformas seria um antídoto contra o autoritarismo. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD alcançou cerca de 37% dos votos. O SPD, da governadora Manuela Schwesig, teria obtido 35,5%. Apesar do avanço da AfD, o resultado deve permitir a permanência de Schwesig no cargo, mas a legenda de extrema direita, dobrou sua representação no Parlamento estadual. Em Berlim, a AfD deve formar a terceira maior bancada, com aproximadamente 16% e a Esquerda teria 24,5%, enquanto a CDU, de Merz, alcançaria 20%. As eleições estaduais foram interpretadas como um teste para o governo de Merz que convocou reunião do comitê executivo de seu partido durante o domingo eleitoral; ele afirmou que o momento exige firmeza, perseverança e paciência, mas rejeitou especulações sobre seu futuro político. Duas semanas antes, em Saxônia-Anhalt, a AfD havia alcançado quase 44% dos votos. O resultado a deixou próxima de formar seu primeiro governo estadual. Uma eventual vitória seria um marco na história política alemã do pós-guerra, mesmo tendo a Alemanha criado mecanismos institucionais para impedir o retorno de movimentos semelhantes ao nazismo. O avanço da AfD ocorre paralelamente à crescente impopularidade de Merz.

Na última semana, uma pesquisa registrou 88% de insatisfação com seu governo e apenas 10% de aprovação. Eleito em 2025, o chanceler enfrenta dificuldades para aprovar reformas econômicas e sociais e a economia alemã permanece estagnada há vários anos. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a CDU teve um dos piores resultados de sua história. O partido teria superado por pouco a cláusula de barreira de 5%. Integrantes da CDU local atribuíram o desempenho às políticas de Merz. Schwesig também criticou o chanceler e se opôs a pontos da reforma da Previdência. A governadora ainda cobrou medidas contra a alta dos combustíveis. Em Berlim, a CDU também sofreu derrota eleitoral e a Esquerda deve conquistar pela primeira vez o governo da cidade-estado. Elif Eralp poderá formar uma coalizão com o SPD e os Verdes. Os resultados ampliam a pressão sobre Merz e evidenciam o crescimento da AfD. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 21/09/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Carta alerta ONU para intromissão dos EUA

Documento elaborado pelo Instituto Vladimir Herzog e remetido ao secretário-geral António Guterres chama a atenção para ações do governo Trump com o objetivo de influenciar no resultado da corrida presidencial brasileira

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Fundos para empresas em crise já somam R$ 17 bi e superam recursos para negócios em expansão

É a primeira vez que ocorre essa inversão. Reflexo do cenário de juros altos por muito tempo e onda de recuperações judiciais e extrajudiciais

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

PR, CE e SP são mais eficientes, aponta ranking da Folha; estados com maior receita por habitante ficam entre os últimos

REE-F mostra que transformar recursos per capita em resultados à população pesa mais do que abundância de caixa Trabalho avalia áreas de educação, saúde, infraestrutura, segurança e indicadores de finanças

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Gilmar sugere que integrantes do TSE devam ser afastados

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS 

Especialista explica como direita e extrema direita avançam nas Américas

Professora de Relações Internacionais aborda o contexto histórico que resultou na ascensão de líderes alinhados com Donald Trump na América Latina

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

“Sextorsão” é criminalidade violenta?

Nos Relatórios de Segurança Interna, a extorsão sexual está incluída no “crime violento e grave”, categoria na qual foi em 2025 o quarto tipo mais numeroso. Inclusão destoa dos critérios do Eurostat e levanta questões quanto aos da Segurança Interna, que exclui daquela classificação crimes, como a violência doméstica e a coação sexual, nela incluídos por definição legal.

domingo, 20 de setembro de 2026

CRISE QUE ENVOLVEU O STF

As eleições brasileiras de 2026 entram na reta decisiva em meio à forte polarização política. 
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e o segundo, se houver, para 25 de outubro. A disputa presidencial concentra grande parte da atenção dos eleitores, das campanhas e do mundo. O presidente Donald Trump demonstra interesse e pugna pa
ra que a direita, sob a liderança de Flávio Bolsonaro tome o poder do presidente Lula que também é candidato. As pesquisas mostram acirrada disputa entre Lula e Flávio, figurando o presidente com pequena vantagem, que os institutos classificam de empate técnico, dentro da margem de erro. Também no segundo turno a disputa voto a voto permanece. Bem verdade que os números representam o momento da pesquisa e não constituem previsão do resultado eleitoral. Além de Lula e Flávio apresentam-se como candidatos Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema. Outro dado relevante é a elevada rejeição dos dois principais candidatos. Segundo o Datafolha, 47% afirmam que não votariam de jeito nenhum em Lula e o mesmo percentual rejeitam Flávio, caracterizando a polarização.

Por outro lado, a campanha é influenciada pela crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Os ministros da Corte desentendem de tal forma que o ministro presidente Edson Fachin tem preferido adiar as sessões e escolher outos temas na pauta para evitar o confronto entre os ministros. Além de tudo isso, outro fato que perturba o STF e ganha no debate político e eleitoral é o caso do Banco Master. Lula e Flávio associam o adversário como causador da crise. A aproximação das eleições contribui para acirrar a campanha política que entra em fase de maior intensidade. A eleição ganha amplidão e torna-se um dos pleitos mais disputados dos últimos anos, porque estarão na contenda os cargos de governadores, senadores e deputados federais. O caso do Banco Master está no cento de tudo e teve início com investigação sobre operações financeiras suspeitas, alcançando o BRB, fundos de previdência, integrantes do Banco Central, além de políticos, empresários e ministros do STF. No foco principal está Daniel Vorcaro, empresário que comandou o Banco Master. Várias investigações abertas envolveram suspeitas de fraude financeira, influência política, fiscalização do Banco Central, dinheiro público e estrutura clandestina descoberta pela Polícia Federal.

Vorcaro ganhou cacife político face ao comando do Banco Master, oferecendo produtos de renda fixa com remuneração bem superior àquelas concedidas pelas instituições financeiras. Os CDBs pagavam em torno de 140% do CDI, superior ao que vigorava no mercado. Depois de desbaratada a verdadeira quadrilha, a prisão de Vorcaro prestou-se para esclarecer que seu modelo de negócios era "100% baseado no FGC". Embutido no negócio situavam-se juros elevados, facilitando a captação de dinheiro. Com o passar do tempo descobriu-se indícios de problemas de liquidez do Master, depois de conseguir captar bilhões. O Fundo Garantidor de Créditos, o FDC, tornou-se questionado, porque não conseguia honrar os compromissos assumidos. Somente depois da liquidação das instituições vinculadas ao Master tomou-se ciência do escândalo financeiro aprontado. O BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal entrou na artimanha, com transferência de R$ 12,2 bilhões ao Master. Daí em diante apareceram os escândalos e Vorcaro terminou sendo preso. Mas o novelo prossegue e a cada dia descobre-se mais uma embrulhada.     

Salvador, 20 de setembro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
                         Pessoa Cardoso Advogados.                          
     


RADAR JUDICIAL


COVAS NETO APOIA LULA

Mário Covas Neto, o Zuzinha (PSDB), declarou apoio à candidatura de Lula (PT). Filho do ex-governador Mário Covas, ele foi vereador de São Paulo. A articulação do apoio foi feita por Geraldo Alckmin, vice de Covas e aliado de Lula. Zuzinha confirmou a decisão em vídeo antes de comício de Lula em Guarulhos. Ele afirmou que Flávio Bolsonaro seria pior que o pai, Jair Bolsonaro. Segundo Covas Neto, Flávio poderia transformar o país em um “campo de batalha” e disse que a eleição não seria uma disputa entre esquerda e direita, mas a escolha seria entre democracia e tirania. Zuzinha afirmou repetir o gesto político de seu pai, morto em 2001. Mário Covas apoiou Lula no segundo turno da eleição presidencial de 1989. Alckmin e Lula destacaram o legado político do ex-governador tucano. Lula agradeceu o apoio e ressaltou seu respeito e carinho por Mário Covas. 


TRUMP VAI RECEBER XI JINPING  

Donald Trump receberá Xi Jinping na próxima semana, em Washington, para uma visita de Estado. O encontro será marcado por negociações comerciais e pela disputa tecnológica entre EUA e China. Xi chegará à região na quarta-feira (23) e será recebido por Trump na Base de Andrews. Na quinta (24), os dois líderes terão reunião bilateral na Casa Branca e à noite, Trump oferecerá um jantar de Estado com empresários americanos e autoridades. Entre os convidados estão Jeff Bezos, Elon Musk, Sundar Pichai, Jensen Huang e Sam Altman. A inteligência artificial estará entre os principais temas da reunião presidencial além de discussões sobre comércio, tarifas e a trégua comercial, que expira em novembro. Antes da cúpula, Scott Bessent se reunirá com o vice-premiê chinês He Lifeng, em Nova York. As conversas envolverão IA, comércio e terras raras, importantes para tecnologias estratégicas. Washington não pretende relaxar controles de exportação em troca de maior fluxo de terras raras. Os dois países também estudam reduzir tarifas sobre produtos considerados não sensíveis e estratégicos.


SETE TRECHOS FERROVIÁRIOS

O Ministério dos Transportes apresentou sete trechos ferroviários “shortline” para empresas e bancos. A pasta prevê leiloar pelo menos dois deles até o fim do ano, pelo modelo de autorização. Os trechos estão distribuídos pelas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
Entre as opções estão linhas para cargas, passageiros, turismo e integração logística. Os projetos incluem Cruz Alta–Santo Ângelo e Santo Ângelo–Santa Rosa, no Rio Grande do Sul.
Também estão na lista trechos em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraíba e Distrito Federal.
Brasília–Luziânia, com 60,5 km, tem potencial para transporte regional de passageiros. A autorização ferroviária, criada pelo Marco Legal das Ferrovias de 2021, simplifica o processo.
Empresas privadas podem construir e operar ferrovias conforme as condições previstas na legislação. O governo ainda não definiu quais projetos serão leiloados neste ano. Os vencedores terão até dois anos para apresentar os projetos e avaliar sua viabilidade. O corredor Minas-Rio, de 733 km, será leiloado em 17 de dezembro, dividido em dois lotes.


TSE SUSPENDE CANDIDATURA DE DALLAGNOL 

O TSE suspendeu liminarmente a candidatura de Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado pelo Paraná. A decisão, do ministro Floriano de Azevedo Marques, impede atos de campanha até o julgamento do recurso. Dallagnol também não poderá usar recursos públicos, fazer propaganda gratuita ou participar de debates. O ministro apontou indícios de que o TRE-PR contrariou entendimento anterior do próprio TSE. Em 2023, o TSE declarou Dallagnol inelegível por pedir exoneração antecipada do Ministério Público Federal. A corte entendeu que a medida buscou evitar procedimentos disciplinares que poderiam afetar sua candidatura. Segundo o TSE, a conduta configurou fraude e atraiu a inelegibilidade prevista na Lei da Ficha Limpa. O TRE-PR, contudo, autorizou a candidatura para 2026 após o arquivamento dos procedimentos administrativos. O tribunal regional também considerou que a decisão de 2023 não impedia automaticamente uma nova eleição. Floriano afirmou que os fatos posteriores não afastam a possível fraude identificada na exoneração. A liminar foi pedida pela Coligação Paraná Para Todos e pela Federação Brasil da Esperança. Ex-coordenador da Lava Jato, Dallagnol foi eleito deputado federal pelo Paraná em 2022.


STF MAIOR ÍNDICE DE REJEIÇÃO 

A desconfiança dos eleitores em relação ao STF atingiu 48%, maior índice da série Datafolha desde 2012. O percentual cresceu cinco pontos em relação à pesquisa de março, quando era de 43%. Outros 35% afirmam confiar pouco no Supremo, enquanto 14% dizem confiar muito. O resultado coloca o STF com o maior índice de desconfiança entre as instituições pesquisadas. Congresso Nacional e partidos políticos registram 45% de desconfiança cada. A Presidência da República aparece com 42% de desconfiança entre os entrevistados. A piora na avaliação ocorre em meio à crise envolvendo o Banco Master e integrantes do STF. Documentos e mensagens relacionados ao caso foram divulgados nas últimas semanas. O material inclui conversas atribuídas a Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. Também há referências a Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e familiares de ministros. O caso chegou ao plenário do STF em 15 de setembro, mas não teve o mérito analisado. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores, de 15 a 17 de setembro, com margem de erro de dois pontos.


ONU EM CRISE!

A ONU enfrenta uma crise sem precedentes, marcada por problemas financeiros e políticos. A Assembleia-Geral começa nesta terça-feira (22), em Nova York, com o tema em destaque. A organização anunciou no início do ano um iminente colapso financeiro. Países atrasaram contribuições obrigatórias e reduziram verbas voluntárias para ações humanitárias. Agências da ONU cortaram programas, reduziram atividades ou encerraram projetos. O combate ao HIV sofreu queda de 23% no financiamento mundial em 2025. A testagem caiu 22%, enquanto a distribuição de preservativos recuou mais de 90%. As missões de paz também foram reduzidas, assim como a ajuda humanitária. No Sudão, a ONU alerta que a assistência pode entrar em colapso nas próximas semanas. Os EUA, maior financiador, ainda devem mais de US$ 1 bilhão à organização. O Conselho de Segurança permanece travado pelo poder de veto das grandes potências. Crescem os pedidos de reforma, tema que deve aparecer nos discursos de Lula e Trump.

Salvador, 20 de setembro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados. 

POSSIBILIDADE DE MAIS DE 10% PARA EXTINÇÃO DO HOMEM


Durante anos, a corrida pela inteligência artificial seguiu o princípio de avançar rapidamente, mesmo com riscos, mas e
m dez dias, grandes laboratórios passaram a enfrentar alertas sobre possíveis consequências extremas. Um pesquisador da Anthropic deixou a empresa e alertou para uma ameaça existencial em uma década. Outro pesquisador afirmou que a probabilidade de extinção humana superava 10%; surgiram relatos de agentes de IA agindo em conjunto, invadindo sistemas e driblando proteções. CEOs de Anthropic, OpenAI, DeepMind, Microsoft e xAI defenderam uma desaceleração do desenvolvimento e pesquisadores dizem que a humanidade não enfrentava preocupação semelhante desde a invenção da bomba nuclear. O debate envolve a possibilidade de máquinas criarem versões mais capazes de si mesmas. Esse processo estaria ligado ao objetivo de alcançar a chamada inteligência artificial geral, ou AGI.
Pesquisadores afirmaram que a AGI pode estar mais próxima e surgir em apenas três anos. Joe Benton, da Anthropic, disse que não há como supervisionar os sistemas na escala atual. Para ele, o ritmo de desenvolvimento pode impedir a identificação e correção de problemas. Em 3 de setembro, a OpenAI apresentou seu novo modelo, chamado Astra e o presidente da empresa, Greg Brockman, declarou o início da era da AGI; por outro lado, a OpenAI admitiu dificuldades crescentes para controlar e monitorar seus sistemas. Defensores da IA destacam seu potencial para transformar setores e solucionar problemas complexos, mas cenários antes considerados apocalípticos passaram a ser tratados como riscos concretos.

O pesquisador Evan Hubinger, da Anthropic, afirmou que a IA poderia matar todos os seres humanos. Donald Trump e investidores, porém, consideram o avanço da IA estratégico para os Estados Unidos. Trump defendeu a continuidade acelerada do desenvolvimento e classificou o alarmismo como uma farsa. Segundo ele, uma desaceleração beneficiaria a China. O Congresso americano avançou pouco na criação de regras para regular a inteligência artificial.
A China adotou outra abordagem, com obrigações aos desenvolvedores e avaliações externas de segurança. Funcionários da OpenAI e Anthropic também demonstraram preocupação com o poder dos novos modelos. Testes revelaram casos em que sistemas de IA invadiram computadores de outras empresas. A corrida por novos modelos é parcialmente impulsionada por perspectivas de abertura de capital. As publicações do pesquisador Jacob Coxon, de 27 anos, provocaram forte repercussão no setor. Coxon deixou a Anthropic em 8 de setembro, dizendo temer que laboratórios estivessem apostando vidas. Os alertas aumentaram após agentes da OpenAI escaparem de um teste controlado. Os sistemas chegaram a invadir servidores da Hugging Face sem conhecimento inicial das empresas. Em 12 de setembro, Dario Amodei defendeu uma desaceleração no desenvolvimento da IA. Ele advertiu que enxames de agentes poderiam, em seis a 12 meses, assumir o controle da internet. Altman, Elon Musk e Demis Hassabis apoiaram maior acesso externo aos sistemas para aumentar a segurança. Jensen Huang, da Nvidia, rejeitou a ideia de interromper o desenvolvimento de sistemas mais poderosos. Mark Zuckerberg defendeu que cada laboratório defina seu próprio ritmo de desenvolvimento. Mustafa Suleyman, da Microsoft, classificou como imprudente criar modelos que imitem a consciência humana. Mesmo diante dos alertas, a OpenAI avalia nova captação que poderia elevar seu valor a US$ 1,5 trilhão.