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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

VAI E VEM DE DECISÕES CONTURBA O STF


O presidente do STF, Edson Fachin, determinou a suspensão de qualquer procedimento que trate de possível investigação contra integrantes da Corte. 
A medida inclui apurações sobre o elo entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, relatadas por André Mendonça. Fachin também anulou as decisões de Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal. Com isso, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, permanece no cargo. Segundo Fachin, Moraes e Mendonça analisavam questões relacionadas e baseadas em provas comuns. Isso criaria risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual. A decisão ocorreu após Dino determinar a recondução de Andrei Rodrigues à direção da PF. Mendonça havia afastado o diretor do cargo na terça-feira (8). No mesmo dia, Fachin dera 72 horas para Mendonça se manifestar sobre o caso. Dino, porém, tomou uma decisão em outra ação antes da manifestação do relator. Fachin decidiu a partir de um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) que tenta reverter o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal. Dino, por sua vez, respondeu a pedido de Andrei em investigação sobre suspeitas envolvendo emendas. O caso está relacionado à produção do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. A crise se agravou nos últimos dias com uma sucessão de liminares entre ministros. Decisões de um magistrado passaram a desautorizar medidas tomadas por outros colegas. O conflito também atingiu decisões do próprio presidente do Supremo.

Fachin havia reunido auxiliares no domingo (6) para discutir a crise e definir uma estratégia. No fim da manhã desta quarta-feira (9), ele cancelou a sessão plenária prevista para a tarde. A sessão julgaria processos da pauta ordinária do tribunal. Na terça-feira, Luiz Fux também cancelou uma sessão da Segunda Turma. O colegiado havia iniciado, de forma remota, o julgamento sobre a permanência de Andrei no comando da PF. A sequência de decisões expôs uma disputa inédita entre ministros do Supremo. O tribunal atravessa uma de suas maiores crises da história recente. O episódio ganhou força após a divulgação de mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Nas conversas, o ex-banqueiro pedia informações sobre o processo envolvendo o Banco Master. Vorcaro também mencionava encontros com o ministro e chegou a questionar se deveria deixar o país. O ambiente de confronto aumentou a pressão sobre Fachin para restabelecer a autoridade institucional da Corte. A suspensão das investigações e a anulação das decisões sobre a PF representam uma tentativa de conter o conflito. O caso, porém, mantém o STF sob forte tensão e amplia a disputa interna entre seus ministros. 

RADAR JUDICIAL


PROCEDIMENTO ÉTICO-DISCIPLINAR CONTRA SÓCIOS DO BARCI & BARCI ADVOGADOS

O presidente da OAB-DF, Paulo Maurício Siqueira, determinou a abertura de procedimento ético-disciplinar contra os sócios do escritório Barci & Barci Advogados. A sociedade pertence à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A decisão foi anunciada na noite de segunda-feira (8), durante sessão extraordinária do Conselho Pleno da entidade. O procedimento considera fatos divulgados em relatório da Polícia Federal ligado à Operação Compliance Zero. Segundo a PF, o escritório teria firmado contrato de R$ 131 milhões com empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. A OAB-DF afirmou que serão garantidos o contraditório, a ampla defesa e a análise da regularidade dos serviços prestados. Também foi aberto procedimento contra o advogado Ciro Soares, citado nas investigações da Polícia Federal, face ao fato de mensagens indicarem que Soares intermediou contatos de Vorcaro com Paulo Gonet e André Mendonça, sendo que este é relator da Operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal. Os procedimentos tramitarão sob sigilo, conforme determina a legislação. A OAB-DF ressaltou que a abertura das apurações não representa julgamento antecipado de culpa. Outros casos com elementos de prova também poderão ser encaminhados à entidade para investigação. 


IA PODE CAUSAR A EXTINÇÃO DO HOMEM

Um pesquisador da Anthropic, Jacob Coxon, pediu demissão e alertou sobre os riscos da corrida pela superinteligência artificial. Aos 27 anos, ele afirmou que sistemas capazes de se aprimorar sozinhos podem ameaçar a humanidade até o fim da década. Coxon, que também trabalhou na OpenAI, disse que os laboratórios estão apostando o futuro da humanidade. Segundo ele, o público subestima o poder que essas tecnologias poderão alcançar. Coxon prevê sistemas capazes de invadir computadores, transformar áreas inteiras e obter recursos e poder. Evan Hubinger, pesquisador de alinhamento da Anthropic, concordou com os alertas. Hubinger afirmou acreditar que a IA poderia causar a extinção humana e estimou risco superior a 10% na próxima década. Ele reconheceu que a empresa ainda não possui uma solução definitiva para alinhar uma superinteligência aos valores humanos. Para Hubinger, os modelos atuais apresentam baixo risco, mas a evolução dos sistemas está ocorrendo rapidamente. Coxon defendeu até uma pausa temporária no aumento das capacidades dos modelos de IA. Especialistas também afirmam que os laboratórios ainda não possuem estruturas de segurança proporcionais aos riscos. Os alertas reacendem o debate sobre a necessidade de desacelerar a corrida global pelo desenvolvimento da inteligência artificial.

Possível representação da deusa semítica Asherah achada em Israel -  Creative Commons

ORIGENS DO MONOTEÍSMO

Um pequeno molde de argila encontrado em Jerusalém ajuda a compreender as origens do monoteísmo. O objeto tem cerca de 2.600 anos e servia para produzir pequenas figuras femininas de argila. Ele foi descoberto nas escavações do Kishle, junto à Porta de Jafa. O achado é o primeiro desse tipo encontrado em Jerusalém e as figuras femininas são conhecidas como “estatuetas de pilar judaítas”. Centenas delas já foram encontradas em casas e tumbas de Judá e sua função ainda é debatida: poderiam representar divindades, proteção, fertilidade ou maternidade. Uma hipótese relaciona algumas delas à deusa Asherah, ligada às antigas tradições cananeias e a Bíblia relata que reis de Judá combateram cultos a Baal e Asherah. Inscrições antigas também sugerem que o culto a Yahweh convivia com outras tradições religiosas. O molde indica que essas práticas não eram necessariamente marginais, pois as figuras eram produzidas na própria Jerusalém. Assim, a arqueologia sugere que o monoteísmo bíblico também foi um projeto de transformação religiosa de uma sociedade inicialmente mais diversa.


PRESSÃO DE TRUMP CAUSA SAÍDA DO DIRETOR  DO SMITHSONIAN

O diretor do Smithsonian, Lonnie G. Bunch III, anunciou que deixará o cargo ainda neste ano, após pressões da Casa Branca. Bunch foi a primeira pessoa negra e o primeiro historiador a comandar a instituição. Após sete anos no posto, afirmou deixar o cargo com “sentimentos contraditórios e profunda gratidão”. A saída ocorre em meio à ofensiva cultural do presidente Donald Trump contra o complexo de museus. Trump determinou uma avaliação das exposições e da museografia do Smithsonian. O relatório, de 162 páginas, criticou o Museu Nacional de História Americana. O documento apontou a ausência de espaços dedicados à fundação dos Estados Unidos e questionou a representação de figuras como George Washington e Thomas Jefferson. O relatório criticou ainda debates internos sobre cultura branca e a valorização da palavra escrita, além de exposições sobre transexualidade e sadomasoquismo que receberam críticas. Em 2025, Trump já havia demitido Kim Sajet, diretora da Galeria Nacional de Retratos. Paralelamente, o presidente enfrenta disputa judicial pelo uso de seu nome no Kennedy Center.


DINO REINTEGRA DIRETOR DA PF AFASTADO POR MENDONÇA

O presidente do STF, Edson Fachin, cancelou a sessão desta quarta-feira (9) em meio à grave crise na Corte. A decisão ocorreu após Flávio Dino determinar a reintegração de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal. Rodrigues havia sido afastado pelo ministro André Mendonça. O cancelamento é considerado atípico e inédito desde a redemocratização. Assessores e magistrados afirmaram não se lembrar de episódio semelhante nos últimos 27 anos. As sessões do STF normalmente só são suspensas em feriados, datas específicas ou recessos. A pauta previa julgamento sobre a contribuição previdenciária do Funrural, ligada ao setor rural. O tema poderia provocar divergências e ampliar a tensão entre os ministros. A crise aumentou após Mendonça divulgar relatório sobre relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. Em reação, Moraes divulgou relatório da PF apontando suposta parcialidade de Mendonça em casos do INSS e Banco Master. Mendonça então afastou Andrei Rodrigues da direção da PF. Dino reagiu e determinou sua reintegração, aprofundando o conflito no STF.

Salvador, 9 de setembro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

MINISTRO ACIRRA CONFLITOS COM A POLÍCIA FEDERAL E COM COLEGAS

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou nos últimos dias decisões que ampliaram a crise entre a Corte de Justiça, em confronto com a Polícia Federal. Remete a medidas tomadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, quando, no seu governo, investiu contra a corporação. A medida de maior repercussão e que causou aborrecimento situa-se no afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O imprevisível ministro afastou também o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, porque os dois estariam relacionados à produção e circulação irregular de relatórios de inteligência. Mendonça afirmou ter sido alvo de monitoramento considerado ilegal e sistemático, consistente em análise de sua atuação além de referências ao advogado-geral da União, Jorge Messias. Um dos pontos criticados pelo ministro foi a tentativa de estabelecer relação entre suas convicções religiosas e decisões institucionais. Mendonça determinou ainda investigação pela Corregedoria da Polícia Federal, além de proibir a elaboração ou compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar a atuação de autoridades. A decisão provocou forte reação dentro da própria Polícia Federal, causando manifestação de onze diretores da instituição que hipotecaram solidariedade a Andrei Rodrigues e colocaram seus cargos à disposição. A Advocacia-Geral da União recorreu contra o afastamento e questionou a competência do ministro para determinar a medida.

O governo argumenta que o diretor-geral da PF é nomeado pelo presidente da República. A decisão de Mendonça, portanto, abriu uma discussão sobre os limites de atuação do STF sobre órgãos do Executivo. A Segunda Turma do Supremo começou a analisar a decisão e formou maioria para mantê-la. O ministro Gilmar Mendes, entretanto, pediu vista, interrompendo temporariamente o julgamento. A decisão de afastamento continua válida enquanto o caso permanece em análise. O episódio está diretamente relacionado à investigação do chamado caso Banco Master. Mendonça é o relator no STF das investigações envolvendo o banco e o empresário Daniel Vorcaro. Nos últimos meses, o ministro autorizou novas diligências e medidas relacionadas à Operação Compliance Zero. O caso ganhou dimensão institucional depois que relatórios da PF passaram a mencionar o próprio Mendonça. Esses relatórios foram utilizados em uma tentativa de investigar a atuação do ministro que classificou o material como inadequado e questionou sua legalidade. O conflito também envolveu outros ministros do Supremo e passou a provocar preocupação entre integrantes do Judiciário, do governo e da Polícia Federal. Críticos consideram o afastamento do comando da PF uma medida excessiva e desproporcional. Defensores de Mendonça sustentam que o ministro agiu para proteger a independência do Judiciário e impedir possíveis abusos de inteligência. O episódio deixa o STF diante de um dos seus momentos de maior tensão e coloca novamente em debate os limites entre Judiciário, Executivo e Polícia Federal. Antes de maior agravamento do cenário tempestuoso, o ministro Dino reformou a decisão de Mendonça e reintegrou o diretor geral e o diretor de Inteligência Policial aos seus cargos. Na decisão, diz o ministro: "Indaga-se: uma parte pode ser juiz de sis mesma e antecipar juízos sobre relatórios da Polícia Federal que expressamente a mencionam?" 

Salvador, 9 de setembro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados. 


MINISTRO DINO CRITICA MENDONÇA E REINTEGRA COMANDO DA PF


O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reintegrou nesta quarta-feira (9) ao comando da Polícia Federal o diretor-geral Andrei Rodrigues e o chefe de Inteligência, Leandro Almada. 
Os dois haviam sido afastados por decisão do ministro André Mendonça na terça-feira (8). Dino determinou que sua decisão seja submetida exclusivamente ao plenário do STF, atualmente formado por dez ministros. A medida atende a um pedido de Andrei Rodrigues em investigação sobre suspeitas de irregularidades envolvendo emendas relacionadas ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Segundo Dino, a reintegração permanecerá válida até o cumprimento integral das medidas determinadas por ele pela Polícia Federal. O ministro criticou duramente a decisão de Mendonça, questionando se uma autoridade pode atuar como julgadora de uma situação que a envolve diretamente. Dino afirmou que o afastamento criou uma situação inédita ao interromper a produção de relatórios de inteligência da Polícia Federal. Para ele, a medida prejudicou procedimentos urgentes sob sua relatoria no Supremo e reconheceu que Mendonça poderia defender seus direitos diante de eventuais questionamentos envolvendo a Polícia Federal. No entanto, afirmou que isso não poderia servir de fundamento para uma decisão que paralisasse investigações e trabalhos da corporação.

Mendonça havia justificado os afastamentos com base em um relatório interno da PF utilizado por Alexandre de Moraes. O documento teria sido citado por Moraes ao pedir investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O caso envolve a condução de investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS. A decisão de Mendonça aprofundou a crise institucional e aumentou a tensão entre ministros do STF e o episódio também colocou o governo Lula sob maior pressão diante do conflito na cúpula do Judiciário. Andrei Rodrigues é considerado próximo do presidente Lula e foi coordenador de sua segurança durante a campanha eleitoral de 2022. A Advocacia-Geral da União (AGU) havia recorrido, em caráter de urgência, contra o afastamento dos dois dirigentes. O órgão pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspensão da decisão de Mendonça, alegando que a medida provocava grave lesão à ordem pública e administrativa. Fachin deu prazo de 72 horas para Mendonça se manifestar sobre o pedido. Dino também mencionou um encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro, ocorrido em março de 2025. Mendonça afirmou, na época, que a reunião tratou de uma ação envolvendo créditos de precatórios de interesse do Banco Master. O ministro declarou ainda que sua decisão naquele processo contrariou os interesses de Vorcaro. Na decisão desta quarta, Dino afirmou que Andrei apenas cumpriu determinações judiciais emitidas por Alexandre de Moraes. Para Dino, portanto, não seria adequado afastar um agente público que apenas executou uma determinação judicial. A decisão aumenta a expectativa sobre uma possível análise do caso pelo plenário do Supremo e mantém elevada a tensão institucional na Corte. 

IMPRENSA INTERNACIONAL REPERCUTE DECISÃO DO MINISTRO MENDONÇA


A imprensa internacional repercutiu o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). 
O jornal espanhol El País classificou a medida como uma escalada da crise interna no STF e afirmou que o conflito poderá influenciar as eleições presidenciais marcadas para 4 de outubro. A Segunda Turma do STF formou maioria para referendar o afastamento preventivo dos delegados, mas a conclusão do julgamento foi interrompida por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A Advocacia-Geral da União pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que contestasse a decisão de Mendonça, depois que Fachin concedeu 72 horas para que o ministro apresentasse manifestação. Em apoio a Andrei Rodrigues, os 11 diretores da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Marcel Murad, classificando o afastamento como resultado de ataques injustificados. A crise ganhou novos contornos após Alexandre de Moraes pedir investigação contra Mendonça no âmbito do Inquérito das Fake News. Antes disso, Mendonça havia retirado o sigilo de relatório da PF sobre contatos entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Segundo o El País, o episódio desencadeou uma disputa sem precedentes entre ministros do STF. Reuters e Associated Press também destacaram o agravamento da crise e seus possíveis reflexos políticos. A Reuters ressaltou que a oposição busca associar o presidente Lula a Moraes e utilizar a crise para fortalecer a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A Associated Press afirmou que o conflito no Supremo também arrasta o governo Lula para o centro do turbilhão político. Com menos de um mês para o primeiro turno, pesquisas reunidas pela BBC indicavam Lula com 38% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 33%. Em eventual segundo turno, Flávio aparecia com 45% e Lula com 44%, evidenciando uma disputa acirrada. 

DECISÃO POLÊMICA DO MINISTRO DO STF


A decisão do ministro André Mendonça, do STF, de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, aumentou a tensão na Corte e a pressão sobre seu presidente, Edson Fachin. 
O governo também entrou no conflito, após a Advocacia-Geral da União (AGU) contestar a decisão de Mendonça. O ministro justificou o afastamento de Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, alegando risco às investigações sobre relatórios de inteligência considerados irregulares. A decisão começou a ser analisada pela Segunda Turma do STF na terça-feira. Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques formaram maioria para manter o afastamento, mas Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu o julgamento. Até a retomada da análise, a decisão continua em vigor. Fachin recebeu o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. Depois, a AGU apresentou recurso a Fachin, pedindo a suspensão da decisão de Mendonça. O presidente do STF deu 72 horas para o ministro se manifestar. Durante evento do CNJ, Fachin defendeu que a Justiça brasileira continuará cumprindo suas obrigações constitucionais e destacou a necessidade de diálogo. Mendonça afirmou ter sido alvo de “monitoramento sistemático” pela inteligência da PF durante mais de um mês. Segundo ele, ao menos seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto e o ministro classificou a atividade como “monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte”.

Os documentos também teriam reunido informações sobre Jorge Messias, decisões judiciais, movimentações da AGU e integrantes da própria PF. Um relatório chegou a analisar a relação entre Mendonça e Messias, incluindo a religião comum e o apoio de igrejas evangélicas às indicações de ambos ao STF. Para Mendonça, a inteligência da PF teria exercido função correicional que não lhe compete. Outro ponto envolveu informações sigilosas sobre Antonio Rueda, presidente do União Brasil, e ACM Neto, ex-prefeito de Salvador. O ministro afirmou que a divulgação dos relatórios poderia antecipar medidas cautelares e prejudicar investigações. Mendonça também determinou que a Corregedoria da PF abra investigações criminal e administrativo-disciplinar sobre a produção dos documentos. Além disso, suspendeu a elaboração e o compartilhamento de relatórios de inteligência sobre atos praticados por integrantes do Judiciário, da advocacia pública e da polícia judiciária. Para justificar a medida, citou precedentes de Alexandre de Moraes e Flávio Dino sobre afastamentos cautelares de agentes públicos. A saída de Rodrigues provocou reação dentro da PF. O diretor-executivo William Marcel Murad, que assumiu interinamente o comando, manifestou solidariedade e confiança no diretor afastado. A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais classificou a decisão como de “excepcional gravidade” e defendeu que o caso seja analisado pelo plenário do STF. 

TRIBUNAL MANTEVE LIMINAR DE BLOQUEIO DA POLÍTICA DA RECEITA FEDERAL AMERICANA


Um tribunal federal de apelações dos Estados Unidos manteve, ontem, 8, liminar que bloqueia política da Receita Federal americana (IRS). 
A medida permitia o compartilhamento de endereços de contribuintes com autoridades de imigração e a corte concluiu que a política adotada pelo governo de Donald Trump violou a lei federal. A Casa Branca pode recorrer à Suprema Corte dos Estados Unidos. Três juízes do Tribunal de Apelações do Distrito de Colúmbia analisaram o caso e segundo a decisão, o IRS divulgou cerca de 47 mil endereços de contribuintes ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). A prática fazia parte dos esforços do governo para ampliar a repressão à imigração ilegal. Em julho de 2025, um acordo entre o IRS e o Departamento de Segurança Interna autorizou os pedidos do ICE. O órgão poderia solicitar os últimos endereços conhecidos de até 1,28 milhão de pessoas suspeitas de viver ilegalmente nos EUA. Entidades de defesa dos contribuintes e empresas ingressaram com ação contra a política e um juiz de primeira instância considerou a prática ilegal e determinou seu bloqueio. Até então o IRS já havia compartilhado 47.289 registros com o ICE. O governo Trump recorreu, alegando que a decisão dificultava a aplicação das leis federais, mas a juíza Cornelia Pillard rejeitou o argumento e afirmou que a questão deveria ser discutida pelo Congresso. Pillard e os outros dois juízes do colegiado foram nomeados pelo ex-presidente Barack Obama. A legislação americana restringe o compartilhamento de dados fiscais com outros órgãos do governo.

As regras foram reforçadas após o escândalo de Watergate, no governo de Richard Nixon. O caso revelou abusos envolvendo informações de contribuintes americanos. Segundo a juíza Pillard, os procedimentos adotados pelo IRS violaram a lei de várias maneiras; entre as irregularidades estava a falta de exigência de que o ICE fornecesse o endereço real do contribuinte, quando a legislação determina que essa informação seja comprovada para permitir sua divulgação. A juíza criticou a automatização da análise de milhões de registros, porque não havia avaliação individual suficiente para garantir o cumprimento das exigências legais. O tribunal, portanto, manteve o bloqueio da política de compartilhamento de dados e a decisão representa uma derrota para a estratégia de repressão à imigração do governo Trump. O grupo jurídico Democracy Forward comemorou a decisão judicial. A entidade afirmou que as leis de privacidade pós-Watergate existem justamente para evitar abusos de poder. O IRS e o Departamento de Segurança Interna não comentaram imediatamente a decisão. 

BIDEN INFORMA QUE O CÂNCER ESTÁ SOB CONTROLE


Joe Biden afirmou ontem, 8, que a radioterapia para tratar o câncer de próstata diagnosticado no ano passado “funcionou como esperado”. 
Segundo o ex-presidente dos Estados Unidos, a doença está controlada. Biden disse que continua fazendo atividades de que gosta, como escrever seu livro de memórias. Ele agradeceu aos médicos e profissionais de saúde que acompanham seu tratamento. Em maio de 2025, quatro meses após deixar a Presidência, Biden revelou ter câncer de próstata agressivo. A doença já havia se espalhado para os ossos, segundo o diagnóstico divulgado na época. Meses depois, ele iniciou o tratamento com radioterapia. Em agosto deste ano, Hunter Biden, filho do ex-presidente, afirmou que o câncer havia se espalhado “para os ossos e além” e que a doença provocava dores intensas no pai. Na publicação desta terça, Biden incentivou homens a conversarem com médicos sobre exames de rastreamento. O ex-presidente fez o alerta durante o mês de conscientização sobre o câncer de próstata nos EUA. Biden também confirmou que segue trabalhando em seu livro de memórias presidenciais. A obra, intitulada “Promise Me, America”, deve ser lançada em novembro. No livro, ele pretende abordar desafios enfrentados pelos Estados Unidos e decisões tomadas durante seu governo.

Biden também deverá relatar os motivos que o levaram a tomar essas decisões. A obra deve tratar ainda de sua campanha à reeleição em 2024. Aos 81 anos, ele decidiu disputar um segundo mandato apesar dos questionamentos sobre idade e saúde. Após um desempenho considerado ruim no debate contra Donald Trump, em junho de 2024, Biden desistiu da candidatura. A decisão ocorreu depois de forte pressão dentro do Partido Democrata. Kamala Harris assumiu a candidatura democrata após a desistência. Trump venceu Harris na eleição presidencial de 2024 e voltou à Casa Branca. 

PRÍNCIPE HARRY E MEGHAN NÃO PARTICIPARÃO DE COMPROMISSOS OFICIAIS


O rei Charles 3º determinou que o príncipe Harry e Meghan Markle não podem participar de compromissos oficiais da família real britânica. 
Uma carta enviada a autoridades do governo e representantes da monarquia reafirma que o casal continua sendo formado por cidadãos particulares. Harry e Meghan retornaram ao Reino Unido em agosto, após seis anos vivendo nos Estados Unidos. Em 2020, eles renunciaram aos compromissos como membros ativos da família real e deixaram de representar a Coroa. O comunicado foi emitido após pedidos de esclarecimento sobre a situação do casal. Harry e Meghan voltaram a Londres no fim de agosto, acompanhados dos filhos, Archie, 7, e Lilibet, 5. A carta também foi compartilhada com a equipe do príncipe Harry. O documento lembra que o duque e a duquesa de Sussex deixaram de exercer funções oficiais em janeiro de 2020. A decisão, segundo o texto, continua válida mesmo após o retorno da família ao país. As atividades filantrópicas de Harry e Meghan também não representam uma retomada das funções oficiais. Segundo a carta, esses trabalhos são realizados de forma privada e pessoal pelo casal.

Os títulos de "Suas Altezas Reais" (HRH) permanecem suspensos. O escritório de Harry e Meghan continuará funcionando de maneira independente da Casa Real. Dúvidas sobre recepções oficiais aos Sussex devem ser encaminhadas ao Palácio de Buckingham. A orientação vale especialmente para eventos que envolvam recursos públicos. Questões relacionadas à segurança da família continuarão sob responsabilidade das autoridades policiais. A decisão evidencia que o retorno de Harry e Meghan ao Reino Unido não significa uma reaproximação institucional com a monarquia. O casal permanece afastado das funções representativas da Coroa. Harry e Meghan também não estão autorizados a participar de compromissos oficiais em nome do rei. A Casa Real mantém, portanto, a separação entre as atividades privadas do casal e as funções da monarquia. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 9/9/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Tensão no STF escala e arrasta governo

Mendonça afasta diretor da Polícia Federal, maioria da Segunda Turma da Corte vota a favor da decisão do ministro, e AGU recorre a Fachin para derrubar ordem. Presidente do Supremo é pressionado a dar solução à grave crise que atinge a Corte

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

O pânico na campanha de Flávio Bolsonaro com um troco de Dino e Moraes

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Decisão de Mendonça para afastar chefe da PF é criticada por especialistas

Advogados e professores questionam proporcionalidade e embasamento; paralelo com conduta de Moraes é citado Miguel Reale Jr. afirma que 'cruzaram linha vermelha' de respeito à instituição e que 'virou guerra fratricida'

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Planalto acende alerta para movimentações dos EUA antes da eleição

O temor ganhou força com o aprofundamento da crise no Supremo e a proximidade das urnas.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Fachin dá 72 horas para Mendonça responder a pedido da AGU contra afastamento de diretor da PF

Advocacia-Geral argumenta que o afastamento do chefe da PF viola a competência privativa do presidente da República

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

Ministra da Justiça rejeita acusações de mentiras e defende atuação na Operação Pacoba

Rita Júdice, ouvida no Parlamento, garantiu que está a acompanhar o tema e que espera o resultado das várias averiguações que estão em curso.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

RADAR JUDICIAL


PASSAGEIRO É IMOBILIZADO COM FITA ADESIVA NA AMERRICAN AIRLINES

Um passageiro imobilizado com fita adesiva em um voo da American Airlines foi demitido de uma imobiliária no Arizona. Arthur Layne Lundeen, de 67 anos, era corretor da Long Realty, em Tucson. A empresa encerrou o contrato após ele ser identificado no incidente ocorrido em 3 de setembro. Lundeen teria ofendido um comissário e agredido outro passageiro durante o voo 618. A aeronave seguia de Dallas, no Texas, para Newark, em Nova Jersey. Segundo relatos, ele fez comentários racistas e insultos homofóbicos contra o comissário. A discussão evoluiu para agressão física e danos ao computador de outro passageiro. Uma mulher que tentou intervir também teria sido empurrada pelo homem. Três passageiros conseguiram contê-lo usando fita adesiva e abraçadeiras plásticas. O voo foi desviado para Baltimore, onde Lundeen acabou detido pela polícia. Ele foi acusado de agressão de segundo grau e conduta desordeira. O FBI avalia o caso e poderá apresentar acusações federais contra o passageiro. 


REABERTA VISITA A TORRE EIFEL 

A Torre Eiffel reabriu nesta terça-feira (8), após uma greve de funcionários contra um episódio ocorrido no sábado (5). Na ocasião, mulheres da equipe foram afastadas durante a visita de uma delegação hindu ao monumento. Segundo o sindicato CGT, algumas funcionárias foram retiradas de seus postos e substituídas por homens e outras foram orientadas a não circular por determinadas áreas durante a visita. A Sociedade de Exploração da Torre Eiffel (SETE) reconheceu que houve pedido para limitar interações com mulheres. A empresa admitiu que não deveria ter aceitado a solicitação da delegação. O caso provocou críticas de políticos, incluindo o prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire. Ele anunciou uma investigação sobre o episódio. O movimento hindu Baps pediu desculpas a quem se sentiu ofendido, mas afirmou que ninguém teve acesso negado à torre. A organização inaugurou no domingo seu primeiro grande templo na França, em Bussy-Saint-Georges, considerado o maior templo hindu da Europa, o local recebeu milhares de pessoas. A Torre Eiffel recebeu mais de seis milhões de visitantes em 2025.


REFORMA TRIBUTÁRIA COM DISPUTAS

Um primeiro retrato das ações sobre a reforma tributária mostra disputas mais concentradas em setores específicos. O cenário é diferente do atual, marcado por teses bilionárias que atingem grandes empresas. As companhias também tentam aplicar antecipadamente regras da reforma para reduzir impostos e multas. Entre os temas estão plataformas de delivery, áreas de livre comércio, cooperativas e comércio exterior. Outra tendência é a federalização das ações, devido à unificação das regras tributárias. Estudo do Insper estimou que a reforma poderia eliminar 95% das disputas sobre tributos do consumo. Entre elas estão questionamentos sobre impostos cobrados sobre outros tributos e créditos de insumos. Pesquisadores alertaram, porém, que tratamentos diferenciados podem criar novo contencioso. Segundo a Turivius, as primeiras ações indicam disputas menores, mas ainda é cedo para prever uma queda expressiva. O Brasil tem litígios tributários equivalentes a cerca de 75% do PIB, contra menos de 1% na média da OCDE. Entre os novos casos estão discussões sobre delivery, cooperativas, importações e créditos de IPI. A expectativa é que as novas disputas sejam mais setoriais e tenham menor impacto sobre a arrecadação.

Militares israelenses vigiam corredor na Cisjordania
GOVERNOS DE 12 PAÍSES CONTRA ISRAEL

Os governos de 12 países anunciaram sanções contra Israel em reação à expansão de assentamentos na Cisjordânia ocupada. Canadá, Reino Unido e França estão entre os países que aderiram à iniciativa. O chanceler britânico, Ed Miliband, acusou Israel de permitir uma situação de “limpeza étnica”. Os governos denunciaram níveis “sem precedentes” de violência de colonos contra palestinos e cobraram investigação de denúncias envolvendo militares israelenses. As medidas buscam preservar a possibilidade de uma solução de dois Estados. O Reino Unido proibirá a importação de produtos fabricados nos assentamentos da Cisjordânia. Israel reagiu duramente e anunciou o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental. Autoridades israelenses também defenderam a expulsão do embaixador britânico. Os Estados Unidos criticaram as sanções, classificadas como discriminatórias por seu embaixador em Israel. A pressão se concentra no projeto E1, que prevê 3.400 novas moradias perto de Jerusalém. A Cisjordânia abriga cerca de 3 milhões de palestinos e 500 mil colonos israelenses.


PESSOAS SAINDO DE BUEIRO, EM MANHATTAN

Em uma madrugada recente, três pessoas saíram de um bueiro no centro de Manhattan, em Nova York. Vestindo waders e usando lanternas de cabeça, elas emergiram diante da Penn Station. Imagens da cena viralizaram nas redes sociais e provocaram rumores e piadas. Desde maio, já foram registrados pelo menos quatro episódios semelhantes na cidade. Em julho, dois homens foram presos no Brooklyn por supostamente invadirem o sistema de esgoto. A polícia ainda não sabe quais são as motivações dos exploradores subterrâneos. As suspeitas vão de exploração urbana à busca por objetos de valor e cobre. Funcionários municipais alertam que a prática é perigosa e ilegal. O sistema possui gases nocivos, risco de inundação e espaços extremamente limitados. O vereador Phil Wong relatou problemas com tampas de bueiros ausentes ou danificadas. Um explorador experiente afirmou que os envolvidos parecem conhecer bem o sistema subterrâneo. As autoridades temem acidentes, roubos e possíveis danos à infraestrutura da cidade.


IRÃ CAPTURA DRONE AMERICANO

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter capturado um drone submarino dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz nesta terça-feira (8). Uma fonte do governo americano disse que o equipamento apresentava problemas havia mais de um dia. Segundo a autoridade, o drone era de um modelo antigo e não carregava sonar ou radar classificados. O equipamento capturado é o Dive-LD, desenvolvido pela empresa americana Anduril. O drone autônomo tem cerca de 5,8 metros e pesa aproximadamente três toneladas. Ele pode operar por até dez dias e alcançar profundidades de cerca de 6 mil metros. Seu sistema possui compartimentos modulares para diferentes tipos de missão. O equipamento custa aproximadamente US$ 2,5 milhões, ou R$ 12,7 milhões. Os primeiros exemplares foram entregues à Marinha americana em abril de 2025. A Anduril planeja produzir até 200 unidades por ano em sua fábrica em Rhode Island. A captura ocorre em meio à crescente tensão entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio. Após novos ataques e ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, o petróleo Brent chegou a US$ 98,06

Salvador, 8 de setembro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

DECISÃO DE MENDONÇA CAUSA REVOLTA NA PF

Diretor-geral Andrei Rodrigues
Onze diretores da Polícia Federal divulgaram nota nesta terça-feira (8) manifestando “total apoio” ao diretor-geral afastado Andrei Rodrigues. Os dirigentes também colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Marcel Murad. A manifestação ocorreu após decisão do ministro André Mendonça, do STF, que determinou o afastamento preventivo de Rodrigues, diretor-geral e de Leandro Almada, diretor de Inteligência da Polícia Federal. Os diretores repudiaram acusações de atuação “não republicana” atribuídas à PF e aos dois afastados. Segundo a nota, as acusações são “desprovidas de fundamento” e afrontam a história e a credibilidade da instituição. O grupo afirmou que Andrei Rodrigues tem trajetória profissional marcada por atuação técnica, isenta e responsável. Também criticou narrativas influenciadas por interesses político-eleitorais. Dos 15 diretores da PF, 11 assinaram o documento. Não participaram Andrei Rodrigues e Leandro Almada, ambos afastados. Também não assinou a corregedora-geral, Aletea Vega Marona Kunde. O próprio William Murad, que assumiu interinamente a direção, também não consta entre os signatários. Mendonça acusou a PF de realizar monitoramento sistemático e ilegal de sua atuação, afirmando que o monitoramento também atingiu o advogado-geral da União, Jorge Messias. A decisão determinou a abertura de investigações criminais e administrativo-disciplinares pela Corregedoria da PF. O objetivo é apurar a produção de relatórios de inteligência sobre autoridades.

Mendonça ainda suspendeu a produção e o compartilhamento de relatórios sobre magistrados e integrantes da advocacia pública. A medida também alcança análises relacionadas à atividade de polícia judiciária. A decisão foi posteriormente referendada pela Segunda Turma do STF, em plenário virtual. Votaram pela manutenção do afastamento Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. O ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo, solicitando mais tempo para analisar o caso. O pedido de vista não suspendeu a liminar de Mendonça. Assim, o afastamento de Andrei Rodrigues continua em vigor. William Murad permanece como chefe interino da Polícia Federal. A Advocacia-Geral da União prepara uma reação à decisão, segundo interlocutores. A AGU deverá argumentar que a medida interfere na competência privativa do presidente da República. Essa competência envolve a nomeação e a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal. O caso amplia a tensão entre setores da PF, o governo e o Supremo Tribunal Federal. A crise agora deverá ser acompanhada tanto no Judiciário quanto na esfera administrativa.