CANTORA CONDENADA A 74 CHICOTADAS
A cantora iraniana Parastoo Ahmadi, de 29 anos, foi condenada a 74 chicotadas por divulgar conteúdo considerado imoral após publicar um vídeo no YouTube cantando sem hijab. Oito integrantes de sua equipe receberam a mesma punição. Além das chicotadas, Ahmadi está proibida de exercer atividades artísticas e de viajar por dois anos. No vídeo, gravado em 2024, ela aparece de vestido preto, com os ombros à mostra, cantando sozinha — algo proibido para mulheres no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. Após a apresentação, a artista e dois músicos foram detidos e liberados dias depois mediante pagamento de fiança. A sentença foi confirmada nesta semana. Conhecida por sua oposição ao regime iraniano, Ahmadi ganhou destaque durante os protestos do movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, iniciados após a morte de Jina Mahsa Amini sob custódia da polícia moral. O caso ocorre em meio à continuidade dos protestos de mulheres iranianas contra a obrigatoriedade do véu islâmico e outras restrições impostas pelo regime.
MULHER VIVE NO AEROPORTO DE BELÉM HÁ SEIS MESES
A imigrante de Serra Leoa, Fatmata Sessay, 56 anos, vive há cerca de seis meses no Aeroporto Internacional de Belém após não conseguir seguir viagem para o Panamá por ter tido o passaporte roubado. Desde então, dorme no saguão e recebe alimentação e apoio da assistência social municipal. Nesta semana, ela recebeu do Ministério Público do Pará uma passagem para embarcar ao Panamá no próximo dia 22, destino onde pretende reencontrar o filho de 15 anos. Emocionada, agradeceu a ajuda recebida. A Justiça Federal determinou ainda que o Governo do Pará e o Itamaraty prestem assistência consular em até 48 horas para regularizar sua documentação e obter os vistos necessários para a Colômbia e o Panamá. Fatmata relata que saiu de São Paulo, onde vivia havia 18 anos, e enfrentou assaltos no Peru e em Belém durante a viagem. Após perder uma passagem já comprada para o Panamá, ficou sem recursos para seguir viagem. Apesar de ter conseguido emitir um novo passaporte, permaneceu vivendo no aeroporto por se sentir mais segura no local. O caso mobilizou órgãos públicos, voluntários e entidades de defesa dos direitos humanos, que denunciam abandono institucional e situação de vulnerabilidade da imigrante.
PROFESSOR É CONDENADO A 178 ANOS E MESES
O professor de jiu-jitsu Alcenor Alves Soeiro foi condenado a 178 anos e 5 meses de prisão, além de 3 anos de detenção e multa, por abusos sexuais contra alunos no Amazonas. A sentença foi publicada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas na quinta-feira (18). Os crimes ocorreram entre 2011 e 2018 contra adolescentes que treinavam sob sua orientação. As investigações começaram após denúncias de três ex-alunos e revelaram ao menos 12 vítimas. Preso desde 2024, Alcenor também atuava como diretor de alto rendimento em uma escola particular de Manaus. Segundo a polícia, ele usava sua posição para se aproximar dos jovens, oferecendo viagens, presentes e apoio em competições. A Justiça determinou o cumprimento da pena em regime fechado, manteve a prisão preventiva e fixou indenizações por danos morais às vítimas, variando de R$ 5 mil a R$ 50 mil.
LEI SECA: 18 ANOS
A Lei Seca completou 18 anos ontem, 19, com resultados expressivos na redução de mortes no trânsito relacionadas ao álcool. Desde a adoção da tolerância zero para motoristas alcoolizados, a taxa de óbitos caiu 19,5% entre 2010 e 2024, segundo estudo do Cisa. Apesar do avanço, os dados mais recentes preocupam. Em 2024, mais de 13 mil pessoas morreram em acidentes ligados ao consumo de álcool, alta de 6,2% em relação a 2023. Homens representam 86,7% das vítimas fatais e 81,5% das internações. Em 2025, o país registrou quase 103 mil hospitalizações por acidentes relacionados ao álcool, aumento de 1,9%. Levantamento do Ipea mostra que motociclistas são os mais vulneráveis: em 2023, responderam por 40% das mortes no trânsito. O estudo também aponta desigualdades regionais, com 18 estados acima da média nacional de óbitos, incluindo Tocantins, Piauí e Mato Grosso. Espírito Santo, Pará e Acre lideram em número de internações.
MÃE DIZ QUE ATESTADO DE ÓBITO DA FILHA ESTAVA PRONTO
A mãe da juíza Mariana Francisco Ferreira afirmou à Polícia Civil que o médico Maurício Ligabô já estava com o atestado de óbito preparado quando comunicou a morte da magistrada, em 6 de maio, após complicações de uma coleta de óvulos para fertilização in vitro. Segundo o depoimento, Ligabô também teria se oferecido para ajudar nos trâmites funerários e indicado contatos em funerárias da região. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio culposo. Mariana, de 34 anos, sofreu uma hemorragia após o procedimento e morreu no Hospital e Maternidade Mogi Mater. A investigação apura se houve falha médica ou complicações inerentes ao tratamento. A mãe relatou que a filha sentiu dores intensas após receber alta e retornou à clínica com sangramento. Segundo ela, Mariana perdeu cerca de dois litros de sangue e foi levada ao hospital em carro particular, sem ambulância. A defesa de Ligabô negou que o atestado estivesse pronto antecipadamente e afirmou que o documento foi elaborado por uma junta médica. O hospital informou que colabora com as investigações e não comentará detalhes clínicos por sigilo médico e pela LGPD.
Santana, 20 de junho de 2026.


