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sábado, 12 de setembro de 2026

O "11 DE SETEMBRO DE 2001" CONTINUA NA MEMÓRIA DO AMERICANO


Javed Ali dirigia para o trabalho em 11 de setembro de 2001 quando ouviu no rádio as primeiras notícias sobre o ataque ao World Trade Center. 
Meia hora antes de um avião sequestrado atingir o Pentágono, passou de carro perto do local e viu a fumaça subir. A memória daquele dia permanece viva para ele e para grande parte dos americanos. Pesquisa do Pew mostra que 83% dos adultos nascidos antes de 2001 lembram onde estavam quando souberam dos ataques. Os atentados provocaram medo, raiva e apoio à resposta militar contra os responsáveis, mas a percepção da ameaça mudou: hoje, o terrorismo doméstico preocupa mais que o estrangeiro. Pesquisa Reuters/Ipsos aponta 33% preocupados com terrorismo doméstico, contra 20% com o internacional. Para Ali, ataques recentes são praticados principalmente por americanos radicalizados, agindo sozinhos. Segundo ele, o 11 de Setembro rompeu a sensação de segurança existente após o fim da Guerra Fria. O país, protegido por dois oceanos e dominante militarmente, não esperava um ataque daquela dimensão. Ali, que trabalhou em órgãos de inteligência e segurança, acompanhou a transformação do combate ao terrorismo. Após os ataques, os EUA criaram estruturas como a TSA e o Departamento de Segurança Interna (DHS), além de ampliarem a proteção de infraestruturas consideradas possíveis alvos da Al Qaeda. Washington ainda recorreu à força militar, invadindo o Afeganistão e combatendo grupos jihadistas em outros países. Para Ali, a ausência de outro ataque estrangeiro de escala semelhante demonstra a eficácia de parte desse aparato, mas ele considera equivocadas algumas medidas adotadas depois de 2001, como a prisão de suspeitos em Guantánamo.

Vinte e cinco anos depois, os processos contra acusados de planejar os atentados ainda não foram concluídos. Ali também critica técnicas de interrogatório, como o afogamento simulado, usadas durante o governo George W. Bush. Questiona ainda os programas secretos de vigilância da NSA e a coleta em massa de registros telefônicos. Para ele, era preciso avaliar os resultados e os custos dessas medidas para a sociedade. O especialista também considera a invasão do Iraque um erro, pois não houve evidência de envolvimento nos atentados. As guerras posteriores provocaram milhares de mortes, feridos e graves consequências para veteranos e civis. Os conflitos também custaram trilhões de dólares aos Estados Unidos. Segundo Ali, a ameaça terrorista atual é diferente daquela enfrentada em 2001. O perigo vem menos de organizações estrangeiras e mais de indivíduos radicalizados dentro do próprio país. Isso explica a crescente preocupação americana com o terrorismo doméstico. Apesar dos avanços na segurança, Ali afirma que o terrorismo continua sendo um desafio permanente. A natureza da ameaça, porém, pode mudar novamente nas próximas décadas. “Ele apenas assume formas diferentes em períodos diferentes”, resume o especialista. 

USUÁRIOS ACIONAM ANTHROPIC EM ATIVIDADES COMO ARMAS, ESPIONAGEM E OUTRAS


A Anthropic afirmou em relatório que usuários serrviram de seus produtos em atividades como armas, espionagem, vigilância e fraudes. 
Na China, um usuário usou o Claude para desenvolver software de guerra eletrônica e supressão de defesa aérea. O sistema classificava alvos e simulava interferência de radar, incluindo 12 alvos em Taiwan. Segundo a empresa, dados ligavam o usuário à Academia de Ciências Militares chinesa, e a conta foi banida. Outro agente chinês utilizou o Claude para desenvolver um sistema antitorpedos destinado à Marinha. Também houve pesquisa sobre armas de micro-ondas, componentes, fornecedores e cadeias de suprimentos. No Iêmen, um grupo usou a IA para desenvolver software relacionado a foguetes e mísseis. A Anthropic disse não haver evidência de que uma dessas armas tenha se tornado operacional. Na Rússia, agentes provavelmente utilizaram o Claude para desenvolver enxames de drones autônomos. Os sistemas incluíam seleção de alvos, orientação terminal e coordenação entre aeronaves. Outro usuário russo buscou intermediários para comprar componentes europeus de possível uso militar. A empresa também relatou cinco tentativas de utilização dos modelos em pesquisas ligadas a armas biológicas. Entre os casos estavam pesquisas sobre chikungunya, gripe aviária, ortopoxvírus, venenos e toxinas. Na área cibernética, operadores chineses teriam usado o Claude contra cerca de 50 organizações. O grupo utilizou IA para localizar e explorar vulnerabilidades com pouca supervisão humana.

Hackers ligados à Rússia teriam usado IA em phishing, invasões de redes e contas de WhatsApp na Ucrânia. Um operador vinculado ao Irã utilizou o Claude para coletar informações sobre forças navais dos Estados Unidos. Os dados incluíam informações públicas sobre militares, navios, aeronaves e imagens de satélite. Na Síria, um usuário alinhado à China teria servido da IA para rastrear e abordar uigures. A Anthropic avaliou, com baixa confiança, que ele poderia ser contratado da segurança estatal chinesa e relatou sobre a vigilância de cardeais, líderes religiosos, dissidentes e ativistas. Na China, o Claude prestou-se para infomar sobre a produção de relatórios acerca dos uigures, tibetanos e opositores. No Irã, uma conta criou uma plataforma para monitorar e traçar perfis de usuários das redes sociais. Outro operador iraniano desenvolveu sistema para perfilar autoridades israelenses e integrantes da diáspora judaica. A Anthropic baniu 16 contas ligadas a unidades paramilitares e de segurança interna iranianas. No Mali, o Claude teria sido usado para desenvolver plataforma capaz de monitorar 25 milhões de cartões SIM. Um agente francófono também utilizou a IA para atingir 42 partidos políticos europeus e organizações relacionadas. O sistema roubava dados e credenciais e mantinha uma plataforma destinada à exposição de informações pessoais. Por fim, uma operação chinesa criou mais de 20 aplicativos de namoro com milhares de personas de IA. Segundo a Anthropic, essas personas interagiram com pelo menos 25 mil usuários e eram apoiadas por trabalhadores pagos. 

DEFESA DE FLÁVIO BOLSONARO PEDE RELATORIA DO CASO "DARK HORSE" PARA MENDONÇA


A defesa de Flávio Bolsonaro pediu ao STF, ao menos quatro vezes, que o caso “Dark Horse” ficasse concentrado com o ministro André Mendonça. 
Os advogados tentaram retirar do ministro Flávio Dino parte da investigação sobre o filme que retrata Jair Bolsonaro. Mendonça já era relator de outras duas petições relacionadas ao caso. Segundo a defesa, a distribuição para Dino teria ocorrido por causa da ligação da investigação com emendas parlamentares. Os advogados acusam o STF de ter criado uma “prevenção artificial” para manter Dino no caso. Os pedidos foram apresentados entre 13 e 29 de julho, alguns ao presidente do STF, Edson Fachin, e outros ao próprio Dino. Em documento de 28 de julho, a defesa afirmou que houve manipulação das regras de competência. Para os advogados, os requerimentos deveriam ter sido distribuídos por prevenção a Mendonça. A defesa destacou que, de seis ações anteriores relacionadas à investigação, cinco estavam com Mendonça, daí o pedido para indicação do ministro apontado por Jair Bolsonaro para assumir também a sexta ação. O processo em questão, porém, permaneceu sob relatoria de Dino. Nesta quinta-feira (10), a Polícia Federal deflagrou operação contra 29 pessoas ligadas à apuração. A investigação envolve o suposto envio de emendas parlamentares para a produtora do filme. A operação foi autorizada por Dino justamente no processo que a defesa tentou transferir para Mendonça. O caso chegou ao STF por meio da ADPF 854, apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

O filme se tornou um dos principais focos de desgaste da pré-candidatura presidencial de Flávio. A situação piorou após áudios em que o senador pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que teria sido procurado para ajudar a concluir a produção do longa. Flávio afirma publicamente que não houve uso de dinheiro público no financiamento do filme. A defesa sustenta que a distribuição dos processos para Dino foi equivocada. Em uma das petições, os advogados dizem que apenas uma das seis ações ficou fora da relatoria de Mendonça. Segundo eles, isso ocorreu devido ao protocolo dos pedidos dentro da ADPF 854. A investigação também alcança empresas ligadas à produtora responsável pelo filme. Segundo a Folha, empresas controladas pela dona da Go Up receberam recursos de emendas de deputados do PL. Uma dessas empresas também assinou contrato superior a R$ 100 milhões com a Prefeitura de São Paulo. O contrato previa o fornecimento de serviço de wi-fi. Tabata Amaral e o deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) questionam a destinação das emendas, afirmando que pode ter ocorrido desvio de finalidade na utilização dos recursos. Os parlamentares também apontam possível descumprimento das regras de transparência e rastreabilidade determinadas pelo STF. A disputa sobre a relatoria ganhou importância após a operação da Polícia Federal e ampliou a pressão sobre Flávio Bolsonaro. 

IGREJA É INVESTIGADA POR MOVIMENTAÇÕES ATÍPICAS


Uma conta da Igreja Batista da Lagoinha em Belvedere, bairro nobre de Belo Horizonte, movimentou R$ 57,1 milhões entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. 
Os dados constam de relatório do Coaf enviado à Polícia Federal e tornado público no âmbito das investigações do caso Banco Master. A igreja era administrada por Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e apontado por investigadores como operador financeiro ligado à organização. A movimentação foi considerada atípica por ser muito superior ao faturamento anual presumido da instituição, estimado em R$ 950 mil. Segundo o Coaf, a conta registrou R$ 28,49 milhões em créditos e R$ 28,62 milhões em débitos. O órgão afirmou que as operações, pela habitualidade, valores e forma, poderiam servir para ocultar a origem ou o destino dos recursos. A movimentação equivale a cerca de 60 vezes o faturamento anual estimado da igreja. A unidade fazia parte da Lagoinha Global, presidida por André Valadão, rede formada por igrejas com liderança e autonomia financeira próprias. A Lagoinha Global afirmou que havia sido informada de que os recursos seriam destinados a reformas e melhorias nas instalações. Segundo a instituição, as obras de fato ocorreram e eram visíveis no local, mas a igreja disse que desconhecia a dimensão dos valores movimentados e só tomou conhecimento deles por meio das investigações. A informação recebida era de que os recursos haviam sido captados por Zettel para financiar as obras, e não correspondiam a dízimos ou doações.

Construtoras e incorporadoras aparecem entre os principais destinos dos recursos, recebendo cerca de R$ 4,9 milhões. A defesa de Zettel, preso em março na segunda fase da Operação Compliance Zero, informou que não comentaria os dados. Para a PF e o Coaf, a equivalência entre os valores que entraram e saíram da conta reforça a suspeita de que ela funcionava como uma "conta de passagem". Zettel foi responsável pela maior parte dos depósitos identificados no período e o relatório aponta que ele realizou 26 lançamentos, totalizando R$ 19,2 milhões. A conta também recebeu quatro aportes de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, no total de R$ 120 mil. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como integrante de uma milícia privada ligada a Vorcaro, fez 11 depósitos, somando R$ 22 mil. A Lagoinha Global afirmou que Zettel foi afastado de suas funções pastorais após surgirem as primeiras informações públicas sobre o caso Banco Master. A denominação disse repudiar qualquer prática ilícita e defender a apuração rigorosa dos fatos pelas autoridades. Também reafirmou seu compromisso com a transparência e a legalidade. 

VIOLÊNCIA CONTRA INDÍGENAS AGRAVOU NO BRASIL


A violência contra os povos indígenas se agravou no Brasil, segundo o relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre 2025. 
Ignorar esses números significa permitir que a violência contra os povos indígenas continue. Foram registrados 258 assassinatos de indígenas, aumento de 22% em relação a 2024. Entre as crianças de até 4 anos, 1.024 morreram, sendo 57% por causas evitáveis. Desnutrição e doenças respiratórias estão entre os principais fatores dessas mortes. Também foram registrados 215 suicídios, principalmente entre jovens indígenas. O cenário revela uma tragédia agravada por omissões do poder público e conflitos territoriais. A demora nos processos de demarcação mantém comunidades indígenas em situação de vulnerabilidade. Retomadas de territórios tradicionais passaram a ser alvo de milícias privadas e grupos criminosos. Garimpo ilegal, extração de madeira e grilagem ampliam a pressão sobre as terras indígenas. O avanço do crime organizado também intensifica os conflitos dentro desses territórios. A precariedade dos serviços públicos agrava a situação das comunidades. Faltam equipes de saúde, saneamento, infraestrutura e água potável em diversas aldeias. O Cimi aponta ainda que a Lei do Marco Temporal aprofundou a insegurança jurídica. Dos 1.443 territórios indígenas mapeados, 897, ou 62%, possuem pendências administrativas. Em 582 deles, sequer houve providência administrativa inicial.

Roraima, com 82 homicídios, lidera os registros, seguido por Amazonas, com 47. Mato Grosso do Sul aparece em terceiro lugar, com 37 assassinatos. A violência também atinge de forma crescente as mulheres indígenas. Segundo o Conselho Nacional de Direitos Humanos, ela aumentou 258% entre 2014 e 2023. Cerca de 79% das vítimas de violência sexual eram menores de idade. O relatório também alerta para a impunidade e a ausência de proteção efetiva pelo Estado. A demora nas demarcações contribui para a continuidade dos conflitos e das mortes. A situação coloca em risco direitos assegurados pela Constituição de 1988. O Marco Temporal é apontado como fator de agravamento da insegurança sobre os territórios. É urgente acelerar as demarcações e garantir proteção às comunidades indígenas. Também é necessária a responsabilização de agentes públicos e privados envolvidos na violência.

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 12/07/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Mendonça libera 18 processos do caso Master após cobrança da PGR

Ministro do STF amplia acesso a documentos, mas ressalta que procedimentos não estão relacionados ao julgamento extraordinário previsto para terça-feira

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Relatório da PF sobre fundo que recebeu dinheiro de Vorcaro nos EUA desmonta versão de Flávio Bolsonaro

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Recuo sem explicações da Petrobras em alta da gasolina gera ruído e desconfiança, dizem analistas

Para bancos, decisão pode reforçar preocupação sobre independência da companhia para formar preços Companhia segue com elevadas defasagens sobre as cotações internacionais, principalmente no diesel

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Funcionários dos Correios entram de greve por tempo indeterminado

Ação marca uma nova etapa da campanha salarial, após as negociações terminarem sem acordo

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Retirada de sigilo no inquérito do Master acirra embate entre ministros do STF

Ao longo do dia de ontem, ministros do Supremo trocaram uma série de ofícios sobre o caso Master

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

Estudo coordenado por Passos Coelho vai propor reformas ao Governo e ao Presidente para destravar a economia

Primeira fase do trabalho promovido pela Associação Comercial do Porto identifica a baixa produtividade como principal bloqueio ao crescimento e aponta obstáculos que vão da burocracia à reduzida dimensão das empresas
Rui Frias

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

RADAR JUDICIAL


DINHEIRO PARA FINANCIAR O FILME "DARK HORSE"

A crise no STF reduz as condições políticas para Lula indicar o substituto de Barroso ainda este ano. A vaga permanece aberta enquanto a Corte enfrenta uma de suas maiores crises institucionais. Nesse cenário, Jorge Messias tenta recuperar espaço no Planalto ao reagir contra André Mendonça que homologou a delação do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos. O acordo foi confirmado após audiência que atestou a voluntariedade do colaborador. Freixo Júnior afirmou ter produzido dinheiro vivo e entregue malas a emissários de Daniel Vorcaro. Pelo acordo com a PGR, o empresário pagará cerca de R$ 2 bilhões em multa. Ele também revelou manter uma conta conjunta com Vorcaro para despesas de interesse do banqueiro. Documentos mostram transferências para o Havengate Development Fund, no Texas, ligado a Eduardo Bolsonaro. Segundo a delação, pelo menos US$ 10 milhões foram enviados ao fundo para patrocinar o filme “Dark Horse”. A PF e a PGR investigam se os recursos financiaram despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA. O caso amplia a tensão política e institucional, com possíveis reflexos sobre a economia e a sucessão no STF. 


RECEITA FEDERAL OPERA CONTRA FRAUDES TRIBUTÁRIAS

A Receita Federal e a Secretaria de Economia do DF realizaram, de 22 de agosto a 10 de setembro, operação contra fraudes tributárias e sonegação fiscal. A Operação Sociedades Fictícias investigou empresas de fachada e emissores de notas fiscais falsas. Um dos alvos foi uma empresa de Planaltina que acobertava operações irregulares no DF e em outros estados. O esquema envolveu empresas do Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Ao todo, 13 empresas foram investigadas, ligadas aos setores de sucata de cobre e alumínio e de bebidas. Segundo a Seec-DF, as fraudes com empresas noiteiras somam R$ 412 milhões. Com outras ações fiscais e apreensões, o valor envolvido pode chegar a R$ 530 milhões e a Receita estima que o esquema tenha movimentado mais de R$ 1 bilhão. Durante a operação, foram apreendidos alimentos, bebidas, produtos de beleza e utensílios domésticos. Entre os itens estão 127 toneladas de farinha, 54 toneladas de feijão e 73 mil latas de cerveja. Também foram apreendidos 454 produtos eletrônicos, além de mercadorias em situação irregular. Cerca de 50 auditores participaram das ações, incluindo fiscalizações no Aeroporto de Brasília e em cargas interestaduais.


VISITA DO SECRETÁRIO DOS EUA À AMÉRICA DO SUL 

A visita do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, à América do Sul deveria servir de alerta sobre a estratégia de Washington para a região. Colômbia, Equador e Peru enfrentam organizações criminosas ligadas ao narcotráfico, garimpo ilegal e contrabando. A Amazônia tornou-se um novo território de atuação de cartéis e facções, com tráfico de drogas, ouro, animais e espécies vegetais. A agenda de Rubio interessa diretamente aos países visitados e também ao Brasil, pela proximidade geográfica e política. Às vésperas da eleição presidencial, a relação com a Casa Branca tornou-se um dos temas centrais do debate brasileiro. Rubio e Donald Trump deixam claro que o Brasil ocupa posição relevante na estratégia geopolítica americana. Os EUA disputam com a China a hegemonia global e buscam conter sua expansão econômica e comercial no continente. Nesse contexto, Rubio articula operações militares contra cartéis de drogas na região. A retomada da chamada “guerra às drogas” repete uma política iniciada nos anos 1980, com resultados controversos. O Brasil não está no roteiro da atual viagem, mas permanece no radar estratégico de Washington. Na campanha eleitoral, a relação com os EUA sob Trump deverá ser um tema decisivo para os brasileiros. A discussão envolve, em última análise, a escolha sobre o papel que o Brasil pretende exercer no cenário internacional.


PF DIZ QUE FLÁVIO BOLSONARO ERA INTERLOCUTOR DE VORCARO  

Documentos da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) indicam que Flávio Bolsonaro era interlocutor direto de Daniel Vorcaro na negociação de investimentos no filme “Dark Horse”. O longa conta a história de Jair Bolsonaro, pai do senador, atualmente preso por liderar a tentativa de golpe de 2023. Os documentos também apontam que Eduardo Bolsonaro atuava na gestão dos recursos arrecadados para a produção. Após o STF levantar o sigilo das investigações sobre o Banco Master, Flávio defendeu transparência total sobre o caso. A PF investiga a atuação do senador na captação de recursos e suspeita de que parte do dinheiro tenha custeado despesas de Eduardo nos Estados Unidos. Segundo relatório, Flávio trocou mensagens com Vorcaro, reuniu-se com ele e fez reiteradas cobranças por investimentos no filme. A investigação aponta que ele negociou repasses de pelo menos US$ 24 milhões, dos quais US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente pagos. Eduardo, segundo a PF, dava orientações sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos, por meio do fundo Havengate. A PF afirma haver elementos para investigar a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores. A PGR endossou as suspeitas e pediu ainda análise de propostas legislativas de Flávio e Mário Frias que possam ter beneficiado Vorcaro ou o Banco Master. Em operação autorizada por Flávio Dino, a PF apura possível desvio de R$ 750 mil na produção e uso de verba pública. Flávio classificou a operação como “fajuta” e afirmou que a investigação seria uma tentativa de prejudicá-lo antes da eleição.


CANDIDATO À PRESIDÊNCIA CHAMA FLÁVIO DE "BANDIDO"

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, chamou Flávio Bolsonaro de “bandido”, “estúpido”, “fujão” e “vassalo” de Donald Trump. Santos também acusou, sem apresentar provas, a campanha de Flávio de receber recursos indiretos da conservadora Rockbridge Network. Segundo ele, a organização teria interesses ligados à tecnologia e à exploração de terras raras no Brasil. O candidato afirmou que empresários estrangeiros estariam interessados em negócios no país e próximos ao grupo de Flávio. Santos disse ainda que não apoiará outro candidato em eventual segundo turno contra Lula: “Está descartada a possibilidade de apoiar qualquer pessoa que não seja eu”. Fundador do MBL, ele liderou a criação do partido Missão, homologado pelo TSE em novembro de 2025. Nas pesquisas, aparece com 3% no Datafolha e 4% no levantamento BTG/Nexus. Durante sabatina do UOL e da Folha, Santos também criticou o feminismo, que classificou como instrumento político. Ele defendeu aumento das penas para todos os crimes e afirmou que o Brasil vive um “surto da violência”. Embora seja pessoalmente favorável à pena de morte, disse que não proporia sua adoção nos primeiros anos de governo. Escritor e ativista, Santos nunca exerceu cargo eletivo e usa as redes sociais como principal plataforma política. Sua campanha chegou a ser suspensa na internet por decisão judicial, mas a medida foi revogada no dia seguinte.


ENCERRADA GREVE PARCIAL NO BB

A maioria dos bancários do Banco do Brasil aceitou a proposta final e decidiu encerrar a greve parcial iniciada na quinta-feira (10). O acordo prevê pagamento da PLR em até 72 horas após a assinatura e abono da paralisação de 20 de agosto. Também houve avanços no plano de saúde, com antecipação de R$ 360 milhões da contribuição patronal para a Cassi. Os funcionários receberão ainda R$ 3.000 por reconhecimento financeiro, condicionado aos resultados do quarto trimestre de 2026 e o pagamento está previsto para fevereiro de 2027 e beneficiará 71,5 mil funcionários. A licença-paternidade será ampliada de 20 para 35 dias, além de aumento do auxílio para filhos com deficiência e o salário de referência da central de relacionamento subirá de R$ 4.795,12 para R$ 6.302,77 em janeiro de 2027. Segundo a Contraf-CUT, o acordo foi aprovado em 116 bases, enquanto 18 entidades ainda rejeitam a proposta. Na Caixa Econômica Federal, porém, os empregados continuam em greve nacional e decidirão sobre a proposta até esta sexta-feira (11). A Caixa oferece prêmio de R$ 3.000, pagamento da PLR em 18 de setembro e aumento do custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 8%. Os empregados também terão mudanças na coparticipação e no custeio do plano de saúde.
Se não houver acordo, a Caixa afirma que poderá recorrer à Justiça para instaurar dissídio coletivo.


DÍVIDA FISCAL DOS EUA ULTRAPASSA US$ 40 TRILHÕES

A tentativa de Scott Bessent de estabilizar o mercado de US$ 32 trilhões em títulos dos EUA saiu pela culatra. Investidores consideraram tímida a intervenção para conter a alta dos rendimentos. O título de dez anos chegou a 4,98%, maior nível em quase três anos, próximo dos 5%. O rendimento dos papéis de 30 anos atingiu 5,35%, maior patamar desde 2007. A alta ocorreu mesmo após o Tesouro ampliar para US$ 6 bilhões seu programa de recompra. Analistas disseram que a operação foi pequena demais para conter os custos de financiamento. Para alguns investidores, a iniciativa ainda sinalizou nervosismo do governo americano e a alta dos juros foi impulsionada principalmente pela disparada dos preços do petróleo. O conflito entre EUA e Irã e os ataques houthis elevaram os temores sobre o abastecimento, bem como pesaram sobre o endividamento recorde dos EUA, a inflação persistente e novas emissões corporativas. A dívida americana ultrapassou US$ 40 trilhões, ampliando as preocupações fiscais. Bessent vem adotando uma postura mais intervencionista, mas enfrenta crescente desconfiança do mercado.

Salvador, 11 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

FACHIN DETERMINA RETIRADA DE SIGILO DAS INVESTIGAÇÕES DO BANCO MASTER


O presidente do STF, Edson Fachin, determinou nesta sexta-feira (11) que o ministro André Mendonça retire, em até 24 horas, o sigilo de todos os documentos das investigações sobre o Banco Master na Corte. 
A decisão atende a pedido da Procuradoria-Geral da República, assinado pelo vice-PGR Hindemburgo Chateaubriand. Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin também solicitaram a ampliação da publicidade dos documentos relacionados ao caso. Fachin determinou que o material seja enviado aos gabinetes dos ministros, exceto documentos que possam comprometer diligências em andamento ou futuras. Na quinta-feira (10), Mendonça havia retirado o sigilo de parte dos processos, incluindo a Petição 15.556, que originou a investigação no STF. Segundo a PGR, porém, grande parte dos procedimentos ligados à Operação Compliance Zero continuava sob sigilo. O vice-PGR afirmou que a manutenção parcial do segredo poderia transmitir uma ideia equivocada sobre a transparência adotada no caso. O Ministério Público pediu o levantamento do sigilo de todas as peças vinculadas à Petição 15.556, ressalvadas diligências ainda em andamento. O procurador-geral Paulo Gonet, citado em mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, não assinou o pedido. Moraes também reclamou a Fachin que Mendonça teria feito uma "escolha seletiva" dos documentos divulgados. Segundo Moraes, 180 documentos não foram apresentados e apenas o material considerado conveniente pelo relator teria sido tornado público. Mendonça retirou o sigilo de 14 procedimentos, além do processo principal.

Para Moraes, a medida não teria cumprido integralmente a determinação de Fachin. Zanin, por sua vez, pediu acesso integral às mídias do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025. Mendonça liberou os relatórios da PF sobre o conteúdo do aparelho, mas não fotos, vídeos e demais arquivos originais. Zanin afirmou que o acesso completo é necessário para uma análise adequada do julgamento marcado para terça-feira (15). O plenário deverá examinar relatório da PF que aponta Moraes como interlocutor de Vorcaro. O julgamento poderá determinar a abertura de investigação contra Moraes ou anular o relatório, conforme pedido da PGR. As revelações também envolvem o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, com o Banco Master. O documento teria sido editado pelo próprio Moraes. Assinado em 2024, o contrato previa "consultoria estratégica" em procedimentos perante a PF, Polícias Civis, Banco Central, Receita Federal e Cade. O caso amplia a crise institucional no STF e a pressão por transparência nas investigações envolvendo o Banco Master. 

REBELDES CONTROLAM COSTA DO IÊMEN, NO MAR VERMELHO


Em ofensiva relâmpago, os houthis avançaram nesta sexta-feira (11) para controlar toda a costa do Iêmen no mar Vermelho e o estratégico estreito de Bab el-Mandeb. 
Os rebeldes apoiados pelo Irã tomaram cidades, vilarejos e ilhas da região, segundo relatos de seus rivais. Imagens de satélite também mostraram uma grande coluna de fumaça sobre o oleoduto que leva petróleo saudita ao porto de Yanbu. A estatal Aramco não confirmou a causa do incêndio, mas um eventual ataque houthi pode comprometer a principal rota alternativa ao estreito de Hormuz. O avanço começou nesta semana, com a chegada dos rebeldes a Mokha, principal porto da província de Taiz. Nesta sexta, eles tomaram Dhubab, a ilha de Perim e outras áreas costeiras e ilhotas. Os houthis acusaram forças sauditas de bombardear o aeroporto de Mokha, mas não houve confirmação independente. O governo iemenita, expulso de Sanaa pelos houthis em 2014, afirmou que suas forças recuaram para se reagrupar. Autoridades em Áden disseram que haverá uma contraofensiva, mas, por enquanto, a iniciativa permanece com os rebeldes. Os houthis estavam em cessar-fogo informal desde 2022, mas retomaram a guerra após medidas do governo apoiado por Riad. Desde julho, ataques contra cidades sauditas com mísseis se multiplicaram, enquanto os rebeldes reforçaram sua presença no oeste do Iêmen. Com cerca de 70% das exportações sauditas de petróleo sendo desviadas para o mar Vermelho, o preço do Brent voltou a superar US$ 100. Os houthis já haviam anunciado bloqueio ao comércio naval saudita na região, mas antes não controlavam o acesso direto a Bab el-Mandeb.

O domínio de Perim pode permitir ataques mais próximos e eficazes contra navios que atravessem o estreito. Se consolidarem o controle da passagem, os houthis também darão ao Irã uma importante carta de barganha nas negociações sobre o conflito. Teerã tenta negociar o fim da guerra com os Estados Unidos, enquanto Donald Trump afirma que o conflito terminará após as eleições de novembro. Não há, porém, sinais claros de que isso ocorrerá, apesar das sanções e dos ataques contra o Irã. A pressão sobre o petróleo diminuiu parcialmente após notícias de esforços diplomáticos para reabrir o tráfego no estreito de Hormuz. O Irã confirmou reunião em Omã para segunda-feira (14), numa tentativa de buscar uma saída negociada. Antes da guerra, Hormuz concentrava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente. Com o conflito, o tráfego caiu para cerca de 10% do fluxo habitual. Em Bab el-Mandeb, o impacto é menor, mas já afeta o transporte do petróleo saudita. A passagem também é fundamental para o comércio entre a China e a Europa, aumentando o interesse de Pequim na estabilidade da região. Os houthis dizem que pretendem manter livres as embarcações sem ligação com a Arábia Saudita, promessa de difícil execução. Até agora, os Estados Unidos não intervieram diretamente na nova escalada. Durante a guerra entre Israel e Hamas, Washington enviou navios de guerra e bombardeou posições houthis. O príncipe saudita Mohammed bin Salman teria ligado duas vezes para Trump na quinta-feira (10), pedindo intervenção americana. Segundo o Axios, Trump recusou e aposta numa desescalada natural do conflito. A continuidade dos ataques pode levar a Arábia Saudita a buscar apoio militar da Turquia e do Paquistão. A situação, porém, é complexa porque Islamabad também participa das tentativas de mediação entre Irã e Estados Unidos. 

CORREIOS EM GREVE


Trabalhadores dos Correios aprovaram greve por tempo indeterminado em assembleias realizadas ontem, 10, em todo o país. 
Segundo a Findect, 35 assembleias haviam aprovado a paralisação até o início do movimento, às 22h. No Acre, a votação está prevista para o fim da tarde de hoje, 11. A categoria rejeitou a proposta apresentada pela empresa durante as negociações salariais e foram adotadas as medidas para manter os serviços e reduzir impactos aos clientes. Entre as ações estão o remanejamento de equipes e o reforço das atividades operacionais e logísticas. A empresa diz ter buscado uma solução negociada durante as tratativas com os trabalhadores, mas a proposta contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. Entre os pontos oferecidos estavam reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios. A proposta também previa a manutenção da assistência à saúde dos empregados. A empresa reafirmou compromisso com a valorização dos funcionários e os serviços postais. Um dos principais pontos de divergência envolve o plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes. A Findect afirma que os trabalhadores rejeitam mudanças na condição dos Correios como mantenedores do plano. A decisão ocorreu após rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A greve acontece em meio a dificuldades financeiras enfrentadas pela estatal.

Na quinta-feira, os Correios pediram ao Tesouro Nacional garantia para contratar novo empréstimo de R$ 7 bilhões. O crédito será contratado com ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan. A operação terá custo de 114,26% do CDI e prazo de 15 anos, com três anos de carência. O pedido de garantia ainda está em análise pelo Tesouro Nacional e se o aval for concedido, a União assumirá os pagamentos em caso de inadimplência dos Correios. A empresa registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre deste ano. O novo financiamento integra o plano de reestruturação financeira da estatal. Os Correios já contrataram empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025. Além disso, está prevista a entrada de outros R$ 6 bilhões em recursos da União em 2027. A situação financeira aumenta a pressão sobre a empresa durante a paralisação nacional. Os trabalhadores, por sua vez, mantêm a reivindicação de mudanças na proposta apresentada. A duração da greve dependerá das negociações entre a categoria e a direção dos Correios. A empresa informou que divulgará novas informações sobre a prestação dos serviços enquanto o movimento poderá afetar a rotina de entregas e atendimento em diferentes regiões do país. As negociações devem continuar durante a paralisação, diante do impasse entre as partes. 

POLÍCIA FEDERAL SUSPEITA QUE TOFFOLI RECEBEU MILHÕES DE VORCARO


A Polícia Federal suspeita que o ministro Dias Toffoli, do STF, seja proprietário ou beneficiário final do fundo Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, segundo relatório obtido pela revista Piauí. 
O fundo comprou parte das cotas da Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli, José Eugenio e José Carlos, ligada ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro (SC). O jornal Folha de São Paulo revelou que Toffoli confirmou fazer parte do quadro societário da empresa e que o Arleen, antes pertencente ao ex-banqueiro, foi comprado pelo empresário Alberto Leite, amigo do ministro, em fevereiro de 2025. Um mês depois, o fundo passou a permitir investimentos no exterior e, em dezembro, transferiu seus ativos para a holding Égide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. Segundo a PF, diversos elementos indicariam que Toffoli poderia ter sido beneficiário final ou proprietário de fato do Arleen e de seus ativos. O relatório aponta ainda possível uso de interpostas pessoas e estruturas no exterior, além de movimentações envolvendo a holding nas Ilhas Virgens Britânicas. A defesa de Toffoli afirma que ele jamais manteve recursos no exterior ou realizou operações, direta ou indiretamente, nas Ilhas Virgens Britânicas. O documento também levanta suspeitas de que Vorcaro tenha influenciado voto de Toffoli em processo sobre precatórios da destilaria Alcídia, do grupo Atvos. A decisão era relevante para o Banco Master, que tinha mais de R$ 10 bilhões em precatórios do setor sucroalcooleiro.

Diálogos extraídos do celular de Vorcaro indicariam atuação do diretor jurídico do banco, André Kruschewsky, e do ex-ministro Fábio Faria. Segundo a PF, Kruschewsky aparentava ter acesso ao STF para tentar retirar o processo de pauta. No dia do julgamento, Nunes Marques pediu vista e Toffoli registrou ausência justificada. O julgamento foi retomado posteriormente e terminou em 3 votos a 2 pela tese da Alcídia, com Toffoli votando a favor da empresa e desempatando o resultado. O gabinete do ministro nega qualquer alteração de voto. A PF encaminhou o relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, porque Toffoli era relator do caso Master e ministros do Supremo dependem de autorização da Corte para serem investigados. O documento foi enviado ao tribunal para as providências cabíveis, que poderiam ser tomadas pelo novo relator do inquérito, André Mendonça que afirmou à Piauí que não ter recebido o relatório. O gabinete de Toffoli disse que o documento foi arquivado, com trânsito em julgado.
Também afirmou que, em fevereiro de 2026, os dez ministros do STF tiveram conhecimento de seu conteúdo e das informações apresentadas por Toffoli. Segundo a nota, a Corte deliberou que não havia motivo para reconhecer suspeição do ministro. 

EX-MARQUETEIRO DE FLÁVIO BOLSONARO TRANSFERIU ALTO VALOR PARA O DARK HORSE


O ex-marqueteiro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Marcello de Oliveira Lopes, transferiu R$ 1 milhão para a Go Up Entertainment, produtora do filme
Dark Horse, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro. A operação consta de relatório de inteligência financeira do Coaf sobre movimentações consideradas atípicas da empresa. O documento foi incorporado à decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou operação da Polícia Federal na quinta-feira (10/9). Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a Go Up movimentou R$ 19,03 milhões. Foram R$ 8,95 milhões em créditos e R$ 10,07 milhões em débitos e Marcello aparece entre os principais remetentes de recursos para a produtora. A Moneycorp Banco de Câmbio foi a maior remetente, com R$ 3,92 milhões, a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural enviou R$ 2,61 milhões e a NTT Brasil transferiu R$ 750 mil para a empresa. Já o deputado Mário Frias (PL-SP) realizou transferências que somaram R$ 645,4 mil. O relatório da PF não esclarece a origem específica do R$ 1 milhão enviado por Marcello e não detalha, naquele trecho, a finalidade do pagamento. O documento não atribui ao publicitário qualquer irregularidade na operação. Marcello é citado apenas uma vez, na relação dos principais remetentes de recursos.
A transferência ocorreu meses antes de sua saída da campanha de Flávio Bolsonaro e ele deixou a equipe em 20 de maio, após a repercussão de áudios em que Flávio aparece pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse.

O nome de Flávio não aparece no trecho do relatório que lista os remetentes. Em nota, Marcello afirmou que o R$ 1 milhão foi destinado exclusivamente ao projeto cinematográfico.
Disse ainda que participou da produção como investidor. Segundo ele, os recursos eram próprios e foram transferidos diretamente de sua conta bancária e afirmou que a operação foi regular e formalizada. Ele classificou o negócio como estritamente empresarial e vinculado ao filme. A PF cumpriu ontem 49 mandados de busca e apreensão na investigação sobre o financiamento de Dark HorseEntre os alvos estão a produtora Karina Ferreira da Gama e Mário Frias. Marcello Lopes não está entre os investigados na operação.