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quarta-feira, 27 de maio de 2026

FLÁVIO BOLSONARO VAI BUSCAR APOIO FORA DO PAÍS


O encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, foi interpretado por especialistas como um gesto político relevante para a disputa eleitoral brasileira de 2026, mas com alcance limitado junto ao eleitorado de centro. 
Analistas avaliam que a imagem de Flávio ao lado de Trump fortalece sua posição dentro do campo conservador, embora dificilmente reverta a crise causada pelas denúncias envolvendo pedidos de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair BolsonaroPesquisas recentes apontaram queda de Flávio nas intenções de voto após a divulgação das mensagens pelo The Intercept Brasil. O senador nega irregularidades. Especialistas afirmam ainda que o encontro acende alerta diplomático, por sugerir possível preferência política de Trump por um candidato alinhado ideologicamente a ele, o que pode ser interpretado como tentativa de influência dos EUA na eleição brasileira. A reunião ocorreu três semanas após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca. Diferentemente da agenda de Lula, porém, o encontro com Flávio não apareceu na programação oficial americana. Segundo Flávio, a conversa durou cerca de 1h40 e foi marcada por “enorme cordialidade”, embora não haja confirmação oficial da Casa Branca sobre o formato do encontro. 

Para o professor Vinicius Rodrigues Vieira, da FGV e da FAAP, o simples fato de Trump receber um pré-candidato brasileiro já representa uma sinalização política importante. A articulação da reunião teria sido feita pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA e mantém relações com grupos conservadores ligados a Trump. A professora Regiane Bressan, da Unifesp, avalia que o encontro reforça o alinhamento ideológico de Flávio com a direita americana e busca consolidar apoio entre eleitores conservadores brasileiros. Os especialistas consideram, porém, que a foto dificilmente ampliará o apoio de Flávio entre eleitores moderados, embora possa enfraquecer adversários da direita, como Romeu Zema e Ronaldo CaiadoOutro ponto sensível foi o pedido feito por Flávio para que os EUA classifiquem o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo Lula rejeita essa possibilidade por considerar que ela poderia abrir espaço para maior interferência americana em território brasileiro. Analistas afirmam que, caso os EUA adotem essa classificação durante a campanha eleitoral, o gesto poderia beneficiar politicamente Flávio Bolsonaro e aumentar as tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. Para especialistas, o episódio cria desconfiança sobre a relação entre Brasil e EUA e pode esfriar a agenda bilateral até as eleições de 2026.

CAROLINA DO SUL E ALABAMA ROMPEM COM O PARTIDO


A pressão de Donald Trump para que estados republicanos redesenhem distritos eleitorais antes das eleições de meio de mandato sofreu dois reveses ontem, 26, na Carolina do Sul e no Alabama. Na Carolina do Sul, senadores republicanos romperam com o partido e votaram com democratas para barrar um novo mapa que enfraquecia o distrito representado desde 1992 por James ClyburnNo Alabama, um painel de juízes federais suspendeu um mapa republicano que eliminava um dos dois distritos com grande população negra. Segundo os magistrados, houve discriminação intencional contra eleitores negros. A ofensiva republicana ganhou força após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que enfraqueceu a Lei dos Direitos do Voto, legislação criada nos anos 1960 para impedir mudanças eleitorais prejudiciais a minorias raciais. Apesar das derrotas, republicanos ainda avançam em estados como Texas, Flórida, Tennessee, Missouri, Carolina do Norte e Ohio, buscando ampliar a estreita maioria do partido na Câmara dos Representantes. Hoje, os republicanos controlam 217 cadeiras e contam com o apoio frequente de um deputado independente para manter a maioria simples da Casa.

Nos EUA, não existe regra constitucional que imponha prazo mínimo para mudanças eleitorais entrarem em vigor antes das eleições, ao contrário do Brasil, cuja Constituição exige antecedência mínima de um ano. Na Carolina do Sul, a proximidade das primárias ajudou a derrubar o novo mapa. Alguns eleitores já começaram a votar antecipadamente. O senador republicano Richard Cash afirmou que não aceitaria interromper uma eleição já em andamento. Já o senador Tom Davis criticou a rapidez do processo e disse que o mapa foi elaborado sem debate adequado. Enquanto isso, no Tennessee e na Flórida, decisões judiciais mantiveram mapas eleitorais favoráveis aos republicanos. Nos EUA, deputados são eleitos por distritos eleitorais, definidos pelos estados de acordo com a população. O redesenho desses distritos, controlado em muitos casos pelos Legislativos estaduais, tem forte impacto político e pode favorecer democratas ou republicanos conforme a distribuição dos eleitores.

 

RÉU PRESO SEM CULPA FORMADA POR MAIS DE DOIS ANOS


O excesso de prazo na instrução criminal, causado pela demora do Estado na produção de provas e sem contribuição da defesa, configura constrangimento ilegal e pode justificar a revogação da prisão preventiva. Com esse entendimento, a 11ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu Habeas Corpus e autorizou a liberdade provisória de um réu acusado de feminicídio, lesão corporal e ameaça. Ele responderá ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares. O acusado estava preso preventivamente há mais de dois anos. Segundo o Ministério Público, o crime ocorreu em setembro de 2023, em Praia Grande (SP), quando ele teria matado a ex-mulher a facadas diante do filho de nove anos do casal. A vítima possuía medida protetiva por ameaças anteriores. Após o ataque, o homem teria tentado suicídio, ferindo o próprio pescoço.

A defesa sustenta versão diferente. Os advogados afirmam que o réu foi atacado primeiro pela ex-companheira enquanto estava no sofá, reagindo em seguida. O processo depende de laudo pericial de DNA para identificar a origem do sangue encontrado na sala e nas armas do crime. Embora o material tenha sido coletado dez meses antes, a Polícia Civil ainda não apresentou o exame. Diante da demora, o juiz Felipe Esmanhoto Mateo expediu sete requisições cobrando o documento, mas os órgãos policiais alegaram dificuldades para localizar as amostras. Sem previsão de retomada da instrução, a defesa alegou constrangimento ilegal pelos 911 dias de prisão sem culpa do acusado. O relator, desembargador Alexandre Carvalho e Silva de Almeida, acolheu o pedido. Segundo ele, apesar da gravidade do caso, o réu é primário e não pode suportar o ônus da ineficiência estatal na produção da prova científica. 

FALHA NO USO DE IA, SEGUNDO ADVOGADOS


Pesquisa do Superior Tribunal de Justiça (STJ) revelou que ao menos 13 tribunais de apelação já utilizam inteligência artificial para analisar a admissibilidade de recursos especiais. O levantamento foi apresentado no III Encontro com Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais Federais sobre recursos dirigidos aos tribunais superiores. Outras dez cortes afirmaram não usar IA, entre elas o Tribunal de Justiça de São Paulo. Nos tribunais que adotam a tecnologia, os sistemas auxiliam na triagem, classificação, análise de requisitos formais e elaboração de minutas de decisões. O próprio STJ utiliza o sistema Logos, capaz de ler petições, identificar teses jurídicas e sugerir minutas. O tribunal detectou tentativas de “prompt injection”, estratégia usada para inserir comandos ocultos em petições a fim de influenciar a IA. Os casos são investigados administrativa e criminalmente. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais aparece entre os mais avançados no uso da tecnologia, empregando assistentes próprios e plataformas do Google para sugerir aplicação de precedentes e súmulas. Já o TJ de Rondônia usa IA não generativa treinada com histórico de recursos aceitos e rejeitados.

No Paraná, o sistema Simba-Jud reúne agentes virtuais que fazem contagem de prazo, verificam gratuidade de Justiça, localizam procurações e sugerem padrões decisórios. Os tribunais relatam ganhos de eficiência e celeridade na análise de recursos ao STJ e STF. Por outro lado, cresce a reação da advocacia diante de falhas atribuídas ao uso da IA. O ministro Rogerio Schietti manifestou preocupação com erros graves em petições produzidas com auxílio tecnológico e comunicou a OAB. Também se multiplicam recursos questionando se decisões judiciais teriam sido produzidas por inteligência artificial sem supervisão humana. Em um habeas corpus, o ministro Antonio Saldanha classificou como “desrespeitosa” a acusação de que decisão teria sido integralmente produzida por IA. Segundo ele, os sistemas apenas auxiliam na elaboração de relatórios e localização de teses. A ConJur identificou apenas um caso em que o STJ reconheceu erro do sistema Logos. No AREsp 2.923.529, a Presidência admitiu que a análise automatizada não percebeu diferenças processuais relevantes, agravadas pela digitalização desordenada dos autos no TJ de Goiás.

 

PEDIDO AFASTAMENTO DE DESEMBARGADOR NO PARANÁ


A seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil pediu ao Conselho Nacional de Justiça o afastamento cautelar do desembargador Francisco Carlos Jorge, do Tribunal de Justiça do ParanáO magistrado é investigado sob suspeita de ter vendido uma decisão judicial em troca de um quadriciclo. A denúncia foi apresentada pela Construtora Zoller, de Curitiba, que afirma ter reunido provas como depoimento do vendedor, notas fiscais e fotos do veículo com familiares do desembargador. Francisco Carlos Jorge nega irregularidades e afirma não haver provas de benefício indevido. No pedido protocolado nesta segunda-feira (25), a OAB-PR solicita o afastamento do desembargador durante as investigações e a proibição de contato dele com o processo e as partes envolvidas. Subsidiariamente, pede a redistribuição dos casos sob sua relatoria. A entidade sustenta que o magistrado desrespeitou ordem de suspensão do TJPR e atuou em causa de interesse próprio, comprometendo a imparcialidade exigida pela magistratura. A disputa judicial começou em 1993, em ação contra a Construtora Zoller por atraso de aluguel. A empresa afirma que vencia o processo até 2024, quando decisões anteriores foram revertidas após a contratação de um novo advogado pela parte contrária. Segundo a construtora, a mudança ocorreu após decisão de Francisco Jorge em embargos de declaração, o que teria reativado dívida estimada em R$ 14 milhões — valor contestado pela empresa, que calcula débito de R$ 288,5 mil.

Os advogados afirmam que, dias após o julgamento, o novo advogado da parte adversa escolheu um quadriciclo em Curitiba. O veículo teria sido pago em dinheiro por terceiros e depois transferido para o nome do filho do desembargador, após troca por um modelo mais caro. As informações constam em notas fiscais e no depoimento do administrador da loja entregues ao CNJ. Em manifestação pública, Francisco Carlos Jorge disse que as acusações se baseiam em “ilações e conjecturas”, classificou o relatório como apócrifo e afirmou que a aquisição do veículo por seu filho foi lícita. O desembargador também alegou que divergências sobre decisões judiciais devem ser discutidas nos autos, e não em procedimentos disciplinares. 

ACABOU A APOSENTADORIA COMPULSÓRIA REMUNERADA


Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu na terça-feira, 26, acabar com a aposentadoria compulsória remunerada como punição máxima para magistrados. Os ministros confirmaram decisão do ministro Flávio Dino e rejeitaram recurso da Procuradoria-Geral da República. Com isso, o Conselho Nacional de Justiça deverá aplicar a perda do cargo e do salário em casos graves de infração disciplinar. A aposentadoria compulsória deixará de ser a principal sanção para juízes acusados de irregularidades. A medida era criticada porque afastava o magistrado, mas mantinha remuneração proporcional ao tempo de serviço. A decisão vale para juízes e ministros de todos os tribunais, exceto os integrantes do STF. Nos últimos 20 anos, 126 magistrados foram aposentados compulsoriamente por condutas como venda de sentenças, assédio moral e sexual e favorecimento a facções criminosas.

Segundo Dino, a Reforma da Previdência de 2019 extinguiu a aposentadoria compulsória como punição disciplinar. O ministro afirmou que a Constituição não prevê transferência compulsória para a inatividade com recebimento de salário como sanção administrativa. O caso começou após ação de um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para anular decisão do CNJ que determinou sua aposentadoria compulsória. No recurso, a PGR alegou que a decisão deveria ser analisada pelo plenário do STF e argumentou que a medida pode expor o Judiciário e o Ministério Público a pressões políticas. A Procuradoria também afirmou que houve interferência na competência do Congresso para definir punições aplicáveis à magistratura. Desde a decisão de Dino, o CNJ discute como aplicará a nova regra em processos disciplinares futuros.

 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 27/05/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

MP denuncia pré-candidato e mais 12 por fraude no transporte rural do DF

Apuração faz parte da Operação Old West, deflagrada em dezembro de 2023 pela 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia)

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Com operações, Rio tem ‘clima de Lava-Jato’ e vive apreensão em diferentes frentes

Cláudio Castro foi alvo de dois mandados da PF, e deputados foram presos; leitura é de que investigações estão no começo e desdobramentos vão acontecer

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Operação contra Castro agrava cenário em reduto de Flávio Bolsonaro

Preocupação de bolsonaristas é associação entre o caso Master no Rio de Janeiro com áudios do senador com Daniel Vorcaro Integrantes do PL manifestam temor com divulgação de diálogos do ex-governador com ex-banqueiro

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Moraes envia à PGR investigação sobre ligação entre Vorcaro, Eduardo e Flávio

O pedido foi protocolado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) em ação na qual Eduardo é réu por suposta coação no julgamento da trama golpista, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Dataprev diz que vazamento de dados do INSS atingiu 2,8 milhões de CPFs, a maioria de falecidos

Órgão afirma que falha no "Meu INSS" afetou 52 mil pessoas vivas

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Portugal entra em dias críticos de calor e área ardida já é o dobro face a maio do ano passado

Por todo o país estão a ser tomadas medidas de prevenção face ao risco de incêndio. Desde janeiro já arderam dez mil hectares, quando em igual período de 2025 foram cerca de quatro mil.

terça-feira, 26 de maio de 2026

RADAR JUDICIAL


PISO SALARIAL DOS PROFESSORES

O Senado aprovou ontem, 26, a MP que eleva o piso salarial dos professores da educação básica para R$ 5.130,63. O impacto estimado para 2026 pode chegar a R$ 6,4 bilhões. Editada pelo governo Lula em janeiro, a medida perderia validade em 1º de junho. O reajuste foi de 5,4%, acima da inflação de 3,9%. O piso anterior era de R$ 4.867,77 e o novo valor vale também para temporários. Segundo a Consultoria do Senado, o custo maior ficará com estados e municípios. A relatora, Professora Dorinha Seabra, deu parecer favorável. A MP altera a lei do piso do magistério de 2008. O reajuste anual passará a considerar inflação e receitas do Fundeb. O aumento nunca poderá ser inferior ao INPC. Também haverá limite máximo baseado na arrecadação do Fundeb. Dorinha defendeu a valorização docente para evitar falta de professores na rede pública. 


DESMATAMENTO CAIU EM 2025

O desmatamento no Brasil caiu em 2025 para o menor nível desde 2019, ficando pela primeira vez abaixo de 1 milhão de hectares perdidos, segundo relatório da rede MapBiomas. Foram devastados cerca de 985 mil hectares, redução de 20,6% em relação a 2024. A queda ocorreu em todos os biomas, inclusive na Amazônia, onde o recuo foi de 23,5%. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribui o resultado ao reforço da fiscalização ambiental.
Segundo o MapBiomas, 65% das áreas com perda de vegetação receberam ações das autoridades em 2025. Em 2019, no início do governo Jair Bolsonaro, esse índice era de apenas 5%. Apesar da melhora, a destruição ainda preocupa: na Amazônia, quase cinco árvores por segundo foram derrubadas. O Cerrado continuou sendo o bioma mais afetado, concentrando mais da metade do desmatamento nacional. O avanço da agropecuária segue como principal causa da perda de vegetação. Lula busca fortalecer sua agenda ambiental antes das eleições e após a COP30, em Belém. Ambientalistas, porém, criticam o apoio do governo a projetos de exploração de petróleo na foz do Amazonas. Além disso, projetos aprovados na Câmara podem enfraquecer regras de combate ao desmatamento no país.


RESERVA DE JAZIGOS EM CEMITÉRIO

A 6ª Câmara Criminal do TJ/SC manteve a condenação de um ex-servidor municipal acusado de cobrar valores de famílias interessadas em reservar jazigos no cemitério público de Pouso Redondo. O colegiado, porém, reduziu a pena para dois anos, oito meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial aberto, ao afastar a agravante de reincidência reconhecida em 1ª instância. A pena privativa de liberdade foi substituída por prestação de serviços à comunidade e limitação de fim de semana. Segundo o Ministério Público, o então gerente do cemitério recebeu cerca de R$ 2,8 mil de moradores para garantir vagas no local, sem emissão de guia oficial e fora das regras da prefeitura. O relator destacou que documentos, recibos e depoimentos confirmaram que os pagamentos eram feitos diretamente ao acusado. O ex-prefeito afirmou que o servidor não tinha autorização para negociar jazigos nem receber valores em nome do município. Para o desembargador, ficou comprovado o uso da função pública para obtenção de vantagem indevida. Contudo, a Câmara afastou a reincidência por entender que a condenação anterior havia sido extinta após suspensão condicional do processo.

ARGENTINA MANTÉM LIMITE DE 48 HORAS SEMANAIS

Enquanto o Brasil discute o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho, a Argentina aprovou uma reforma trabalhista que flexibiliza regras e permite jornadas de até 12 horas diárias, mantendo o limite de 48 horas semanais. O governo de Javier Milei afirma que a medida busca modernizar o mercado, atrair investimentos e reduzir a informalidade. A reforma altera regras de indenização por demissão, amplia restrições ao direito de greve e permite acordos específicos entre patrões e empregados. Sindicatos e especialistas criticam as mudanças, classificadas como retrocesso nos direitos trabalhistas. Enquanto isso, países como Chile, Colômbia e México avançam na redução das jornadas semanais para 40 horas. Na Europa, Bélgica, Holanda e França também adotam modelos com menos horas trabalhadas. Especialistas apontam que a Argentina segue na contramão da tendência global. Apesar disso, defensores da reforma argumentam que o país precisava atualizar leis antigas e reduzir custos para empresas. O desemprego e a informalidade seguem elevados no país, atingindo cerca de 43% dos trabalhadores, segundo dados oficiais.

CANDIDATO FOI PEDIR APROVAÇÃO A TRUMP 

O pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou ontem, 26, após reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria ido ao país para fazer “lobby para traficantes”. Segundo o senador, ele pediu que os EUA classifiquem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. “Enquanto Lula veio à Casa Branca fazer lobby para traficantes, eu vim pedir apoio no combate ao crime organizado”, declarou. Durante coletiva em Washington, Flávio disse que apresentou uma alternativa política ao atual governo, com foco no combate ao crime organizado e no fortalecimento das relações internacionais. O senador afirmou ainda que Trump perguntou sobre a situação de Jair Bolsonaro e o presenteou com uma “challenge coin”, símbolo de reconhecimento nos EUA. Flávio defendeu futuras parcerias com EUA, Israel e países europeus nas áreas de segurança, tecnologia e investimentos.

CNJ INSTAURA PAD CONTRA MAGISTRADO DA BAHIA

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou, por unanimidade, Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o desembargador aposentado Jefferson Alves de Assis, do Tribunal de Justiça da Bahia, por supostas irregularidades na concessão de prisão domiciliar a um homem apontado como líder de organização criminosa. O julgamento ocorreu ontem, 26, sob relatoria do corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques. Segundo o relator, há indícios de violação aos deveres de imparcialidade, cautela e prudência previstos na Loman e no Código de Ética da Magistratura. O habeas corpus foi analisado em plantão judicial e a decisão favorável ao preso saiu nos minutos finais do plantão, em novembro de 2024. Pouco depois, foi expedido alvará de soltura, posteriormente revogado pelo relator natural do caso, que determinou nova prisão do investigado. Campbell afirmou que o pedido não apresentava urgência que justificasse apreciação excepcional e destacou que os documentos médicos usados na decisão eram antigos, de 2019 e 2020. O ministro também apontou possível supressão de instância e citou suspeitas de ocultação de dados após “factory reset” em aparelho ligado ao magistrado ou a servidores do gabinete no dia de operação de busca e apreensão. Apesar disso, análises bancária e fiscal não identificaram enriquecimento ilícito ou movimentações financeiras suspeitas.

Salvador, 27 de maio de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados


TRUMP BUSCA REALIZAÇÕES PESSOAIS


Os republicanos sabem que o destino de seu partido continua nas mãos do presidente, mas também reconhecem que têm pouca capacidade de influenciar suas decisões. A poucos meses das eleições de meio de mandato, Donald Trump parece mais focado em iniciativas pessoais e disputas políticas do que em garantir a manutenção do controle republicano do Congresso. 
Ele apoiou candidatos alinhados ao movimento MAGA em detrimento de nomes tradicionais do partido, inclusive desafiando figuras veteranas no Texas. Também tem se dedicado a projetos simbólicos e luxuosos, como a construção de um salão de baile na Casa Branca, enquanto minimiza problemas econômicos internos, como a alta dos combustíveis. Trump chegou a classificar os preços da gasolina como “troco de pinga” e mantém discurso duro em relação a temas internacionais, ao mesmo tempo em que chama a economia doméstica de “farsa” de opositores. Em meio a isso, criou um fundo bilionário de US$ 1,8 bilhão para indenizações relacionadas a alegações de “guerra jurídica”, incluindo envolvidos nos atos de 6 de janeiro. A medida gerou forte reação dentro do próprio Partido Republicano, com senadores criticando a prioridade dada a pautas pessoais em detrimento da agenda legislativa. Parte deles deixou Washington sem avançar em projetos do governo, como medidas de imigração e financiamento do salão presidencial.

A aprovação de Trump caiu para níveis historicamente baixos, aumentando a preocupação de aliados sobre o impacto eleitoral. Ainda assim, ele mantém forte influência sobre a base republicana e continua pressionando por lealdade total dentro do partido. Nos últimos meses, Trump intensificou ataques a membros do próprio partido que considera desleais, como parlamentares que votam contra suas posições. Um dos alvos foi o deputado Brian Fitzpatrick, da Pensilvânia, crítico do fundo de indenizações. Outro caso foi o senador Thom Tillis, que chamou a medida de “estúpida ao extremo” e acabou repreendido publicamente por Trump nas redes sociais. A troca de críticas expôs divisões internas e o desconforto de parte dos republicanos. Apesar disso, muitos membros do partido evitam confronto direto, temendo retaliações políticas e o impacto da influência de Trump sobre eleitores. O ex-presidente também conta com forte estrutura de financiamento e apoio de aliados próximos. Mesmo com frustrações internas, a liderança de Trump segue central para o Partido Republicano, que reconhece depender dele para mobilizar sua base eleitoral. 

GOVERNADOR DO RIO É ALVO DA POLÍCIA FEDERAL


A Polícia Federal cumpriu hoje, 26, mandados de busca e apreensão contra Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio, em investigação sobre suspeitas envolvendo o Banco Master. A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF. 
A PF apura possíveis crimes financeiros ligados a investimentos feitos pelo Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores estaduais. A operação é a 8ª fase da Compliance Zero, que investiga negócios do banco controlado por Daniel Vorcaro. Foram expedidos dez mandados no Rio e em Brasília. A ação é desdobramento da Operação Barco de Papel, deflagrada em janeiro, que identificou aportes de R$ 970 milhões do Rioprevidência em letras financeiras do Master entre 2023 e 2024. Segundo a PF, os investimentos chegaram a R$ 3 bilhões após novas aplicações em fundos do banco. As letras financeiras não têm garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), diferentemente dos CDBs. O Rioprevidência é um dos 18 institutos estaduais e municipais que aplicaram recursos bilionários no Master. A recuperação dos valores pode ser incerta em caso de liquidação do banco.

Castro já havia sido alvo da Operação Sem Refino, em maio, que investiga supostas irregularidades no setor de combustíveis envolvendo o grupo Refit, do empresário Ricardo Magro. As investigações apontam suspeitas de favorecimento a empresas do grupo e pagamento de propinas a agentes públicos. A defesa do ex-governador afirma que ele está à disposição da Justiça e que sua gestão seguiu critérios legais e técnicos. Castro renunciou ao governo em março para evitar possível cassação pelo TSE em processo sobre abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O Rioprevidência é a autarquia responsável pela previdência dos servidores estaduais fluminenses. O ex-presidente do órgão, Deivis Marcon Antunes, foi preso em fevereiro no âmbito das investigações sobre os investimentos no Banco Master. 

RÚSSIA DEMONSTRA "DESESPERO" NÃO FORÇA


A Rússia fez um pedido inédito para que civis e diplomatas deixem Kiev diante da ameaça de um mega-ataque contra centros de decisão do governo ucraniano. Apesar do alerta, embaixadas estrangeiras mantêm suas atividades na capital. Na segunda-feira (25), o Ministério das Relações Exteriores russo recomendou que estrangeiros deixem a cidade e que moradores evitem prédios militares e governamentais. No domingo, Moscou lançou 600 drones e 90 mísseis, incluindo o novo Orechnik, desenvolvido para conflitos nucleares. O ataque mirou principalmente a região de Kiev. A Rússia afirmou que a ofensiva foi uma resposta à morte de 21 estudantes em Lugansk, área ocupada no leste ucraniano. A ameaça ocorre em meio à estagnação das negociações de paz e à perda de ritmo das tropas russas nas frentes de batalha.

Também aumentam rumores de uma nova ofensiva russa contra Kiev a partir de Belarus, repetindo a estratégia fracassada do início da guerra. O chanceler russo Serguei Lavrov avisou os EUA sobre o ataque em conversa com Marco Rubio. Mesmo assim, a embaixada americana segue funcionando normalmente. A Embaixada do Brasil informou que mantém os serviços regulares. O Itamaraty ainda não comentou possíveis mudanças de orientação. Países europeus reagiram de forma dura. Polônia, Alemanha, França e Reino Unido condenaram as ameaças russas e afirmaram manter suas representações ativas. A embaixadora da União Europeia em Kiev afirmou que ameaças a diplomatas demonstram “desespero”, não força. O bloco europeu convocou o representante russo para explicações. Já a China manteve o discurso de defesa do diálogo e evitou comentar uma possível evacuação de sua embaixada em Kiev. 

NOVO RADIOTELESCÓPIO


Um novo radiotelescópio, o Next Generation Very Large Array (ngVLA), está sendo desenvolvido no Novo México e poderá reunir 263 antenas espalhadas pelos EUA e norte do México. O projeto pretende ampliar a capacidade de observar regiões onde planetas estão se formando e investigar condições químicas ligadas à origem da vida. Os cientistas também querem usar o ngVLA para estudar buracos negros supermassivos, formação de estrelas, evolução de galáxias e testar a teoria da gravidade de Albert Einstein. Segundo o astrofísico David Wilner, o potencial científico do equipamento é praticamente ilimitado. Nesta semana, o Observatório Nacional de Radioastronomia anunciou que a antena protótipo do ngVLA captou sua “primeira luz”, registrando ondas de rádio do Sol, restos de uma supernova e um buraco negro distante. O avanço marca uma nova fase dos radiotelescópios de matriz, formados por conjuntos de antenas que trabalham em conjunto para observar fenômenos invisíveis aos telescópios ópticos.

Radiotelescópios são fundamentais para estudar gases que dão origem a estrelas e planetas. Como as ondas de rádio têm comprimentos maiores, é necessário usar instrumentos gigantescos para obter imagens detalhadas do céu. Para superar essa limitação, astrônomos distribuem antenas menores por grandes áreas e combinam os dados para simular um telescópio enorme. Quanto maior a distância entre as antenas, maior a resolução das observações. O ngVLA substituirá dois sistemas atuais dos EUA, o Very Large Array e o Very Long Baseline Array, usando antenas menores, porém mais precisas. O diretor do Observatório Nacional de Radioastronomia, Tony Beasley, afirmou que o projeto busca um modelo “ideal” de antena. Outros projetos semelhantes também avançam pelo mundo, como o Square Kilometer Array, com instalações na África do Sul e Austrália. Esses sistemas permitirão observar regiões do céu invisíveis aos telescópios do hemisfério norte. Para os astrônomos, a nova geração de radiotelescópios ajudará a construir uma visão mais completa do universo ao combinar dados de diferentes tipos de luz.