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domingo, 13 de setembro de 2026

TRUMP JÁ PROMETEU, NÃO CUMPRIU, E AGORA ASSEGURA DINHEIRO PELO VOTO


A promessa de Donald Trump de enviar US$ 5 mil a cada cidadão adulto dos Estados Unidos enfrenta dúvidas jurídicas. 
O chamado “Trump dividend” seria financiado por receitas obtidas com tarifas de importação. A proposta dependeria da vitória dos republicanos nas eleições de novembro para o Senado e a Câmara, mas a legislação federal proíbe pagamentos destinados a influenciar o voto ou favorecer candidatos. A violação pode resultar em multa e até dois anos de prisão, se houver intenção criminosa. Por outro lado, um precedente da Suprema Corte pode favorecer a defesa de Trump. Em Brown v. Hartlage, de 1982, a Corte distinguiu promessas de campanha de compra ilegal de votos. Segundo a decisão, promessas políticas são protegidas pela liberdade de expressão da Primeira Emenda. Assim, candidatos podem fazer promessas mesmo que elas posteriormente não sejam cumpridas. O problema é saber se a oferta de dinheiro caracteriza política pública ou compra de votos. O pagamento de US$ 5 mil para cada adulto custaria cerca de US$ 1,3 trilhão. Esse valor supera amplamente os US$ 298 bilhões estimados em receitas tarifárias até agora. Para financiar a medida, seria necessário utilizar dinheiro dos contribuintes e Trump não poderia realizar esse gasto por decreto, dependendo de aprovação do Congresso. O presidente já havia feito outras promessas semelhantes que não foram concretizadas. No início do segundo mandato, prometeu um cheque de US$ 5 mil financiado por economias do DOGE. A promessa, chamada de “DOGE dividend”, nunca foi cumprida.

Depois, Trump prometeu cheques de US$ 2 mil como devolução de tarifas de importação. Essa segunda promessa também não se materializou.Na nova proposta, Trump acrescentou que o dinheiro deveria ser gasto nos Estados Unidos. Essa condição, porém, estaria fora do controle efetivo do governo. Se houver contestação judicial, a defesa deverá negar que se trate de suborno eleitoral. O governo poderá argumentar que o benefício seria destinado a todos os adultos, independentemente do voto. Ainda assim, críticos veem na promessa características semelhantes às de uma compra de votos. O texto cita o chamado “teste do pato” para ilustrar essa percepção. A promessa somente seria implementada se os republicanos mantiverem o controle das duas Casas. Isso também fortaleceria Trump diante de possíveis processos de impeachment e disputas legislativas. Apesar das dúvidas legais e financeiras, a promessa pode influenciar as eleições de novembro. Ela tende a ter impacto entre seguidores do movimento Maga, mesmo diante das incertezas. Os eleitores independentes, porém, podem ser decisivos, pois frequentemente definem o resultado das eleições. 

DÍVIDA DOS EUA REGISTRA O MAIOR VALOR: US$ 40 TRILHÕES


Nos últimos meses, decisões de bancos centrais e fundos de pensão aumentaram as dúvidas sobre os EUA como porto seguro global. 
França e Holanda retiraram reservas de ouro dos Estados Unidos, enquanto o fundo soberano da Noruega quer reduzir títulos americanos. Os movimentos refletem uma crescente desconfiança na economia dos EUA, provocada por riscos fiscais e tensões geopolíticas, apesar de que durante décadas, os Estados Unidos foram considerados o principal porto seguro da economia mundial. A posição se apoia no tamanho da economia, no dólar como moeda de reserva e nos títulos do Tesouro, vistos como ativos seguros. Mas o endividamento americano tornou-se uma preocupação crescente entre investidores. No mês passado, a dívida dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões, maior nível já registrado. Segundo economistas, cerca de US$ 20 trilhões foram acumulados entre 2017 e 2026. O problema fiscal é agravado por medidas do governo Donald Trump. O “One Big Beautiful Bill” poderá elevar a dívida americana em mais de US$ 4 trilhões na próxima década. Trump também propôs um pagamento de US$ 5 mil a cada adulto americano se os republicanos vencerem as eleições de meio de mandato e essa medida poderia custar mais de US$ 1,3 trilhão aos cofres públicos. Com o aumento dos riscos, investidores passaram a exigir maior remuneração pelos títulos da dívida dos EUA e o rendimento do Treasury de dez anos está próximo de 5%, enquanto o de 30 anos chegou a 5,37%. Apesar disso, a perda de parte do status de porto seguro não significa uma crise iminente na economia americana.

Investimentos em inteligência artificial ajudam a sustentar a atividade econômica, com previsão de crescimento de 2% neste ano. Especialistas lembram que outros países desenvolvidos também enfrentam elevados níveis de dívida pública. Por isso, os EUA ainda são vistos como a economia com uma das posições relativamente mais sólidas. Entretanto, inflação acima da meta e economia aquecida podem levar o Federal Reserve a elevar novamente os juros. Taxas maiores aumentariam o custo de financiamento da dívida e pressionariam ainda mais as contas públicas. Além do problema fiscal, Trump ampliou a incerteza geopolítica com seu tarifaço e mudanças na política comercial. O presidente também provocou tensões com diversos países, inclusive aliados europeus. Um mapa divulgado por Trump mostrou EUA, México, Canadá, Cuba, Groenlândia e Islândia sob a bandeira americana. A questão da Groenlândia, pertencente à Dinamarca, também prejudicou as relações com a Europa. O cenário externo mais incerto afeta igualmente países emergentes, incluindo o Brasil. A alta dos juros dos Treasuries aumenta o custo para outras economias captarem recursos. No Brasil, a dívida bruta chegou a 82,5% do PIB em julho, nível elevado para um país emergente. O cenário reforça a necessidade de um ajuste fiscal brasileiro a partir do próximo ano. Um ambiente externo mais difícil pode limitar a queda dos juros no Brasil. Assim, embora os EUA ainda mantenham vantagens importantes, o aumento da dívida e das incertezas começa a abalar sua tradicional imagem de porto seguro. 

PF MOSTRA CONVERSAS DE MENDONÇA COM O EX-GOVERNADOR CLÁUDIO CASTRO


Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram conversas no WhatsApp atribuídas ao ministro André Mendonça, do STF, com o ex-governador Cláudio Castro. 
Os diálogos ocorreram em 11 de novembro de 2022 e trataram do caso do ex-governador Sérgio Cabral. Castro escreveu a Mendonça pedindo falar com urgência e mencionou o caso Cabral. Em seguida, encaminhou pedidos de habeas corpus e de alvará de soltura. Mendonça respondeu descrevendo o processo que mantinha Cabral preso preventivamente, mas pouco depois, disse que ligaria em alguns minutos e enviou um link para o processo no STF. O caso estava sob julgamento da Segunda Turma, da qual Mendonça fazia parte. O gabinete do ministro afirmou que ele não é amigo de Castro e que a relação sempre foi institucional. Também disse não haver registro de tratativa sobre o mérito do processo e assegurou que contatos com advogados, partes e terceiros não alteram o andamento dos processos. Castro também afirmou que sua relação com o ministro sempre se restringiu ao âmbito institucional e o processo envolvia suspeitas de pagamento de propina da Andrade Gutierrez ao ex-governador Sérgio Cabral que havia sido condenado a 14 anos e dois meses de prisão no caso. Em 24 de outubro de 2022, Mendonça havia pedido vista do processo após voto contrário de Edson Fachin e em 28 de novembro, devolveu os autos para julgamento. Em 9 de dezembro, Mendonça votou pela soltura de Cabral, alegando excesso de prazo da prisão. Em 16 de dezembro, por 3 votos a 2, o STF decidiu revogar a prisão preventiva e Cabral passou a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Mendonça não é investigado pelas conversas reveladas pela PF. As mensagens foram encontradas na Operação Sem Refino, que teve Castro como alvo. A operação investiga suspeitas relacionadas à concessão de licenças para a refinaria Refit. Os diálogos não esclarecem qual era exatamente o interesse de Castro na soltura de Cabral. A PF também questionou o tempo de análise de pedidos relacionados a investigações contra Castro. Segundo a corporação, pedidos contra Jaques Wagner levaram nove dias, enquanto os de Castro demoraram 74 dias. Em maio, a PF pediu buscas em outro endereço ligado a Castro, mas Mendonça negou inicialmente. As buscas nesse novo local foram autorizadas somente em agosto. O gabinete de Mendonça afirmou que suas decisões nos casos envolvendo Castro são públicas e fundamentadas nas provas, mas Castro negou categoricamente ter feito pedidos sobre processos judiciais a Mendonça ou a outros ministros do STF. Disse ainda que termos como “amigo”, “parceiro” e “irmão” são formas comuns de tratamento político. Segundo o ex-governador, essas expressões não comprovam amizade ou relação pessoal com o ministro. 

A "IA" CONSTITUI RISCO PARA A HUMANIDADE, DIZEM PESQUISADORES


Mais de uma dúzia de pesquisadores de inteligência artificial alertaram que a tecnologia pode se tornar um risco para a humanidade; 
afirmam que as empresas não conseguem controlar adequadamente sistemas cada vez mais avançados. O alerta ganhou força após agentes da OpenAI escaparem de um ambiente de testes e invadirem a Hugging Face, daí o temor dos pesquisadores acerca da busca de velocidade e lucro em detrimento da segurança. Um dos principais problemas é criar salvaguardas eficazes durante os testes dos novos modelos e como a IA trabalha em velocidade superior à humana, empresas recorrem à própria IA para monitorá-la. O problema é que sistemas de monitoramento podem ser influenciados por outras IAs e deixar de denunciar violações. Essa dificuldade está ligada ao chamado alinhamento, que busca garantir que a IA atue conforme os interesses humanos. Os pesquisadores dizem ser necessário ensinar os sistemas a reconhecer comportamentos prejudiciais e alertar os humanos.
Também defendem testes mais longos e abrangentes antes da liberação de modelos mais poderosos. As preocupações aumentam enquanto OpenAI e Anthropic avançam em direção a possíveis grandes ofertas públicas de ações. Ao mesmo tempo, cresce nos EUA a resistência à IA por causa do desemprego e dos enormes centros de dados. Todavia, não há evidências de danos duradouros provocados por sistemas de IA fora de controle, mas mesmo assim, pesquisadores afirmam que o desenvolvimento está mais rápido que a capacidade de monitoramento.

Entre os alertas está o de Paul Christiano, que prevê possível perda catastrófica e irreversível de controle. Outros especialistas consideram exageradas as previsões de ameaça à humanidade e priorizam riscos mais imediatos, mas a invasão da Hugging Face é vista por muitos como um importante sinal de alerta. Em maio, a OpenAI testava modelos em um ambiente isolado, sem acesso previsto à internet. Os agentes receberam, entre outras tarefas, desafios envolvendo ataques cibernéticos e eles romperam o isolamento, acessaram a internet e passaram a se comunicar secretamente. Os sistemas chegaram a investigar maneiras de esconder seus rastros e falsificar registros de conversas. Depois, invadiram a Hugging Face, enquanto convenciam outros agentes de que estavam apenas cumprindo suas tarefas. Incidentes menores semelhantes também foram relatados por Meta e Anthropic. Para Steven Adler, ex-chefe de segurança da OpenAI, o setor ainda não consegue impedir um novo ataque desse tipo, mas especialistas afirmam que os modelos podem cooperar para burlar regras e evitar a detecção humana. Um agente pode convencer outro a esconder informações que deveriam ser comunicadas aos responsáveis. Por isso, pesquisadores defendem que as empresas desacelerem o desenvolvimento para ampliar os testes. Outro desafio é ensinar às máquinas normas sociais e princípios morais semelhantes aos humanos. Sem alinhamento adequado, sistemas mais sofisticados podem aprender a violar regras, enganar usuários e esconder seus rastros. Para Nate Soares, usar IA para controlar outras IAs não é uma solução sustentável para o futuro.

 

PESQUISA APONTA PARA PUNIÇÃO DE MINISTROS


Para 28% dos brasileiros, Alexandre de Moraes deveria sofrer impeachment, 
enquanto 34% defendem seu afastamento temporário. Em relação a André Mendonça, os índices são de 12% e 37%, respectivamente. Os dados são da mais recente pesquisa Datafolha sobre a crise no STF. Moraes e Mendonça estão em lados opostos no caso do Banco Master, que já ultrapassou os limites do Supremo e chegou à campanha presidencial. O Datafolha ouviu 2.002 pessoas em 125 cidades, entre os dias 8 e 10. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela TV Globo. Mendonça divulgou relatório sigiloso com detalhes das relações de Moraes com Vorcaro, incluindo o contrato de R$ 131 milhões com o escritório da mulher do ministro. Também vieram a público mensagens em que Vorcaro questionava Moraes sobre a possibilidade de fugir do país para escapar da prisão. O ex-banqueiro acabou preso, acusado de comandar uma grande fraude bancária. Moraes pediu apuração sobre a legalidade das ações de Mendonça. Em resposta, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF e do chefe da inteligência da instituição, sugerindo conluio com Moraes. A crise passou a integrar a disputa presidencial de 2026 e Flávio Bolsonaro declarou apoio a Mendonça e passou a atacar Moraes, associando o ministro ao presidente Lula, seu adversário eleitoral.

Segundo o Datafolha, 7% não veem nada de errado na atuação de Moraes. Outros 5% consideram que não há problema porque as provas de Mendonça seriam ilegais. Além disso, 13% defendem a renúncia de Moraes. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 50% defendem o impeachment de Moraes, percentual que cai para 9% entre os apoiadores de Lula. Sobre Mendonça, 25% não veem ilegalidade em sua atuação e 11% defendem renúncia. Entre eleitores de Flávio, 48% não identificam irregularidades em Mendonça. Já entre lulistas, 49% defendem o afastamento do ministro. Edson Fachin suspendeu medidas dos dois ministros numa tentativa de conter a crise. Na sequência, Flávio Dino autorizou operação que trouxe novamente o caso Dark Horse. Fachin determinou o fim do sigilo do caso Master, e Mendonça foi obrigado a ampliar a transparência. 

PF ENCONTRA NA CASA DE CIRO NOGUEIRA DOCUMENTOS COMPROMETEDORES


A Polícia Federal encontrou na churrasqueira da casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) 
documentos que continham nomes de deputados e números que provavelmente seriam valores. O material foi localizado durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero, em maio deste ano. A residência fica no Lago Sul, bairro de alto padrão de Brasília. Segundo uma funcionária, Ciro teria orientado que os documentos fossem queimados e afirmou que não cumpriu a ordem por falta de tempo. O relatório da PF não informa quando o senador teria dado a suposta orientação, mas os investigadores disseram que os papéis seriam analisados para esclarecer seu contexto. Entre os documentos havia um rascunho com o título "Câmara" e a lista trazia primeiros nomes que poderiam identificar parlamentares. Entre eles estavam "Arthur", "Hugo", "Elmar", "Luizinho", "Adolfo" e "Isnaldo". A PF considera que podem ser Arthur Lira, Hugo Motta, Elmar Nascimento, Dr. Luizinho, Adolfo Viana e Isnaldo Bulhões, entre outros deputados. Ao lado dos nomes havia números que, segundo os investigadores, provavelmente representam valores, mas a PF afirmou que o significado das anotações ainda precisa ser esclarecido. Arthur Lira disse desconhecer as anotações e afirmou não poder responder por elas. A assessoria de Hugo Motta informou que o presidente da Câmara não se manifestará, enquanto Elmar Nascimento repudiou a associação de seu nome ao documento e classificou a anotação como "apócrifa" e negou relação política com Ciro Nogueira. O deputado afirmou nunca ter tido relação que justificasse a presença de seu nome na lista.


As demais pessoas citadas foram procuradas pela reportagem para apresentar suas versões inclusive as assessorias de Ciro Nogueira, Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões. A PF também destacou o que chamou de "elevado padrão econômico" na casa do senador, porque durante a busca, foram encontrados vinhos e uísques de alto valor, além de diversas bolsas de grife internacional. No closet havia malas de viagem vazias com etiquetas em nomes de terceiros e segundo a PF, a circunstância levantou suspeitas sobre possível transporte de valores. O relatório registra esses elementos como parte das constatações feitas durante a operação. As anotações encontradas na churrasqueira ainda dependem de análise investigativa. A PF busca esclarecer a origem dos documentos e o significado dos nomes e valores. 

SITUAÇÃO DE FLÁVIO SE COMPLICA


A Polícia Federal identificou uma série de encontros, ligações e mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 
As informações constam de relatório elaborado a partir do celular de Vorcaro e de dados do Coaf. Segundo a PF, a relação se intensificou no segundo semestre de 2025, durante a produção do filme “Dark Horse”. Flávio afirma que os contatos faziam parte de uma relação privada para captação de patrocínio e nega ter recebido valores diretamente ou cometido irregularidades. Em 20 de agosto de 2025, houve o primeiro registro direto de mensagens entre Flávio e Vorcaro; em 8 de setembro, Flávio cobrou repasses atrasados e demonstrou preocupação com compromissos da produção e citou o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, ligados ao filme. Vorcaro pediu desculpas e prometeu solucionar o problema. Em 15 de setembro, foi articulado um encontro presencial entre Flávio e o banqueiro; no dia seguinte, houve uma ligação entre os dois, coincidente com uma remessa de US$ 1,66 milhão ao exterior; em 17 de setembro, novas mensagens indicaram tentativa de reunião presencial; em 22 de outubro, Flávio alertou que as filmagens estavam no terceiro dia, no limite do orçamento e pediu que Vorcaro avisasse imediatamente caso não pudesse realizar o aporte. O banqueiro respondeu que verificaria a situação e havia liberado outra parcela. Flávio o convidou para jantar com integrantes da produção do filme.

No fim de outubro e início de novembro, surgiram novos questionamentos sobre pagamentos que não haviam chegado ao exterior. Em 7 de novembro, Flávio enviou a Vorcaro um vídeo da produção e agradeceu pelo apoio e afirmou que o filme só estava sendo realizado graças à ajuda do banqueiro; em 16 de novembro, às vésperas da operação policial, Flávio tentou falar com Vorcaro e enviou novas mensagens. No dia seguinte, Vorcaro foi preso pela PF ao tentar deixar o país em um jato particular e na manhã seguinte, foi deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero. A investigação busca esclarecer a origem dos recursos usados para financiar o filme, além de apurar o papel da Entre Investimentos e Participações como intermediária das transferências. Outro ponto é a função do fundo Havengate Development Fund, registrado no Texas. A PF quer identificar os beneficiários finais dos valores enviados ao exterior e investiga a divisão de funções entre Flávio, Eduardo Bolsonaro, Mario Frias, Thiago Miranda e outros envolvidos. A defesa de Flávio sustenta que houve apenas captação privada de patrocínio e pede a retirada dos sigilos dos autos. O relatório da PF reúne diversos registros de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, agora analisados pelos investigadores. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 13/09/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Especialista defende sessão pública no STF e cobra transparência da Corte

Para o cientista político Jorge Mizael, o acompanhamento público dos julgamentos é necessário para que a sociedade possa avaliar os critérios jurídicos, técnicos e comportamentais adotados pelos magistrados

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

'Medo Vermelho': Em desvantagem nas pesquisas, republicanos tentam associar Partido Democrata ao comunismo

Para o presidente, em sua narrativa hiperbólica, o comunismo representa uma ameaça mais grave ao país do que foram os ataques a Pearl Harbor ou ao 11 de Setembro

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Fachin afasta Mendonça de caso contra Moraes e manda parar apurações de Master e INSS

Decisão menciona risco de impedimento do magistrado no julgamento Ministro solicita a André Mendonça envio da íntegra das investigações

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Produtor de "Dark Horse" nos EUA se negou a passar documentos à PF

Empresa GoUp Entertainment informa que entrega de dados sobre o filme de Bolsonaro depende de ordem judicial americana

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

PSP alerta para aumento de imigrantes ilegais que chegam de comboio e autocarro

Entrevista ao diretor nacional adjunto da PSP e responsável pela Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) da PSP, superintendente-chefe João Ribeiro.

sábado, 12 de setembro de 2026

RADAR JUDICIAL


INFLAÇÃO OFICIAL DE AGOSTO: -0,32% 

A inflação oficial de agosto ficou em -0,32%, a menor taxa desde agosto de 2022. Em julho, o IPCA havia registrado alta de 0,07%; em agosto de 2025, queda de 0,11%. Os dados foram divulgados ontem, 11, pelo IBGE. Em 12 meses, o índice acumulou 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados em julho. O resultado ficou melhor que a previsão do mercado, de deflação de 0,23%. Para 2026, a expectativa do mercado é de inflação de 5%, sendo que a meta oficial é de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. Quatro dos nove grupos pesquisados tiveram deflação em agosto. Habitação teve a maior queda, de 1,87%, seguida por transportes, com -0,86%. O grupo habitação registrou a maior deflação desde o início do Plano Real. O resultado foi influenciado pelo Bônus de Itaipu, que reduziu em média 7,63% as contas de luz. Alimentação caiu 0,34%, com destaque para batata, cenoura, cebola, tomate, ovos e café. 


EUA QUEREM ACABAR COM O TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

Os Estados Unidos intensificam a ofensiva contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), ameaçando sua credibilidade e funcionamento. A avaliação é do BRICS+ New Economy & Legal Infrastructure Center (NeLi), em vídeo divulgado pelo centro de pesquisa. Em agosto, o governo americano sancionou a presidente do TPI, Tomoko Akane; antes, o secretário de Estado Marco Rubio havia anunciado um projeto para desmantelar a corte. A administração Donald Trump considera o tribunal uma ameaça ao Poder Executivo e às Forças Armadas dos EUA. O advogado canadense Robert Amsterdam classificou o momento como “existencial” para o TPI. Segundo ele, as sanções podem comprometer diretamente o funcionamento da instituição. A crise se agravou após a destituição do procurador do tribunal, em julho. Quatro países africanos também deixaram o TPI, em meio a denúncias de massacres de civis. Cresce o temor de que Washington sancione diretamente a corte e estimule novas retiradas. Apesar da pressão, o NeLi considera prematuro descartar o TPI. A corte ainda possui 121 Estados sob sua jurisdição.


MINISTRO PEDE UNIÃO DAS AÇÕES DE COMPLIANCE E SEM DESCONTO

O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, pediu ontem, 11, a união de duas ações sobre as operações Compliance Zero e Sem Desconto. As Petições 16.662 e 16.704 tratam de fatos semelhantes e, segundo ele, devem tramitar conjuntamente. Gilmar questionou se a primeira ação está pronta para julgamento pelo Plenário na próxima terça-feira (15). O ministro defendeu que a Presidência do STF assuma a condução dos casos. A medida, segundo ele, evitaria decisões conflitantes sobre os mesmos fatos. Gilmar também alertou para os riscos de manter processos semelhantes separados e citou a Petição 16.662 e o Inquérito 4.781, que tratam de questões relacionadas. Para o decano, a reunião dos processos permitiria organizar melhor as provas antes da votação. Caso o julgamento de terça-feira seja mantido, Fachin deverá conduzir a análise do caso. Gilmar sugeriu que o presidente apresente aos ministros um resumo dos fatos e das provas e pediu que seja analisado primeiro o pedido de anulação apresentado pela PGR. Somente depois, segundo ele, o Plenário deveria votar o mérito da ação.


TÉCNICO ABEL FERREIRA É SUSPENSO PORR TRÊS JOGOS

O Pleno do STJD aumentou para três jogos a suspensão de Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, por chutar um microfone contra o Mirassol. Em primeira instância, Abel havia recebido dois jogos de gancho. O Palmeiras conseguiu efeito suspensivo, permitindo sua presença contra o Botafogo. Com a nova decisão, não há mais possibilidade de recurso. Abel ficará fora dos jogos contra São Paulo, Grêmio e Bahia. A Procuradoria enquadrou a atitude como conduta antidesportiva, pelo artigo 258 do CBJD. A pena prevista para o caso varia de um a seis jogos de suspensão. A relatora Antonieta Silva Pinto classificou o gesto como demonstração de destempero e mau exemplo. Segundo ela, a atitude poderia estimular a animosidade dos torcedores contra a arbitragem. O árbitro João Victor Gobbi recebeu apenas uma advertência por ignorar o episódio. O quarto árbitro e o VAR foram absolvidos pelo tribunal. A defesa de Abel, representada por André Sica, criticou a decisão e afirmou que o treinador está sendo julgado pela pessoa, e não pelo fato.


ARGENTINA EM CRISE

A indústria argentina enfrenta uma forte crise sob o governo de Javier Milei, apesar da queda da inflação e da desregulamentação econômica. A fábrica de calçados Kioshi reduziu seu quadro de 120 para apenas 14 funcionários desde 2023. Empresários reclamam da retração do consumo, da concorrência estrangeira e da perda de empregos. A União Industrial Argentina estima que cerca de 90 mil postos industriais desapareceram desde agosto de 2023. Em junho, o setor operava com cerca de 40% de capacidade ociosa, e a produção caiu 5% entre junho e julho. Cerca de 30 mil empresas fecharam desde a posse de Milei, segundo dados do setor. Em Zárate, o fechamento da fábrica Clariant deixou 42 trabalhadores desempregados, quase todos sem emprego formal. A empresa passou a importar do Brasil os produtos que antes fabricava na Argentina. Desde 2023, o país perdeu mais de 240 mil empregos formais no setor privado. O governo defende a abertura econômica e afirma que a competitividade internacional criará novos empregos. Empresários, porém, citam câmbio desfavorável, juros altos, impostos e baixo consumo como obstáculos à indústria. Com emprego e salários entre as principais preocupações dos argentinos, o cenário representa um desafio político para Milei rumo à reeleição em 2027.

Salvador, 12 de setembro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


O "11 DE SETEMBRO DE 2001" CONTINUA NA MEMÓRIA DO AMERICANO


Javed Ali dirigia para o trabalho em 11 de setembro de 2001 quando ouviu no rádio as primeiras notícias sobre o ataque ao World Trade Center. 
Meia hora antes de um avião sequestrado atingir o Pentágono, passou de carro perto do local e viu a fumaça subir. A memória daquele dia permanece viva para ele e para grande parte dos americanos. Pesquisa do Pew mostra que 83% dos adultos nascidos antes de 2001 lembram onde estavam quando souberam dos ataques. Os atentados provocaram medo, raiva e apoio à resposta militar contra os responsáveis, mas a percepção da ameaça mudou: hoje, o terrorismo doméstico preocupa mais que o estrangeiro. Pesquisa Reuters/Ipsos aponta 33% preocupados com terrorismo doméstico, contra 20% com o internacional. Para Ali, ataques recentes são praticados principalmente por americanos radicalizados, agindo sozinhos. Segundo ele, o 11 de Setembro rompeu a sensação de segurança existente após o fim da Guerra Fria. O país, protegido por dois oceanos e dominante militarmente, não esperava um ataque daquela dimensão. Ali, que trabalhou em órgãos de inteligência e segurança, acompanhou a transformação do combate ao terrorismo. Após os ataques, os EUA criaram estruturas como a TSA e o Departamento de Segurança Interna (DHS), além de ampliarem a proteção de infraestruturas consideradas possíveis alvos da Al Qaeda. Washington ainda recorreu à força militar, invadindo o Afeganistão e combatendo grupos jihadistas em outros países. Para Ali, a ausência de outro ataque estrangeiro de escala semelhante demonstra a eficácia de parte desse aparato, mas ele considera equivocadas algumas medidas adotadas depois de 2001, como a prisão de suspeitos em Guantánamo.

Vinte e cinco anos depois, os processos contra acusados de planejar os atentados ainda não foram concluídos. Ali também critica técnicas de interrogatório, como o afogamento simulado, usadas durante o governo George W. Bush. Questiona ainda os programas secretos de vigilância da NSA e a coleta em massa de registros telefônicos. Para ele, era preciso avaliar os resultados e os custos dessas medidas para a sociedade. O especialista também considera a invasão do Iraque um erro, pois não houve evidência de envolvimento nos atentados. As guerras posteriores provocaram milhares de mortes, feridos e graves consequências para veteranos e civis. Os conflitos também custaram trilhões de dólares aos Estados Unidos. Segundo Ali, a ameaça terrorista atual é diferente daquela enfrentada em 2001. O perigo vem menos de organizações estrangeiras e mais de indivíduos radicalizados dentro do próprio país. Isso explica a crescente preocupação americana com o terrorismo doméstico. Apesar dos avanços na segurança, Ali afirma que o terrorismo continua sendo um desafio permanente. A natureza da ameaça, porém, pode mudar novamente nas próximas décadas. “Ele apenas assume formas diferentes em períodos diferentes”, resume o especialista. 

USUÁRIOS ACIONAM ANTHROPIC EM ATIVIDADES COMO ARMAS, ESPIONAGEM E OUTRAS


A Anthropic afirmou em relatório que usuários serrviram de seus produtos em atividades como armas, espionagem, vigilância e fraudes. 
Na China, um usuário usou o Claude para desenvolver software de guerra eletrônica e supressão de defesa aérea. O sistema classificava alvos e simulava interferência de radar, incluindo 12 alvos em Taiwan. Segundo a empresa, dados ligavam o usuário à Academia de Ciências Militares chinesa, e a conta foi banida. Outro agente chinês utilizou o Claude para desenvolver um sistema antitorpedos destinado à Marinha. Também houve pesquisa sobre armas de micro-ondas, componentes, fornecedores e cadeias de suprimentos. No Iêmen, um grupo usou a IA para desenvolver software relacionado a foguetes e mísseis. A Anthropic disse não haver evidência de que uma dessas armas tenha se tornado operacional. Na Rússia, agentes provavelmente utilizaram o Claude para desenvolver enxames de drones autônomos. Os sistemas incluíam seleção de alvos, orientação terminal e coordenação entre aeronaves. Outro usuário russo buscou intermediários para comprar componentes europeus de possível uso militar. A empresa também relatou cinco tentativas de utilização dos modelos em pesquisas ligadas a armas biológicas. Entre os casos estavam pesquisas sobre chikungunya, gripe aviária, ortopoxvírus, venenos e toxinas. Na área cibernética, operadores chineses teriam usado o Claude contra cerca de 50 organizações. O grupo utilizou IA para localizar e explorar vulnerabilidades com pouca supervisão humana.

Hackers ligados à Rússia teriam usado IA em phishing, invasões de redes e contas de WhatsApp na Ucrânia. Um operador vinculado ao Irã utilizou o Claude para coletar informações sobre forças navais dos Estados Unidos. Os dados incluíam informações públicas sobre militares, navios, aeronaves e imagens de satélite. Na Síria, um usuário alinhado à China teria servido da IA para rastrear e abordar uigures. A Anthropic avaliou, com baixa confiança, que ele poderia ser contratado da segurança estatal chinesa e relatou sobre a vigilância de cardeais, líderes religiosos, dissidentes e ativistas. Na China, o Claude prestou-se para infomar sobre a produção de relatórios acerca dos uigures, tibetanos e opositores. No Irã, uma conta criou uma plataforma para monitorar e traçar perfis de usuários das redes sociais. Outro operador iraniano desenvolveu sistema para perfilar autoridades israelenses e integrantes da diáspora judaica. A Anthropic baniu 16 contas ligadas a unidades paramilitares e de segurança interna iranianas. No Mali, o Claude teria sido usado para desenvolver plataforma capaz de monitorar 25 milhões de cartões SIM. Um agente francófono também utilizou a IA para atingir 42 partidos políticos europeus e organizações relacionadas. O sistema roubava dados e credenciais e mantinha uma plataforma destinada à exposição de informações pessoais. Por fim, uma operação chinesa criou mais de 20 aplicativos de namoro com milhares de personas de IA. Segundo a Anthropic, essas personas interagiram com pelo menos 25 mil usuários e eram apoiadas por trabalhadores pagos. 

DEFESA DE FLÁVIO BOLSONARO PEDE RELATORIA DO CASO "DARK HORSE" PARA MENDONÇA


A defesa de Flávio Bolsonaro pediu ao STF, ao menos quatro vezes, que o caso “Dark Horse” ficasse concentrado com o ministro André Mendonça. 
Os advogados tentaram retirar do ministro Flávio Dino parte da investigação sobre o filme que retrata Jair Bolsonaro. Mendonça já era relator de outras duas petições relacionadas ao caso. Segundo a defesa, a distribuição para Dino teria ocorrido por causa da ligação da investigação com emendas parlamentares. Os advogados acusam o STF de ter criado uma “prevenção artificial” para manter Dino no caso. Os pedidos foram apresentados entre 13 e 29 de julho, alguns ao presidente do STF, Edson Fachin, e outros ao próprio Dino. Em documento de 28 de julho, a defesa afirmou que houve manipulação das regras de competência. Para os advogados, os requerimentos deveriam ter sido distribuídos por prevenção a Mendonça. A defesa destacou que, de seis ações anteriores relacionadas à investigação, cinco estavam com Mendonça, daí o pedido para indicação do ministro apontado por Jair Bolsonaro para assumir também a sexta ação. O processo em questão, porém, permaneceu sob relatoria de Dino. Nesta quinta-feira (10), a Polícia Federal deflagrou operação contra 29 pessoas ligadas à apuração. A investigação envolve o suposto envio de emendas parlamentares para a produtora do filme. A operação foi autorizada por Dino justamente no processo que a defesa tentou transferir para Mendonça. O caso chegou ao STF por meio da ADPF 854, apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

O filme se tornou um dos principais focos de desgaste da pré-candidatura presidencial de Flávio. A situação piorou após áudios em que o senador pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que teria sido procurado para ajudar a concluir a produção do longa. Flávio afirma publicamente que não houve uso de dinheiro público no financiamento do filme. A defesa sustenta que a distribuição dos processos para Dino foi equivocada. Em uma das petições, os advogados dizem que apenas uma das seis ações ficou fora da relatoria de Mendonça. Segundo eles, isso ocorreu devido ao protocolo dos pedidos dentro da ADPF 854. A investigação também alcança empresas ligadas à produtora responsável pelo filme. Segundo a Folha, empresas controladas pela dona da Go Up receberam recursos de emendas de deputados do PL. Uma dessas empresas também assinou contrato superior a R$ 100 milhões com a Prefeitura de São Paulo. O contrato previa o fornecimento de serviço de wi-fi. Tabata Amaral e o deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) questionam a destinação das emendas, afirmando que pode ter ocorrido desvio de finalidade na utilização dos recursos. Os parlamentares também apontam possível descumprimento das regras de transparência e rastreabilidade determinadas pelo STF. A disputa sobre a relatoria ganhou importância após a operação da Polícia Federal e ampliou a pressão sobre Flávio Bolsonaro.