Pesquisar este blog

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

HOMENS ARMADOS INVADEM ITABORAÍ PARA OBRIGAR MORADORES A CONTRATAR INTERNET CLANDESTINA


Três homens foram presos ontem, 1º, em Itaboraí, na região metropolitana do Rio, suspeitos de integrar um grupo armado que invadiu um condomínio para obrigar moradores a contratar internet clandestina. 
A invasão ocorreu na madrugada de segunda-feira (31), no bairro Outeiro das Pedras. Imagens de segurança registraram cinco criminosos armados com fuzis arrombando os portões por volta das 3h. Os invasores arrancaram cabos de internet da portaria e atiraram contra câmeras e fiações. Um deles ameaçou o porteiro e disse que destruiria o local caso uma provedora legalizada continuasse atendendo os moradores. Segundo a Polícia Militar, o grupo agia a mando de traficantes para impor o serviço clandestino oferecido pela facção. Um dos suspeitos teria vindo da Rocinha para participar da ação. Um Fiat Palio prata usado pelo grupo foi apreendido. O motorista, de 44 anos, apontado como sexto envolvido, também foi preso. Após a invasão, moradores acionaram o 35º BPM, que reforçou o policiamento na região. A perícia foi chamada e o caso registrado na 71ª DP. A PM informou que mantém diligências para desarticular facções envolvidas na interrupção de internet e de outros serviços essenciais. Na Ilha do Governador, a Polícia Civil também realizou operação contra a exploração ilegal de internet na comunidade Boogie Woogie. Segundo as investigações, provedores legalizados teriam sido cooptados pelo TCP para controlar o serviço desde 2022. Grandes operadoras seriam impedidas de atuar na comunidade, enquanto técnicos sofriam ameaças e eram proibidos de realizar instalações e reparos.

A polícia também investiga cortes de cabos e danos a equipamentos, que obrigariam moradores a contratar os provedores ligados ao esquema. Três suspeitos foram identificados, incluindo um responsável por impedir a entrada de técnicos. As investigações apuram ainda ameaças contra moradores de um condomínio para contratação de um dos provedores. O inquérito envolve suspeitas de receptação, interrupção de telecomunicações, atentado contra serviço de utilidade pública e associação criminosa. 

A FORÇA LETAL DA POLÍCIA NOS EUA


O debate sobre o uso da força letal pela polícia nos Estados Unidos foi reacendido após um ataque na Times Square, em Nova York. 
O episódio resultou na morte de Erin Piacenti, executiva do Bank of America. A suspeita, Pamela Cisneros, esfaqueou Piacenti e outro homem. Confrontada pela polícia, Cisneros avançou contra os agentes portando facas. Após a falha de uma arma de choque, ela foi morta a tiros pelos policiais. O caso voltou a levantar discussões sobre os limites do uso da força letal nos EUA. A legislação não é baseada em uma única lei federal, mas em precedentes da Suprema Corte. O principal conceito jurídico é o da “razoabilidade objetiva”. A conduta policial é analisada sob a perspectiva de um agente razoável na mesma situação. O critério considera que confrontos policiais podem ser rápidos e extremamente tensos. Para o disparo ser considerado legítimo, deve haver ameaça iminente de morte ou ferimento grave. A simples tentativa de fuga, por si só, não autoriza o uso da arma de fogo. É necessário haver indícios de que o suspeito representa perigo significativo. As regras específicas variam entre estados e departamentos de polícia. No entanto, todos devem respeitar os padrões constitucionais definidos pela Suprema Corte.

Dois julgamentos são considerados fundamentais para estabelecer esses parâmetros. O primeiro é “Tennessee v. Garner”, decidido em 1985. A decisão considerou inconstitucional atirar contra um suspeito em fuga sem ameaça séria. O segundo caso é “Graham v. Connor”, de 1989. Ele estabeleceu critérios para avaliar se a ação policial foi razoável. Entre eles está a gravidade do crime cometido pelo suspeito. Também deve ser analisado se havia ameaça imediata a policiais ou terceiros. Outro fator é saber se o suspeito resistia à prisão ou tentava fugir. Após um disparo policial, normalmente é aberta uma investigação. O departamento de polícia realiza uma análise interna da ocorrência. Também pode haver revisão independente conduzida por um promotor distrital. Dependendo das provas, o caso pode chegar a um grande júri. O júri então decide se existem elementos para uma acusação criminal contra o policial. 

ESTÚPIDAS CONEXÕES ENTRE MORAES, ESPOSA E VORCARO


O caso Banco Master abriu uma nova frente de desgaste para o Supremo Tribunal Federal. No centro do imbróglio estão o ministro Alexandre de Moraes, sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Documentos e mensagens apreendidos pela Polícia Federal revelaram relações que passaram a provocar questionamentos políticos e jurídicos, levantando impressões inapropriadas para a conduta de um ministro da mais alta Corte de Justiça do Brasil. De um lado, empresas ligadas a Vorcaro mantiveram contratos milionários com o escritório de Viviane. Um desses contratos alcançaria a alta soma de R$ 131 milhões; nas investigações descobriu-se negociação estimada em R$ 50 milhões envolvendo aeronaves ligadas ao grupo do banqueiro. O Banco Master ofereceu cartões de crédito no limite de R$ 300 mil para dois filhos do ministro Moraes. Até agora, segundo as mensagens obtidas e publicadas, indicam, claramente, que Viviane utilizou um jato e um helicóptero pertencentes às empresas de Vorcaro e teceu elogios ao serviço que usou. A defesa da advogada, porém, contesta parte das informações e afirma que o segundo contrato não chegou a ser efetivado.
Paralelo a tudo isso, a Polícia Federal identificou contatos nada republicanos entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. O banqueiro teria procurado o ministro em momentos de dificuldades envolvendo o Banco Master, ao ponto de informar se ele deveria deixar o país. É justamente a sobreposição dessas relações que transformou o episódio em séria e inusitada crise política.

A questão central de tudo isso importa em saber sobre a proximidade existente entre o empresário, o ministro e o escritório da esposa deste, ao ponto de significar conflito de interesses. A divulgação das mensagens aumentou a pressão sobre o STF e alimentou o debate sobre transparência, imparcialidade e limites éticos na relação entre magistrados e empresários. Além de tudo isso, o caso coloca em xeque a imagem de independência da Corte. O avanço das investigações, em novas informações, esclarecem a mistura das relações profissionais e pessoais ou algo mais muito mais grave. Enquanto tudo isso acontece, o Banco Master deixa de ser apenas um escândalo financeiro e se transforma em uma questão institucional de grande repercussão. O episódio amplia a pressão sobre Moraes, sua esposa e o próprio Supremo. O presidente do STF, ministro Fachin já foi acionado para manifestar sobre o imbróglio e nas próximas horas haverão outras informações que podem complicar ainda mais o cenário político e jurídico. As mensagens mostram que o contrato com o escritório Barci de Moraes recebia tratamento prioritário dentro do Banco Master. Vorcaro afirmou a funcionários que o repasse "não pode atrasar um dia" e era "o pgto mais importante que temos". Na orientação à sua equipe sobre a quitação dos valores, Vorcaro autorizou que ela fosse feita "sem nota" e "do jeito que for". As mensagens recuperadas pela Polícia Federal revelam que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, dispunha de facilidades de contatos com Vorcaro, através do advogado Ciro Soares. 

O ministro André Mendonça solicitou à Procuradoria-Geral da República informações sobre as mensagens encontrados no celular de Vorcaro. Numa das conversas, o ex-dono do Banco Master assegurou que gozava de proteção de Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O Procurador-Geral apressou-se para pedir nulidade do relatório da Polícia Federal, sob fundamento de que tudo ocorreu sem manifestação do Ministério Público. Na Bahia, o deputado estadual Leandro de Jesus apresentou manifestação ao ministro André Mendonça do STF pedindo que a Procuradoria-Geral da República aprecie a eventual prisão preventiva do ministro Alexandre de Moraes. Enquanto tudo isso acontece, a OAB manifestou: "A OAB defende a apuração rigorosa e isenta de todos os fatos, em relação a quem quer que seja, asseguradas as garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e da presunção de inocência. Esses princípios garantem a legitimidade da apuração". 

O certo é que, depois das inúmeras acusações contra ministros do STF, haja vista o caso recente do ministro Dias Toffoli, os membros da Corte terão de manifestar sobre esses últimos fatos escabrosos e que diminuem sua credibilidade. Neste sentido, o presidente, ministro Edson Fachin, divulgou hoje, nota na qual promete remeter o caso para o plenário da Corte.  

Salvador, 2 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
     Pessoa Cardoso Advogados.      



TRIBUNAL: 19.134 PROCESSOS CRIMES PENDENTES DE JULGAMENTO

 


Infográfico elaborado pelo Gemini, com base nos dados do CNJ.A Bahia possui 19.134 processos de crimes contra a vida pendentes de julgamento no TJ-BA. O número coloca o estado na liderança nacional do congestionamento judicial nesse tipo de processo. Os dados são do painel Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em todo o país, há mais de 203 mil processos pendentes no Tribunal do Júri. A Bahia é seguida por Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo. O Tribunal do Júri julga crimes dolosos contra a vida, como homicídio e feminicídio. O julgamento conta com um juiz de direito e 21 jurados sorteados entre cidadãos. Na Bahia, mais de 14 mil processos pendentes envolvem homicídios qualificados. Outros 4 mil são homicídios simples, 3.600 tentativas de homicídio e mais de 800 feminicídios. As categorias podem se sobrepor em um mesmo processo. Para enfrentar o acúmulo, o TJ-BA criou, em 2024, o projeto “TJBA Mais Júri”. A iniciativa divide o estado em 18 regiões, com juízes coordenadores e auxiliares. O projeto prioriza processos antigos, réus presos, feminicídios e crimes contra crianças e adolescentes. Também atende unidades que estão sem juiz titular, reforçando a atuação judicial. Segundo o juiz Leonardo Albuquerque, o programa busca reduzir o acervo e acelerar os julgamentos. O magistrado afirma que a celeridade não compromete o devido processo legal e o direito de defesa. A iniciativa reúne Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e advocacia.

O número de novos processos do Júri na Bahia vem crescendo desde 2020. Naquele ano, foram registrados 1.675 novos processos nas duas instâncias. Em 2025, o número chegou a 2.724, alta de 62,6% em cinco anos. Nos primeiros seis meses de 2026, foram registrados 1.355 novos casos. O crescimento é associado ao elevado índice de violência no estado. Segundo o Anuário de Segurança Pública de 2026, a Bahia liderou as mortes violentas intencionais em 2025. Foram registrados 5.473 casos de mortes violentas intencionais no estado. Na terceira edição, o Mais Júri já analisou 100% dos processos com pronúncia registrada. O tempo médio de tramitação caiu de 2.300 para cerca de 2.100 dias. A redução representa aproximadamente 10%, uma das metas estabelecidas pelo projeto. Até 31 de agosto, foram realizadas 1.071 sessões plenárias em 2026. A meta é superar 1.500 sessões até o fim do ano. Para o coordenador, acelerar os julgamentos ajuda a combater a sensação de impunidade e dá resposta às famílias das vítimas. 

DESENTENDIMENTO ENTRE MINISTRO MENDONÇA, PROCURADORIA E POLÍCIA FEDERAL


A ordem do ministro André Mendonça que levou a Polícia Federal a analisar diálogos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes foi apresentada de surpresa a investigadores. 
A determinação gerou temor na PF de que o avanço sobre Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues pudesse ser considerado excesso e provocar a anulação de investigações do Banco Master. Setores da corporação demonstraram desconforto e viram na medida uma tentativa de interferência na condução da investigação. O relatório da PF, cujo sigilo foi retirado ontem, 1º, revelou diversas mensagens entre Moraes e Vorcaro. Em uma delas, o ex-banqueiro pergunta ao ministro se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso ao tentar viajar para o exterior.
A reunião entre Mendonça e integrantes da PF ocorreu em 24 de agosto, a pedido do próprio ministro. Segundo investigadores, o encontro trataria inicialmente de outra diligência, mas os policiais foram surpreendidos com um despacho já pronto. Mendonça determinou que a PF identificasse, em 72 horas, todas as pessoas mencionadas em determinadas mensagens encontradas no celular de Vorcaro. A ordem incluía autoridades com foro no Supremo, entre elas ministros da própria Corte e o procurador-geral da República. Parte das mensagens com Moraes já havia aparecido em outros inquéritos, embora a PF não identificasse anteriormente o interlocutor de Vorcaro. Dentro da corporação, há preocupação de que a análise seja interpretada como o início de uma investigação contra Moraes sem autorização do plenário do STF. Investigadores também temem que a crise provoque a anulação de outras apurações envolvendo os negócios de Vorcaro. O procurador-geral Paulo Gonet pediu a nulidade da decisão de Mendonça, alegando que o ministro não poderia usar a PF para atividades não solicitadas pelo Ministério Público. Gonet também aparece no material analisado pela PF, por meio de mensagens atribuídas a ele e encaminhadas por um advogado a Vorcaro. 

A crise ocorre após episódios envolvendo o ministro Dias Toffoli no caso Master. Em fevereiro, a PF entregou ao presidente do STF relatório sobre mensagens entre Vorcaro e Fabiano Zettel, seu cunhado, envolvendo pagamentos à empresa Maridt, que tinha Toffoli entre os sócios. O episódio levou Toffoli a deixar a relatoria do caso, posteriormente sorteada para Mendonça e arquivada pelo presidente do STF, Edson Fachin. As decisões de Mendonça também elevaram as tensões com a cúpula da PF e a PGR. O ministro reclama da demora nas investigações do caso do INSS e suspeita de tentativas de impedir avanços sobre aliados e familiares de Lula. A cúpula da PF, por sua vez, considera algumas decisões de Mendonça uma interferência na autonomia da corporação. O ministro determinou, por exemplo, que mudanças na equipe de investigadores fossem comunicadas previamente a seu gabinete. No mês passado, também ordenou que todos os atos da investigação sobre fraudes no INSS fossem imediatamente anexados ao processo sob sua supervisão. A medida desagradou à direção da PF e ampliou o conflito institucional. As decisões ainda provocaram atritos com a PGR, que defende o envio das apurações envolvendo Lulinha à primeira instância. O argumento é que não haveria, nesse caso, investigados com foro especial no Supremo. 

ESPOSA DE MINISTRO ELOGIA JATINHO E HELICÓPTERO DE VOCARO


Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, elogiou, em mensagem, o uso de um jato e um helicóptero ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master. 
A troca de mensagens integra o inquérito do caso Master no STF. O sigilo da investigação foi levantado ontem, 1º, pelo ministro André Mendonça, relator do processo, que determinou o envio do caso ao plenário da Corte, em sessão pública. Segundo o inquérito, Marcus da Mata, sócio de Vorcaro na Prime You, empresa proprietária das aeronaves, perguntou a Viviane se o escritório estava satisfeito com o uso das cotas. Ela respondeu que estava “gostando muito” e elogiou a educação e atenção da equipe responsável pelo atendimento.

Da Mata fez um print da conversa e o encaminhou a Vorcaro. Em outra mensagem, o banqueiro orientou um interlocutor: “Não deixe de atender Barci”. O uso das aeronaves está relacionado a um acordo entre o escritório Barci de Moraes Advogados e a Viking Participações, holding de Vorcaro. Segundo as informações do inquérito, o acordo envolvia R$ 50 milhões. Os R$ 10 milhões restantes seriam referentes ao reembolso de despesas e a demandas específicas. 

FLÁVIO BOLSONARO E O FILME DARK HORSE


O ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez nova transferência de US$ 1,666 milhão para financiar o filme
Dark Horse, em setembro de 2025. O repasse ocorreu dias após ser cobrado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre parcelas atrasadas do projeto. As informações foram divulgadas pelo jornalista Breno Pires, em reportagem da Revista Piauí ontem, 1º. O novo pagamento consta de relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A operação se soma a outros seis repasses de mesmo valor feitos até maio de 2025. Com isso, os pagamentos conhecidos para a cinebiografia de Jair Bolsonaro passaram de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões. O valor supera R$ 65 milhões, considerando a cotação da época. Segundo a apuração, os repasses eram intermediados pela empresa Entre Investimentos e Participações. A companhia é ligada a um aliado de Vorcaro e transferia os valores para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. O fundo era controlado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. De lá, o dinheiro seguia para a produtora responsável pelo longa. Mensagens obtidas pela Piauí mostram uma conversa entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda. Miranda, responsável pela captação de recursos, perguntou se o banqueiro poderia liberar as parcelas do filme. Vorcaro respondeu que havia liberado “mais uma” naquele dia. O publicitário afirmou que avisaria os envolvidos e disse que Flávio Bolsonaro pretendia ligar para Vorcaro.

Se o pagamento citado na conversa foi realizado, o total desembolsado chegaria a US$ 14 milhões. O montante equivaleria a cerca de R$ 72 milhões. Procurado pela Piauí, Flávio Bolsonaro não respondeu e indicou a produtora Go Up. Em áudio, o senador demonstra constrangimento por cobrar Vorcaro diante das dificuldades enfrentadas pelo banqueiro. A mensagem também menciona a “confusão toda” envolvendo Vorcaro. A apuração contradiz declaração anterior de Flávio à GloboNews. Na ocasião, o senador afirmou que os pagamentos de Vorcaro haviam terminado em maio de 2025. Os novos dados do Coaf indicam que houve pelo menos outro repasse após essa data. O caso amplia as dúvidas sobre o financiamento do filme e as relações entre os envolvidos. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 2/9/2026

CORRREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Mensagens de Vorcaro mergulham Supremo em crise sem precedentes

Mendonça retira sigilo de relatório da Polícia Federal que expõe contatos entre Vorcaro e Moraes, envolvendo até o procurador-geral, Paulo Gonet, e o diretor da PF, Andrei Rodrigues. PGR pede a anulação, no documento, de tudo relacionado ao ministro

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Do 'dá pra segurar?' ao 'já tenho que estar fora?': mensagens detalham como Vorcaro recorreu a Moraes para driblar investigação

Diálogos constam de relatório elaborado pela Polícia Federal a partir do celular do banqueiro

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Mensagens em poder da PF expõem elos e indicam atuação de Moraes a favor de Vorcaro

Banqueiro do Master perguntou a ministro se deveria deixar o país, dois dias antes de ser preso; eles se encontraram ao menos 6 vezes Magistrado do STF não se manifesta; Gonet pede nulidade do caso, que colocou órgãos da cúpula do Judiciário em uma crise inédita

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Moraes editou contrato de R$ 131 milhões de Viviane Moraes com Vorcaro, indicam registros

ALEXANDRE DE MORAES foi responsável por editar a última versão do contrato de R$ 131 milhões em serviços advocatícios

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

OAB manifesta ‘extrema preocupação’ diante de revelações que conectam Moraes e Vorcaro

Em nota, a Ordem nacional classifica o episódio como uma “crise” no Supremo Tribunal Federal e defende apuração rigorosa dos fatos

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Ataques híbridos da Rússia na Alemanha: Portugal chama embaixador russo e UE prepara resposta "forte"

Anúncio feito pelo ministro Paulo Rangel antes de reunião europeia. Bruxelas fala em "terrorismo patrocinado pelo Estado". Polícia alemã investiga também incidente "deliberado" em subestação elétrica.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

RADAR JUDICIAL


FUNCIONÁRIOS DO ITAMARATY RECLAMAM AUMENTO 

Cerca de 3.400 trabalhadores contratados locais do Itamaraty fazem nesta terça-feira (1º) um protesto por melhores condições trabalhistas. Eles usarão roupas pretas em consulados e embaixadas de diversos países, dos Estados Unidos ao Japão. As principais reclamações são a defasagem salarial e a falta de critérios claros para reajustes. Desde 1993, esses funcionários são submetidos à legislação trabalhista do país onde trabalham. O Brasil mantém 228 postos diplomáticos em 138 países. O Itamaraty afirma que cumpre os reajustes previstos nas leis locais e revisou salários em 2023. Nos Estados Unidos, funcionários relatam forte aumento da demanda desde o início do segundo governo Trump. O crescimento envolve atendimento a imigrantes detidos, deportados e famílias desamparadas. Em Nova York, os atendimentos a brasileiros prestes a ser deportados passaram de 20 por mês para 80 por semana. Mais de 5.200 brasileiros foram deportados pelos EUA desde o início de 2025. Também aumentaram os pedidos de certidões para filhos de brasileiros nascidos nos EUA, com alta de 271% entre 2021 e 2025. Funcionárias reclamam ainda da falta de apoio às mães e de direitos trabalhistas uniformes entre os países. 


DEPUTADOS ARGENTINOS CONDENAM ATAQUES DE MILEI 

O deputado argentino Nicolás Massot afirma que a maioria política da Argentina rejeita os ataques de Javier Milei a Lula. Ele lidera uma delegação de dez parlamentares que viaja a Brasília para reafirmar a importância da relação bilateral. O grupo terá reuniões com autoridades brasileiras, senadores e representantes do Itamaraty. Massot diz buscar um desagravo ao governo e ao povo brasileiro e a retomada do diálogo entre os países. Milei chamou Lula de ladrão, presidiário e “lixo socialista”, além de atacar o ministro Alexandre de Moraes. As declarações provocaram uma crise diplomática considerada sem precedentes nos últimos 40 anos. Brasil e Argentina convocaram seus embaixadores, e Brasília posteriormente rebaixou o nível das relações. Para Massot, a prioridade é restabelecer a presença dos embaixadores, embora isso dificilmente ocorra antes das eleições. O deputado critica ainda novas acusações de Milei contra Lula, feitas sem apresentar provas, de interferência eleitoral.
Segundo ele, a crise prejudica oportunidades comerciais e a coordenação entre os dois países no Mercosul. Massot afirma que a Argentina é a principal prejudicada, diante do maior peso econômico e regional do Brasil. Ele defende que Milei busque uma relação mais produtiva com Lula, independentemente das diferenças ideológicas.


TRUMP AMEAÇA REVER NEUTRALIDADE NAS MALVINAS 

Donald Trump disse nesta segunda-feira (31) que não descarta revisar a posição de neutralidade dos EUA sobre a soberania das Ilhas Malvinas. Os Estados Unidos reconhecem a administração britânica do arquipélago, mas não apoiam formalmente nenhuma reivindicação de soberania. A Argentina, governada por Javier Milei, reivindica as ilhas, enquanto o Reino Unido mantém o controle. Segundo o Daily Telegraph, Trump poderia rever a posição para pressionar Londres a elevar seus gastos militares. Questionado sobre o tema, Trump afirmou que costuma revisar todas as posições do governo. A pressão ocorre em meio à cobrança para que aliados da Otan ampliem seus investimentos em defesa. Em abril, o Departamento de Estado afirmou que a neutralidade americana sobre as Malvinas permanecia inalterada. O Pentágono, porém, defende que aliados dos EUA atinjam uma meta de 5% dos gastos com defesa. A postura também reflete a insatisfação de Trump com países ocidentais que não apoiaram Washington na guerra contra o Irã. O Reino Unido inicialmente proibiu o uso de suas bases pelos EUA no conflito, mas depois mudou de posição. Quatro décadas após a Guerra das Malvinas, a disputa entre argentinos e britânicos continua. O conflito deixou 649 argentinos, 255 britânicos e três habitantes das ilhas mortos.


O CASO BANCO MASTER E ESCRITÓRIO DE VIVIANE DE MORAES

Além do contrato de cerca de R$ 131 milhões com o Banco Master, o escritório de Viviane Barci de Moraes firmou outro acordo de R$ 50 milhões com empresa de Daniel Vorcaro. Segundo relatório da Polícia Federal, o contrato foi assinado em maio de 2025 com a Viking Participações Ltda. O documento foi encontrado em mensagens entre Vorcaro e o advogado Leonardo Palhares. O acordo previa serviços jurídicos, consultoria administrativa, tributária e trabalhista. Também incluía atuação em inquéritos e processos judiciais em todas as instâncias. O pagamento de até R$ 50 milhões líquidos seria feito em 36 meses. O contrato permitia pagamento em dinheiro ou por meio de bens e serviços. Uma proposta previa R$ 40 milhões em cotas de um jatinho e um helicóptero. Os R$ 10 milhões restantes seriam destinados ao reembolso de despesas com as aeronaves. Segundo a PF, os bens pertenciam a empresas ligadas à Prime, grupo de Vorcaro. Documentos não esclarecem se a transferência das aeronaves chegou a ser efetivada. O escritório de Viviane negou novo vínculo com o Master e afirmou que a proposta não foi aceita nem assinada.


PROXIMIDADE DE VORCARO COM O PROCURADOR-GERAL GONET

Mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro indicam proximidade entre o banqueiro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O advogado Ciro Soares aparece como principal interlocutor entre os dois. O relatório também aponta o custeio de despesas de uma viagem a Londres de Pedro Gonet, filho do PGR. As informações constam de relatório da PF tornado público nesta terça-feira (1º). O documento foi divulgado após decisão do ministro André Mendonça. O relatório foi elaborado com dados extraídos de um celular de Vorcaro. O aparelho foi apreendido durante a Operação Compliance Zero. Deflagrada em novembro de 2025, a operação investiga suspeitas de fraudes entre Banco Master e BRB. Segundo a PF, as operações investigadas somariam cerca de R$ 12 bilhões. Vorcaro é apontado como líder das operações e foi preso, além de posteriormente sofrer novas medidas cautelares.


IMBRÓGLIO NO STF NO CASO MASTER

Um novo pedido de André Mendonça no caso Master expôs uma disputa de poder dentro do Supremo. A investigação passou a revelar acusações de interferência e desconfiança entre grupos de ministros. No entorno de Mendonça, há suspeitas de tentativas de limitar o alcance das apurações. A avaliação é de que relações de Daniel Vorcaro com políticos e integrantes do Judiciário devem ser investigadas. Aliados de Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues reagiram à atuação do relator. Há quem defenda questionar Mendonça por suposto desvio de finalidade e abuso de autoridade. Também existe a possibilidade de tentar retirá-lo da relatoria do caso Master. Ministros querem que o presidente do STF, Edson Fachin, leve a questão ao plenário. A crise alcança ainda o comando da Polícia Federal e o diretor-geral Andrei Rodrigues. No gabinete de Mendonça, defende-se maior escrutínio sobre a PF e investigações que atinjam ministros. A possível delação de Vorcaro é outro ponto de tensão, por seu potencial de atingir figuras poderosas. O caso Master tornou-se, assim, centro de uma disputa sobre investigação, PF e poder dentro do Supremo.

Salvador, 1º/09/2026

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.



NO GOVERNO TRUMP: MAIS DE MIL DEPORTAÇÕES POR DIA


Uma disparada nas prisões por motivos migratórios atingiu, nos últimos meses, milhares de pessoas que não eram o foco inicial da campanha de deportação de Donald Trump. 
Entre os detidos estão pessoas casadas com cidadãos americanos, imigrantes que entraram legalmente no país para pedir asilo e pessoas com status temporário revogado pelo governo. Segundo dados federais, a maioria dos imigrantes presos em julho era acusada apenas de violar leis civis de imigração, sem denúncia ou condenação criminal. A parcela de detidos com condenação anterior por crime violento caiu para menos de 4%. As prisões do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) chegaram a níveis recordes: 43 mil em junho e 49 mil em julho. Dois casos fatais envolvendo agentes do ICE, no Texas e no Maine, provocaram indignação, mas não diminuíram significativamente as detenções. O Departamento de Segurança Interna afirmou que o governo cumpre a promessa de prender e deportar criminosos e fiscalizar pessoas em situação irregular. Os dados, obtidos judicialmente pelo Deportation Data Project, mostram a mudança na atuação do ICE. A agência se aproxima da meta de 2 mil prisões diárias estabelecida pelo governo. O aumento das detenções ocorreu em quase todos os estados americanos, inclusive Montana e Vermont. Flórida e Texas registraram os maiores crescimentos, com mais de 380 e 230 prisões diárias, respectivamente. Nova Jersey e Novo México também tiveram o número de detenções dobrado, apesar de restringirem a cooperação com o ICE. O crescimento está ligado à contratação de milhares de agentes e ao maior uso de forças policiais estaduais e locais. O ICE chegou a 29 mil funcionários em junho, contra cerca de 21 mil quando Trump assumiu a Presidência.

A agência ampliou o programa 287(g), que permite a policiais locais atuar na prisão de imigrantes. Cerca de 14% das detenções já ocorrem por meio desse programa. A Flórida registrou ao menos 15 mil prisões pelo 287(g), enquanto o Texas teve quase 10 mil. Em Wyoming e Virgínia Ocidental, mais de metade das detenções ocorre pelo programa. Após uma queda inicial, o número de pessoas sob custódia do ICE voltou a crescer lentamente. A agência ainda não atingiu a meta de 100 mil vagas de detenção. Novas instalações previstas para o outono podem ampliar significativamente sua capacidade no próximo ano. As deportações permanecem acima de mil por dia e dão sinais de aceleração. Em julho, foram realizados pelo menos 329 voos de deportação, recorde segundo o ICE Flight Monitor. Os números indicam que o governo Trump ampliou a estrutura e o alcance de sua política migratória. A estratégia passou a combinar mais agentes, maior capacidade de detenção e participação de forças policiais locais. Com isso, as prisões atingem também imigrantes sem condenações por crimes violentos. 

MENINAS, NO AFEGANISTÃO, SÃO IMPEDIDAS DE CURSAR O SECUNDÁRIO


Ayesha, de 18 anos, frequenta uma escola secreta seis dias por semana para evitar o isolamento imposto pelo regime do Talibã. 
Ela sonhava estudar psicologia na universidade, mas o Talibã proibiu, em 2022, a educação formal para meninas após o sexto ano. Milhares de escolas clandestinas funcionam escondidas pelo Afeganistão. Cinco anos após o retorno do grupo ao poder, cerca de 2,5 milhões de meninas estão impedidas de cursar o ensino secundário. As estudantes podem estudar em casa ou em escolas religiosas, mas correm risco de prisão ao frequentar aulas secretas. Algumas tentam ser reprovadas no sexto ano para permanecer na escola por mais tempo. Professores, pais e diretores mantêm as escolas clandestinas em funcionamento, apesar dos riscos. Muitos temem danos permanentes às meninas e à sociedade afegã. Mesmo quem conclui os estudos encontra poucas perspectivas, pois o Talibã restringe o trabalho feminino. Professores e organizações humanitárias relatam aumento de pensamentos suicidas, automutilação e casamentos de menores. Ainda assim, algumas jovens insistem em lutar pela educação. Ayesha afirma que as meninas também fazem parte da sociedade e querem decidir seu próprio futuro. Sua amiga Zuhal chegou a abandonar as aulas após sofrer agressões do pai. Ayesha a convenceu a voltar, mas Zuhal só podia frequentar a escola quando o pai estava fora. A sala de Ayesha funciona escondida dentro de uma escola primária oficial.

As alunas mudam os trajetos e evitam andar em grupos para não serem descobertas. Em uma invasão do Talibã, a diretora trancou 14 estudantes na sala durante uma prova. Pouquíssimas meninas conseguem acesso a esse tipo de educação clandestina. Ayesha sabe que não poderá estudar psicologia em uma universidade afegã. Sua vida social também terminará quando concluir o ensino médio, pois não existem escolas secretas para depois dessa etapa. O Talibã destaca que a matrícula de meninas no ensino primário subiu de 78% em 2021 para 87% em 2024. A melhora ocorreu principalmente após o fim da guerra e a retirada dos Estados Unidos, em 2021. Apesar disso, nove em cada dez crianças afegãs de 10 anos não conseguem ler adequadamente. Apenas uma em cada quatro mulheres afegãs é alfabetizada. Laila, de 21 anos, viajou mais de 800 km para estudar computação e idiomas em uma escola secreta. Ela também participa de aulas online com voluntários de vários países. Laila fala quatro idiomas e espera estudar design gráfico no Canadá ou na Coreia do Sul. Durante seu primeiro governo, entre 1996 e 2001, o Talibã já havia proibido a educação de meninas. Após voltar ao poder em 2021, manteve a promessa de que a proibição seria temporária. Cinco anos depois, porém, a medida parece novamente permanente. Meninas como Somaya e Fatima tentam repetir o sexto ano para continuar estudando. Professores também sofrem ao ver suas alunas abandonarem a escola. Tasnim, professora e mãe, conseguiu matricular a filha em uma turma clandestina. O certificado diz que ela foi promovida ao sétimo ano, mas a realidade é cruel: “não existe 7º ano”. 

DESENTENDIMENTO ENTRE SECRETÁRIO DO EXÉRCITO E ALIADOS DE TRUMP


O secretário do Exército dos Estados Unidos, Dan Driscoll, apresentou sua renúncia à Casa Branca após meses de tensão com o secretário de Defesa, Pete Hegseth. 
Próximo do vice-presidente J. D. Vance, Driscoll é o mais recente alto funcionário a deixar o Pentágono sob Hegseth. Sua saída ocorre enquanto os EUA seguem envolvidos na guerra com o Irã, com milhares de soldados mobilizados no Oriente Médio. Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, Driscoll demonstrou preocupação com a transformação e a prontidão do Exército. Ele também teria criticado Hegseth por bloquear mudanças e demitir generais. A Casa Branca afirmou que Driscoll foi altamente eficaz na agenda de Donald Trump. Segundo o governo, ele fortaleceu a prontidão e a letalidade das Forças Armadas. Driscoll foi confirmado para comandar o Exército em fevereiro de 2025. Durante sua gestão, defendeu maior agilidade na aquisição de armas e equipamentos mais baratos. Também criticou grandes fabricantes do setor de defesa. No ano passado, acusou grandes contratadas de terem enganado o governo, o Pentágono e o Exército. Uma autoridade americana afirmou que Hegseth considerava Driscoll uma ameaça dentro da burocracia. Segundo a fonte, Hegseth queria afastá-lo havia algum tempo. Os vínculos de Driscoll com Vance, porém, dificultavam sua saída. Driscoll ganhou destaque ao ser escolhido por Trump para participar de negociações entre Moscou e Kiev. 

A missão buscava contribuir para o fim da guerra na Ucrânia. Em abril, Hegseth demitiu o chefe do Estado-Maior do Exército, Randy George. A mudança ocorreu enquanto os EUA já enfrentavam uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio. A demissão de George surpreendeu Driscoll e aumentou sua frustração com Hegseth. Em abril, Driscoll contou a parlamentares que sua família visitou o ex-general após sua demissão. Em junho, Hegseth também afastou o comandante das forças do Exército americano na Europa. Além disso, bloqueou pessoalmente a promoção de altos oficiais da Força. A saída de Driscoll amplia a lista de mudanças no comando militar promovidas por Hegseth. O episódio evidencia as tensões dentro do Departamento de Defesa durante o governo Trump.