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sexta-feira, 24 de julho de 2026

RADAR JUDICIAL


CITY TOUR GRATUITO EM BRASÍLIA

Desde abril, Brasília oferece um city tour gratuito pela Rota Monumental, percorrendo os principais cartões-postais da capital. O diferencial é o ônibus movido a hidrogênio verde, combustível limpo que não emite poluentes. O veículo é abastecido em uma planta da Neoenergia, em Taguatinga, que produz hidrogênio com energia solar. Com capacidade para 31 passageiros, o passeio ocorre aos sábados, às 10h, mediante reserva online. O roteiro parte da Torre de TV e segue pelo Eixo Monumental com guia turística. Durante o trajeto, são apresentados fatos históricos e curiosidades sobre o planejamento de Brasília. O ônibus faz paradas na Catedral Metropolitana e na Praça dos Três Poderes. Também passa pelo Memorial JK, Estádio Mané Garrincha e Praça do Cruzeiro. O percurso inclui a Avenida do Exército, que pode servir como pista de pouso em emergências militares. A guia destaca ainda a Praça dos Cristais, projetada por Burle Marx. Com duração de cerca de uma hora, o passeio é ideal para conhecer a cidade pela primeira vez. A principal crítica é o tempo reduzido e o número limitado de paradas e horários.


TRUMP AMPLIA GUERRA TARIFÁRIA

Trump amplia guerra tarifária e reduz foco na China, avaliou Otaviano Canuto, ex-vice do Banco Mundial. Segundo ele, a estratégia fortalece a influência diplomática da China e não reduz o déficit comercial nem reindustrializa os EUA. Para o Brasil, que enfrenta tarifa acumulada de 37,5%, há pouca margem para escapar da taxação. Canuto defende negociar contrapartidas, principalmente envolvendo minerais críticos e terras-raras. Ele afirma que o beneficiamento desses recursos deve ocorrer no Brasil, agregando valor à produção. Na avaliação do economista, Trump manterá a política tarifária, mesmo após as eleições de meio de mandato. Acredita, porém, que um Congresso menos favorável pode ampliar a contestação às medidas. Canuto diz que as tarifas violam princípios da OMC e servem como instrumento de pressão política. Também considera improvável um avanço nas negociações entre Brasil e EUA antes das eleições americanas. O economista avalia que a margem brasileira para retaliar é limitada. Ainda assim, o país pode negociar redução de tarifas e barreiras, como no caso do etanol. O maior desafio será evitar concessões sem retorno, especialmente na área de minerais estratégicos.


MAIOR OBRA DE TRUMP: TARIFAS

A principal obra de Donald Trump pode não ser um prédio, mas seu muro tarifário. Diferentemente de rodadas anteriores, as novas tarifas anunciadas nesta quinta-feira resultam de investigações sobre supostas práticas comerciais desleais, o que lhes dá maior respaldo jurídico. Até hoje, nenhum tribunal anulou esse tipo de medida. O maior desafio para revertê-las após 2028, porém, será financeiro. Com a dívida dos EUA em US$ 39,6 trilhões, o governo passou a depender da arrecadação gerada pelas tarifas. Esse dinheiro ajuda a sustentar as contas públicas e influencia o mercado de títulos, que define os custos de financiamentos, como os de imóveis e veículos. Por isso, qualquer futuro presidente enfrentará forte pressão do mercado ao decidir manter ou desmontar essa política comercial.


MULHER RECEBERÁ DE PENSÃO R$ 3,27 BILHÕES

O Tribunal Superior de Seul determinou que o bilionário Chey Tae-won, presidente do SK Group, pague 944 bilhões de wons (R$ 3,27 bilhões) à ex-esposa, Roh Soh-yeong, no chamado "divórcio do século". A decisão aumentou o valor fixado em primeira instância e ainda cabe recurso à Suprema Corte. A Justiça considerou a valorização da fortuna de Chey durante o boom da inteligência artificial. A indenização representa cerca de 12% de seu patrimônio, estimado em US$ 5,6 bilhões. O tribunal reconheceu a contribuição de Roh para a família e para o crescimento do grupo. Ela cuidou da administração familiar, da criação dos três filhos e apoiou atividades ligadas à empresa. Chey transformou a SK Hynix em líder no fornecimento de chips para IA. Analistas afirmam que a decisão não deve afetar seu controle sobre o conglomerado. O casamento entrou em crise em 2015 após o empresário admitir um caso extraconjugal. O divórcio foi iniciado oficialmente em 2017, após 34 anos de união. A disputa reacendeu debates sobre os chaebols e sua relação com o poder político sul-coreano. Roh, filha de um ex-presidente, recebeu cerca de um terço dos bens considerados divisíveis.

GOVERNO VAI APOIAR EMPRESAS PREJUDICADAS POR TARIFAS

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo apoiará empresas prejudicadas pelas novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros. Segundo ele, serão oferecidas linhas de crédito para capital de giro e adaptação da produção a novos mercados. O plano Brasil Soberano prevê R$ 18,5 bilhões para socorrer os setores afetados. Nesta quinta-feira (23), os EUA anunciaram tarifa adicional de 12,5% ao Brasil, que entra em vigor nesta sexta (24). Durigan afirmou que a medida substitui a tarifa anterior de 25%, contestada na Suprema Corte americana, e criticou a falta de justificativa para a decisão. Sobre a dívida pública, disse que seu crescimento decorre dos juros elevados, e não do déficit fiscal. Defendeu a revisão de incentivos tributários, como o Perse, e afirmou que um eventual novo governo Lula deverá retomar a discussão sobre o fim da isenção de títulos como LCI e LCA para aumentar a arrecadação. 

IRÃ DESTRÓI NOVE INSTALAÇÕES DOS EUA NO ORIENTE MÉDIO

Os ataques do Irã contra nove instalações dos Estados Unidos no Oriente Médio, nas duas semanas após o fim do cessar-fogo, indicam que o país ainda mantém capacidade de atingir alvos estratégicos. A conclusão contrasta com as declarações do governo Donald Trump de que o poder militar iraniano teria sido destruído. Análise visual do New York Times identificou danos em alojamentos, áreas de trabalho, abrigos para drones, radares e outras estruturas militares. Um dos ataques, à Base Aérea Muwaffaq Salti, na Jordânia, matou três soldados americanos e deixou outros feridos. Segundo uma autoridade militar, cerca de 12 militares sofreram ferimentos graves em ataques com mísseis e drones na Jordânia e em outros países, sendo levados para tratamento em um hospital militar dos EUA na Alemanha. Quatro das bases atingidas já haviam sido atacadas no início da guerra.

Santana, 24 de julho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO

Thomas L. Friedman

Editorialista de política internacional do New York Times desde 1995, foi ganhador do prêmio Pulitzer em três oportunidades

SALVAR ARTIGOS

Thomas L. Friedman

Trump, Netanyahu e Putin tropeçam em guerras sem saída por pura vaidade

  • Todos os conflitos terminarão em negociações, porque nenhum desses líderes pode sustentar suas ações bélicas estúpidas
  • Ao se cercarem de bajuladores e ignorarem conselhos de especialistas, eles vão precisar achar novas rotas de fuga

 


THE NEW YORK TIMES

Donald Trump, Binyamin Netanyahu e Vladimir Putin são homens drasticamente diferentes, mas têm uma coisa importante em comum: cada um acredita ser a pessoa mais inteligente em qualquer sala em que entra.

Infelizmente, porém, como todos cometeram o erro mais estúpido que um líder pode cometer —cercar-se de bajuladores—, todos tropeçaram em guerras sem saída das quais só podem se livrar hoje engolindo um banquete de sapos.

Fique atento. Não há nada mais perigoso do que um líder imprudente diante de um prato de sapos: às vezes, seu instinto é dobrar a aposta em uma estratégia perdedora.

Três cartazes com caricaturas de Donald Trump, Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu exibidos em protesto ao ar livre. Cada cartaz tem a palavra 'WANTED' em vermelho no topo e o nome do líder abaixo da caricatura. Pessoas sentadas no gramado seguram cartazes vermelhos com a palavra 'STOP' e texto em japonês.
Manifestantes erguem caricaturas do presidente dos EUA, Donald Trump, do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, em Tóquio -  Philip Fong - 3.mai.2026/AFP

Comecemos pelo primeiro-ministro israelense. O sinal de que Bibi perdeu o rumo —e levou consigo a liderança da famosa agência de inteligência israelense, o Mossad— se reflete em duas decisões absolutamente insanas que ele tomou: a primeira é que Israel poderia derrubar o regime de Teerã com um grande golpe aéreo, e a segunda era que poderia escolher o novo líder do Irã.

O Mossad é muito bom em caçar e matar os inimigos de Israel, em grande parte porque é muito habilidoso em recrutar cidadãos descontentes no Líbano, no Irã, na Cisjordânia e em outras partes do mundo árabe —ou seja, pessoas que odeiam seus regimes e estão dispostas a trabalhar com Tel Aviv para derrubá-los.

O problema é que esses mesmos agentes, motivados por ressentimento ou dinheiro, tendem a exagerar o quão fraco é seu regime e o quão fácil seria derrubá-lo. 

Isso explica por que, após a reunião na Casa Branca em fevereiro, quando Netanyahu e o então diretor do Mossad, David Barnea, essencialmente argumentaram que, se Israel e os Estados Unidosassassinassem os principais líderes do Irã, o regime cairia e pessoas moderadas assumiriam, Trump não os expulsou da sala às gargalhadas.

O presidente aparentemente presumiu que, como o Mossad tinha superpoderes de assassinato, também tinha superpoderes analíticos e, portanto, o Irã cairia em seu colo da mesma forma que a Venezuelaquando os EUA capturaram seu ditador, Nicolás Maduro.

Como meus colegas Maggie Haberman e Jonathan Swan relataram em seu livro imperdível, "Regime Change", o diretor da CIA, John Ratcliffe, usou uma palavra para descrever os cenários de mudança de regime no Irã de Netanyahu: "farsescos". Trump, confiante de que sabia mais, ignorou-o e aos outros —e vem pagando o preço desde então.

O sinal ainda maior de que tanto Netanyahu quanto sua agência de inteligência ficaram embriagados de poder foi outra história incrível que o New York Times descobriu: que o Mossad estava preparando o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad para assumir o Irã após o regime do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, ser eliminado.

Como meus colegas relataram: "A decisão de Israel de construir um plano de mudança de regime em torno de Ahmadinejad é uma reviravolta extraordinária na saga das relações do país com o ex-presidente, que era conhecido por acelerar o programa nuclear do Irã, pedir regularmente a destruição de Israel e negar o Holocausto".

Homem de terno escuro levanta a mão direita em gesto de saudação ou juramento, com a mão esquerda sobre o peito, em frente a um púlpito com vários microfones. Ao fundo, bandeira do Irã em tela verde, branca e vermelha.
O ex-presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acena após registrar sua então candidatura à eleição presidencial do país, em Teerã -  Atta Kenare - 2.jun.24/AFP

A pura loucura de Israel pensar que poderia instalar Ahmadinejad —e que o corpo político iraniano não o rejeitaria da mesma forma que um corpo humano rejeita um transplante de órgão— é insana.

Netanyahu e o Mossad realmente acharam que iranianos orgulhosos e nacionalistas, mesmo aqueles que odeiam os clérigos que os governam, diriam: "Ah, obrigado, Bibi, por instalar nosso próximo líder"? A vaidade e o excesso de ambição em pensar que 7,2 milhões de judeus israelenses poderiam decidir quem governaria mais de 90 milhões de muçulmanos iranianos é espantosa.

Trump e Netanyahu estão em boa companhia com Putin, que bebeu de seu próprio veneno ao presumir que os ucranianos estavam todos morrendo de vontade de fazer parte da Mãe Rússia novamente e que o governo democraticamente eleito em Kiev cairia facilmente.

"O erro mais fundamental de Putin foi acreditar em sua própria narrativa de que ucranianos e russos eram 'um só povo' e que a independência ucraniana era meramente uma construção artificial do Ocidente", observou Robbin Laird, analista militar, no ano passado. "Esse ponto cego ideológico o levou a esperar que as forças russas seriam recebidas como libertadoras."

Em um eco perfeito do que aconteceu no Irã, a inteligência russa parece ter confiado demais "em fontes pró-Putin que diziam a Moscouo que ela queria ouvir", disse Laird, "em vez de fornecer informações precisas sobre o sentimento e as capacidades ucranianas".

Netanyahu, apesar de todas as suas vitórias táticas sobre o Hamas, o Hezbollah e Teerã, não converteu nenhuma delas em uma nova realidade estratégica para Israel. Isso exigiria que ele deixasse claro que suas operações militares na Faixa de Gaza, no Líbano e no Irã tinham como objetivo tornar a região segura para uma paz israelense-palestina.

Em vez disso, o que o mundo inteiro vê é Netanyahu tentando tornar a região segura para uma anexação israelense da Cisjordânia, e estando pronto para jogar fora todo o resto —normalização com a Arábia Saudita, o apoio de muitos jovens americanos, o apoio do Partido Democrata, o apoio da Europa Ocidental e a independência do Judiciário de Israel— para consegui-lo.

Enquanto isso, Trump enfraqueceu e isolou os Estados Unidos ao escolher preguiçosamente invadir o Irã sem aliados, sem legitimação internacional e sem Plano B para eliminar a capacidade de Teerã de construir uma arma de destruição em massa.

Em vez disso, Trump permitiu que o Irã descobrisse duas armas de perturbação em massa incrivelmente baratas e eficazes: controlar o estreito de Hormuz e bombardear os aliados americanos no Golfo Pérsico quase toda vez que Trump bombardeia o Irã.

E Putin —em vez de fazer o trabalho árduo de transformar a Rússia em uma sociedade livre e aberta que os ucranianos realmente pudessem achar atraente— transformou o que era uma democracia russa frágil em um estado policial completo, com uma economia petrolífera vulnerável.

Hoje, Moscou não aparece em lugar nenhum na revolução da inteligência artificial. É como se os carros tivessem acabado de ser inventados e Putin dissesse que preferia investir em mais cavalos —e em sua fantasia do século 19 de uma Mãe Rússia unificada.

O que temos hoje são três líderes tentando bombardear seu caminho para fora de um beco sem saída.

Mas não nos esqueçamos dos líderes tortuosos, cínicos e incompetentes que lideram o Irã desde 1979. Eles também estão em seu próprio beco sem saída.

Em vez de empoderar sua população talentosa, os ditadores clericais do Irã escolheram se entrincheirar no poder por 47 anos fuzilando oponentes, enfiando o islamismo puritano goela abaixo de seu povo e desperdiçando bilhões de dólares tentando destruir Israel.

Resumindo, eventualmente todos esses conflitos terminarão em negociações, porque nenhum desses líderes pode sustentar suas guerras estúpidas indefinidamente. A única questão é quando eles terão que chamar o garçom e dizer: "Moço, você poderia me trazer um prato de sapos, por favor"