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sábado, 19 de setembro de 2026

CIENTISTAS PROPÕEM NOVA EXPLICAÇÃO PARA ORIGEM DO CÉREBRO


Uma pesquisa liderada por cientistas da Stanford Medicine propõe uma nova explicação para a origem do cérebro. 
O estudo, publicado na revista Nature Neuroscience, questiona o modelo de uma única estrutura embrionária. Segundo os pesquisadores, o cérebro teria surgido da integração de dois sistemas nervosos distintos. Esses sistemas originaram-se separadamente há centenas de milhões de anos. Os cientistas identificaram duas populações celulares ainda nos primeiros estágios do desenvolvimento embrionário. Uma delas dá origem ao prosencéfalo e ao mesencéfalo. A outra forma o rombencéfalo, região associada ao tronco cerebral. A descoberta contraria a ideia de que todas as regiões cerebrais surgem de uma única população de células progenitoras. “Demonstramos, pela primeira vez”, afirmou Kyle Loh, autor principal do estudo. Segundo ele, a parte frontal do cérebro tem origem celular diferente da parte posterior. O prosencéfalo está ligado à linguagem, consciência e raciocínio abstrato. Já o rombencéfalo controla funções automáticas, como respiração, sono, batimentos cardíacos e fome. Também abriga neurônios responsáveis pelo controle dos músculos da face, língua e garganta. Para investigar a origem dessas estruturas, os pesquisadores analisaram embriões de camundongos. Uma população celular apresentava o gene Otx2, associado ao prosencéfalo e ao mesencéfalo. A outra expressava Gbx2, relacionado ao desenvolvimento do rombencéfalo. Diferenças na cromatina indicaram que as células já estavam programadas para destinos distintos. Apesar das origens diferentes, especialistas ressaltam que o cérebro continua sendo um único órgão integrado.

A descoberta também ajudou os cientistas a produzir neurônios motores do rombencéfalo a partir de células-tronco humanas. Em laboratório, essas células apresentaram atividade elétrica e proteínas características. O mesmo padrão foi identificado em outras espécies, como galinhas e peixes-zebra. Para os pesquisadores, isso sugere que a divisão pode ter raízes profundas na evolução. A hipótese é que a evolução tenha aproximado dois sistemas nervosos anteriormente independentes. A descoberta pode ampliar os estudos sobre doenças que afetam o tronco cerebral. Entre elas estão a atrofia muscular espinhal (AME) e a esclerose lateral amiotrófica (ELA). Essas doenças podem comprometer neurônios envolvidos na deglutição e na respiração. Especialistas afirmam que o estudo ainda não altera diagnóstico ou tratamento dessas enfermidades. Sua importância está na ampliação do conhecimento sobre o desenvolvimento do sistema nervoso. A possibilidade de cultivar neurônios do rombencéfalo cria novos modelos para estudar doenças e testar terapias. Os pesquisadores esperam que esses avanços contribuam futuramente para tratamentos regenerativos.

 

TRUMP DEPORTA IMIGRANTES PARA PAÍSES DIFERENTES DOS DE ORIGEM


Um tribunal federal dos Estados Unidos rejeitou, ontem, 18, posição política do governo Trump que permite deportar rapidamente imigrantes para países diferentes dos de origem. 
A medida permite a remoção sem que os migrantes tenham oportunidade adequada de manifestar preocupações sobre sua segurança. Um painel de três juízes do Tribunal de Apelações do Primeiro Circuito, em Boston, manteve decisão que considerou a política ilegal. O caso deve chegar novamente à Suprema Corte dos Estados Unidos e a disputa envolve quais garantias de devido processo o governo deve oferecer antes da deportação. A questão ganhou importância com a ampliação das remoções para países terceiros durante o governo Trump. Segundo organizações humanitárias, mais de 25 mil imigrantes foram enviados para pelo menos 29 países terceiros e em muitos casos, as deportações ocorreram para o México. A política foi adotada em março de 2025, como parte da ofensiva de Trump contra a imigração irregular, quando o juiz federal Brian Murphy havia concluído que a regra violava direitos dos migrantes. Para ele, a medida poderia resultar em deportações para países potencialmente perigosos. O governo Trump já havia recorrido à Suprema Corte em duas ocasiões no mesmo processo, mas a administração indicou que poderá novamente levar o caso à mais alta corte do país. A ação coletiva representa migrantes ameaçados de deportação para países não previstos em suas ordens de remoção. Esses países também não haviam sido identificados durante os processos nos tribunais de imigração.

Pela regra, o ICE pode deportar migrantes quando houver garantias diplomáticas de que não sofrerão perseguição ou tortura. Outra possibilidade permite a deportação após apenas seis horas de aviso prévio. Murphy considerou insuficiente esse prazo para que os migrantes apresentassem objeções. O juiz determinou que eles têm direito a uma notificação adequada antes da remoção. Também devem ter oportunidade de contestar o envio para um terceiro país.
O Tribunal de Apelações manteve, em grande parte, essa decisão. A controvérsia coloca em discussão os limites da política migratória do governo Trump e envolve a proteção de pessoas que podem ser enviadas a países com os quais não possuem vínculos. Organizações de direitos humanos questionam os riscos envolvidos nesse tipo de deportação. O Departamento de Segurança Interna não comentou imediatamente a decisão, mas o governo, por sua vez, defende sua autoridade para executar as deportações. A decisão do Primeiro Circuito poderá ser analisada novamente pela Suprema Corte. O julgamento deverá definir importantes limites legais para as deportações de imigrantes nos Estados Unidos.

 

TRUMP PERSEGUE JORNALISTAS E MENTE COM ACUSAÇÕES SEM PROVAS


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ontem, 18, o banimento da CNN, Politico e MS NOW da Casa Branca. 
Trump acusou os veículos, sem apresentar provas, de publicar repetidamente “notícias falsas” sobre seu governo. Em publicação no Truth Social, afirmou que a medida tinha efeito imediato e poderia atingir outros meios de comunicação. A CNN classificou a decisão como um “ataque ilegal” à liberdade de imprensa e disse que sua cobertura é justa e precisa. O canal afirmou que seu trabalho está protegido pela Constituição americana. O Politico também declarou que defenderá seus direitos e continuará cobrindo a Casa Branca de forma justa. O veículo negou ainda a acusação de Trump de que teria recebido US$ 8 milhões do governo durante a gestão Joe Biden. Trump não apresentou exemplos específicos das supostas notícias falsas que motivaram a decisão e ao justificar a medida, disse estar cansado de reportagens que, segundo ele, procuram prejudicar os republicanos. O anúncio ocorre poucas semanas antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, quando o Partido Republicano enfrenta a possibilidade de perder o controle de uma das Casas do Congresso. Trump já havia atacado diversos veículos de comunicação durante seus dois mandatos presidenciais. Em 2025, chamou meios que o criticavam de corruptos e ilegais e acusou CNN e MSNBC de atuarem politicamente contra ele. Desde o primeiro mandato, Trump costuma chamar jornalistas críticos de “inimigos do povo” e produtores de “fake news”.

A nova medida poderá ser contestada judicialmente, como reconheceu o próprio presidente. Trump citou o episódio de 2018 envolvendo Jim Acosta, correspondente da CNN na Casa Branca. Na ocasião, o governo retirou a credencial do jornalista, mas um juiz federal determinou sua restauração. No segundo mandato, iniciado em janeiro de 2025, Trump ampliou a pressão sobre veículos tradicionais. Um dos principais casos envolve a Associated Press, que também teve seu acesso à Casa Branca restringido. A AP foi punida após se recusar a adotar a expressão “Golfo da América” para o golfo do México. Ao mesmo tempo, a Casa Branca passou a facilitar o acesso de influenciadores e veículos alinhados a Trump. Essa mudança alterou a dinâmica das entrevistas coletivas e ampliou a presença de jornalistas favoráveis ao presidente. O governo também passou a promover esses veículos em suas comunicações oficiais. Os constantes conflitos com a imprensa têm provocado críticas de organizações e especialistas em democracia. Em relatório divulgado em março, o instituto V-Dem apontou deterioração da democracia americana durante o governo Trump. Segundo o estudo, os Estados Unidos perderam, pela primeira vez em 50 anos, a classificação de “democracia liberal”. O país passou a ser classificado como “democracia eleitoral” pelo instituto ligado à Universidade de Gotemburgo. O V-Dem alertou para um rápido declínio de indicadores democráticos nos Estados Unidos em 2025. A decisão contra CNN, Politico e MS NOW amplia o confronto entre Trump e setores tradicionais da imprensa americana. O caso deverá ser acompanhado também pelos tribunais, diante das questões constitucionais envolvendo liberdade de imprensa.

 

MULHER ESTÁ NO CORREDOR DA MORTE, NO IRÃ


Taraneh Rahimi, 21, está no corredor da morte no Irã, oito meses após ser presa por participar de protestos contra as autoridades. 
Sua irmã gêmea, Romina, também foi detida e condenada a 36 anos de prisão. Em 8 e 9 de janeiro, as duas participaram de manifestações noturnas em Isfahan, no centro do país. Os protestos fizeram parte de um movimento nacional iniciado no fim de dezembro, motivado pelo aumento do custo de vida. A repressão deixou dezenas de milhares de presos, segundo organizações de direitos humanos e investigadores da ONU. Uma semana depois, as irmãs foram presas durante uma operação policial em sua residência. Em julho, elas compareceram com outras 14 pessoas a um tribunal instalado em uma prisão de Isfahan. Segundo a organização Hrana, foram acusadas de envolvimento na morte de um membro da Guarda Revolucionária. Também foram acusadas de envolvimento na morte de uma pessoa em situação de rua, fora do contexto das manifestações. Em agosto, Taraneh foi condenada à morte por "guerra contra Deus", segundo a Hrana. A sentença ainda pode ser contestada, enquanto Romina recebeu pena de 36 anos. Taraneh também enfrenta problemas de saúde decorrentes de uma cirurgia no joelho realizada antes da prisão. Segundo seu primo, Masud Nourmohamadi, um médico recomendou sua internação em um hospital fora da prisão.
As autoridades recusaram o pedido, apesar das dificuldades de locomoção da jovem. Nourmohamadi afirma que Taraneh sofre torturas físicas e constante pressão psicológica. Ele relatou que presos jovens teriam sido torturados diante uns dos outros.

Segundo o primo, Taraneh foi ameaçada com violência contra a irmã caso não assinasse confissões. Ele também afirma que os advogados não tiveram acesso ao processo antes do primeiro dia do julgamento. O Centro para os Direitos Humanos no Irã manifestou preocupação com o estado de saúde da jovem. A entidade afirmou que Taraneh apresenta dificuldades para andar. Nourmohamadi sustenta que não existem provas contra as duas irmãs. O Irã já executou 29 pessoas, todas homens, em conexão com os protestos de janeiro. Organizações como a Anistia Internacional consideraram injustos diversos julgamentos relacionados às manifestações. Ativistas acusam as autoridades iranianas de usar execuções para disseminar medo entre a população. O contexto é agravado pelo conflito militar entre Irã e Estados Unidos. O governo iraniano afirma que atua contra os responsáveis pelos protestos. As autoridades classificam as manifestações como "distúrbios fomentados pelo exterior". O caso das irmãs tornou-se mais um exemplo da repressão judicial contra participantes dos protestos. A sentença de Taraneh permanece sujeita a contestação, enquanto organizações internacionais acompanham o caso. 

OPERAÇÃO FAROESTE: CONDENAÇÃO MANTIDA


O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) manteve o Processo Administrativo Disciplinar contra o juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio. 
O magistrado é investigado por suspeita de fraude milionária envolvendo terras no oeste baiano. Aposentado compulsoriamente em 2024, ele é um dos alvos da Operação Faroeste. O processo apura possíveis violações aos deveres de imparcialidade, transparência e exação funcional com suspeitas de irregularidades em uma ação de usucapião. O relator, desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, rejeitou as teses apresentadas pela defesa. Entre elas estava a alegação de prescrição quinquenal dos fatos, ocorridos entre 2012 e 2018. A defesa também citou dificuldades estruturais e acúmulo de funções na comarca. Segundo o relator, porém, as condutas investigadas foram atos jurisdicionais e decisórios. Por isso, não poderiam ser tratadas apenas como falhas operacionais do cartório. A defesa alegou ainda que o tribunal teria formado juízo preconcebido pela referência à Operação Faroeste, mas a presidência da corte afirmou que as citações serviram apenas para contextualizar a situação da região. A abertura do PAD, segundo o TJ-BA, baseou-se em provas materiais independentes.

Entre as suspeitas está uma sentença que teria provocado sobreposição superior a 99% sobre imóvel já registrado. Também é investigada a ausência de intimação do Ministério Público após a sentença. O MP-BA havia participado da fase de instrução do processo. Outro ponto é a falta de citação de litisconsorte passivo necessário, indicado pelo próprio autor. A apuração examina ainda uma possível sucessão processual irregular no polo ativo. Houve homologação baseada em suposto óbito sem apresentação de certidão contemporânea e o procedimento também investiga a retenção dos autos por cerca de seis meses. Nesse período, teria ocorrido demora na juntada da apelação e na remessa do processo ao TJ-BA. Os autos permaneceram retidos no gabinete do magistrado. O PAD prossegue apesar da aposentadoria compulsória aplicada em decorrência da Operação Faroeste. A apuração poderá subsidiar eventuais ações para cassação dos proventos e ressarcimento de danos. Anteriormente, a Quinta Câmara Cível do TJ-BA anulou a sentença questionada. A decisão reconheceu a gravidade das nulidades processuais ocorridas na Comarca de Formosa do Rio Preto. O caso continua sob investigação administrativa e judicial. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 19/09/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Estudo propõe nova origem para o cérebro

Estudo inovador da Stanford Medicine, contesta o modelo atual de uma estrutura embrionária única. Segundo a pesquisa, o órgão é o resultado da integração de dois sistemas nervosos distintos, cujas linhagens se separaram há centenas de milhões de anos

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Cúpula do Master tratava advogada que recebeu R$ 33 milhões de Vorcaro como 'sócia de Gilmar'

Ex-diretora de instituto ligado ao ministro do STF, Dalide atuava em casos de precatórios; em mensagem, executivo cobra prioridade de pagamentos

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Brasil será o grande teste para o uso de IA em eleições no mundo, diz executivo da OpenAI

Em entrevista ao podcast A Máquina, Bruno Lewicki diz que a empresa se preparou e espera eleição sem sobressaltos

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Aposentado ou pensionista que votar não precisará fazer Prova de Vida

Governo vai cruzar informações da Justiça Eleitoral com base do INSS

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Pesquisa identifica oito planetas candidatos a ter vida extraterrestre

Estudo foi feito por pesquisador brasileiro no Observatório Nacional

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

Rússia: a guerra como pano de fundo nas primeiras legislativas desde a invasão da Ucrânia

Votações decorrem até domingo. Partidos a votos alinham todos com o Kremlin na continuação da guerra e Putin pediu isso mesmo aos eleitores. Ataque de drones ucranianos suspendeu votação em Sochi.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

RADAR JUDICIAL

PASTORES DIZEM QUE MENDONÇA OCUPA "INCÔMODA POSIÇÃO"

Um grupo de pastores, em sua maioria presbiterianos, divulgou uma “interpelação de interesse público” ao ministro André Mendonça, do STF. O documento questiona a compatibilidade entre o exercício da magistratura e a atuação de Mendonça como pastor da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Os autores afirmam agir “como irmãos”, sem animosidade pessoal, mas por dever de consciência. A manifestação se baseia na Confissão de Fé de Westminster, adotada pela Igreja Presbiteriana do Brasil. O texto sustenta que magistrados civis não deveriam exercer funções de administração da Palavra e dos sacramentos. Por essa interpretação, haveria incompatibilidade entre ser juiz e líder espiritual de uma igreja. Mendonça ocupa uma cadeira no STF desde 2021 e atua como pastor da IPP desde 2025. A iniciativa ocorre em meio aos recentes conflitos envolvendo Mendonça, o STF e o caso Banco Master. O documento também menciona o embate entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes. Entre os signatários estão líderes da IPB e da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Os pastores afirmam que Mendonça ocupa uma “incômoda posição” ao conciliar o púlpito com o STF. A carta questiona ainda se um pastor pode atuar como árbitro imparcial em questões envolvendo liberdade religiosa de diferentes confissões. 


EX-EXECUTIVOS SÃO CONDENADOS 

A Justiça Federal do Paraná condenou dois ex-executivos por formação de cartel em licitações da Petrobras. A sentença foi assinada em 2 de setembro pelo juiz Guilherme Roman Borges, da 13ª Vara de Curitiba. Ricardo Ourique Marques, ligado à Techint, recebeu pena de três anos e seis meses de reclusão e Guilherme Rosetti Mendes, da Galvão Engenharia, foi condenado a três anos, um mês e dez dias. As penas serão cumpridas inicialmente em regime aberto e foram substituídas por medidas alternativas. Entre elas estão prestação de serviços comunitários e pagamento de salários mínimos. A defesa de Rosetti negou envolvimento nos fatos e informou que recorrerá da decisão. Os advogados de Ricardo também alegaram falta de provas além dos relatos de colaboradores premiados. Outros dois ex-executivos, Alessandro Carraro e Cesar Luiz de Godoy Pereira, foram absolvidos. Segundo o MPF, empreiteiras combinavam previamente vencedores e propostas para simular concorrência. O esquema teria ocorrido entre 1998 e 2014, envolvendo ao menos 87 contratos da Petrobras. As investigações estimam prejuízo direto de quase R$ 20 bilhões à estatal.


LULA TEM ENCONTRO COM PREFEITO DE NOVA YORK

Lula confirmou encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, na próxima segunda-feira (21). A reunião ocorrerá durante a Assembleia-Geral da ONU, onde Lula fará o discurso de abertura na terça-feira (22). O pedido do encontro partiu de Mamdani, que já havia tentado reunir-se com Lula no ano passado. A reunião será realizada na residência do representante brasileiro na ONU, em Nova York. A equipe do prefeito visitou o local nesta quinta-feira (17) para preparar o encontro. Mamdani é uma das figuras públicas americanas que mais confrontam as políticas do presidente Donald Trump. Nascido em Uganda, ele não pode disputar a Presidência dos Estados Unidos. Sua administração em Nova York se opõe às políticas de detenção e deportação em massa de imigrantes. A prefeitura também ajudou o Consulado do Brasil a encontrar local seguro para a votação presidencial de outubro. Antes da reunião, Lula dará entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN. Mamdani também deverá se reunir com o premiê espanhol Pedro Sánchez durante a Assembleia da ONU. Lula deve ser o primeiro líder internacional de grande projeção a se encontrar com o prefeito.


JAPÃO ELEVA TAXA DE JUROS PARA 1,25% 

O Banco do Japão elevou nesta sexta-feira (18) a taxa básica de juros para 1,25%. É o maior nível dos juros japoneses em 30 anos. A alta foi de 0,25 ponto percentual, aprovada por 7 votos a 2. O banco central sinalizou que poderá elevar novamente os juros. A medida busca conter as pressões inflacionárias no país. Em agosto, a inflação desacelerou para 1,7%, ante 1,8% em julho. A queda ocorreu em meio a subsídios do governo para gasolina e eletricidade. Mesmo assim, os preços de energia continuam pressionando a economia. A fragilidade do iene também aumenta as preocupações das autoridades. Analistas preveem novas pressões sobre os preços devido à alta do petróleo. O avanço do petróleo está relacionado às tensões e à guerra no Oriente Médio. Os mercados já esperavam o novo aperto monetário do Banco do Japão.


SE TRUMP PERDER EM NOVEMBRO, PODE TER GOLPE

“Ganhei três vezes” é o mantra repetido por Donald Trump, embora tenha perdido para Joe Biden em 2020. Trump também rejeita o resultado de 2020 e insiste em afirmar que venceu aquela eleição. Em 2024, voltou ao poder com vantagem no Colégio Eleitoral e margem apertada no voto popular. Agora, busca preservar o controle republicano do Congresso nas eleições de meio de mandato, em novembro. Trump afirma que está “na cédula” e tenta transformar sua popularidade em apoio aos candidatos republicanos. O juiz conservador aposentado J. Michael Luttig alerta para uma nova ameaça à democracia americana. Em 2021, Luttig ajudou Mike Pence a cumprir a Constituição e confirmar a vitória de Biden. Em artigo recente, ele prevê que uma nova crise poderia surgir após as eleições de 2026. Segundo Luttig, republicanos poderiam alegar fraude caso os democratas conquistem o Congresso. Uma disputa sobre a certificação dos eleitos poderia provocar ações judiciais e paralisar o país. Para Luttig, o risco é repetir, sob outra forma, a crise que culminou no ataque ao Capitólio em 2021. Ele defende um acordo entre republicanos e democratas para garantir o respeito ao resultado eleitoral.


MANTIDA CONDENAÇÃO DE FLORDELIS 

A Sexta Turma do STJ manteve, por unanimidade, a condenação de Flordelis dos Santos de Souza a 50 anos de prisão. A pena é referente à morte do pastor Anderson do Carmo, seu marido, ocorrida em 2019. A decisão confirmou o entendimento do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, mantido em 2022. Flordelis foi condenada pelo Tribunal do Júri por homicídio triplamente qualificado. Também respondeu por tentativa de homicídio duplamente qualificado, associação criminosa armada e uso de documento falso. Segundo o Ministério Público, ela planejou o assassinato ocorrido na residência da família, em Niterói. A acusação apontou como motivação disputas pelo controle das finanças familiares. Também citou conflitos envolvendo a administração da família por Anderson. A defesa recorreu ao STJ alegando nulidades durante o processo. Entre os argumentos estavam a ausência de alegações finais na fase de pronúncia. A defesa também questionou a fundamentação das qualificadoras, mas os recursos foram rejeitados. O STJ manteve ainda a anulação da absolvição de três acusados de participação no crime.

Salvador, 18 de setembro de 2026

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados. 

COREIA DO SUL REJEITA PRESSÃO DE TRUMP


O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, rejeitou a pressão de Donald Trump para que Seul apoiasse militarmente a guerra no Irã. 
Lee afirmou que o país não enviará tropas nem recursos militares para participar ou intervir no conflito. Seul estuda apenas ampliar a atuação de um destróier e navios de apoio atualmente empregados contra a pirataria na costa da Somália. Mesmo se aproximando do Mar Vermelho ou do estreito de Hormuz, os navios terão como missão proteger embarcações comerciais sul-coreanas. Lee deixou claro que eles não participarão de operações que possam ser interpretadas como apoio à guerra. Trump havia reclamado publicamente da recusa sul-coreana e lembrado a presença de tropas americanas no país. O presidente americano chegou a questionar por que os EUA deveriam ajudar a Coreia do Sul. A decisão ocorre em meio ao desgaste da relação entre Seul e Washington. A aprovação de Lee caiu para 37%, após 15 meses de seu mandato de cinco anos. Entre os problemas internos estão a queda da Bolsa sul-coreana e a dificuldade de conter o aumento dos custos de moradia. Trump também reduziu um exercício militar conjunto anual com a Coreia do Sul, classificando-o como caro e hostil. O presidente americano afirmou ainda manter boa relação com Kim Jong-un, apesar da ameaça nuclear norte-coreana. A oposição sul-coreana acusa Lee de tentar abrir caminho para disputar um segundo mandato. A Constituição atual, porém, proíbe a reeleição presidencial, mas Lee afirmou que apoia uma reforma constitucional para futuros presidentes, mas negou intenção de buscar outro mandato.

Ele também defendeu investigação sobre possíveis perseguições políticas ocorridas durante o governo do ex-presidente Yoon Suk-yeol. Lee negou, contudo, querer que um promotor especial tenha poder para retirar acusações criminais contra ele. O presidente atribuiu sua queda de popularidade a falhas pessoais de comunicação e sensibilidade. No campo econômico, Seul e Washington negociam a implementação de um acordo comercial anunciado em novembro. O pacto reduziu de 25% para 15% as tarifas americanas sobre importantes produtos sul-coreanos, incluindo automóveis e Trump prometeu apoiar projetos sul-coreanos de submarinos com propulsão nuclear. O acordo prevê ainda investimentos sul-coreanos de US$ 350 bilhões nos Estados Unidos. As negociações, porém, estão paralisadas por divergências sobre a execução dos compromissos. Coreia do Sul e Estados Unidos mantêm uma aliança militar de sete décadas, desde a Guerra da Coreia. Seul também enviou tropas para lutar ao lado dos americanos na Guerra do Vietnã. Na Guerra do Iraque, em 2003, a participação sul-coreana provocou forte reação política interna. O episódio prejudicou a popularidade do então presidente progressista Roh Moo-hyun. Lee enfrenta agora resistência semelhante a uma intervenção no conflito com o Irã. Pesquisa realizada neste mês mostrou 55% dos sul-coreanos contra o envio de tropas, ante 32% favoráveis. 

CANDIDATO FLÁVIO CRITICA REAJUSTE NO BOLSA FAMÍLIA


O candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, criticou ontem, 17, o reajuste de 15,04% no Bolsa Família anunciado pelo governo Lula. 
Durante comício em Vitória da Conquista (BA), Flávio classificou a medida como um “ato de desespero” às vésperas das eleições. Segundo ele, o governo estaria tentando obter apoio eleitoral entre os beneficiários do programa e afirmou que Lula teria anunciado o reajuste apenas 17 dias antes do primeiro turno. O novo valor mínimo do benefício passará de R$ 600 para R$ 691 por família e os pagamentos reajustados começarão em 19 de outubro, poucos dias antes do segundo turno. O governo estima custo adicional de R$ 5,8 bilhões em 2026 e para 2027, a despesa adicional prevista é de R$ 22,7 bilhões. Flávio afirmou que manterá o Bolsa Família caso seja eleito e que pretende ampliar o programa e criar condições para reduzir a dependência do benefício. Em live, o senador voltou a criticar o reajuste e o chamou de “merreca”. Ele acusou Lula de tentar “comprar o voto dos pobres” com o aumento e que o valor representa apenas uma pequena ajuda às famílias mais necessitadas. O candidato comparou o reajuste com medidas adotadas durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro. Segundo ele, o aumento concedido por Bolsonaro em ano eleitoral foi maior. Flávio disse ainda que seu objetivo seria oferecer alternativas para que famílias deixem de depender do programa e criticou a política econômica do governo Lula. Afirmou que impostos, juros, inflação e endividamento pesam sobre a população.

O deputado bolsonarista Zé Trovão (PL-SC) tentou barrar judicialmente o reajuste, mas o pedido foi analisado pelo ministro André Mendonça, do TSE que rejeitou a solicitação, sem entra no mérito da questão, não encerrando a discussão jurídica sobre a medida. O coordenador político da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho, também criticou o reajuste. Em nota, Marinho afirmou que o governo “dá com uma mão e tira com as duas”. Segundo ele, recursos públicos não podem ser utilizados como instrumento eleitoral e criticou ainda o aumento de impostos e os juros elevados, mencionando inflação, endividamento das famílias e subsídios concedidos pelo governo. As críticas ocorrem em meio à disputa presidencial e à proximidade do primeiro turno. Flávio declarou que pretende manter e ampliar o programa caso chegue à Presidência. A controvérsia envolve, de um lado, o reajuste do benefício e, de outro, as acusações de uso eleitoral da medida.

 

NO AMAPÁ, PRESIDENTE DO SENADO ENFRENTA DIFICULDADES PARA SEU GRUPO


Alcolumbre enfrenta ameaça política no Amapá com o avanço do ex-prefeito Dr. Antônio Furlan (PSD) que 
lidera as pesquisas para o governo estadual, com 55%, contra 35% do governador Clécio Luís. Uma eventual vitória pode enfraquecer o grupo de Alcolumbre e afetar seus planos para 2030. Presidente do Senado, Alcolumbre controla emendas, cargos federais e tem forte influência em Brasília, tendo indicado dois ministros e levou a Codevasf ao Amapá para ampliar investimentos e obras. Conta ainda com 90% dos deputados estaduais e federais e 15 dos 16 prefeitos do estado, além de ter apoio do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, e do governador Clécio. Sua coligação reúne 12 partidos, enquanto Furlan conta com apenas quatro. Lula também esteve no Amapá durante a campanha, em gesto de apoio político a Alcolumbre. Furlan, porém, tornou-se favorito com uma agenda popular e forte presença nas redes sociais. Ele promove shows gratuitos e apresenta obras realizadas em Macapá como marca de sua gestão. Reeleito prefeito em 2024 com 85% dos votos, Furlan tem forte apoio na capital. Macapá concentra 55% dos 577 mil eleitores do estado, e a região metropolitana outros 15%. Alcolumbre, embora não seja candidato, participa ativamente da campanha de seu grupo. Em agosto, passou horas em uma feira de Macapá ouvindo moradores e apresentando promessas. A atuação em demandas locais rendeu-lhe em Brasília o apelido de “vereador do Amapá”. No estado, contudo, aliados e moradores destacam sua capacidade de atrair investimentos federais.

Obras financiadas por emendas ajudaram a transformar municípios como Itaubal, segundo moradores. Foram construídas ou reformadas unidades de saúde, escolas, casas, praças e ruas.
Moradores também relatam forte dependência da economia local em relação às obras públicas.
Há denúncias de que empregos em obras seriam destinados a parentes, aliados e amigos de políticos. Alcolumbre afirma que pretende reverter a desvantagem eleitoral e aposta na força das emendas. Furlan já havia se beneficiado de recursos federais destinados inicialmente ao grupo de Alcolumbre. Em 2020, seu irmão Josiel perdeu a eleição municipal após apagões que afetaram o Amapá. Furlan assumiu a prefeitura com R$ 87 milhões em emendas e R$ 381 milhões da privatização do saneamento. Os recursos financiaram obras que mudaram a paisagem de Macapá e fortaleceram sua popularidade. A vitória de Furlan pode ampliar a força de seu grupo para disputar cargos em 2030. Sua esposa, Rayssa, é apontada como favorita a uma das vagas ao Senado. O grupo de Alcolumbre também enfrenta disputas judiciais envolvendo aliados de Furlan. A candidatura do ex-prefeito está autorizada, mas recurso sobre sua elegibilidade tramita no TSE.

 

EUA APRESENTOU PROPOSTA, MISTURANDO QUESTÕES COMERCIAIS E POLÍTICA INTERNA


O governo dos Estados Unidos apresentou ao Brasil, em outubro de 2025, uma proposta que misturava questões comerciais e temas da política interna brasileira. 
O documento chegou ao Itamaraty em 16 de outubro, durante reunião do chanceler Mauro Vieira com Marco Rubio e Jamieson Greer. Entre as exigências estavam garantias para a participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026; foi sugerida também a compra de aeronaves Boeing por companhias aéreas brasileiras. Outra condição envolvia preferência a empresas americanas em negócios com minerais críticos, mas o governo brasileiro rejeitou integralmente as propostas. Segundo interlocutores, os pontos mais sensíveis sequer foram levados à mesa nas conversas com Rubio e Greer. A diplomacia brasileira classificou reservadamente a iniciativa como uma espécie de “bullying”. Para integrantes do Itamaraty, parte das exigências extrapolava as atribuições do Executivo brasileiro. A referência a “dissidentes políticos” foi imediatamente rechaçada. O entendimento era de que a expressão não possui respaldo jurídico no sistema eleitoral brasileiro. O Executivo também não poderia interferir nas regras de elegibilidade ou garantir a participação de candidatos. A exigência relacionada à Boeing foi considerada inviável. As companhias aéreas são responsáveis por definir os aviões que integrarão suas frotas. A minuta ainda tratava do Pix e da atuação do Banco Central na regulação dos meios eletrônicos de pagamento. Washington defendia o chamado princípio da “neutralidade competitiva”.

Os americanos também pediam a retirada de tarifas sobre produtos como etanol, químicos, máquinas, veículos e itens tecnológicos. Nos minerais críticos, os EUA queriam ser informados previamente sobre transferências de controle de ativos brasileiros e defendiam preferência para empresas americanas em eventuais negócios do setor. A questão ganhou importância devido à disputa internacional por matérias-primas estratégicas. Apesar das exigências, elas não apareceram no comunicado oficial sobre a reunião. Brasil e EUA classificaram as conversas como “muito positivas”. Os dois países concordaram em estabelecer uma agenda de trabalho em diversas áreas. A nota também mencionou a intenção de organizar um encontro entre Lula e Trump. Não houve referência a eleições brasileiras ou a “dissidentes políticos”. Na época, o governo brasileiro avaliou o encontro como início de uma negociação para reduzir as sobretaxas americanas. Vieira voltou a defender a retirada das tarifas impostas aos produtos brasileiros. Greer ficou responsável pela frente comercial e pelo cronograma das negociações. Para interlocutores brasileiros, a rejeição das exigências políticas manteve o diálogo concentrado na área econômica. O Itamaraty avaliou que a recusa à proposta não interrompeu o canal de negociação com Washington.

 

TRUMP FAZ CONFUSÃO NA APROXIMAÇÃO DA UNIÃO EUROPEIA COM O CANADÁ


Trump ameaça aumentar tarifas contra a União Europeia por aproximação com o Canadá. 
O presidente dos EUA classificou como “ridículo” o convite feito ao país. Trump disse que poderá impor tarifas muito pesadas ou suspender comércio com a Europa. Segundo ele, a reação dependerá de considerar a iniciativa europeia hostil ou de boa intenção. O convite ao Canadá foi anunciado por Ursula von der Leyen na quarta-feira (16). A presidente da Comissão Europeia apresentou a proposta durante discurso sobre o Estado da União. O Canadá poderá se tornar o primeiro “membro associado” da União Europeia. Horas depois, o premiê canadense Mark Carney discursou no Parlamento Europeu e destacou a importância de estreitar os vínculos entre Canadá e Europa. Afimou: “Europa e Canadá são fortes por si sós. Juntos, são ainda mais fortes”. O premiê disse que a aproximação não pretende criar um bloco contra outras potências. Segundo Carney, o objetivo é ampliar a resiliência e proteger mercados e soberania e citou a defesa das democracias, liberdades e do Estado de Direito. Von der Leyen afirmou que a parceria busca o fortalecimento comum, não o confronto e destacou que Canadá e UE enfrentam um cenário internacional cada vez mais hostil. O ministro francês Benjamin Haddad criticou a possibilidade de interferência americana.

“Os EUA não têm poder de veto nas escolhas geopolíticas da União Europeia”, declarou. Haddad afirmou ainda que a França deseja aprofundar as relações com o Canadá. UE e Canadá enfrentam pressões comerciais do governo Trump e crescente concorrência chinesa. O governo americano já adotou tarifas contra produtos canadenses e europeus. A aproximação ocorre em meio a mudanças nas relações comerciais internacionais. Carney defendeu maior autonomia estratégica para o Canadá em parceria com a Europa. Entre as áreas de cooperação estão minerais críticos e capacidade industrial de defesa, além de inteligência artificial e computação. Segurança energética, setor espacial e sistemas de pagamento também fazem parte da agenda. A proposta pretende ampliar a cooperação econômica, tecnológica e estratégica entre os parceiros. Trump, porém, sinalizou que poderá reagir caso considere a iniciativa europeia hostil. A ameaça acrescenta nova tensão às relações comerciais entre os Estados Unidos e a UE.