Pesquisar este blog

terça-feira, 1 de setembro de 2026

NO GOVERNO TRUMP: MAIS DE MIL DEPORTAÇÕES POR DIA


Uma disparada nas prisões por motivos migratórios atingiu, nos últimos meses, milhares de pessoas que não eram o foco inicial da campanha de deportação de Donald Trump. 
Entre os detidos estão pessoas casadas com cidadãos americanos, imigrantes que entraram legalmente no país para pedir asilo e pessoas com status temporário revogado pelo governo. Segundo dados federais, a maioria dos imigrantes presos em julho era acusada apenas de violar leis civis de imigração, sem denúncia ou condenação criminal. A parcela de detidos com condenação anterior por crime violento caiu para menos de 4%. As prisões do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) chegaram a níveis recordes: 43 mil em junho e 49 mil em julho. Dois casos fatais envolvendo agentes do ICE, no Texas e no Maine, provocaram indignação, mas não diminuíram significativamente as detenções. O Departamento de Segurança Interna afirmou que o governo cumpre a promessa de prender e deportar criminosos e fiscalizar pessoas em situação irregular. Os dados, obtidos judicialmente pelo Deportation Data Project, mostram a mudança na atuação do ICE. A agência se aproxima da meta de 2 mil prisões diárias estabelecida pelo governo. O aumento das detenções ocorreu em quase todos os estados americanos, inclusive Montana e Vermont. Flórida e Texas registraram os maiores crescimentos, com mais de 380 e 230 prisões diárias, respectivamente. Nova Jersey e Novo México também tiveram o número de detenções dobrado, apesar de restringirem a cooperação com o ICE. O crescimento está ligado à contratação de milhares de agentes e ao maior uso de forças policiais estaduais e locais. O ICE chegou a 29 mil funcionários em junho, contra cerca de 21 mil quando Trump assumiu a Presidência.

A agência ampliou o programa 287(g), que permite a policiais locais atuar na prisão de imigrantes. Cerca de 14% das detenções já ocorrem por meio desse programa. A Flórida registrou ao menos 15 mil prisões pelo 287(g), enquanto o Texas teve quase 10 mil. Em Wyoming e Virgínia Ocidental, mais de metade das detenções ocorre pelo programa. Após uma queda inicial, o número de pessoas sob custódia do ICE voltou a crescer lentamente. A agência ainda não atingiu a meta de 100 mil vagas de detenção. Novas instalações previstas para o outono podem ampliar significativamente sua capacidade no próximo ano. As deportações permanecem acima de mil por dia e dão sinais de aceleração. Em julho, foram realizados pelo menos 329 voos de deportação, recorde segundo o ICE Flight Monitor. Os números indicam que o governo Trump ampliou a estrutura e o alcance de sua política migratória. A estratégia passou a combinar mais agentes, maior capacidade de detenção e participação de forças policiais locais. Com isso, as prisões atingem também imigrantes sem condenações por crimes violentos. 

MENINAS, NO AFEGANISTÃO, SÃO IMPEDIDAS DE CURSAR O SECUNDÁRIO


Ayesha, de 18 anos, frequenta uma escola secreta seis dias por semana para evitar o isolamento imposto pelo regime do Talibã. 
Ela sonhava estudar psicologia na universidade, mas o Talibã proibiu, em 2022, a educação formal para meninas após o sexto ano. Milhares de escolas clandestinas funcionam escondidas pelo Afeganistão. Cinco anos após o retorno do grupo ao poder, cerca de 2,5 milhões de meninas estão impedidas de cursar o ensino secundário. As estudantes podem estudar em casa ou em escolas religiosas, mas correm risco de prisão ao frequentar aulas secretas. Algumas tentam ser reprovadas no sexto ano para permanecer na escola por mais tempo. Professores, pais e diretores mantêm as escolas clandestinas em funcionamento, apesar dos riscos. Muitos temem danos permanentes às meninas e à sociedade afegã. Mesmo quem conclui os estudos encontra poucas perspectivas, pois o Talibã restringe o trabalho feminino. Professores e organizações humanitárias relatam aumento de pensamentos suicidas, automutilação e casamentos de menores. Ainda assim, algumas jovens insistem em lutar pela educação. Ayesha afirma que as meninas também fazem parte da sociedade e querem decidir seu próprio futuro. Sua amiga Zuhal chegou a abandonar as aulas após sofrer agressões do pai. Ayesha a convenceu a voltar, mas Zuhal só podia frequentar a escola quando o pai estava fora. A sala de Ayesha funciona escondida dentro de uma escola primária oficial.

As alunas mudam os trajetos e evitam andar em grupos para não serem descobertas. Em uma invasão do Talibã, a diretora trancou 14 estudantes na sala durante uma prova. Pouquíssimas meninas conseguem acesso a esse tipo de educação clandestina. Ayesha sabe que não poderá estudar psicologia em uma universidade afegã. Sua vida social também terminará quando concluir o ensino médio, pois não existem escolas secretas para depois dessa etapa. O Talibã destaca que a matrícula de meninas no ensino primário subiu de 78% em 2021 para 87% em 2024. A melhora ocorreu principalmente após o fim da guerra e a retirada dos Estados Unidos, em 2021. Apesar disso, nove em cada dez crianças afegãs de 10 anos não conseguem ler adequadamente. Apenas uma em cada quatro mulheres afegãs é alfabetizada. Laila, de 21 anos, viajou mais de 800 km para estudar computação e idiomas em uma escola secreta. Ela também participa de aulas online com voluntários de vários países. Laila fala quatro idiomas e espera estudar design gráfico no Canadá ou na Coreia do Sul. Durante seu primeiro governo, entre 1996 e 2001, o Talibã já havia proibido a educação de meninas. Após voltar ao poder em 2021, manteve a promessa de que a proibição seria temporária. Cinco anos depois, porém, a medida parece novamente permanente. Meninas como Somaya e Fatima tentam repetir o sexto ano para continuar estudando. Professores também sofrem ao ver suas alunas abandonarem a escola. Tasnim, professora e mãe, conseguiu matricular a filha em uma turma clandestina. O certificado diz que ela foi promovida ao sétimo ano, mas a realidade é cruel: “não existe 7º ano”. 

DESENTENDIMENTO ENTRE SECRETÁRIO DO EXÉRCITO E ALIADOS DE TRUMP


O secretário do Exército dos Estados Unidos, Dan Driscoll, apresentou sua renúncia à Casa Branca após meses de tensão com o secretário de Defesa, Pete Hegseth. 
Próximo do vice-presidente J. D. Vance, Driscoll é o mais recente alto funcionário a deixar o Pentágono sob Hegseth. Sua saída ocorre enquanto os EUA seguem envolvidos na guerra com o Irã, com milhares de soldados mobilizados no Oriente Médio. Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, Driscoll demonstrou preocupação com a transformação e a prontidão do Exército. Ele também teria criticado Hegseth por bloquear mudanças e demitir generais. A Casa Branca afirmou que Driscoll foi altamente eficaz na agenda de Donald Trump. Segundo o governo, ele fortaleceu a prontidão e a letalidade das Forças Armadas. Driscoll foi confirmado para comandar o Exército em fevereiro de 2025. Durante sua gestão, defendeu maior agilidade na aquisição de armas e equipamentos mais baratos. Também criticou grandes fabricantes do setor de defesa. No ano passado, acusou grandes contratadas de terem enganado o governo, o Pentágono e o Exército. Uma autoridade americana afirmou que Hegseth considerava Driscoll uma ameaça dentro da burocracia. Segundo a fonte, Hegseth queria afastá-lo havia algum tempo. Os vínculos de Driscoll com Vance, porém, dificultavam sua saída. Driscoll ganhou destaque ao ser escolhido por Trump para participar de negociações entre Moscou e Kiev. 

A missão buscava contribuir para o fim da guerra na Ucrânia. Em abril, Hegseth demitiu o chefe do Estado-Maior do Exército, Randy George. A mudança ocorreu enquanto os EUA já enfrentavam uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio. A demissão de George surpreendeu Driscoll e aumentou sua frustração com Hegseth. Em abril, Driscoll contou a parlamentares que sua família visitou o ex-general após sua demissão. Em junho, Hegseth também afastou o comandante das forças do Exército americano na Europa. Além disso, bloqueou pessoalmente a promoção de altos oficiais da Força. A saída de Driscoll amplia a lista de mudanças no comando militar promovidas por Hegseth. O episódio evidencia as tensões dentro do Departamento de Defesa durante o governo Trump. 

RÚSSIA PROSSEGUE COM ATAQUES, MAS UCRÂNIA REVIDA


Pela sexta noite seguida, ataques aéreos da Rússia atingiram Kiev e o entorno da capital ucraniana. 
Ao menos 12 pessoas morreram na ação, que atingiu áreas residenciais e a infraestrutura ferroviária. Os ataques refletem uma nova estratégia das forças de Vladimir Putin na guerra iniciada em 2022. Moscou passou a alternar mega-ataques com ondas constantes e mais focadas. Segundo a Força Aérea ucraniana, 218 drones foram usados e 187 foram abatidos. Também foram interceptados mísseis de cruzeiro e ao menos cinco balísticos.
A Ucrânia enfrenta dificuldades devido ao limitado fornecimento de munição para os sistemas Patriot. A Rússia ampliou o uso de drones a jato Gerânio-2, versão do iraniano Shahed-136. Esses drones chegam a 600 km/h, dificultando sua interceptação pelas defesas ucranianas. A taxa de abatimento dos modelos a jato é de cerca de 60%, contra até 90% dos antigos. As ondas de drones procuram saturar as defesas aéreas e abrir caminho para os mísseis. Segundo Iurii Ihnat, cerca de 90 drones a jato foram lançados contra a Ucrânia por dia em agosto. O mês registrou elevada mortalidade de civis no conflito. Dados da Acled indicam média de 20 mortos por dia até 20 de agosto, sendo 15 na Ucrânia. Julho já havia sido o mês mais letal para civis desde março de 2022. No sábado (29), 38 pessoas morreram em um ataque no subúrbio de Butcha, perto de Kiev. A região portuária de Odessa também foi alvo de ataques russos.

Em resposta, a Ucrânia lançou drones contra instalações estratégicas em território russo. Entre os alvos estava o terminal petrolífero de Ust-Luga, perto de São Petersburgo. Ataques também atingiram áreas próximas a uma refinaria em Samara e a região de Belgorod. A ofensiva ucraniana provocou mortes e uma crise de abastecimento de combustível na Rússia. Bombardeios também afetaram centros logísticos das empresas Wildberries e Ozon. A violência entre os dois países atingiu o maior número de incidentes de toda a guerra. O cenário reflete a falta de avanços diplomáticos e o aumento das tensões entre Moscou e o Ocidente. A Rússia também elevou o tom contra países europeus e aliados da Ucrânia. A porta-voz Maria Zakharova ameaçou com uma resposta “decisiva e devastadora”. A Estônia afirmou que drones ucranianos chegaram a entrar em seu espaço aéreo. Moscou também criticou a cooperação militar entre Reino Unido e Ucrânia. A Rússia ainda condenou exercícios militares de Japão, EUA e Austrália no Pacífico. Moscou considera provocativa a presença de lançadores Typhon, capazes de disparar mísseis Tomahawk. 

MEDICAMENTOS PARA PROMOVER A LONGEVIDADE


A capacidade intrínseca é uma métrica criada para avaliar, de forma ampla, o que uma pessoa consegue fazer com o corpo e a mente. 
O conceito considera força, mobilidade, cognição, sentidos, energia e bem-estar psicológico. A expressão foi formalmente definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2015. A proposta é mudar o foco da medicina, priorizando a preservação das capacidades funcionais. A avaliação considera cinco subdomínios: cognição, locomoção, capacidade sensorial, bem-estar psicológico e vitalidade.
Testes como força de preensão manual e velocidade da caminhada já são usados para avaliar idosos. Pesquisas indicam que a capacidade intrínseca está relacionada aos riscos de incapacidade e mortalidade. Seu principal valor, porém, pode estar no acompanhamento das mudanças ao longo do tempo. Isso permitiria identificar precocemente sinais de declínio e tentar retardá-los. Segundo especialistas, alterações podem ser percebidas mesmo em pessoas vigorosas e sem doenças. Atualmente, alguns testes são mais úteis para idosos, pois jovens saudáveis tendem a obter pontuações elevadas. Cientistas estudam medidas que possam avaliar também pessoas mais jovens. A capacidade intrínseca já está sendo investigada em ensaios clínicos. Na França, idosos respondem regularmente a questionários e recebem recomendações personalizadas. Quedas na pontuação podem levar a encaminhamento para médicos ou profissionais de enfermagem geriátrica. Ainda não há evidências de que essa estratégia aumente a longevidade.

Um estudo semelhante começou recentemente nos Estados Unidos, no Novo México. O conceito também integra um programa de pesquisa financiado pela ARPA-H. O objetivo é ajudar a desenvolver métodos para avaliar medicamentos destinados a prolongar a vida saudável. Atualmente, não existem medicamentos aprovados especificamente para promover a longevidade. Um dos problemas é que provar aumento da expectativa de vida exigiria estudos de várias décadas. Por isso, pesquisadores procuram indicadores capazes de medir o envelhecimento de maneira mais rápida. A capacidade intrínseca pode ser um desses indicadores. Outro obstáculo é que a FDA não considera o envelhecimento uma doença.
Em 2022, porém, a OMS incluiu o declínio da capacidade intrínseca associado ao envelhecimento na CID-11. Os cientistas querem verificar se a métrica realmente reflete como as pessoas funcionam, sentem-se ou quanto vivem. Também pretendem descobrir se exercícios e medicamentos podem melhorar essa capacidade. Entre os medicamentos estudados estão os agonistas de GLP-1, associados a possíveis benefícios para a longevidade. Se os resultados forem positivos, a métrica poderá auxiliar na aprovação de tratamentos contra o envelhecimento. Especialistas ressaltam, contudo, que ainda é necessário realizar pesquisas para confirmar se a estratégia funcionará. 

CRESCIMENTO DE CANDIDATO AUGUSTO CURY SURPREENDE


Quem abriu o Instagram na última semana provavelmente viu conteúdos de apoio ao escritor Augusto Cury, candidato à Presidência. 
Uma série de vídeos publicados por influenciadores declarou apoio a Cury, acompanhada de comentários divulgando seu número de urna. Entre 16 e 29 de agosto, Cury ganhou quase 2,5 milhões de seguidores no Instagram, segundo relatório do Instituto Democracia em Xeque (DX). O crescimento superou o de Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Lula no mesmo período. O avanço nas redes também apareceu nas pesquisas eleitorais divulgadas nesta segunda-feira. No levantamento BTG/Nexus, Cury chegou a 11% das intenções de voto, atrás de Lula, com 37%, e Flávio Bolsonaro, com 31%. Na pesquisa Atlas/Bloomberg, Cury registrou 7,8%, empatado com Renan Santos na terceira posição. Campanhas adversárias suspeitam que a equipe de Cury tenha pago influenciadores para promover sua candidatura. Uma das campanhas avalia recorrer ao TSE para investigar o caso. A legislação eleitoral proíbe a contratação de pessoas físicas ou jurídicas para fazer propaganda de candidatos na internet. A equipe de Cury nega irregularidades e afirma que a estratégia foi conversar com eleitores indecisos. O próprio escritor negou o uso de robôs e disse ter investido menos nas redes que seus adversários. Segundo Cury, o crescimento representa uma “revolução silenciosa” de pessoas cansadas da polarização política. O pico ocorreu em 27 de agosto, quando ele ganhou 1,2 milhão de seguidores em apenas um dia.

No debate da Band, Cury criticou a agressividade de outros candidatos e defendeu uma postura de pacificação. Dias depois, em sabatina no Jornal Nacional, algumas de suas propostas viraram memes nas redes. Entre elas estão o uso de drones para socorrer mulheres vítimas de violência, influenciadores em embaixadas e a criação de um Ministério da Inteligência Artificial. Cury é médico, escritor e empresário e declarou patrimônio superior a R$ 242 milhões à Justiça Eleitoral. Para o cientista político Jorge Chaloub, o candidato se diferencia por manter uma posição ideológica mais ambígua. Segundo ele, Cury combina discurso de direita com elementos de autoajuda e a imagem de “coach” bem-sucedido. O crescimento também gerou especulações sobre eventual participação de Pablo Marçal, que declarou apoio ao escritor. Marçal chamou Cury de “candidato mais nobre de todos”, mas a equipe do escritor nega qualquer envolvimento. Influenciadores de áreas como saúde, entretenimento e estilo de vida passaram a divulgar Cury, muitas vezes afirmando que eram eleitores indecisos. Algumas páginas, segundo a reportagem, não tinham histórico recente de publicações políticas. No Twitter, porém, o movimento foi diferente: Cury recebeu principalmente críticas e ironias sobre suas propostas. Em aplicativos de mensagens, ele apresentou o maior índice de mensagens enviadas por usuários com comportamento automatizado entre os candidatos. 

LIBERADOS MEDICAMENTOS CONTRA O CÂNCER


O Ministério da Saúde disponibilizará, a partir de outubro, três novos medicamentos contra o câncer de pulmão no SUS: brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe. 
Os tratamentos serão financiados pelo programa Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco). A medida deve beneficiar cerca de 1,9 mil pacientes, alguns à espera do tratamento há mais de dez anos. Brigatinibe e gefitinibe são administrados por via oral, em comprimidos ou cápsulas. Eles atuam sobre alterações específicas das células cancerígenas e podem ser usados em casa. Na rede privada, esses medicamentos podem custar mais de R$ 600 mil por ano. Já o durvalumabe é aplicado por infusão intravenosa em hospitais ou clínicas. Segundo o Ministério da Saúde, a ampliação das opções fortalece a assistência oncológica. Por meio do AF-Onco, serão ofertados 23 medicamentos oncológicos de alto custo. A iniciativa representa aumento de 35% na oferta de tratamentos na rede pública. A pasta estima que mais de 100 mil pessoas sejam beneficiadas pelo programa. Para o oncologista Rodrigo Nery, os medicamentos orais trazem mais conforto e autonomia. O paciente pode realizar parte do tratamento em casa, reduzindo deslocamentos ao hospital. A facilidade é especialmente importante para pessoas fragilizadas ou que vivem longe dos centros médicos. Nery ressalta, porém, que o tratamento oral não é simples nem livre de efeitos colaterais.

Os pacientes continuam necessitando de acompanhamento médico e exames periódicos. Também podem ser necessários ajustes nas doses durante o tratamento. O durvalumabe estimula o sistema imunológico a combater os tumores. Ele é indicado para pacientes com câncer de pulmão em estágio III que não podem ser operados. O medicamento pode proporcionar ganhos importantes na sobrevida dos pacientes. Na rede privada, seu custo pode superar R$ 640 mil por ano. O tratamento é destinado a pacientes que ainda apresentam possibilidade de cura. Inicialmente, eles recebem radioterapia associada à quimioterapia. Se a doença não evoluir, passam a utilizar o durvalumabe por até um ano. Estudos apontam benefício significativo da imunoterapia na sobrevivência. Cerca de 43% dos pacientes tratados com durvalumabe estavam vivos após cinco anos. Entre os que não receberam a imunoterapia, o índice foi de aproximadamente 33%. A inclusão dos medicamentos no SUS amplia o acesso a terapias modernas e de alto custo. 

SUPREMA CORTE AUTORIZA CONSTRUÇÃO DE SALÃO DE FESTAS NA CASA BRANCA


A Suprema Corte dos Estados Unidos permitiu ontem, 31, que o governo Donald Trump continue a construção de seu salão de festas na Casa Branca. 
Por 5 votos a 4, os ministros suspenderam decisão de instância inferior que havia paralisado parte das obras. O projeto, avaliado em US$ 400 milhões, é contestado por uma organização de preservação histórica. Cinco dos seis ministros conservadores apoiaram o governo, alegando falta de legitimidade jurídica da entidade autora. Também afirmaram que a paralisação poderia causar “danos irreparáveis” ao governo, citando questões de segurança nacional. O presidente da Suprema Corte, John Roberts, foi o único conservador a votar contra a decisão. Ele foi acompanhado pelos três ministros liberais da Corte. Roberts considerou a construção “provavelmente ilegal” por não haver autorização expressa do Congresso. Segundo ele, o salão está sendo erguido em área de parque federal no Distrito de Colúmbia. O Congresso teria autoridade constitucional sobre propriedades federais e a capital americana. A disputa judicial começou após o governo demolir a ala leste da Casa Branca e iniciar as obras. O salão terá 8.360 metros quadrados e, segundo Trump, será o maior do tipo já construído. O projeto inclui uma estrutura acima do solo e um amplo complexo subterrâneo. Trump afirma que haverá abrigos antibombas, instalações médicas e sistemas contra drones e mísseis.

O Departamento de Justiça classificou a obra como necessária à segurança nacional. A justificativa inclui ameaças recentes e tentativas de assassinato contra o presidente. Em 7 de agosto, um tribunal de apelações havia mantido a suspensão das obras acima do solo. Na ocasião, os magistrados afirmaram que o presidente é “inquilino temporário” da Casa Branca.
Também disseram que mudanças fundamentais no prédio dependem da aprovação do Congresso. A decisão permitia, porém, a continuidade das obras subterrâneas e medidas de segurança. O tribunal ressaltou que alegações de segurança nacional não autorizam automaticamente o descumprimento da lei. Segundo o governo, o projeto da ala leste está 65% concluído. Trump chamou a decisão anterior de “horrenda” e politicamente motivada. Ele afirmou que a paralisação deixaria autoridades e visitantes expostos a ataques. A organização de preservação histórica sustenta que o Executivo não tem autoridade unilateral para construir o salão. O grupo pede que a obra seja interrompida até que o Congresso autorize o projeto. A iniciativa faz parte dos planos de Trump para remodelar a paisagem de Washington. Entre eles estão um arco de 76 metros e mudanças no Kennedy Center. A ala leste demolida abrigava escritórios da primeira-dama e um cinema. A Suprema Corte, de maioria conservadora, tem decidido frequentemente a favor de Trump em seu segundo mandato. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 1º/09/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Davi Alcolumbre indica Rodrigo Pacheco para vaga no TCU

Nome pode ser votado no Plenário do Senado nesta quarta-feira (2/9)

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Ascensão de Cury já preocupa rivais na busca por furar a polarização, que contestam disparada do escritor nas redes

Candidato do Avante ao Planalto ganhou quase 2,5 milhões de seguidores em uma semana

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Cury inunda redes sociais com influenciadores, dispara em pesquisa e levanta suspeita entre adversários

Candidato do Avante alcança 11% em levantamento BTG/Nexus e ganha 2,5 milhões de seguidores no Instagram em duas semanas Campanhas rivais desconfiam de pagamento irregular de propaganda na internet, o que a equipe de Cury nega

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Mercado prevê redução da inflação e do PIB de 2026

Analistas mantém projeção da Selic em 13,75% e dólar a R$ 5,20

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Carbono neutro: como serão compensadas emissões de gases de efeito estufa gerados pela Expointer

Pela primeira vez, feira contará com a neutralização de emissões para reduzir impacto ambiental

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Preços da energia impulsionam subida da inflação europeia para 3,3% e Portugal supera a média

No país, a taxa de inflação acelerou para 3,6% em agosto, mais 0,5 pontos percentuais face a julho, de acordo com a estimativa rápida do Eurostat.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

RADAR JUDICIAL


EUA ATACAM IRÃ, EM HORMUZ

Os Estados Unidos atacaram ontem, 30, dois lançadores iranianos na ilha de Larak, no estreito de Hormuz. Segundo uma autoridade americana, forças da Guarda Revolucionária preparavam foguetes para transportar minas marítimas ao estreito. A agência iraniana Tasnim afirmou que o ataque foi realizado por drones. A Guarda Revolucionária informou que soldados e civis foram mortos e feridos, sem divulgar o número de vítimas. A unidade prometeu responder à ofensiva e punir os responsáveis. Segundo a agência Fars, os EUA pagarão pelo ataque nas frentes econômica e militar. Foi o primeiro ataque americano conhecido contra o Irã desde o fim de julho. Na semana passada, Donald Trump afirmou que todas as minas haviam sido retiradas ou detonadas. Trump também advertiu que embarcações que instalassem novas minas seriam destruídas. EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, provocando retaliações contra Israel e países do Golfo. O conflito já dura mais de seis meses, deixando milhares de mortos e milhões de deslocados. A guerra bloqueou o estreito de Hormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo mundial. 


ENCHENTES NO HIMALAIA: 919 MORTOS

Equipes de resgate do Nepal intensificaram nesta segunda-feira (31) as buscas por trabalhadores presos em túneis de projetos hidrelétricos atingidos por enchentes no Himalaia. Socorristas da China e da Índia foram mobilizados para auxiliar na operação. Segundo as autoridades, 933 trabalhadores estão presos nos túneis, sem informações sobre quantos estão vivos. O desastre já deixou ao menos 919 mortos e 4.793 desaparecidos no Nepal e na China. A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas foram afetadas pelas enchentes. Os trabalhos concentram-se nos distritos nepaleses de Rasuwa e Nuwakot, onde 11 hidrelétricas foram bloqueadas. Equipes utilizam escavadeiras, explosões controladas e equipamentos para retirar água, lama e pedras. Três corpos foram encontrados após a entrada dos socorristas em dois túneis. O Exército do Nepal afirmou que grandes volumes de detritos dificultam o acesso às áreas soterradas. O primeiro-ministro Balendra Shah classificou o episódio como um desastre natural sem precedentes. Cientistas apontam que o aquecimento global e o derretimento do gelo podem ter contribuído para a instabilidade das montanhas. Especialistas alertam que o aumento das temperaturas pode tornar desabamentos e enxurradas mais frequentes e graves.


JUIZ ORIENTA PARTE SOBRE RECURSO

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) puniu com censura o juiz Jailson Shizue Suassuna. O magistrado orientou um prefeito sobre como recorrer de uma decisão de cassação. Suassuna havia cassado, em 2017, o mandato do então prefeito de Bananeiras (PB), Douglas Lucena. No dia seguinte à sentença, os dois conversaram por telefone durante 39 minutos. Na ligação, o juiz apontou fragilidades da própria decisão que poderiam favorecer o recurso. Para o CNJ, a conduta violou os deveres de imparcialidade e equidistância do julgador. O caso já havia sido analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). O tribunal considerou a atitude imprópria, mas absolveu o magistrado por falta de má-fé. A decisão também apontou ausência de crime, favorecimento pessoal ou perseguição. O CNJ, porém, revisou o entendimento e considerou a punição disciplinar necessária. O relator afirmou que a conversa ultrapassou qualquer tentativa de esclarecimento institucional. Segundo o Conselho, juiz não pode orientar uma parte sobre recursos contra sua própria sentença.


TRUMP MENTE

Donald Trump afirmou que a ilha iraniana de Kharg estaria sendo reduzida a escombros. A declaração foi publicada na Truth Social, acompanhada de um vídeo gerado por inteligência artificial. Não há evidências de que a ilha estivesse sob ataque, segundo a Reuters. Casa Branca e Departamento de Defesa dos EUA não comentaram imediatamente. Kharg tem cerca de 8 km e fica a 24 km da costa iraniana. A ilha é estratégica para o setor energético do Irã. Cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano passam por Kharg. O presidente da Companhia Nacional Iraniana de Petróleo negou qualquer ataque. Hamid Bovard afirmou que as operações petrolíferas seguem normalmente. Segundo ele, a situação na ilha está calma e sob controle. Um ataque a Kharg poderia afetar gravemente as exportações e a economia iranianas. Enquanto isso, os EUA planejam ampliar sanções financeiras contra Teerã.


MINISTRO RENUNCIA NO TCU

O ministro do TCU Bruno Dantas comunicou nesta segunda-feira (31) sua renúncia "em caráter irretratável" ao cargo. Ex-presidente do tribunal, afirmou que a decisão é pessoal, voluntária e amadurecida nos últimos meses. A saída deverá produzir efeitos a partir de 9 de setembro de 2026. O substituto será indicado pelo Congresso Nacional e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) é o nome escolhido. Pacheco conta com o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre já havia defendido seu nome para uma vaga no STF, mas Lula indicou Jorge Messias. A vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo continua aberta após a derrota do governo no Senado. Dantas, de 48 anos, pretende abrir uma empresa voltada à estruturação de projetos de investimentos. Ele também pediu à OAB a reativação de sua carteira para voltar a exercer a advocacia. O ex-ministro negocia com o escritório nova-iorquino White & Case e atuará em compliance, gestão de crise e reputação. Seu nome também é cotado para comandar a Avibrás, recém-adquirida pelos irmãos Batista, da J&F. Em nota, Dantas afirmou encerrar quase três décadas de serviço público em busca de novos desafios profissionais.


MONFORTE, PRIMEIRO EDITOR-CHEFE DO BOM DIA BRASIL, MORRE

O jornalista Carlos Monforte, primeiro editor-chefe e apresentador do Bom Dia, Brasil, morreu nesta segunda-feira (31), aos 77 anos. A informação foi confirmada pela família à TV Globo, onde trabalhou por 36 anos. A causa da morte não foi divulgada; segundo O Globo, ele tratava um câncer. Nascido em Santos (SP), Monforte iniciou a carreira como repórter de A Tribuna. Formou-se em jornalismo em 1972 e também trabalhou em O Estado de S. Paulo. Entrou na Globo em 1978, participando de grandes coberturas, como as greves do ABC paulista. Em 1982, tornou-se editor-chefe e apresentador do Bom Dia, São Paulo. Em 1983, assumiu os mesmos cargos no recém-criado Bom Dia, Brasil, onde ficou por nove anos. Um dos momentos marcantes foi a entrevista com Rubens Ricupero durante o início do Plano Real, em 1994. Na ocasião, uma conversa captada por antenas parabólicas revelou declarações polêmicas do então ministro da Fazenda. Monforte também trabalhou na GloboNews, no Jornal Hoje e como coordenador da emissora em Brasília. Ele deixou a Globo em 2016, após décadas de atuação no jornalismo televisivo brasileiro.

Salvador, 31 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

COBRANÇAS JUDICIAIS DE DÍVIDAS


As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde em 2025, segundo dados do CNJ levantados pelo g1. 
Foram 1.239.537 novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de cerca de 60% desde 2020. O avanço ocorre em meio ao endividamento recorde das famílias brasileiras. Em março de 2026, 80,4% das famílias estavam endividadas, segundo a CNC. Entre janeiro e março de 2026, foram registrados mais 295.541 processos. As execuções envolvem consumidores e empresas e incluem empréstimos, financiamentos, aluguéis, cheques e duplicatas. Especialistas afirmam que a cobrança judicial geralmente ocorre depois que outras tentativas de recebimento fracassam. Para a juíza Káren Bertoncello, falta no Brasil uma cultura consolidada de renegociação extrajudicial. Feirões e acordos isolados podem resolver uma dívida, mas não necessariamente o conjunto das obrigações do consumidor. No Rio Grande do Sul, o TJRS mantém um projeto para tratar casos de superendividamento. A iniciativa busca reunir credores e consumidores para estabelecer acordos compatíveis com a renda. O projeto já soma 31.075 processos, com 6.273 acordos homologados. Programas como o Desenrola Brasil também tentam facilitar a renegociação de dívidas. Em 2026, o governo regulamentou o uso de parte do FGTS como garantia no consignado para trabalhadores CLT. 

Especialistas alertam que renegociar não resolve o problema se houver nova concessão excessiva de crédito. A juíza aponta o excesso de crédito como um dos principais fatores do superendividamento. A Lei do Superendividamento determina que bancos avaliem a capacidade de pagamento antes de conceder crédito. Dados do Banco Central mostram que as famílias comprometem quase 30% da renda mensal com dívidas. O endividamento total chegou a 50% da renda acumulada em 12 meses. Endividamento, porém, não significa necessariamente inadimplência: a dívida pode estar sendo paga em dia. As bets também preocupam especialistas, pois alguns consumidores fazem empréstimos para continuar apostando. Segundo a juíza, isso pode levar a uma espiral financeira difícil de interromper. Entre as empresas, juros altos e spreads bancários dificultam a recuperação financeira. Produtores rurais também aparecem com destaque nos índices de insolvência. Crises climáticas, guerras e crédito caro agravaram a situação de muitos produtores. Dados da ABJ mostram que processos de falência em São Paulo levam, em média, mais de 16 anos. Os credores recebem de volta apenas 6,1% do valor originalmente devido. A Lei 14.181/2021 criou mecanismos para prevenir e tratar o superendividamento dos consumidores. A legislação permite a renegociação conjunta das dívidas, preservando despesas básicas como moradia, alimentação e saúde. O levantamento do g1 analisou dados do CNJ entre 2020 e 2025 e números parciais de 2026, sem incluir execuções fiscais. 

CEIA ATUA NO AGRONEGÓCIO, SAÚDE, EDUCAÇÃO, ENERGIA E INDÚSTRIA


O Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia), da UFG, receberá R$ 78 milhões até 2031. 
Desse total, R$ 40 milhões serão usados na construção de um AI Data Center. Também será criado um laboratório para desenvolvimento de veículos autônomos. Criado em 2019, o Ceia já captou mais de R$ 500 milhões em projetos e parcerias. A instituição reúne mais de mil pesquisadores e já executou mais de 300 projetos. Suas soluções foram contratadas por 94 empresas e alcançaram mais de 152 milhões de brasileiros. A expansão ocorre diante do crescimento dos investimentos em infraestrutura de IA no Brasil. Para a diretora-executiva Telma Woerle de Lima Soares, o país deve aproveitar esse movimento. Ela defende que o Brasil desenvolva tecnologia própria, evitando tornar-se apenas fornecedor de commodities. Segundo a pesquisadora, data centers precisam vir acompanhados de formação profissional. Também devem promover transferência de tecnologia e produção de soluções nacionais. Para ela, a verdadeira manufatura dos data centers é a própria tecnologia desenvolvida. O Ceia atua em áreas como agronegócio, saúde, educação, energia e indústria.
Também desenvolve projetos de mobilidade e serviços digitais. Uma plataforma de licitações automatiza a identificação e o acompanhamento de editais públicos.

Em 2024, o sistema processou cerca de 1,3 bilhão de editais. A tecnologia reduziu em 60% o tempo operacional e em 27% a necessidade de equipes. Na mobilidade, o centro desenvolve tecnologias para veículos autônomos adaptados ao Brasil. Na saúde, utiliza IA para identificar anomalias em exames de vídeo. A ferramenta também auxilia na detecção precoce de doenças colorretais. Outra tecnologia estima custos de reparos de veículos a partir de imagens. A iniciativa recebeu o Prêmio Embrapii de tecnologia mais inovadora da indústria brasileira. Em vez de criar grandes modelos próprios, o Ceia prioriza modelos de código aberto. Entre eles estão LLaMA, DeepSeek e Mistral, escolhidos conforme cada aplicação. Segundo Telma, treinar um modelo próprio de grande escala exigiria investimentos bilionários. A infraestrutura necessária ainda não seria viável no curto prazo. A procura por projetos de IA aumentou com o avanço da inteligência artificial generativa. Empresas, porém, enfrentam dificuldades para organizar e preparar seus próprios dados. O Ceia mantém infraestrutura de armazenamento e adota medidas de segurança e conformidade com a LGPD. Para Telma, soluções adaptadas à realidade brasileira também podem ampliar a atuação tecnológica do país no exterior.