O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece ter encontrado uma nova obsessão: mudar nomes de lugares como se isso fosse uma das grandes prioridades de seu governo. A mais recente provocação ocorreu no domingo, 6, quando Trump publicou uma imagem sugerindo que o estado do Novo México deveria passar a se chamar “Nova América”. Na montagem, encarada como provocação aos mexicanos, a palavra “Mexico” aparece riscada e substituída por “America”. O problema é que um presidente não pode simplesmente mudar, por decreto, o nome de um estado americano. Uma alteração dessa natureza depende dos mecanismos constitucionais e legislativos do próprio estado e não do país governado por Donald Trump. A estúpida ideia de Trump foi imediatamente rejeitada por autoridades do Novo México, que lembraram a importância histórica e cultural do nome. Mas essa não é a primeira vez que Trump transforma nomes geográficos em instrumento político. Em 2025, determinou que órgãos federais passassem a usar “Golfo da América” no lugar de “Golfo do México”. Mais recentemente, assinou uma ordem para que o Lago Ontário fosse chamado de “Lago América” nos registros federais dos Estados Unidos. Donald Trump chegou ainda a sugerir que o Estreito de Ormuz recebesse o nome de “Estreito Trump”, em meio ao conflito com o Irã.
São iniciativas que podem parecer folclóricas, mas revelam uma estratégia política: transformar até nomes tradicionais do mapa em demonstrações de poder, nacionalismo e autopromoção. Enquanto guerras, inflação, energia e conflitos comerciais exigem decisões concretas, Trump prefere também gastar capital político com uma espécie de “guerra dos nomes”, como se não tivesse outros afazeres mais importantes na condução do seu país e como líder com influência em todo o mundo. No fim, mapas podem até mudar dentro dos sistemas oficiais americanos, mas a história não se apaga simplesmente com uma canetada presidencial. O presidente do maior país do mundo deveria encontrar algo mais importante para fazer, a exemplo de contribuir para a paz no mundo e sua dedicação a administrar os Estados Unidos já representa algo de novo na sua trôpega caminhada.
Salvador, 7 de setembro de 2026.
Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.