PAUTAS ECONÔMICAS
Lula, no Palácio da Alvorada, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (esq.), e o chefe da Câmara, Hugo Motta; houve conversa sobre a escala 6x1 - Pedro Ladeira/Folhapress
ACENOS AO ELEITORADO NORDESTINO
Flávio Bolsonaro faz carreata no interior de Alagoas e promete trem para ligar capitais do Nordeste; Artur Lira e JHC não compareceram ao ato - Flávio Bolsonaro no Instagram
TRAGÉDIA NA ÁSIA
Prédio é coberto por lama após inundação em Trishuli, no distrito de Nuwakot, no Nepal; tragédia deixa mortos e desaparecidos e destrói estradas - Navesh Chitrakar/Reuters
EMBATES DE MILHÕES
Rinha de políticos radicais em podcasts gera engajamento, cortes de vídeos para as redes sociais e invade campanhas eleitorais neste ano no país - Reprodução
RIO DE JANEIRO
Ao menos 18 ônibus são sequestrados e usados como barricadas em vias de Cascadura e Campinho em represália contra operação da PM - Reprodução/TV Globo
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026
RADAR JUDICIAL
DEFENDIDO EXAME DE PROFICIÊNCIA PARA MÉDICOS, A EXEMPLO DA OAB
A forte expansão dos cursos de medicina e especializações traz o desafio de garantir qualidade na formação dos profissionais. Para Julio Vieira, CEO do Hcor, houve uma onda de criação de escolas, algumas aprovadas pelo MEC e outras por decisões judiciais. Segundo ele, isso permitiu o surgimento de instituições com qualidade inferior. Vieira defende um exame de proficiência para médicos semelhante ao da OAB. O Enamed passou a exercer função próxima à de uma “OAB da Medicina”, mas sua utilização para punir cursos ainda é discutida na Justiça. O executivo também defende a revalidação periódica dos profissionais, inclusive daqueles formados há décadas. Para ele, é necessário equilibrar a qualificação com a falta de médicos em algumas regiões. Outro problema apontado é a escassez de trabalhadores em atividades de apoio hospitalar, como limpeza, recepção e call center. Vieira cita aumento do absenteísmo e da rotatividade entre funcionários. Na relação entre hospitais e operadoras, ele vê maior integração, com a adoção de pacotes de serviços e compartilhamento de riscos. O mesmo alinhamento ainda não ocorre plenamente com a indústria farmacêutica. O executivo defende modelos em que medicamentos sejam pagos conforme os resultados obtidos para os pacientes. O Hcor prevê crescimento de 7% a 10% na receita em 2026 e investimentos de até R$ 130 milhões. Com o hospital lotado, a instituição amplia UTIs, medicina diagnóstica, radioterapia e serviços de infusão. Vieira considera a tecnologia essencial para manter a sustentabilidade e a qualidade da assistência.
REGISTRADAS 362 MORTES E 1.200 DESAPARECIDOS, NA REGIÃO DO HIMALAIA
Equipes de resgate procuram nesta quinta-feira (27) mais de 1.300 desaparecidos após enchentes devastadoras atingirem a região do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete. O número de mortos chegou a 362, segundo balanços preliminares. No Nepal, foram registradas 359 mortes, enquanto três ocorreram no lado chinês. As informações são divulgadas separadamente pelas autoridades dos dois países. Helicópteros nepaleses procuram sobreviventes e levam suprimentos a milhares de pessoas isoladas. A tragédia atingiu cidades e vales frequentados por praticantes de trekking. A enxurrada de água e lama foi provocada pelo colapso de uma geleira. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, a intensidade foi equivalente a um evento sísmico de magnitude 5,2. No Nepal, o rio Trishuli transbordou no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu. O vale do rio Bhote Koshi, a leste da capital, também foi severamente atingido. No lado chinês, um deslizamento atingiu o porto tibetano de Gyirong, destruindo veículos e provocando grande destruição. Soldados nepaleses utilizam cães farejadores para localizar corpos soterrados na lama. Equipes enfrentam dificuldades para avançar entre destroços e edifícios atingidos. Entre os desaparecidos estão 517 turistas estrangeiros e muitos peregrinos hindus que viajavam ao Monte Kailash.
BRASILEIROS NOS EUA TEMEM SAIR DE CASA PARA VOTAR, NAS ELEIÇÕES DE OUTUBRO
Brasileiros que vivem em Nova Jersey relatam medo de sair de casa para votar no primeiro turno das eleições presidenciais, em 4 de outubro. O temor está relacionado às ações do ICE, agência de imigração dos Estados Unidos. Em cidades onde há mais operações, parte dos brasileiros evita sair durante o dia, pede comida por aplicativos e acompanha grupos de WhatsApp que alertam sobre a presença de agentes. A preocupação também influenciou a escolha do local de votação pelo Consulado-Geral do Brasil em Nova York, responsável por eleitores de Nova York, Nova Jersey e Filadélfia. O objetivo foi encontrar um espaço considerado seguro, com menor risco de filas nas ruas, conflitos políticos e abordagens migratórias. O local escolhido é um complexo educacional no Queens, distante de Manhattan e de cidades de Nova Jersey com grande concentração de brasileiros, como Newark. A estrutura permite que os eleitores permaneçam dentro dos prédios, reduzindo a exposição em espaços públicos. Agentes do ICE não podem entrar em áreas privadas, como casas ou escolas, sem mandado judicial assinado por um juiz. A repressão aos imigrantes promovida pelo governo Donald Trump deve contribuir para reduzir a participação eleitoral dos brasileiros nos EUA. A Prefeitura de Nova York e a polícia local também ajudaram a identificar um local considerado mais seguro. Nova York e o estado são administrados por democratas e considerados regiões "santuário", que não apoiam as políticas federais de repressão migratória. O Consulado do Peru utilizou o mesmo complexo para sua eleição presidencial, realizada em abril.
REDUÇÃO DAS FÉRIAS DOS MAGISTRADOS E OUTRAS MODIFICAÇÕES
Na reorganização do sistema, aparecem propostas de mandato para ministros do STF e aumento do número de conselheiros do CNJ. A transformação digital prevê integração de sistemas e bases de dados, automação e interoperabilidade entre instituições. No campo da inteligência artificial, as propostas tratam de transparência, auditabilidade, supervisão humana e proteção dos direitos fundamentais. Os eixos definidos pelo edital incluem simplificação processual, redução da litigiosidade, transformação digital, governança da IA, modernização das carreiras e gestão judiciária. Também abrangem integridade institucional, transparência pública, proteção dos direitos fundamentais e maior estabilidade jurídica. As contribuições sugerem aperfeiçoamento de precedentes, prevenção de conflitos, soluções consensuais, acessibilidade, inclusão digital e melhoria dos fluxos processuais. O material ainda contempla integração tecnológica, gestão de acervos, proteção de grupos vulneráveis e parâmetros para o uso responsável da IA. Após a coleta das propostas, o Grupo de Estudos deverá analisar e debater o conteúdo, elaborar um relatório e encaminhá-lo ao presidente do STF. Segundo o tribunal, a iniciativa busca tornar a Justiça mais eficiente, transparente e acessível, com governança reforçada e baixo ou nulo impacto fiscal.
TRUMP QUESTIONA AUTORIDADE DA AMERICAN BAR ASSOCIATION
O Departamento de Educação dos EUA preparou relatório que recomenda não renovar a autoridade da American Bar Association (ABA) para credenciar faculdades de Direito. A medida faz parte da ofensiva do presidente Donald Trump contra entidades que considera opositoras de seu governo. Trump e aliados republicanos acusam a ABA de adotar posições alinhadas aos democratas e de promover pautas progressistas. A entidade exerce, há mais de 70 anos, a função de credenciar cursos de Direito nos Estados Unidos. Atualmente, a ABA é responsável pelo credenciamento de quase 200 faculdades independentes de Direito. O governo Trump afirma que há conflito de interesses entre a atuação profissional da ABA e seu conselho de credenciamento. Segundo o governo, a entidade estaria levando preferências políticas para uma atividade que deveria ser independente. As críticas concentram-se principalmente nas iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) defendidas pela ABA. Trump também adotou medidas contra universidades e escritórios de advocacia que considera alinhados à oposição. O relatório recomenda que o Departamento de Educação retire a autoridade da ABA, cuja designação precisa ser renovada a cada cinco anos. O credenciamento tem grande importância para as faculdades e estudantes de Direito. Ele permite que as instituições funcionem com base em critérios de qualidade de ensino. Em muitos estados, formados em cursos não credenciados pela ABA não podem prestar o exame da Ordem. Estudantes dessas instituições também podem perder acesso ao financiamento estudantil federal.
INFLAÇÃO NOS EUA MANTÉM ACIMA DOS 2%
A inflação anual dos Estados Unidos permaneceu em julho bem acima da meta de 2% do Fed, pelo 65º mês consecutivo. O índice de preços PCE avançou 3,7% nos 12 meses até julho, repetindo a taxa de junho, informou o Departamento de Comércio. O resultado ficou acima da previsão de 3,6% dos economistas consultados pela Reuters. O PCE é o principal indicador de inflação usado pelo Federal Reserve para definir sua política monetária. Em maio, o índice havia atingido 4,1%, maior nível em três anos, após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. O conflito provocou forte alta dos preços de energia ao interromper cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo. Seis meses depois, os confrontos diminuíram e os preços do petróleo recuaram, mas a inflação continua elevada. A desaceleração recente reforçou os argumentos dos dirigentes do Fed que defendem a manutenção dos juros. Em julho, a maioria do Comitê Federal de Mercado Aberto manteve a taxa entre 3,50% e 3,75%, onde está desde dezembro. Mesmo assim, cresce entre algumas autoridades a defesa de uma política monetária mais restritiva. A inflação permanece acima da meta desde fevereiro de 2021 e ainda mostra resistência para retornar aos 2%.
GOVERNO TRUMP USA INSTINTO DE VINGANÇA E PERSEGUE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA
O banco Melli, maior instituição financeira do Irã, voltou a ser alvo de sanções dos Estados Unidos. Na segunda-feira (24), o governo americano determinou medidas para reduzir ainda mais sua capacidade de operar no exterior. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que países que mantiverem negócios com o Irã também poderão ser punidos. A medida faz parte da chamada Operação Pária Econômico, que busca ampliar a pressão sobre Teerã. Bessent exigiu o fechamento de todas as agências internacionais do Melli. Apesar da determinação, uma unidade em Dubai informou que funcionava normalmente. Em Londres, a agência de Kensington também permanecia aberta. O banco estatal sofre sanções americanas desde 2007, quando foi acusado de financiar os programas nuclear e de mísseis do Irã. ONU, União Europeia e outros países também adotaram restrições contra a instituição. O Melli mantém cerca de 3.100 agências dentro do Irã e possui presença histórica no Oriente Médio, Europa e Ásia. Sanções, porém, reduziram drasticamente sua capacidade de movimentar recursos e financiar o comércio internacional. Autoridades americanas acusam o banco de utilizar empresas de fachada para transferir dinheiro por meio de uma rede bancária paralela destinada a contornar sanções e financiar atividades militares iranianas. Em janeiro, empresas dos Emirados Árabes Unidos e de Singapura foram acusadas pelo Tesouro americano de participar de operações ligadas ao Melli. O especialista Matthew Levitt avaliou que o alcance internacional do banco diminuiu, mas afirmou que a instituição ainda consegue financiar atividades ilícitas por meio de subsidiárias e da aplicação desigual das sanções.
MINISTRO PRORROGA CONTRATO DO TJBA COM BANCO DE BRASÍLIA
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) mantenha por mais 90 dias o contrato com o Banco de Brasília (BRB). O acordo terminaria em 27 de agosto e não seria renovado. Segundo Fux, a transferência imediata da operação para a Caixa Econômica Federal poderia provocar impactos relevantes na liquidez do BRB. A operação movimenta centenas de milhões de reais por mês. Para o ministro, interromper novos depósitos sem suspender os saques poderia comprometer o equilíbrio financeiro da instituição. Ele também apontou risco para o acordo entre o Distrito Federal e a União destinado à recuperação do banco. Fux afirmou que a situação poderia elevar até mesmo o risco de liquidação do BRB. Na avaliação do ministro, existe ainda possibilidade de grave risco sistêmico. A prorrogação foi condicionada à continuidade das medidas previstas no acordo de capitalização do banco. O BRB também deverá enviar periodicamente informações ao STF sobre as providências adotadas. Em nota, o banco afirmou que os 90 dias são suficientes para avançar no processo de capitalização. O período também permitirá adotar medidas para tentar renovar o contrato com o TJBA. O BRB informou que continuará administrando normalmente os depósitos judiciais durante a transição. A instituição também atua em outros tribunais estaduais e no Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 27/07/2026
CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF
Lama sepulta centenas e destrói vilas entre Nepal e China
Deslizamento de neve e terra provoca inundação de rio. Tragédia mata pelo menos 270, arrasa com povoados e deixa mais de 300 turistas de 28 países desaparecidos. Especialista explica fenômeno
O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ
Alfabetização bilíngue, câmeras ao vivo, espaço externo: saiba como escolher a melhor creche, foco de guia do GLOBO
O GLOBO lança hoje o Guia das Creches com 300 opções de instituições de educação infantil nas cidades do Rio e de São Paulo
FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP
Brasileiros temem votar em NY, e Brasil busca centro de votação protegido do ICE
Consulado-geral encontra local onde é possível organizar filas dentro de prédios, sem necessidade de esperar na rua Imigrantes de regiões com maior presença da agência de imigração vivem cotidiano de temor e restrições
TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA
Bancos aceleram uso de IA, mas mantêm decisões críticas sob comando humano
De acordo com os CEOs de algumas das maiores instituições do País, a IA já está enraizada em áreas como atendimento
CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS
“Uberização” volta a julgamento a partir de hoje no STF; entenda o cabo-de-guerra entre plataformas e trabalhadores
Supremo Tribunal Federal volta a decidir se empresas como Uber, 99 e iFood terão de registrar motoristas e entregadores com as regras da CLT
DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT
Portugal investe 133 milhões na compra de 75 viaturas táticas para os fuzileiros da Marinha
O investimento resulta de um acordo de cooperação com Espanha e o Ministério da Defesa prevê que a entrega destas viaturas VAMTAC ocorra entre 2027 e 2029.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
REMINISCÊNCIAS DO 24 DE AGOSTO NO BRASIL
Agosto ocupa um lugar especial na memória política brasileira. Ao longo da história, o mês foi palco de crises, rupturas e acontecimentos que deixaram marcas profundas na vida nacional. Não por acaso, agosto chegou a ser chamado de “mês aziago” da política brasileira, especialmente em razão dos acontecimentos de 1954. Com efeito, em 5 de agosto de 1954, o atentado da Rua Tonelero, no Rio de Janeiro, contra o jornalista Carlos Lacerda, que governou o estado da Guanabara, provocou uma das maiores crises do governo de Getúlio Vargas. O episódio, que resultou na morte do major Rubens Vaz, aumentou a pressão sobre o presidente e colocou seu governo diante de uma grave crise política. A instabilidade chegou ao ponto máximo em 24 de agosto de 1954, quando Getúlio Vargas tirou a própria vida no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Sua morte provocou enorme comoção popular e mudou o rumo da política brasileira. Sete anos depois, agosto novamente entrou para a história, porque em 25 de agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros renunciou inesperadamente ao cargo, desencadeando uma crise institucional. O vice-presidente João Goulart estava em viagem à China e teve sua posse contestada pelos ministros militares. A reação veio principalmente do Rio Grande do Sul, onde o governador Leonel Brizola liderou a Campanha da Legalidade, defendendo o cumprimento da Constituição e a posse de Jango. O impasse acabou levando à adoção temporária do parlamentarismo como solução política.
RADAR JUDICIAL
Nos dois estados, forças policiais cooperam com o ICE em ações de fiscalização e deportação.