Uma falsa oficina mecânica às margens da BR-070, em Ceilândia, funcionava como base de um esquema clandestino de furto de combustível de um oleoduto da Petrobras. O local nunca abriu durante o dia nem recebeu clientes, mas registrava movimentação apenas durante a madrugada. Na noite de sexta-feira, policiais da 19ª DP deflagraram a Operação Estige após denúncias sobre forte cheiro de gasolina na região. No imóvel, encontraram três homens trabalhando em um túnel escavado em direção ao oleoduto. Foram presos Antônio Marcos da Silva Seurinho, 43 anos, José Marle de Queiroz Lucena Segundo, 43, e Paulo Batista de Oliveira, 36. Segundo a investigação, eles alugaram o imóvel há três meses por R$ 1,2 mil mensais, alegando que instalariam uma oficina mecânica. A polícia aponta Antônio como possível líder do grupo, devido ao envolvimento em ocorrência semelhante há dois anos. José e Paulo seriam responsáveis pelos serviços de escavação e instalação dos equipamentos. Enquanto o grupo preparava a estrutura para retirar combustível, a Transpetro identificou divergências entre o volume transportado e o entregue. O oleoduto abastece o Distrito Federal com cerca de 3 milhões de litros de gasolina por dia.
A estimativa é que entre 90 mil e 100 mil litros tenham sido furtados apenas na última semana. Segundo o delegado Fernando Fernandes, havia risco real de explosão em um raio de até 3 quilômetros. As investigações também apuram possível participação de transportadoras e postos de combustíveis na receptação do produto furtado. Por causa do perigo, a Defesa Civil interditou ao menos quatro imóveis próximos ao oleoduto. A área passou por perícia da Polícia Civil, enquanto a Transpetro assumiu os reparos necessários. Em nota, a empresa informou que não houve impacto no abastecimento da região e destacou que investe cerca de R$ 100 milhões por ano em tecnologia, monitoramento e proteção dos 8,5 mil quilômetros de sua malha de dutos.

