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terça-feira, 27 de outubro de 2026

ISRAELENSES ELEGEM HOJE DEPUTADOS DO PARLAMENTO

Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas de Israel; Binyamin Netanyahu, o atual primeiro-ministro do país; Naftali Bennett, ex-premiê; e Avigdor Lieberman, líder do partido Yisrael Beitenu
Os israelenses votam nesta terça-feira (27) para eleger a 26ª composição do Parlamento, disputada por 36 listas partidárias. As pesquisas indicam que apenas 11 devem conquistar cadeiras. A eleição opõe principalmente o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, de 77 anos, e o ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot, de 66, que tenta encerrar o domínio político do adversário. Os eleitores escolhem os 120 deputados do Parlamento, o Knesset, e não diretamente o premiê. Após a votação, o presidente Isaac Herzog indicará um parlamentar com condições de formar governo. Pesquisa do Canal 12 aponta Eisenkot com 44% das preferências para primeiro-ministro, contra 38% de Netanyahu. Netanyahu governou entre 1996 e 1999, retornou em 2009 e permaneceu até 2021. Recuperou o cargo no fim de 2022, apoiado por partidos ultraortodoxos e de extrema direita. Sua campanha destaca as operações militares realizadas após o ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023. O premiê afirma que as ofensivas em Gaza, no Líbano e contra o Irã fortaleceram a segurança israelense. Netanyahu, porém, enfrenta um julgamento por corrupção, acusações que nega, e um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por suspeitas de crimes de guerra e contra a humanidade em Gaza. Internamente, seu governo enfrenta críticas à reforma do Judiciário e divergências sobre a dispensa do serviço militar para homens ultraortodoxos. Seus aliados de extrema direita defendem ampliar o controle israelense sobre territórios palestinos. Eisenkot ingressou na política em 2022, após quatro décadas nas Forças Armadas, e criou o partido Yashar em 2025, apresentando-se como alternativa de centro. Ele integrou o gabinete de guerra de Netanyahu após os ataques de 2023, mas deixou o colegiado oito meses depois, criticando a condução do conflito. Também perdeu um filho e dois sobrinhos em combate. 

Na área de segurança, Eisenkot rejeita a criação de um Estado palestino e defende o desmantelamento da capacidade militar do Hamas. Apoia assentamentos israelenses dentro dos limites da legislação nacional, mas critica a violência de colonos e a expansão territorial. Seu programa prevê investigar as falhas de 7 de outubro, reduzir o custo de vida, garantir a independência do Judiciário e instituir serviço militar ou civil obrigatório para todos, inclusive ultraortodoxos. Eisenkot descarta governar com Netanyahu, mas admite uma possível aliança com o Likud sem a liderança do atual premiê. A formação de uma maioria, contudo, dependerá das negociações com outras legendas. Eisenkot rejeita incluir partidos árabes sem que aceitem princípios como o reconhecimento de Israel como Estado judeu e democrático. Outro protagonista é Naftali Bennett, de 54 anos, ex-primeiro-ministro que lidera o partido B'Yachad, com Yair Lapid na segunda posição. A pesquisa atribui à legenda 15 cadeiras, enquanto Bennett aparece empatado com Netanyahu, com 39% das preferências para premiê. Avigdor Lieberman, ex-ministro e líder do Yisrael Beiteinu, também integra a oposição. Ele rejeita governar com Netanyahu, partidos ultraortodoxos ou árabes. Seu partido tem oito cadeiras na projeção. Já Yair Golan, líder dos Democratas, reúne setores da esquerda e defende iniciativas diplomáticas para resolver o conflito israelo-palestino. Sua legenda aparece com dez cadeiras e admite a participação de um partido árabe no governo. Eisenkot, Bennett, Lapid, Lieberman e Golan firmaram um acordo de cooperação eleitoral para tentar afastar Netanyahu do poder, apesar das divergências. Se nenhum bloco alcançar maioria, as negociações poderão durar semanas ou meses. Entre as alternativas estão um governo minoritário ou uma coalizão de unidade nacional. Até que um novo gabinete obtenha apoio parlamentar, Netanyahu continuará no cargo.

 

A REENCARNAÇÃO MERECE INVESTIGAÇÃO


Um estudo baseado no maior acervo mundial de supostas memórias de vidas passadas identificou padrões em 1.678 relatos de crianças. Os pesquisadores ressaltam que os resultados não comprovam a reencarnação, mas indicam que o fenômeno merece investigação. Embora não existam evidências científicas sólidas da reencarnação, a ideia de renascer está presente em tradições como o hinduísmo e o budismo, que atribuem diferentes significados ao ciclo de mortes e renascimentos. O acervo é mantido pela Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, e começou a ser formado na década de 1960 pelo psiquiatra Ian Stevenson. Ele reúne depoimentos de crianças que relatam espontaneamente informações supostamente relacionadas à vida de pessoas falecidas. Entre os casos estudados está o de James, um menino da Louisiana que dizia ter sido piloto durante a Segunda Guerra Mundial. Suas declarações foram associadas a James Huston Jr., morto em 1945. Outro caso é o de Ryan, de Oklahoma, cujas lembranças foram relacionadas ao agente de Hollywood Marty Martyn. Os pesquisadores confirmaram 55 detalhes de seu relato com a biografia do falecido. A nova pesquisa, liderada pela neurocientista cognitiva Saeedeh Sadeghi, analisou o intervalo entre a morte da pessoa identificada e o nascimento da criança. Em 1.319 casos com informações suficientes, a média foi de 16 meses, embora o maior intervalo tenha chegado a 150 anos.

O principal resultado foi a associação entre mortes inesperadas e intervalos menores. Quando a morte era completamente imprevista, o intervalo médio era de 12 meses. Nos falecimentos mais previsíveis, chegava a 21 meses, uma diferença de aproximadamente 43%. Entre os casos analisados, 57% das mortes foram classificadas como não naturais e 68% como inesperadas. A idade média dos falecidos era de 30 anos, perfil diferente das estatísticas gerais de mortalidade. Uma relação semelhante já havia sido observada em 1988, em uma pesquisa de N. K. Chadha e Ian Stevenson. A nova equipe procurou verificar se o padrão persistia em uma amostra maior e se poderia ser explicado por fatores culturais ou psicológicos. Os pesquisadores examinaram possíveis influências, como crenças religiosas, contato entre famílias e acesso prévio das crianças às informações relatadas. Mesmo após essas verificações, a associação permaneceu. Segundo Sadeghi, os fatores sociais e psicológicos investigados não explicaram o resultado. Curiosamente, o padrão foi mais acentuado entre famílias cujas religiões não aceitavam a reencarnação. Para o psicólogo Philip Cozzolino, isso enfraquece a hipótese de que as crenças sociais sejam responsáveis pela associação. Apesar disso, as limitações são importantes. O efeito estatístico é fraco e explica apenas entre 2% e 3% das diferenças nos intervalos observados. Como o estudo é observacional, não permite estabelecer causa e efeito nem demonstrar que a consciência sobrevive à morte. Também não se descartam a circulação de informações entre comunidades, a identificação retrospectiva de pessoas cujas biografias coincidem parcialmente com os relatos e a influência emocional das mortes violentas.

Os pesquisadores mencionam ainda semelhanças com crenças de algumas tradições religiosas, segundo as quais mortes repentinas podem deixar vínculos ou questões pendentes. Essas interpretações, porém, não constituem explicações científicas. Sadeghi afirma que os dados não provam qualquer fenômeno metafísico, mas considera que o padrão identificado justifica novas pesquisas. A conclusão é que existe uma associação estatística ainda sem explicação convincente, mas não uma comprovação da reencarnação. Assim, o estudo amplia as perguntas sobre os relatos de vidas passadas, sem oferecer evidências científicas suficientes para confirmar que uma pessoa possa renascer após a morte.

 

LEI MUNICIPAL QUE OBRIGA INSTALAÇÃO DE CÂMERAS É INCONSTITUCIONAL


O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade da Lei Municipal 6.489/26, de Tremembé (SP), que obrigava a instalação de câmeras nas salas de aula das escolas públicas. A prefeitura questionou a norma por considerar que o Legislativo interferiu na gestão administrativa da rede municipal, atribuição do Executivo. Também apontou a ausência de estimativa de impacto financeiro e a violação dos direitos à dignidade, intimidade, privacidade e imagem de alunos e professores. O relator, desembargador Luís Francisco Aguilar Cortez, entendeu que a lei viola direitos fundamentais, especialmente a intimidade de crianças e adolescentes e a liberdade de docência. Segundo ele, embora a proteção da comunidade escolar seja uma finalidade legítima, isso não justifica a vigilância sistemática dentro das salas de aula. O magistrado destacou que avisos sobre a existência de câmeras e proibições genéricas de uso indevido das imagens não atendem às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Para Cortez, a vigilância permanente pode restringir a liberdade de manifestação dos estudantes e a autonomia pedagógica dos professores, mesmo sem transmissão das imagens em tempo real. Essa situação pode comprometer a espontaneidade, a criatividade e a liberdade de expressão, elementos essenciais ao ambiente educacional. O relator também apontou problemas orçamentários, já que a instalação e a manutenção dos equipamentos geram despesas com aquisição, implantação, operação, armazenamento de dados e conservação. Por fim, afirmou que a exigência de avaliação prévia do impacto financeiro não pode ser dispensada com a simples alegação de que os recursos poderão ser obtidos em dotações orçamentárias futuras. 

JUÍZA RESCINDE CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO ARTÍSTICA DE CANTORA


A juíza Andrea de Abreu, da 10ª Vara Cível de São Paulo, declarou rescindido o contrato de representação artística de uma cantora e afastou a multa de R$ 5 milhões por quebra de exclusividade. A artista acionou a Justiça após a produtora rescindir unilateralmente o contrato e cobrar uma dívida de R$ 141,3 mil, que, segundo ela, não tinha comprovação adequada. A cantora questionou os demonstrativos financeiros e apontou o descumprimento da obrigação de apresentar relatórios trimestrais de prestação de contas. Ela pediu o reconhecimento da culpa da produtora pelo rompimento, a liberação da exclusividade e a inexigibilidade da multa contratual. Em sua defesa, a empresa alegou ter investido na carreira da artista e negou ter rescindido unilateralmente o contrato. Também acusou a cantora de exercer atividades paralelas e cobrou R$ 136,4 mil por despesas e antecipações. Ao analisar o caso, a magistrada constatou que a produtora deixou de apresentar relatórios contábeis trimestrais entre 2022 e 2025. Para ela, a entrega tardia de um balancete, em janeiro de 2026, não corrigiu o descumprimento continuado. A juíza também considerou contraditória a cobrança de dívidas enquanto a empresa retinha equipamentos e esvaziava a agenda profissional da artista. A conduta foi enquadrada no princípio jurídico do venire contra factum proprium, que proíbe comportamentos contraditórios capazes de frustrar expectativas legítimas da outra parte. Segundo a magistrada, a produtora não poderia restringir a atividade profissional da cantora enquanto comprometia a própria gestão de shows e agendamentos.

A decisão determinou ainda o fim das restrições futuras sobre novas gravações da artista, considerando a ligação entre os contratos de agenciamento e cessão de direitos. Foram preservados, contudo, os direitos de propriedade sobre os fonogramas lançados durante a vigência contratual e o repasse dos respectivos royalties. Quanto à multa de R$ 5 milhões, a juíza declarou sua inexigibilidade, pois entendeu que o rompimento decorreu da culpa da própria produtora. A magistrada também considerou a penalidade desproporcional diante da finalidade econômica do contrato. A cobrança de R$ 136,4 mil foi rejeitada. Para a juíza, os gastos com ensaios, gravações e contratações integram os riscos do negócio e devem ser considerados na apuração do resultado líquido, não podendo ser tratados como empréstimos pessoais de ressarcimento imediato. Por fim, a sentença declarou a rescisão contratual por culpa da produtora e determinou que a empresa apresente prestação de contas detalhada, em forma mercantil, no prazo de 15 dias, sob pena de apuração dos valores em liquidação.