O Ministério Público Federal (MPF) no Rio Grande do Sul abriu investigação para apurar se Luciano Huck e a TV Globo infringiram a legislação eleitoral. A apuração envolve a divulgação da plataforma TemMeuVoto, feita ao vivo no Domingão com Huck, em 27 de setembro. O procedimento foi instaurado após representação da deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) à Procuradoria-Geral Eleitoral. Durante o programa, Huck apresentou a ferramenta como uma espécie de “tinder eleitoral”. Segundo ele, o eleitor responde a perguntas sobre oito temas e recebe percentuais de alinhamento com candidaturas. A plataforma reúne cerca de 20 mil candidaturas aos cargos de deputado estadual, deputado federal e senador. Huck afirmou que o sistema é apartidário, não indica candidatos nem votos e apenas auxilia na comparação de propostas. A denúncia considera comentários nas redes sociais que questionam os resultados apresentados pela ferramenta. Internautas e políticos afirmaram que os “matches” ocorreriam principalmente com candidatos da direita e extrema-direita. A investigação deverá verificar se a divulgação da plataforma no programa televisivo configurou alguma irregularidade eleitoral. A apuração ocorre poucos dias antes das eleições de 2026 e poderá analisar a conduta da emissora e do apresentador. Em nota, a TemMeuVoto negou favorecer partidos e afirmou adotar metodologia pública e critérios iguais para todas as candidaturas.
A violência política no Brasil registrou 354 episódios entre outubro de 2024 e agosto de 2026. O levantamento aponta uma ocorrência a cada 44 horas, mesmo fora do período eleitoral. O número representa aumento de 18,4% em relação ao período pré-eleitoral anterior. Em 2025, foram registrados 225 casos, o maior número em dez anos de pesquisa. Pessoas com mandatos ou cargos públicos foram vítimas em 96,3% dos episódios. A política municipal concentrou 63% dos casos e a maioria dos ataques letais. Dos 28 ataques com intenção letal, 24 atingiram agentes políticos locais. As mulheres representaram 50,6% das vítimas, embora ocupem 18% das cadeiras legislativas. Ameaças e ofensas foram os tipos de violência mais frequentes no período. Mulheres negras sofreram 22,8% dos episódios e mais da metade das agressões repetidas. O Estado apareceu como agressor em 29,9% dos casos, segundo o estudo. Apesar de 84,5% das ocorrências terem sido denunciadas, apenas 2,5% geraram punição.
CONDENADA A EXECUÇÃO NÃO PERDEU A CONSCIÊNCIA
Christa Pike, condenada por assassinato em 1995, sobreviveu à tentativa de execução no Tennessee. Segundo seus advogados, ela continuava respirando após receber duas seringas com drogas letais. Testemunhas relataram que Pike ainda tinha batimentos cardíacos e não havia perdido a consciência. Ela foi levada a um hospital próximo para receber atendimento médico. A execução ocorreu após a Suprema Corte dos EUA autorizar sua realização. Horas antes, um tribunal inferior havia suspendido temporariamente o procedimento. A defesa alegou falhas no protocolo, incluindo problemas nas veias e possível deterioração do medicamento. O governador Bill Lee suspendeu outra execução e determinou uma revisão independente do caso. Pike, de 50 anos, seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. O caso provocou novos debates judiciais sobre a pena de morte e os procedimentos de execução.
EUA REPASSAM VALOES PARA POLÍTICA NO BRASIL
A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu investigação sobre eventual uso de dinheiro público dos EUA no Brasil. O pedido foi encaminhado à Polícia Federal e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A iniciativa tem como base reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian. Segundo a matéria, o Departamento de Estado dos EUA teria repassado US$ 1 milhão. Os recursos teriam beneficiado entidades e grupos que atuam no território brasileiro. A verba seria destinada a ações contra supostos excessos judiciais e práticas de censura. Entre os alvos dessas mobilizações estaria o Supremo Tribunal Federal (STF). A AGU afirmou que os recursos poderiam financiar grupos voltados à desestabilização institucional. Os repasses teriam ocorrido por meio do Human Rights and Democracy Fund (HRDF). O dinheiro estaria ligado ao programa “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”. O programa teria como objetivo combater supostos abusos judiciais e práticas de censura. A AGU pediu apuração imediata dos fatos e destacou a gravidade das informações divulgadas.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO MANTEVE A 2ª POSIÇÃO NA A. LATINA
A Universidade de São Paulo (USP) manteve a 2ª posição entre as melhores universidades da América Latina. O ranking é elaborado pela QS Quacquarelli Symonds e foi divulgado nesta quinta-feira (1º). A Pontificia Universidad Católica de Chile permaneceu na liderança regional. O Brasil é o país com maior presença entre as dez melhores universidades. Além da USP, Unicamp, UFRJ e Unesp ocupam, respectivamente, o 3º, 5º e 6º lugares. A USP lidera em indicadores como rede internacional de pesquisa e artigos por docente. A universidade também se destacou pelo impacto na web e obteve nota máxima em reputação. O ranking avaliou 517 instituições de 27 países da América Latina. O Brasil teve 137 universidades classificadas, à frente de Colômbia e México. Quatro instituições brasileiras estão entre as dez melhores e 12 entre as 50. Apesar do destaque, 50 universidades brasileiras caíram no ranking, contra 24 que avançaram. A USP também se destacou mundialmente, ficando em 141º no THE e entre 101º e 150º no ARWU.
HONORÁRIOS PARA ADVOGADOS NO TST
Negociação mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho encerrou impasse de mais de 20 anos no BNDES. O acordo reconhece que honorários de sucumbência pertencem aos advogados empregados da instituição. Ao BNDES caberá apenas arrecadar os valores destinados aos profissionais. O entendimento considera que esses recursos não constituem verba pública. O acordo coletivo foi assinado em 29 de setembro, sob supervisão do ministro Caputo Bastos. O Ministério Público do Trabalho também participou das negociações. A Federação Nacional dos Advogados conduziu as tratativas com o Sistema BNDES. Mais de 600 advogados serão beneficiados, incluindo aposentados e descendentes de profissionais. O fundo será formado por valores arrecadados desde 2003 e ainda não distribuídos. O acordo prevê pagamentos referentes aos honorários até 2023. Para os próximos anos, foram definidas regras de arrecadação e distribuição dos recursos. Cada advogado terá limite anual de R$ 21 mil, atualizado pelo IPCA.
Salvador, 1º de outubro de 2026.
Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.