Pesquisar este blog

terça-feira, 12 de maio de 2026

UNIÃO EUROPEIA IMPÕE SANÇÕES A COLONOS ISRAELENSES


A União Europeia anunciou ontem, 11, sanções contra colonos israelenses na Cisjordânia, encerrando um impasse que travava a medida havia meses no bloco europeu. 
A resistência vinha do governo do húngaro Viktor Orbán, aliado de Binyamin Netanyahu. Orbán foi derrotado nas eleições por Péter Magyar, empossado no sábado (9) com promessas de reaproximar a Hungria da Europa. A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou que “extremismos e violência têm consequência” e disse que as sanções também atingirão integrantes do Hamas. Os nomes dos alvos ainda não foram divulgados. Israel reagiu com críticas duras. O gabinete de Netanyahu acusou a União Europeia de criar uma “falsa simetria” entre cidadãos israelenses e terroristas do Hamas. O governo israelense citou declaração do premiê alemão Friedrich Merz, que em 2025 afirmou que Israel fazia o “trabalho sujo” do Ocidente ao enfrentar o Irã. A disputa envolve a ocupação israelense da Cisjordânia, território palestino reconhecido pela maior parte da comunidade internacional.

Israel chama a região de Judeia e Samaria e defende o direito de judeus viverem ali. Já a comunidade internacional considera ilegais grande parte dos assentamentos judeus. Após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel passou a controlar a Cisjordânia. Os Acordos de Oslo, em 1993, dividiram o território em áreas sob controle palestino, compartilhado e israelense. Na área controlada por Israel concentram-se os assentamentos judaicos, muitos deles construídos em terras palestinas. Colonos radicais frequentemente são acusados de ataques contra palestinos, cenário agravado após a guerra em Gaza. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, afirmou que os assentamentos continuarão a crescer e chamou a UE de “união antissemita”. Segundo a ONU, entre janeiro de 2025 e março de 2026, 273 palestinos morreram na Cisjordânia em conflitos com colonos ou forças israelenses. Do lado israelense, foram 17 mortos no mesmo período. 

BRASILEIRO TROCA PORTUGAL PELA ESPANHA


O brasileiro Paulo Geronimo espera ser beneficiado pela regularização extraordinária iniciada pela Espanha em abril, destinada a legalizar milhares de imigrantes. Após sete anos em Portugal, ele se mudou com a família para o país vizinho em 2025, atraído por salários maiores e por um ambiente considerado menos hostil aos brasileiros. 
Paulo afirma que, apesar de ter regularizado sua situação em Portugal, passou a enfrentar episódios de xenofobia. Na Espanha, conseguiu promessa de contrato como caminhoneiro e desenvolve um aplicativo para conectar motoristas e empresas. O caso reflete uma tendência crescente. Com discurso mais favorável à imigração, crescimento econômico acima da média europeia e políticas de integração, a Espanha vem atraindo brasileiros que antes escolhiam Portugal. Nos grupos de WhatsApp de brasileiros, aumentaram as dúvidas sobre mudança para a Espanha, especialmente nas regiões de fronteira. O movimento inclui tanto imigrantes irregulares quanto regularizados. A professora aposentada Mônica Rovaris deixou o norte de Portugal rumo à Galícia. Ela relata piora no atendimento aos imigrantes e aumento da hostilidade no país. Segundo ela, o marido aguardava havia dois anos a renovação do visto.

Dados do Consulado do Brasil em Madri indicam que a comunidade brasileira na Espanha chegou a 195 mil pessoas em 2025, ante 156 mil em 2022. Só no último trimestre, 6,3 mil brasileiros migraram para o país. A regularização espanhola vale apenas para quem já vivia no país até dezembro de 2025. Ainda assim, o interesse cresce diante do endurecimento das regras migratórias em Portugal. Neste ano, Portugal aprovou mudanças na Lei de Estrangeiros, restringindo a regularização de turistas e endurecendo o reagrupamento familiar. Também ampliou de cinco para sete anos o prazo para brasileiros pedirem nacionalidade. Especialistas apontam ainda aumento da discriminação contra imigrantes. Pesquisa recente mostrou que 51% dos portugueses defendem reduzir a imigração brasileira. Na Espanha, o governo de Pedro Sánchez defende a imigração como solução para a falta de mão de obra e o envelhecimento populacional. Em 2025, o PIB espanhol cresceu 2,8%, acima de Portugal, Alemanha e França. O salário mínimo espanhol também supera o português: 1.221 euros contra 920 euros mensais, ambos pagos em 14 parcelas anuais. A expectativa oficial é regularizar cerca de 500 mil imigrantes, principalmente latino-americanos. Estudos sobre a regularização de 2005 indicam aumento da arrecadação e do emprego formal, sem forte pressão sobre serviços públicos. Apesar das tensões, pesquisas mostram que a imigração gera menos polarização na Espanha do que em Portugal. Especialistas avaliam que, no longo prazo, a Europa continuará dependente de trabalhadores estrangeiros para sustentar sua economia. 

PENDURICALHOS NA JUSTIÇA EM MINAS GERAIS


Mais de um terço dos magistrados do
 Tribunal de Justiça de Minas Gerais recebeu neste mês acima do teto fixado pelo Supremo Tribunal Federal para conter os chamados “penduricalhos”.
Levantamento do Estado de Minas identificou 576 juízes e desembargadores com vencimentos superiores ao limite de R$ 78,8 mil. Juntos, receberam R$ 50,2 milhões, sendo R$ 4,8 milhões acima do permitido. O STF consolidou entendimento de que verbas indenizatórias criadas por decisões administrativas ou leis estaduais são inconstitucionais. A Corte autorizou apenas adicionais por tempo de serviço, diárias, ajuda de custo, férias não gozadas e acúmulo de jurisdição. Com base nesse cálculo, o teto máximo chegou a R$ 78.822,32. Mesmo assim, 139 desembargadores e 437 juízes do TJMG ultrapassaram o limite.

O maior pagamento líquido identificado foi de R$ 101.977,21, valor 29,3% acima do teto, pago a um juiz e a um desembargador em Belo Horizonte. Outros 330 magistrados receberam entre R$ 80 mil e R$ 89,9 mil. Já 216 tiveram ganhos entre R$ 90,1 mil e R$ 95,8 mil. Apesar das irregularidades, houve redução em relação a abril, quando 673 magistrados receberam acima do teto e os pagamentos somaram R$ 77,2 milhões. Naquele mês, o maior contracheque chegou a R$ 132,7 mil. O STF voltou a reforçar a proibição de criar gratificações e vantagens para driblar o teto constitucional. Ministros como Flávio Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin apontaram tentativas de burlar as regras com novas funções e benefícios. Entre os auxílios vetados estão auxílio-creche, auxílio-moradia e indenizações por acervo elevado. O Supremo também determinou maior transparência nos contracheques e alertou que gestores podem responder administrativa e penalmente por pagamentos irregulares. 

BOLSONARO PEDE ANULAÇÃO DE CONDENAÇÃO


O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, foi sorteado relator do pedido de revisão criminal apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa pede a anulação da condenação imposta pela Primeira Turma da Corte. 
Os advogados alegam irregularidades no julgamento que condenou Bolsonaro a 27 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado. Segundo a defesa, o caso deveria ter sido analisado pelo plenário do STF, e não pela Primeira Turma. O processo também pede o sorteio de um novo relator, sob argumento de imparcialidade, já que a ação penal foi conduzida pelo ministro Alexandre de MoraesA revisão criminal não tem relação com o chamado PL da Dosimetria, proposta que prevê redução de penas para envolvidos nos atos antidemocráticos.

No pedido, os defensores afirmam que houve “vício de incompetência orgânica absoluta”, o que, segundo eles, comprometeria todos os atos posteriores do processo. A defesa também solicita a suspensão da delação de Mauro Cid, além da desconsideração de documentos e depoimentos apresentados por ele. A revisão criminal só pode ser apresentada após o esgotamento de todos os recursos judiciais. O sorteio ocorreu entre ministros da Segunda Turma, já que integrantes da Primeira Turma ficaram impedidos de participar. Cabe agora a Nunes Marques decidir se aceita ou não o pedido. Caso considere a solicitação válida, poderá encaminhar o caso ao plenário do STF. O Ministério Público também deverá se manifestar sobre o processo. 

MINISTRO CONVIDA PARA POSSE BOLSONARO E COLLOR


A posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, marcada para hoje, ganhou forte repercussão política após o convite protocolar a todos os ex-presidentes da República, incluindo Jair Bolsonaro e Fernando Collor de Mello
O gesto, visto oficialmente como tradição republicana, provocou desconforto entre ministros do Supremo Tribunal Federal e reacendeu tensões políticas ligadas aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Nos bastidores do STF, integrantes da Corte interpretaram a iniciativa como sinal de mudança na condução da Justiça Eleitoral, sobretudo por envolver Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe e atualmente em prisão domiciliar. A eventual presença do ex-presidente dependeria de autorização do ministro Alexandre de Moraes, relator das ações relacionadas à tentativa de ruptura institucional. O episódio também fortaleceu a mobilização da oposição no Congresso. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, retomou a defesa de uma PEC que prevê anistia ampla aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro. A proposta beneficia acusados por crimes como golpe de Estado, associação criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, podendo alcançar o próprio Bolsonaro.

Ministros do STF veem a ofensiva parlamentar como tentativa de deslegitimar decisões da Corte e transformar condenados em vítimas políticas. Indicado ao STF por Bolsonaro em 2020, Nunes Marques construiu perfil discreto, conservador e frequentemente alinhado a pautas defendidas pelo ex-presidente. Ao lado do ministro André Mendonça, também indicado por Bolsonaro, ele reforça a percepção de uma gestão no TSE menos alinhada à linha adotada nos últimos anos por Moraes e Cármen LúciaDentro do Supremo, o convite a Bolsonaro e Collor foi interpretado como um gesto político de “normalização” institucional de condenados pela Justiça. O histórico de confrontos entre Bolsonaro e Moraes amplia o simbolismo da posse, transformando a cerimônia em mais um capítulo da disputa entre bolsonarismo e STF. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 12/05/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Oposição abre novo embate com STF para beneficiar golpistas

Em reação à determinação de Moraes de suspender a Lei da Dosimetria, parlamentares retomam a PEC da Anistia e aumentam pressão para votar texto que limita decisões monocráticas de ministros. Dino defende o mecanismo usado pela Corte, e Fachin prega resiliência a juízes

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Exploração do sinal de internet por traficantes e milicianos já alcança 37 municípios do Estado do Rio

Prática surgiu em territórios de grupos paramilitares, mas não demorou a ser copiada, em maior escala, pelo Comando Vermelho (CV). Lucrativo, negócio avançou pelo asfalto e pelo interior

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Kassio assume TSE após aproximação com governo Lula e sob desconfiança de aliados de Bolsonaro

Lideranças do PL afirmam que perfil apaziguador do ministro pode dificultar decisões favoráveis ao grupo Petistas veem alinhamento do magistrado à direita, mas avaliam haver espaço para neutralidade

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

‘Comum acordo’: advogados abandonam defesa do senador Ciro Nogueira

A informação foi divulgada pelo escritório Almeida Castro, Castro e Turbay ontem.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Trump considera trégua no Oriente Médio em estado crítico, e Irã mantém o tom de desafio

Presidente dos EUA avalia reiniciar operação de escolta de navios no Estreito de Ormuz

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Montenegro ainda procura quem possa aprovar o Pacote Laboral

Alterações que não convenceram parceiros sociais podem ir a Conselho de Ministros nesta semana. Segue-se a difícil aprovação parlamentar, com André Ventura a querer misturar esse tema com outros.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

RADAR JUDICIAL


LIMINAR MANDA DERRUBAR MURO QUE IMPEDIA ACESSO À PRAIA

O Tribunal de Justiça da Bahia, através de decisão datada de 5 do corrente mês, da desembargadora Marielza Maués Pinheiro Lima, concedeu liminar determinou derrubada de um muro metálico que impedia acesso de moradores à praia de Jacuípe, em Camaçari. O pedido foi formulado pela Assoicação de Moradores do Condomínio Aldeias do Jacuípe e coube a empresa Patrimonial PP Ltda construir a barreira, em área de preservação ambiental, isolando um condomínio que contém 320 casas. A decisão da magistrada modificou decisão da juíza Marina Rodamilans da Silva, da 3ª Vara de Camaçari, responsável pela negação do pedido, sob fundmaento de que o condomínio não comprovou a ineexistência de acessos alternativos à praia.    

AÇÕES ABUSIVAS NOS EUA

O estado do Missouri aprovou uma lei contra ações abusivas sobre acessibilidade digital, tornando-se o terceiro estado americano a adotar medida semelhante. As ações são movidas por pessoas que alegam barreiras em sites e aplicativos, pedindo indenizações a pequenas empresas, ONGs e órgãos públicos. Somente em 2025, mais de 5 mil processos desse tipo foram registrados em alguns estados dos EUA. No Missouri, um único autor cego ajuizou 151 ações em dois anos. As entidades processadas costumam aceitar acordos rápidos para evitar altos custos judiciais. A nova lei cria um prazo de 90 dias para correção das falhas antes que haja processo. Se a organização demonstrar esforço “de boa-fé” para corrigir os problemas, a Justiça poderá considerar a ação “provavelmente abusiva”. A legislação também permite que as rés processem autores de ações consideradas predatórias. Utah e Kansas já aprovaram leis semelhantes, enquanto a Geórgia discute proposta parecida. As ações citam problemas como falta de leitores de tela, legendas, navegação por teclado e contraste adequado. As diretrizes WCAG são usadas como referência técnica para acessibilidade digital nos EUA. O Departamento de Justiça americano prorrogou por um ano os prazos de adequação para governos locais e estaduais.

ECONOMIA DA VENEZUELA COMEÇA A MELHORAR

Após 19 trimestres de crescimento moderado, a economia da Venezuela dá sinais de recuperação, com expansão estimada em 12% neste ano. O principal motor é o petróleo: a produção ultrapassou 1 milhão de barris por dia, impulsionada por parcerias com empresas estrangeiras como Chevron, Repsol e Eni. Desde a prisão de Nicolás Maduro, as exportações para os EUA cresceram 192%, fortalecendo a entrada de dólares no país. A presidente interina Delcy Rodríguez aposta na ampliação da produção e em reformas para atrair investidores. O setor da construção também mostra reação, com aumento de 14% na produção de cimento e retomada de contratações na indústria petrolífera. Apesar disso, especialistas avaliam que a melhora ainda depende fortemente do petróleo e não representa uma transformação estrutural. A inflação segue elevada, acima de 475% em 2025, embora a previsão seja de desaceleração. O governo aprovou mudanças na legislação de hidrocarbonetos e mineração, reduzindo royalties e ampliando concessões para estimular investimentos externos. Analistas defendem reformas mais profundas, como segurança jurídica, estabilidade fiscal e independência do Banco Central. Sem essas medidas, a recuperação pode ser apenas temporária e sujeita às oscilações do mercado petrolífero.

ADVOGADOS DO SENADOR DEIXAM O CASO

Os advogados do senador Ciro Nogueira anunciaram nesta segunda-feira (11) sua saída da defesa no caso envolvendo o Banco Master. Segundo nota do escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados, a decisão foi tomada em comum acordo com o parlamentar. A nova equipe de defesa deve ser anunciada ainda hoje. Deixam o caso os advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho e Álvaro Chaves. Eles atuavam na investigação ligada à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A apuração investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político. A PF apura a relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, ligado ao grupo econômico do Banco Master. Segundo os investigadores, Vorcaro teria concedido vantagens econômicas ao senador. Em troca, Ciro Nogueira atuaria para favorecer interesses do grupo financeiro. O parlamentar é suspeito de usar sua influência política em benefício da instituição.

POLÍCIA INVESTIGA DESEMBARGADOR DESAPARECIDO

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) acompanha as investigações sobre o desaparecimento do desembargador Alcides Martins Ribeiro Filho, visto pela última vez em 14 de abril. O caso é investigado sob sigilo pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA). Segundo o jornal O Globo, o desaparecimento foi comunicado apenas em 27 de abril. A polícia informou que novas diligências serão realizadas nos próximos dias. Na última vez em que foi visto, o magistrado sacou R$ 1 mil e entrou em um táxi com destino à Vista Chinesa, mirante localizado na Floresta da TijucaDesde então, não houve mais notícias sobre o paradeiro dele. O desaparecimento é tratado com preocupação pelo TRF-2, que informou manter contato permanente com os investigadores e prestar apoio psicológico aos familiares do desembargador.

Salvador, 11 de maio de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

 

 



MULTA DE R$ 1,04 BILHÃO, A SER PAGA PELA FAST SHOP


O governo de Tarcísio de Freitas aplicou multa de R$ 1,04 bilhão à Fast Shop por fraude tributária e pagamento de propina a um auditor da Secretaria da Fazenda de São Paulo. Segundo a investigação, a empresa teria pago R$ 422 milhões em vantagens indevidas para obter restituições irregulares de créditos de ICMS. 
O esquema foi revelado na Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo em agosto do ano passado. Após a operação, a Controladoria-Geral do Estado instaurou um Processo Administrativo de Responsabilização que resultou na punição publicada no Diário Oficial nesta segunda-feira, 11. De acordo com o controlador-geral do Estado, Rodrigo Fontenelle, esta é a maior multa já aplicada no Brasil com base na Lei Anticorrupção. Segundo ele, entre 2021 e 2025 a empresa recebeu quase R$ 1,6 bilhão em ressarcimentos de ICMS, dos quais R$ 1,04 bilhão seriam indevidos. As investigações apontam que o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto teria operado o esquema por meio da empresa Smart Tax. Ele prometia facilitar processos tributários e proteger empresas de fiscalizações, usando informações privilegiadas e acesso irregular aos sistemas da Receita Estadual.

Segundo a CGE, a Fast Shop sabia da utilização dessas informações sigilosas. O MP-SP denunciou o auditor, a mãe dele — apontada como laranja — e outras cinco pessoas envolvidas. Dois sócios e um diretor executivo da Fast Shop firmaram acordo de não persecução penal com o Ministério Público. Eles confessaram o pagamento de propinas e aceitaram pagar multas individuais que somam cerca de R$ 100 milhões. A empresa poderá recorrer da decisão, mas terá 30 dias para quitar a multa integralmente, sem possibilidade de parcelamento. Também deverá divulgar a condenação em jornal de grande circulação. O governo paulista afirma que já demitiu cinco servidores e exonerou outro envolvido no esquema. Outros 61 procedimentos administrativos seguem em andamento. A gestão estadual informou ainda que adotou medidas para evitar novos casos, como reforço na fiscalização, redução de produtos sujeitos ao regime de substituição tributária e contratação de 200 novos auditores para a Controladoria-Geral do Estado. 

CABEDELO, NA PARAÍBA, É MONITORADA PELO COMANDO VERMELHO

A cidade de Cabedelo, na Paraíba, passou a ser monitorada à distância por integrantes do Comando Vermelho instalados no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Investigações da


Polícia Federal e do Ministério Público apontam que a facção se infiltrou em áreas estratégicas da prefeitura e passou a controlar parte da rotina da população. 
Mais de dez operações já foram realizadas para combater corrupção e crime organizado na cidade de cerca de 60 mil habitantes. Segundo autoridades, Cabedelo vive um “colapso institucional”, marcado por medo, ausência de serviços públicos e domínio territorial de criminosos. Áudios e vídeos obtidos nas investigações mostram integrantes da facção monitorando ruas por meio de cerca de 30 câmeras clandestinas, apelidadas de “besouros”. O esquema permitia acompanhar a movimentação da polícia e de rivais em tempo real. O principal nome citado é Flávio de Lima Monteiro, o Fatoka, apontado como líder da Tropa do Amigão, braço do Comando Vermelho no Nordeste. Foragido desde 2022, ele fugiu após romper a tornozeleira eletrônica no mesmo dia em que recebeu liberdade judicial. Mesmo escondido no Complexo do Alemão, Fatoka continuaria comandando ações criminosas na Paraíba, incluindo planos de expansão para bairros de João Pessoa. Segundo investigadores, o grupo realiza “ponteamento”, prática de mapear territórios e eliminar rivais.

Moradores vivem sob ameaça constante. Vídeos mostram homens armados circulando pelas ruas e efetuando disparos em áreas residenciais. Em um dos casos, um morador teve o carro atingido por tiros e fez um apelo para que inocentes fossem poupados. As investigações também revelam infiltração da facção na Prefeitura de Cabedelo. Os últimos quatro prefeitos foram alvo de apurações por suspeitas de corrupção, loteamento de cargos e desvio de recursos públicos. O esquema envolveria a empresa Lemon Terceirização e Serviços Ltda., usada para empregar indicados da facção, manter funcionários fantasmas e desviar verbas públicas. O prejuízo estimado aos cofres municipais chega a R$ 270 milhões. Segundo depoimentos, pessoas ligadas a Fatoka tinham contratações garantidas na prefeitura e na Câmara Municipal. Em troca, a facção oferecia proteção armada a gestores em áreas dominadas pelo crime. Enquanto isso, serviços públicos ficaram abandonados, com equipamentos de saúde e espaços esportivos deteriorados. A atual gestão afirma que pretende anular contratos suspeitos sem interromper serviços essenciais. A defesa de Fatoka nega envolvimento nos crimes e afirma que não há provas contra ele. Ex-prefeitos investigados também negam qualquer ligação com organizações criminosas 

MINISTRA SUSPENDE DECISÃO DE MORAES


A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia, cancelou uma multa que poderia chegar a R$ 600 mil aplicada pelo ministro Alexandre de Moraes contra a dona de um perfil no X por suposta desinformação eleitoral. Segundo a ministra, a cobrança foi indevida. A penalidade havia sido imposta em junho de 2023 e anulada em decisão publicada em junho de 2025, após pedido de Rita de Cássia Serrão. Em novembro de 2022, Moraes suspendeu o perfil dela e de outros usuários por publicações consideradas desinformativas sobre o processo eleitoral, em meio aos atos de contestação do resultado da eleição presidencial. Em janeiro seguinte, o ministro determinou a reativação das contas e fixou multa diária de R$ 20 mil em caso de reincidência. Porém, os usuários não foram notificados da medida, já que as ordens haviam sido direcionadas apenas às plataformas. Meses depois, após monitoramento da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, Moraes entendeu que houve descumprimento da decisão e aplicou a multa referente a quase um mês de publicações, intimando os usuários apenas depois.

Ao analisar o caso, Cármen Lúcia acompanhou entendimento do Ministério Público Eleitoral e afastou a cobrança. Segundo ela, não houve intimação prévia da decisão nem identificação de publicações com desinformação ou apologia a atos antidemocráticos. A ministra destacou ainda que relatório da assessoria do TSE não encontrou conteúdos desinformativos em amostra das postagens de Rita durante o período da cobrança. O caso transitou em julgado em fevereiro deste ano. A controvérsia reacendeu debates sobre a atuação do TSE fora do período eleitoral, além da falta de transparência em processos ligados ao combate à desinformação nas eleições de 2022. 

CIENTISTA POLÍTICO DIZ QUE TRUMP PODERÁ SER TRAÍDO


O cientista político alemão Marcel Dirsus afirma que Donald Trump pode acabar traído pelos próprios aliados quando deixar de ser eleitoralmente útil. Autor do livro Como os Tiranos Caem, recém-lançado no Brasil, ele diz que líderes autoritários criam ambientes de medo e bajulação que os afastam da realidade. Segundo Dirsus, Trump se cerca de pessoas que apenas reforçam seu ego, o que aumenta a chance de erros políticos e econômicos. Para ele, guerras, tarifas e inflação podem desgastar o presidente e levar republicanos influentes a abandoná-lo. “As reuniões de gabinete de Trump têm uma vibe norte-coreana”, afirma o pesquisador, comparando o ambiente da Casa Branca ao de regimes autoritários. Ele diz que congressistas apoiam Trump mais por conveniência do que por convicção. O cientista político sustenta que líderes democráticos, apesar de imperfeitos, precisam entregar resultados aos eleitores para permanecer no poder, ao contrário de ditadores, que dependem do controle e da repressão. Dirsus também comentou a derrota de Viktor Orbán nas eleições da Hungria. Para ele, o caso mostra que democracias ainda conseguem derrotar governos autoritários, mesmo após tentativas de enfraquecer instituições.

O autor afirma ainda que regimes autoritários costumam enfrentar crises internas porque relações políticas são baseadas em interesses momentâneos e não em valores duradouros. Ao analisar China, Irã e Venezuela, ele argumenta que ditaduras frequentemente fragmentam forças militares e serviços de inteligência para evitar golpes internos, mas isso enfraquece o próprio Estado. Dirsus também alerta para o uso de tecnologia e inteligência artificial por regimes autoritários. Segundo ele, ferramentas digitais hoje favorecem mais ditadores do que opositores, ampliando vigilância e repressão. Nascido em Hamburgo, Dirsus tem doutorado pela Universidade de Kiel, mestrado em Oxford e atua na Fundação Konrad Adenauer em temas ligados a terrorismo e segurança internacional. 

"PRECISAMOS REAPRENDER A ENVELHECER"


“Precisamos reaprender a envelhecer.” 
A frase da servidora pública Cristina Segatto, 67 anos, resume a transformação vivida no Distrito Federal, onde a população idosa cresce e impulsiona a chamada economia prateada — conjunto de produtos, serviços e atividades voltados aos maiores de 60 anos. 
No DF, esse público reúne alta escolaridade, renda acima da média nacional e forte presença digital, segundo dados do IBGE. Hoje, 13,9% dos 2,9 milhões de moradores da capital são idosos, e projeções da UnB indicam que, em 2040, um em cada quatro habitantes terá mais de 60 anos. A nova série do Correio, “Moderno é envelhecer”, mostra como esse envelhecimento redefine Brasília. A primeira reportagem destaca o idoso como motor econômico essencial, movimentando setores como saúde, turismo, educação continuada e bem-estar. Cristina Segatto, epidemiologista da Secretaria de Saúde do DF, segue ativa no mercado e utiliza inteligência artificial para organizar aulas e documentos. Ela também usa tecnologia para lazer e convivência com os netos. Segundo a professora da UnB Diana Vaz de Lima, muitos aposentados abrem consultorias e negócios próprios, aproveitando a experiência acumulada ao longo da vida. Dados do Sebrae apontam que quase 40 mil idosos empreendem no DF, principalmente no setor de serviços. Um exemplo é Isabel Di Pilla, 70 anos, dona de uma academia de jiu-jitsu em Sobradinho II. Campeã mundial master em Las Vegas em 2025, ela afirma: “Se eu desacelerar, morro”. Planeja abrir novas unidades nos próximos anos.

A busca por novos conhecimentos também marca essa geração. Terezinha da Silva, 66 anos, começou o curso de jornalismo na UnB após se aposentar como cuidadora de idosos. Seu sonho é cobrir o Congresso Nacional. “Ainda tenho potencial”, afirma. O consumo da população idosa também cresce, especialmente em saúde, alimentação, moradia e transporte. Projeções indicam que, em 2034, os idosos responderão por 43% dos gastos em saúde no Brasil. Apesar do cenário promissor, cresce também a inadimplência. Em março de 2026, o DF registrou mais de 283 mil idosos negativados, segundo a Serasa. Especialistas alertam para a importância do equilíbrio financeiro.