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domingo, 10 de maio de 2026

GERENTES DA ELETROBRAS RECLAMAM ASSÉDIO MORAL


A 7ª turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou a Eletrobras, atualmente Axia Energia, a indenizar gerentes ofendidos pelo então presidente da companhia durante reunião sindical realizada em junho de 2017. 
O colegiado reconheceu a prática de assédio moral e fixou indenização individual de R$ 3,7 mil para cada gerente com contrato ativo à época, além de dano moral coletivo de R$ 125 mil. As declarações ocorreram em encontro entre a direção da empresa e o Coletivo Nacional dos Eletricitários, que discutia reestruturação da estatal, cortes de postos de trabalho e mudanças em direitos trabalhistas. Segundo as entidades sindicais, o então presidente chamou gerentes de “inúteis”, “vagabundos” e “safados”. Áudio anexado ao processo registrou afirmações de que havia “muito mais gerente do que devia” e “um monte de safados” na empresa. Os sindicatos alegaram que a divulgação nacional do conteúdo atingiu a honra e a reputação dos empregados. Na defesa, a empresa afirmou que o dirigente atuava sob forte pressão para implementar medidas emergenciais determinadas pelo Ministério de Minas e Energia e sustentou que o ambiente das negociações era marcado por tensão constante. 

A Eletrobras também argumentou que as críticas se dirigiam apenas a parte do corpo gerencial e ressaltou que não foi responsável pela gravação nem pela divulgação do áudio. Em 1ª instância e no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, o pedido de indenização foi rejeitado. O entendimento foi de que a empresa não poderia ser confundida com a figura de seu presidente e que houve retratação posterior às declarações. Ao julgar o recurso, o ministro Cláudio Brandão afirmou que submeter empregados a situações vexatórias, mesmo em reunião fechada, caracteriza assédio moral. O magistrado ponderou, contudo, que a repercussão pública das falas ocorreu após divulgação do áudio pelos próprios sindicatos. Por isso, a condenação foi limitada aos empregados que exerciam cargos de gerência e tinham contrato vigente em junho de 2017. A indenização coletiva de R$ 125 mil será destinada a órgão público ou entidade de educação ou profissionalização indicada pelo Ministério Público do Trabalho. 

ENTIDADES DA MAGISTRATURA REPUDIAM CHARGE DA FOLHA


O CNJ, a Associação dos Magistrados Brasileiros e a Associação dos Juízes Federais do Brasil divulgaram notas de repúdio contra charge publicada pela Folha de S.Paulo ontem, 9, que ironizava a remuneração da magistratura com a imagem de uma lápide. 
A reação ocorreu poucos dias após a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, após complicações de procedimento ligado à fertilização in vitro. As entidades consideraram a publicação ofensiva e insensível diante do luto da categoria, especialmente às vésperas do Dia das Mães. O presidente do CNJ, ministro Luiz Edson Fachin, afirmou que a liberdade de imprensa e o direito à crítica são pilares da democracia, mas devem ser exercidos com prudência, responsabilidade e consciência ética em momentos de dor coletiva.

Segundo o Conselho, a “deslegitimação contínua da magistratura” compromete estruturas essenciais de proteção das liberdades constitucionais e da estabilidade republicana. A Ajufe classificou a charge como “grave e insensível”, acusando a publicação de banalizar a morte e ignorar o impacto emocional da perda da magistrada. Já a AMB afirmou que a imagem transformou a magistratura em alvo de “escárnio” e ressaltou que o debate público não pode perder sua dimensão humana. As entidades reiteraram solidariedade à família da juíza, defenderam respeito institucional e afirmaram que críticas à magistratura são legítimas, mas não podem ultrapassar limites éticos e humanitários. 

CUSTO REAL DO PETRÓLEO


Ninguém suporta mais notícias sobre desequilíbrio fiscal, gastança do Executivo, pautas-bomba no Congresso e penduricalhos do Judiciário. Mas pouco se fala do custo real do petróleo e da guerra no Irã. 
É mais fácil defender cortes em despesas sociais do que discutir subsídios aos combustíveis fósseis, que somam cifras trilionárias no mundo. Sem contar o custo da ação militar dos EUA e de Israel contra o Irã. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o planeta gastou US$ 916,3 bilhões em 2024 para apoiar combustíveis fósseis —um terço do PIB brasileiro. O Fundo Monetário Internacional calcula US$ 725 bilhões em subsídios explícitos. Incluindo custos indiretos, como poluição e eventos climáticos extremos, o valor sobe em US$ 6,7 trilhões. Perto disso, o subsídio ao diesel promovido pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva parece pequeno: R$ 30 bilhões. Ainda assim, pesa em um país com déficit nominal de R$ 1,2 trilhão. O texto critica também o sistema financeiro e os privilégios políticos, mas volta ao foco ambiental: os combustíveis fósseis e a crise climática.

Embora o Irã represente ameaça regional, o autor afirma que interesses ligados ao petróleo e ao controle do Estreito de Hormuz ajudam a explicar o apoio de Donald Trump à estratégia de Benjamin NetanyahuA guerra tende a frear a queda dos subsídios fósseis, que recuaram 11% entre 2023 e 2024. Só a operação militar “Fúria Épica” já teria custado US$ 25 bilhões, segundo o governo americano, podendo superar US$ 70 bilhões em estimativas independentes. O setor de Defesa dos EUA pediu orçamento de US$ 1,5 trilhão para 2027. O banco Goldman Sachs estima perda de 0,5% do PIB americano, enquanto o Nobel Joseph Stiglitz calcula prejuízo de US$ 3 trilhões. O artigo conclui que esses recursos poderiam ser investidos na transição energética e na redução da dependência de combustíveis fósseis. 

EX-PRESIDENTE SERÁ JULGADO POR TRÁFICO DE MENOR


Um tribunal da Bolívia convocou o ex-presidente Evo Morales para comparecer a julgamento a partir da próxima segunda-feira (11/5), acusado de tráfico de menor. A audiência, porém, pode ser frustrada após seus advogados afirmarem que não foram notificados oficialmente. 
Segundo a Promotoria, Morales teria mantido, em 2015, uma relação com uma adolescente de 15 anos, com quem teve uma filha durante seu último mandato presidencial. A acusação sustenta que os pais da jovem consentiram em troca de benefícios. O juiz Luis Ortiz Flores, autoridade judicial de Tarija, confirmou que a audiência está marcada para ocorrer presencialmente. Já o advogado Wilfredo Chávez afirmou que nem Morales nem sua defesa comparecerão por falta de notificação formal. De acordo com a defesa, a convocação foi feita por edital, e não enviada ao endereço do ex-presidente. Morales, de 66 anos, está refugiado desde outubro de 2024 na região do Chapare, seu reduto político, para evitar uma ordem de prisão.

Milhares de apoiadores camponeses mantêm vigília armada com lanças para impedir a entrada da polícia na área. Em janeiro de 2025, após faltar a uma audiência da fase de investigação, Morales foi declarado rebelde pela Justiça, condição que impede o arquivamento do processo enquanto ele não comparecer. A própria condição de rebelde, porém, pode suspender o início do julgamento. Segundo Ortiz, apenas casos de corrupção podem ser julgados sem a presença do acusado. A defesa de Morales argumenta que a Convenção Interamericana de Direitos Humanos garante ao acusado o direito de estar presente diante de seus juízes e exercer plenamente sua defesa. 

PERIGO DE DESABASTECIMENTO GLOBAL


A escalada dos conflitos no Oriente Médio e os bloqueios no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, reacenderam o temor de desabastecimento global e pressionaram os preços da energia. Nesse cenário, os biocombustíveis voltam ao centro da disputa geopolítica e o Brasil ganha protagonismo na transição energética baseada em biomassa. 
Estudo do Observatório de Bioeconomia da FGV, com apoio do Instituto Equilíbrio e da Agni, estima que os biocombustíveis podem adicionar até R$ 403,2 bilhões ao PIB brasileiro entre 2030 e 2035, gerar 225,5 mil empregos e evitar o desmatamento de 480 mil hectares no Cerrado e na Amazônia. A projeção considera a produção de 64 bilhões de litros de combustíveis renováveis, incluindo etanol de cana, milho, segunda geração e biodiesel. Segundo o pesquisador Cícero Lima, os biocombustíveis podem gerar retorno de R$ 62 para cada R$ 1 investido. Especialistas afirmam que a alta do petróleo e os riscos de desabastecimento ampliaram o peso estratégico da bioenergia. Além da questão ambiental, o debate passou a incluir soberania energética e segurança no fornecimento de fertilizantes e alimentos.

O economista Leandro Gillio, do Insper, aponta um paradoxo: enquanto o mundo defende a transição energética, governos ampliam subsídios aos combustíveis fósseis para conter a inflação. Os analistas comparam o momento aos choques do petróleo dos anos 1970, quando o Brasil criou o Proálcool. Segundo eles, o avanço da bioenergia pode ampliar em até 70% o setor, impulsionando transporte, agropecuária e indústria. O Brasil também é visto como competitivo na produção de SAF, combustível sustentável de aviação, além de biodiesel e diesel verde. Especialistas defendem que veículos híbridos movidos a etanol podem ter emissões equivalentes ou menores que carros elétricos europeus. O estudo da FGV estima redução de 27,6 milhões de toneladas de CO2 com a substituição de combustíveis fósseis. Para os especialistas, porém, o crescimento do setor dependerá de estabilidade regulatória, crédito e rastreabilidade ambiental. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 10/05/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Crise do petróleo acelera corrida por biocombustíveis

Conflitos no Oriente Médio e temor de desabastecimento recolocam o Brasil no centro da transição energética e ampliam apostas no etanol, biodiesel e SAF. Estudo aponta potencial de até R$ 403,2 bilhões ao PIB brasileiro entre 2030 e 2035

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

PF apura influência de Vorcaro em projetos no Congresso para beneficiar negócios que vão de energia a crédito de carbono 

Suspeita é que ex-banqueiro tenha atuado para modificar textos enquanto ainda eram discutidos

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Apreensão de cripto pela PF dispara, mas uso criminoso já supera bilhões de reais

Número é só fração dos valores movimentados com crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Receita Federal, PF e MP desmantelam esquema bilionário de fraude fiscal

Prejuízos aos cofres públicos por crimes tributários e lavagem de dinheiro são estimados em cerca de R$ 770 milhões, com envolvimento de consultorias, escritórios de advocacia e servidores públicos

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Moraes suspende Lei da Dosimetria até análise de inconstitucionalidade pelo plenário do STF

Na decisão, Moraes disse que a execução da pena "deverá prosseguir integralmente", com manutenção das medidas já impostas

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Teerão ameaça dificultar passagem por Ormuz a países que apliquem sanções dos EUA

Porta-voz do exército iraniano assegurou que o Irão exerce agora um controlo "fundamental e estratégico" sobre o estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos do mundo.

sábado, 9 de maio de 2026

RADAR JUDICIAL


BRASILEIRA SOFRE ATAQUE RACISTA NA ALEMANHA

A brasileira Ionara Sech denunciou ter sofrido ataque racista e xenofóbico no aeroporto de Frankfurt, na Alemanha. Cearense, ela vive no país há quase oito anos e estava com amigas brasileiras esperando familiares no local. Segundo Ionara, uma mulher alemã começou a fazer ofensas ao perceber que elas eram brasileiras. Em vídeo publicado nas redes sociais, a agressora faz comentários racistas e compara as brasileiras a “macacos”. As amigas Brisa Costa e Monique Mitchelly também afirmam ter sido alvo dos ataques. O grupo decidiu filmar a situação para reunir provas, ocultando o rosto da mulher por causa da legislação alemã. O vídeo viralizou e ultrapassou 800 mil visualizações no Instagram. Após o episódio, as brasileiras procuraram policiais no aeroporto, mas não encontraram agentes. A suspeita deixou o local antes de qualquer denúncia formal. Ionara afirmou que buscará apoio jurídico para levar o caso à polícia alemã. Ela relatou já ter sofrido xenofobia antes, mas nunca um ataque racista “tão público e explícito”.


EXPORTAÇÕES CRESCEM NO BRASIL

O Brasil bateu recorde nas exportações em abril de 2026, com vendas externas de US$ 34,1 bilhões, informou a Secex/MDIC nesta quinta-feira (7/5). As importações somaram US$ 23,6 bilhões, garantindo superávit comercial de US$ 10,5 bilhões. A corrente de comércio atingiu US$ 57,8 bilhões no mês. Na comparação com abril de 2025, as exportações cresceram 14,3%, enquanto as importações avançaram 6,2%. A corrente de comércio teve alta anual de 10,8%. De janeiro a abril de 2026, o país exportou US$ 116,6 bilhões e importou US$ 91,8 bilhões. O superávit acumulado no período chegou a US$ 24,8 bilhões. Entre os setores exportadores, a agropecuária cresceu 16,1%, a indústria extrativa 17,9% e a indústria de transformação 11,6%. Nas importações, a indústria de transformação avançou 7,4%, enquanto a agropecuária registrou queda de 25,8% nas compras externas. 


JK FOI ASSASSINADO

A Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) analisa relatório que conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto por ação do regime militar em 1976. O parecer, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, afirma que o carro de JK não sofreu um acidente comum na Via Dutra. Segundo a relatora, houve uma ação externa que tirou o veículo da pista antes da colisão com uma carreta. O documento, com mais de 5 mil páginas, contesta a versão oficial da ditadura militar. A narrativa do regime dizia que o Opala de JK foi atingido por um ônibus durante uma ultrapassagem. Para a historiadora, não há provas dessa primeira colisão. Investigações posteriores, incluindo inquérito do Ministério Público Federal entre 2013 e 2019, apontaram inconsistências na versão oficial. O MPF concluiu que o carro não bateu no ônibus antes da colisão fatal, mas não descartou atentado. Comissões da Verdade de São Paulo e Minas Gerais também indicaram possível ação política contra JK. O relatório ainda será analisado pelos conselheiros da CEMDP, criada em 1995 no governo Fernando Henrique CardosoJK governou o Brasil entre 1956 e 1961 e ficou marcado pela construção de BrasíliaA morte do ex-presidente, ocorrida em 22 de agosto de 1976, nunca foi totalmente esclarecida.

SENADOR ABANDONA CIRO

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou ontem, 8, em entrevista à CNN Brasil, que as acusações contra Ciro Nogueira são “graves” e descartou o parlamentar como possível vice em sua chapa. Ciro é alvo de operação da Polícia Federal por suposto recebimento de propinas de Daniel Vorcaro para favorecer o Banco Master. Flávio disse preferir uma mulher como vice e afirmou buscar alguém “com experiência” para fortalecer o projeto político do PL. Segundo ele, a citação do nome de Ciro como vice foi apenas uma “cortesia” política. O senador também comentou que o caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, e afirmou que o senador terá direito à defesa. Flávio cumpre agenda de pré-campanha em Florianópolis e reforçou apoio às candidaturas do PL no estado, incluindo Jorginho Mello, Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni.

REDE DE TV "ABC" ACUSA COMISSÃO FEDERAL  

A rede de TV americana ABC acusou a Comissão Federal de Comunicações dos EUA de violar a liberdade de expressão ao tentar punir conteúdos políticos críticos ao governo de Donald TrumpEm documento divulgado ontem, 8, a emissora afirmou que a agência reguladora criou um “efeito inibidor” sobre a imprensa. A disputa envolve o programa The View, alvo de questionamentos da FCC sobre regras de “tempo igual” para candidatos políticos. A emissora argumenta que o programa já recebeu isenção oficial em 2002 e que a medida atual é “sem precedentes”. O texto foi assinado pelo advogado Paul Clement, ex-procurador-geral do governo George W. BushA ABC também acusou a FCC de perseguir programas críticos a Trump, enquanto poupa comunicadores conservadores como Glenn Beck e Mark LevinO presidente da FCC, Brendan Carr, intensificou investigações contra a emissora desde 2025, incluindo apurações sobre diversidade e comentários do apresentador Jimmy KimmelA empresa afirma ter entregue cerca de 11 mil documentos à agência e avalia contestar judicialmente as regras usadas pela FCC, consideradas ultrapassadas diante do atual cenário de mídia digital.

Salvador, 9 de maio de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


RENDA MÉDIA NO DF SUPERA MAIS DO DOBRO DO DE 14 ESTADOS


A renda média do trabalho no Distrito Federal chegou a R$ 6.320 mensais em 2025, segundo o IBGE, mantendo o maior patamar do país. O valor supera em mais do dobro o registrado em 14 estados do Norte e Nordeste, como Maranhão, Bahia, Ceará e Pará. 
Os dados fazem parte da Pnad Contínua divulgada ontem, 8, e consideram rendimentos de trabalhos formais e informais nos setores público e privado. Em 2025, a renda média do DF ficou 77,5% acima da média nacional, de R$ 3.560. No ano anterior, essa diferença era de 57,1%. Especialistas apontam que a concentração de servidores da elite do funcionalismo em Brasília eleva historicamente a média salarial local. Ao mesmo tempo, o Distrito Federal lidera o ranking nacional de desigualdade de renda. O índice de Gini chegou a 0,557, acima da média brasileira de 0,491 e bem superior ao de Santa Catarina, estado menos desigual, com 0,406.

Segundo o pesquisador André Salata, da PUCRS, o DF reúne salários muito altos no setor público e uma massa de trabalhadores de serviços pouco qualificados, ampliando a disparidade social. O economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, afirma que a renda elevada não significa desenvolvimento produtivo homogêneo, mas reflete distorções salariais do alto funcionalismo. Daniel Duque, do FGV Ibre, destaca que funções administrativas no serviço público federal costumam pagar muito mais do que cargos equivalentes no setor privado. Dados trimestrais da Pnad mostram que empregados do setor público no DF receberam, em média, R$ 12,6 mil por mês no fim de 2025, maior valor do país. A média nacional foi de R$ 5.339. Entre militares e estatutários, a renda média no DF chegou a R$ 13,4 mil, mais que o dobro da média brasileira. Já no setor privado, a renda média no Distrito Federal foi de R$ 3.716, acima da média nacional, mas abaixo de São Paulo. 

ATIVIDADE FÍSICA REDUZ ANSIEDADE E DEPRESSÃO


Para quem sofre de Depressão, ouvir que precisa se exercitar pode ser cansativo. Ainda assim, estudos indicam que a atividade física melhora o humor e reduz a ansiedade, chegando perto dos efeitos de terapia ou antidepressivos. 
Uma revisão Cochrane publicada em janeiro reuniu 69 ensaios clínicos sobre exercício e depressão. Já outra meta-análise, divulgada em fevereiro no British Journal of Sports Medicine, analisou mais de mil estudos com quase 80 mil participantes. Ambas concluíram que o exercício reduz sintomas de depressão e ansiedade em nível semelhante aos tratamentos convencionais. Porém, especialistas alertam para limitações metodológicas. Em estudos sobre exercícios, os participantes sabem que estão se exercitando, o que pode influenciar os resultados. Além disso, a comparação entre exercícios e antidepressivos é considerada problemática por alguns pesquisadores, já que os ensaios com medicamentos costumam apresentar forte efeito placebo.

Apesar das ressalvas, há consenso de que a atividade física ajuda na saúde mental. Exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida e ciclismo, parecem trazer maiores benefícios. Para depressão, atividades em grupo ou supervisionadas funcionam melhor do que exercícios solitários, e os efeitos aumentam ao longo dos meses. Já para ansiedade, exercícios leves tendem a apresentar melhores resultados. Os mecanismos ainda não são totalmente compreendidos. A ideia de que a “euforia” do exercício vem das endorfinas perdeu força após estudos recentes. Pesquisadores acreditam que os endocanabinoides, substâncias ligadas aos mesmos receptores da cannabis, podem explicar parte dos efeitos positivos. O exercício também reduz inflamações, melhora a plasticidade cerebral e aumenta a transmissão de dopamina, neurotransmissor ligado à motivação e recompensa. Além disso, promove sensação de realização, autonomia e domínio, fatores que ajudam a elevar o humor. 

SERVIDOR, MESMO AFASTADO, GANHA GRATIFICAÇÃO POR ACÚMULO DE FUNÇÃO


O CNJ e o CNMP autorizaram que juízes e promotores recebam gratificação por acúmulo de funções mesmo durante licenças e afastamentos, ainda que não estejam exercendo atividades extras. O bônus pode chegar a R$ 16,2 mil mensais líquidos. 
A medida foi aprovada em abril, após decisão do STF sobre os chamados “penduricalhos”, verbas que permitem salários acima do teto constitucional. A gratificação é destinada a magistrados e membros do Ministério Público que assumem funções além das habituais. O adicional corresponde a 35% do subsídio e pode elevar os vencimentos para até R$ 62,6 mil. Como possui natureza indenizatória, não sofre desconto de Imposto de Renda nem contribuição previdenciária. Apesar de compensar aumento de trabalho, a resolução permite o pagamento mesmo em casos de afastamentos legais, como licenças médicas, maternidade, paternidade, casamento e capacitação. A diretora da plataforma Justa, Luciana Zaffalon, criticou a medida e afirmou que ela pode ser vista pela sociedade como um desvio. Segundo ela, não há justificativa para pagamento por substituição quando o servidor está afastado.

Licenças-maternidade e paternidade passaram a garantir o benefício após decisão unânime do CNJ em dezembro, motivada por pedido da Ajufe. Antes, tribunais negavam o pagamento sob argumento de que a verba compensava trabalho adicional. A associação alegou que a interrupção reduzia em cerca de 15% a remuneração das juízas durante a licença. O relator Caputo Bastos afirmou que a redução salarial nesses casos ultrapassa os limites da razoabilidade. O CNJ declarou que a manutenção da gratificação busca assegurar direitos ligados à infância, convivência familiar e à não redução salarial. CNJ e CNMP não comentaram outros tipos de afastamento previstos para o benefício. 

DEPOIS DE DESTRUIR GAZA, ISRAEL QUER ACABAR COM BEIRUTE


Nos subúrbios ao sul de Beirute, Hay el Sellom virou um cenário de destruição: concreto desmoronado, fios expostos e silêncio após os bombardeios israelenses de 8 de abril. 
O bairro, antes densamente povoado, havia permanecido relativamente calmo desde o início da guerra entre Israel e Irã. Naquele dia, porém, Israel lançou cerca de 100 ataques em todo o Líbano em apenas 10 minutos. Segundo autoridades libanesas, 361 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas. Mohammed perdeu o filho Abbas quando o prédio onde moravam foi atingido. “Os andares caíram todos sobre ele”, contou. Ele afirma que não havia integrantes do Hezbollah no edifício. A BBC investigou os ataques usando imagens de satélite, vídeos e relatos de testemunhas. Em Hay el Sellom, ao menos 80 pessoas morreram, incluindo 15 crianças. Ghassan Jawad sobreviveu após ficar soterrado. Ele contou que sua gata cavou um pequeno buraco que lhe permitiu respirar até ser resgatado pelos vizinhos. Sua mãe, irmãs e sobrinhos morreram. 

Outro alvo foi Corniche al Mazraa, no centro de Beirute, atingido sem aviso prévio. Explosões mataram 16 pessoas enquanto moradores trabalhavam, faziam exercícios ou estavam em restaurantes e barbearias. No sul do país, bombas destruíram o complexo religioso Al Zahraa, em Sidon. As irmãs Rahma e Rayan morreram enquanto rezavam na mesquita. Israel afirmou ter atacado agentes e estruturas do Hezbollah, acusando o grupo de usar civis como escudos humanos. O Hezbollah nega e diz que Israel mira deliberadamente áreas civis. A operação israelense foi chamada de “Escuridão Eterna”. Para os libaneses sobreviventes, ficou conhecida como “Quarta-feira Negra”. 

ESTREITO DE ORMUZ ELEVOU CUSTO DE VIDA


Enquanto famílias e empresas sofrem os impactos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, alguns setores vêm acumulando lucros bilionários. A alta dos preços da energia, causada pelo fechamento do estreito de Ormuz, elevou o custo de vida e aumentou a instabilidade econômica global. 
O setor de petróleo e gás é um dos mais beneficiados. Cerca de 20% do petróleo e gás do mundo passam pelo estreito, e a interrupção do tráfego provocou fortes oscilações nos preços. Empresas como BP, Shell e Total Energies lucraram com operações de trading. A BP dobrou seus ganhos, alcançando US$ 3,2 bilhões no trimestre. Grandes bancos de Wall Street também ampliaram receitas. O JP Morgan registrou recorde de US$ 11,6 bilhões em trading. Instituições como Goldman Sachs e Morgan Stanley também se beneficiaram da volatilidade financeira.

O setor de defesa ganhou impulso com o aumento dos gastos militares. Empresas como BAE Systems, Lockheed Martin e Boeing relataram crescimento das encomendas e expectativa de lucros maiores. A crise energética também fortaleceu o interesse em fontes renováveis. Empresas como NextEra Energy, Vestas e Orstedregistraram avanço nos ganhos. A procura por painéis solares, bombas de calor e veículos elétricos cresceu desde o início do conflito.