Pesquisar este blog

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

RADAR JUDICIAL


DINHEIRO PARA FINANCIAR O FILME "DARK HORSE"

A crise no STF reduz as condições políticas para Lula indicar o substituto de Barroso ainda este ano. A vaga permanece aberta enquanto a Corte enfrenta uma de suas maiores crises institucionais. Nesse cenário, Jorge Messias tenta recuperar espaço no Planalto ao reagir contra André Mendonça que homologou a delação do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos. O acordo foi confirmado após audiência que atestou a voluntariedade do colaborador. Freixo Júnior afirmou ter produzido dinheiro vivo e entregue malas a emissários de Daniel Vorcaro. Pelo acordo com a PGR, o empresário pagará cerca de R$ 2 bilhões em multa. Ele também revelou manter uma conta conjunta com Vorcaro para despesas de interesse do banqueiro. Documentos mostram transferências para o Havengate Development Fund, no Texas, ligado a Eduardo Bolsonaro. Segundo a delação, pelo menos US$ 10 milhões foram enviados ao fundo para patrocinar o filme “Dark Horse”. A PF e a PGR investigam se os recursos financiaram despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA. O caso amplia a tensão política e institucional, com possíveis reflexos sobre a economia e a sucessão no STF. 


RECEITA FEDERAL OPERA CONTRA FRAUDES TRIBUTÁRIAS

A Receita Federal e a Secretaria de Economia do DF realizaram, de 22 de agosto a 10 de setembro, operação contra fraudes tributárias e sonegação fiscal. A Operação Sociedades Fictícias investigou empresas de fachada e emissores de notas fiscais falsas. Um dos alvos foi uma empresa de Planaltina que acobertava operações irregulares no DF e em outros estados. O esquema envolveu empresas do Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Ao todo, 13 empresas foram investigadas, ligadas aos setores de sucata de cobre e alumínio e de bebidas. Segundo a Seec-DF, as fraudes com empresas noiteiras somam R$ 412 milhões. Com outras ações fiscais e apreensões, o valor envolvido pode chegar a R$ 530 milhões e a Receita estima que o esquema tenha movimentado mais de R$ 1 bilhão. Durante a operação, foram apreendidos alimentos, bebidas, produtos de beleza e utensílios domésticos. Entre os itens estão 127 toneladas de farinha, 54 toneladas de feijão e 73 mil latas de cerveja. Também foram apreendidos 454 produtos eletrônicos, além de mercadorias em situação irregular. Cerca de 50 auditores participaram das ações, incluindo fiscalizações no Aeroporto de Brasília e em cargas interestaduais.


VISITA DO SECRETÁRIO DOS EUA À AMÉRICA DO SUL 

A visita do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, à América do Sul deveria servir de alerta sobre a estratégia de Washington para a região. Colômbia, Equador e Peru enfrentam organizações criminosas ligadas ao narcotráfico, garimpo ilegal e contrabando. A Amazônia tornou-se um novo território de atuação de cartéis e facções, com tráfico de drogas, ouro, animais e espécies vegetais. A agenda de Rubio interessa diretamente aos países visitados e também ao Brasil, pela proximidade geográfica e política. Às vésperas da eleição presidencial, a relação com a Casa Branca tornou-se um dos temas centrais do debate brasileiro. Rubio e Donald Trump deixam claro que o Brasil ocupa posição relevante na estratégia geopolítica americana. Os EUA disputam com a China a hegemonia global e buscam conter sua expansão econômica e comercial no continente. Nesse contexto, Rubio articula operações militares contra cartéis de drogas na região. A retomada da chamada “guerra às drogas” repete uma política iniciada nos anos 1980, com resultados controversos. O Brasil não está no roteiro da atual viagem, mas permanece no radar estratégico de Washington. Na campanha eleitoral, a relação com os EUA sob Trump deverá ser um tema decisivo para os brasileiros. A discussão envolve, em última análise, a escolha sobre o papel que o Brasil pretende exercer no cenário internacional.


PF DIZ QUE FLÁVIO BOLSONARO ERA INTERLOCUTOR DE VORCARO  

Documentos da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) indicam que Flávio Bolsonaro era interlocutor direto de Daniel Vorcaro na negociação de investimentos no filme “Dark Horse”. O longa conta a história de Jair Bolsonaro, pai do senador, atualmente preso por liderar a tentativa de golpe de 2023. Os documentos também apontam que Eduardo Bolsonaro atuava na gestão dos recursos arrecadados para a produção. Após o STF levantar o sigilo das investigações sobre o Banco Master, Flávio defendeu transparência total sobre o caso. A PF investiga a atuação do senador na captação de recursos e suspeita de que parte do dinheiro tenha custeado despesas de Eduardo nos Estados Unidos. Segundo relatório, Flávio trocou mensagens com Vorcaro, reuniu-se com ele e fez reiteradas cobranças por investimentos no filme. A investigação aponta que ele negociou repasses de pelo menos US$ 24 milhões, dos quais US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente pagos. Eduardo, segundo a PF, dava orientações sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos, por meio do fundo Havengate. A PF afirma haver elementos para investigar a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores. A PGR endossou as suspeitas e pediu ainda análise de propostas legislativas de Flávio e Mário Frias que possam ter beneficiado Vorcaro ou o Banco Master. Em operação autorizada por Flávio Dino, a PF apura possível desvio de R$ 750 mil na produção e uso de verba pública. Flávio classificou a operação como “fajuta” e afirmou que a investigação seria uma tentativa de prejudicá-lo antes da eleição.


CANDIDATO À PRESIDÊNCIA CHAMA FLÁVIO DE "BANDIDO"

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, chamou Flávio Bolsonaro de “bandido”, “estúpido”, “fujão” e “vassalo” de Donald Trump. Santos também acusou, sem apresentar provas, a campanha de Flávio de receber recursos indiretos da conservadora Rockbridge Network. Segundo ele, a organização teria interesses ligados à tecnologia e à exploração de terras raras no Brasil. O candidato afirmou que empresários estrangeiros estariam interessados em negócios no país e próximos ao grupo de Flávio. Santos disse ainda que não apoiará outro candidato em eventual segundo turno contra Lula: “Está descartada a possibilidade de apoiar qualquer pessoa que não seja eu”. Fundador do MBL, ele liderou a criação do partido Missão, homologado pelo TSE em novembro de 2025. Nas pesquisas, aparece com 3% no Datafolha e 4% no levantamento BTG/Nexus. Durante sabatina do UOL e da Folha, Santos também criticou o feminismo, que classificou como instrumento político. Ele defendeu aumento das penas para todos os crimes e afirmou que o Brasil vive um “surto da violência”. Embora seja pessoalmente favorável à pena de morte, disse que não proporia sua adoção nos primeiros anos de governo. Escritor e ativista, Santos nunca exerceu cargo eletivo e usa as redes sociais como principal plataforma política. Sua campanha chegou a ser suspensa na internet por decisão judicial, mas a medida foi revogada no dia seguinte.


ENCERRADA GREVE PARCIAL NO BB

A maioria dos bancários do Banco do Brasil aceitou a proposta final e decidiu encerrar a greve parcial iniciada na quinta-feira (10). O acordo prevê pagamento da PLR em até 72 horas após a assinatura e abono da paralisação de 20 de agosto. Também houve avanços no plano de saúde, com antecipação de R$ 360 milhões da contribuição patronal para a Cassi. Os funcionários receberão ainda R$ 3.000 por reconhecimento financeiro, condicionado aos resultados do quarto trimestre de 2026 e o pagamento está previsto para fevereiro de 2027 e beneficiará 71,5 mil funcionários. A licença-paternidade será ampliada de 20 para 35 dias, além de aumento do auxílio para filhos com deficiência e o salário de referência da central de relacionamento subirá de R$ 4.795,12 para R$ 6.302,77 em janeiro de 2027. Segundo a Contraf-CUT, o acordo foi aprovado em 116 bases, enquanto 18 entidades ainda rejeitam a proposta. Na Caixa Econômica Federal, porém, os empregados continuam em greve nacional e decidirão sobre a proposta até esta sexta-feira (11). A Caixa oferece prêmio de R$ 3.000, pagamento da PLR em 18 de setembro e aumento do custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 8%. Os empregados também terão mudanças na coparticipação e no custeio do plano de saúde.
Se não houver acordo, a Caixa afirma que poderá recorrer à Justiça para instaurar dissídio coletivo.


DÍVIDA FISCAL DOS EUA ULTRAPASSA US$ 40 TRILHÕES

A tentativa de Scott Bessent de estabilizar o mercado de US$ 32 trilhões em títulos dos EUA saiu pela culatra. Investidores consideraram tímida a intervenção para conter a alta dos rendimentos. O título de dez anos chegou a 4,98%, maior nível em quase três anos, próximo dos 5%. O rendimento dos papéis de 30 anos atingiu 5,35%, maior patamar desde 2007. A alta ocorreu mesmo após o Tesouro ampliar para US$ 6 bilhões seu programa de recompra. Analistas disseram que a operação foi pequena demais para conter os custos de financiamento. Para alguns investidores, a iniciativa ainda sinalizou nervosismo do governo americano e a alta dos juros foi impulsionada principalmente pela disparada dos preços do petróleo. O conflito entre EUA e Irã e os ataques houthis elevaram os temores sobre o abastecimento, bem como pesaram sobre o endividamento recorde dos EUA, a inflação persistente e novas emissões corporativas. A dívida americana ultrapassou US$ 40 trilhões, ampliando as preocupações fiscais. Bessent vem adotando uma postura mais intervencionista, mas enfrenta crescente desconfiança do mercado.

Salvador, 11 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

FACHIN DETERMINA RETIRADA DE SIGILO DAS INVESTIGAÇÕES DO BANCO MASTER


O presidente do STF, Edson Fachin, determinou nesta sexta-feira (11) que o ministro André Mendonça retire, em até 24 horas, o sigilo de todos os documentos das investigações sobre o Banco Master na Corte. 
A decisão atende a pedido da Procuradoria-Geral da República, assinado pelo vice-PGR Hindemburgo Chateaubriand. Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin também solicitaram a ampliação da publicidade dos documentos relacionados ao caso. Fachin determinou que o material seja enviado aos gabinetes dos ministros, exceto documentos que possam comprometer diligências em andamento ou futuras. Na quinta-feira (10), Mendonça havia retirado o sigilo de parte dos processos, incluindo a Petição 15.556, que originou a investigação no STF. Segundo a PGR, porém, grande parte dos procedimentos ligados à Operação Compliance Zero continuava sob sigilo. O vice-PGR afirmou que a manutenção parcial do segredo poderia transmitir uma ideia equivocada sobre a transparência adotada no caso. O Ministério Público pediu o levantamento do sigilo de todas as peças vinculadas à Petição 15.556, ressalvadas diligências ainda em andamento. O procurador-geral Paulo Gonet, citado em mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, não assinou o pedido. Moraes também reclamou a Fachin que Mendonça teria feito uma "escolha seletiva" dos documentos divulgados. Segundo Moraes, 180 documentos não foram apresentados e apenas o material considerado conveniente pelo relator teria sido tornado público. Mendonça retirou o sigilo de 14 procedimentos, além do processo principal.

Para Moraes, a medida não teria cumprido integralmente a determinação de Fachin. Zanin, por sua vez, pediu acesso integral às mídias do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025. Mendonça liberou os relatórios da PF sobre o conteúdo do aparelho, mas não fotos, vídeos e demais arquivos originais. Zanin afirmou que o acesso completo é necessário para uma análise adequada do julgamento marcado para terça-feira (15). O plenário deverá examinar relatório da PF que aponta Moraes como interlocutor de Vorcaro. O julgamento poderá determinar a abertura de investigação contra Moraes ou anular o relatório, conforme pedido da PGR. As revelações também envolvem o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, com o Banco Master. O documento teria sido editado pelo próprio Moraes. Assinado em 2024, o contrato previa "consultoria estratégica" em procedimentos perante a PF, Polícias Civis, Banco Central, Receita Federal e Cade. O caso amplia a crise institucional no STF e a pressão por transparência nas investigações envolvendo o Banco Master. 

REBELDES CONTROLAM COSTA DO IÊMEN, NO MAR VERMELHO


Em ofensiva relâmpago, os houthis avançaram nesta sexta-feira (11) para controlar toda a costa do Iêmen no mar Vermelho e o estratégico estreito de Bab el-Mandeb. 
Os rebeldes apoiados pelo Irã tomaram cidades, vilarejos e ilhas da região, segundo relatos de seus rivais. Imagens de satélite também mostraram uma grande coluna de fumaça sobre o oleoduto que leva petróleo saudita ao porto de Yanbu. A estatal Aramco não confirmou a causa do incêndio, mas um eventual ataque houthi pode comprometer a principal rota alternativa ao estreito de Hormuz. O avanço começou nesta semana, com a chegada dos rebeldes a Mokha, principal porto da província de Taiz. Nesta sexta, eles tomaram Dhubab, a ilha de Perim e outras áreas costeiras e ilhotas. Os houthis acusaram forças sauditas de bombardear o aeroporto de Mokha, mas não houve confirmação independente. O governo iemenita, expulso de Sanaa pelos houthis em 2014, afirmou que suas forças recuaram para se reagrupar. Autoridades em Áden disseram que haverá uma contraofensiva, mas, por enquanto, a iniciativa permanece com os rebeldes. Os houthis estavam em cessar-fogo informal desde 2022, mas retomaram a guerra após medidas do governo apoiado por Riad. Desde julho, ataques contra cidades sauditas com mísseis se multiplicaram, enquanto os rebeldes reforçaram sua presença no oeste do Iêmen. Com cerca de 70% das exportações sauditas de petróleo sendo desviadas para o mar Vermelho, o preço do Brent voltou a superar US$ 100. Os houthis já haviam anunciado bloqueio ao comércio naval saudita na região, mas antes não controlavam o acesso direto a Bab el-Mandeb.

O domínio de Perim pode permitir ataques mais próximos e eficazes contra navios que atravessem o estreito. Se consolidarem o controle da passagem, os houthis também darão ao Irã uma importante carta de barganha nas negociações sobre o conflito. Teerã tenta negociar o fim da guerra com os Estados Unidos, enquanto Donald Trump afirma que o conflito terminará após as eleições de novembro. Não há, porém, sinais claros de que isso ocorrerá, apesar das sanções e dos ataques contra o Irã. A pressão sobre o petróleo diminuiu parcialmente após notícias de esforços diplomáticos para reabrir o tráfego no estreito de Hormuz. O Irã confirmou reunião em Omã para segunda-feira (14), numa tentativa de buscar uma saída negociada. Antes da guerra, Hormuz concentrava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente. Com o conflito, o tráfego caiu para cerca de 10% do fluxo habitual. Em Bab el-Mandeb, o impacto é menor, mas já afeta o transporte do petróleo saudita. A passagem também é fundamental para o comércio entre a China e a Europa, aumentando o interesse de Pequim na estabilidade da região. Os houthis dizem que pretendem manter livres as embarcações sem ligação com a Arábia Saudita, promessa de difícil execução. Até agora, os Estados Unidos não intervieram diretamente na nova escalada. Durante a guerra entre Israel e Hamas, Washington enviou navios de guerra e bombardeou posições houthis. O príncipe saudita Mohammed bin Salman teria ligado duas vezes para Trump na quinta-feira (10), pedindo intervenção americana. Segundo o Axios, Trump recusou e aposta numa desescalada natural do conflito. A continuidade dos ataques pode levar a Arábia Saudita a buscar apoio militar da Turquia e do Paquistão. A situação, porém, é complexa porque Islamabad também participa das tentativas de mediação entre Irã e Estados Unidos. 

CORREIOS EM GREVE


Trabalhadores dos Correios aprovaram greve por tempo indeterminado em assembleias realizadas ontem, 10, em todo o país. 
Segundo a Findect, 35 assembleias haviam aprovado a paralisação até o início do movimento, às 22h. No Acre, a votação está prevista para o fim da tarde de hoje, 11. A categoria rejeitou a proposta apresentada pela empresa durante as negociações salariais e foram adotadas as medidas para manter os serviços e reduzir impactos aos clientes. Entre as ações estão o remanejamento de equipes e o reforço das atividades operacionais e logísticas. A empresa diz ter buscado uma solução negociada durante as tratativas com os trabalhadores, mas a proposta contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. Entre os pontos oferecidos estavam reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios. A proposta também previa a manutenção da assistência à saúde dos empregados. A empresa reafirmou compromisso com a valorização dos funcionários e os serviços postais. Um dos principais pontos de divergência envolve o plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes. A Findect afirma que os trabalhadores rejeitam mudanças na condição dos Correios como mantenedores do plano. A decisão ocorreu após rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A greve acontece em meio a dificuldades financeiras enfrentadas pela estatal.

Na quinta-feira, os Correios pediram ao Tesouro Nacional garantia para contratar novo empréstimo de R$ 7 bilhões. O crédito será contratado com ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan. A operação terá custo de 114,26% do CDI e prazo de 15 anos, com três anos de carência. O pedido de garantia ainda está em análise pelo Tesouro Nacional e se o aval for concedido, a União assumirá os pagamentos em caso de inadimplência dos Correios. A empresa registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre deste ano. O novo financiamento integra o plano de reestruturação financeira da estatal. Os Correios já contrataram empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025. Além disso, está prevista a entrada de outros R$ 6 bilhões em recursos da União em 2027. A situação financeira aumenta a pressão sobre a empresa durante a paralisação nacional. Os trabalhadores, por sua vez, mantêm a reivindicação de mudanças na proposta apresentada. A duração da greve dependerá das negociações entre a categoria e a direção dos Correios. A empresa informou que divulgará novas informações sobre a prestação dos serviços enquanto o movimento poderá afetar a rotina de entregas e atendimento em diferentes regiões do país. As negociações devem continuar durante a paralisação, diante do impasse entre as partes. 

POLÍCIA FEDERAL SUSPEITA QUE TOFFOLI RECEBEU MILHÕES DE VORCARO


A Polícia Federal suspeita que o ministro Dias Toffoli, do STF, seja proprietário ou beneficiário final do fundo Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, segundo relatório obtido pela revista Piauí. 
O fundo comprou parte das cotas da Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli, José Eugenio e José Carlos, ligada ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro (SC). O jornal Folha de São Paulo revelou que Toffoli confirmou fazer parte do quadro societário da empresa e que o Arleen, antes pertencente ao ex-banqueiro, foi comprado pelo empresário Alberto Leite, amigo do ministro, em fevereiro de 2025. Um mês depois, o fundo passou a permitir investimentos no exterior e, em dezembro, transferiu seus ativos para a holding Égide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. Segundo a PF, diversos elementos indicariam que Toffoli poderia ter sido beneficiário final ou proprietário de fato do Arleen e de seus ativos. O relatório aponta ainda possível uso de interpostas pessoas e estruturas no exterior, além de movimentações envolvendo a holding nas Ilhas Virgens Britânicas. A defesa de Toffoli afirma que ele jamais manteve recursos no exterior ou realizou operações, direta ou indiretamente, nas Ilhas Virgens Britânicas. O documento também levanta suspeitas de que Vorcaro tenha influenciado voto de Toffoli em processo sobre precatórios da destilaria Alcídia, do grupo Atvos. A decisão era relevante para o Banco Master, que tinha mais de R$ 10 bilhões em precatórios do setor sucroalcooleiro.

Diálogos extraídos do celular de Vorcaro indicariam atuação do diretor jurídico do banco, André Kruschewsky, e do ex-ministro Fábio Faria. Segundo a PF, Kruschewsky aparentava ter acesso ao STF para tentar retirar o processo de pauta. No dia do julgamento, Nunes Marques pediu vista e Toffoli registrou ausência justificada. O julgamento foi retomado posteriormente e terminou em 3 votos a 2 pela tese da Alcídia, com Toffoli votando a favor da empresa e desempatando o resultado. O gabinete do ministro nega qualquer alteração de voto. A PF encaminhou o relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, porque Toffoli era relator do caso Master e ministros do Supremo dependem de autorização da Corte para serem investigados. O documento foi enviado ao tribunal para as providências cabíveis, que poderiam ser tomadas pelo novo relator do inquérito, André Mendonça que afirmou à Piauí que não ter recebido o relatório. O gabinete de Toffoli disse que o documento foi arquivado, com trânsito em julgado.
Também afirmou que, em fevereiro de 2026, os dez ministros do STF tiveram conhecimento de seu conteúdo e das informações apresentadas por Toffoli. Segundo a nota, a Corte deliberou que não havia motivo para reconhecer suspeição do ministro. 

EX-MARQUETEIRO DE FLÁVIO BOLSONARO TRANSFERIU ALTO VALOR PARA O DARK HORSE


O ex-marqueteiro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Marcello de Oliveira Lopes, transferiu R$ 1 milhão para a Go Up Entertainment, produtora do filme
Dark Horse, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro. A operação consta de relatório de inteligência financeira do Coaf sobre movimentações consideradas atípicas da empresa. O documento foi incorporado à decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou operação da Polícia Federal na quinta-feira (10/9). Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a Go Up movimentou R$ 19,03 milhões. Foram R$ 8,95 milhões em créditos e R$ 10,07 milhões em débitos e Marcello aparece entre os principais remetentes de recursos para a produtora. A Moneycorp Banco de Câmbio foi a maior remetente, com R$ 3,92 milhões, a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural enviou R$ 2,61 milhões e a NTT Brasil transferiu R$ 750 mil para a empresa. Já o deputado Mário Frias (PL-SP) realizou transferências que somaram R$ 645,4 mil. O relatório da PF não esclarece a origem específica do R$ 1 milhão enviado por Marcello e não detalha, naquele trecho, a finalidade do pagamento. O documento não atribui ao publicitário qualquer irregularidade na operação. Marcello é citado apenas uma vez, na relação dos principais remetentes de recursos.
A transferência ocorreu meses antes de sua saída da campanha de Flávio Bolsonaro e ele deixou a equipe em 20 de maio, após a repercussão de áudios em que Flávio aparece pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse.

O nome de Flávio não aparece no trecho do relatório que lista os remetentes. Em nota, Marcello afirmou que o R$ 1 milhão foi destinado exclusivamente ao projeto cinematográfico.
Disse ainda que participou da produção como investidor. Segundo ele, os recursos eram próprios e foram transferidos diretamente de sua conta bancária e afirmou que a operação foi regular e formalizada. Ele classificou o negócio como estritamente empresarial e vinculado ao filme. A PF cumpriu ontem 49 mandados de busca e apreensão na investigação sobre o financiamento de Dark HorseEntre os alvos estão a produtora Karina Ferreira da Gama e Mário Frias. Marcello Lopes não está entre os investigados na operação. 

DIFÍCIL ANTECIPAR QUEM VENCERÁ A ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE


A 23 dias do primeiro turno, a ebulição política em Brasília impede qualquer prognóstico seguro sobre o resultado das eleições. 
A grave crise institucional do STF, os desdobramentos do Banco Master, do caso Dark Horse e das fraudes no INSS podem alterar o humor do eleitorado. A Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal e pela CGU, é o episódio mais recente a entrar nessa equação. A investigação envolve emendas parlamentares, organizações sociais, empresas, um deputado federal e a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Mario Frias destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil. Relatórios do Coaf apontaram transferências até a produtora responsável por Dark Horse. O deputado também transferiu diretamente R$ 645,4 mil à empresa no fim do ano passado e a movimentação foi considerada atípica pelos investigadores diante da renda mensal declarada pelo parlamentar. Tudo precisa ser apurado, pois investigação policial não significa condenação, mas seria igualmente errado tratar um caso dessa dimensão como mais uma notícia passageira do ciclo eleitoral. O problema é que Brasília produz fatos em velocidade maior do que as pesquisas conseguem captá-los. Quando uma pesquisa começa, um cenário existe; quando termina, outro pode estar se formando. Na divulgação do resultado, talvez uma terceira realidade já esteja diante do eleitor. Essa dinâmica é especialmente importante na campanha de 2026. Até pouco tempo, predominava a avaliação de que Luiz Inácio Lula da Silva era favorito, mas as pesquisas mais recentes, passaram a indicar vantagem de Flávio Bolsonaro em um provável segundo turno.

Não se considera prudente transformar esses números em certeza, vez que pesquisa não é urna, mas também seria erro ignorar a mudança registrada nas sondagens. No momento, a disputa está concentrada nos dois nomes, apesar de ainda não está definido é quem chegará à frente e com qual vantagem. Outra variável impossível de medir antecipadamente é o que vai ocorrer na sequência. Uma investigação pode prejudicar uma candidatura, assim como uma declaração pode provocar uma reviravolta, daí a eleição está longe de estar decidida. O eleitorado pode mudar de humor rapidamente, e uma semana é tempo suficiente para alterar o cenário. A campanha seguirá sujeita a novos fatos e turbulências até o último momento. Neste momento, a única previsão realmente segura é que será uma eleição aos solavancos até o fim. 

LEVANTADO SIGILO DO ESCÂNDALO DO BANCO MASTER


O ministro André Mendonça, por determinação do presidente do STF, Edson Fachin, levantou na noite de ontem, 10, o sigilo de 14 procedimentos relacionados ao escândalo do Banco Master. 
Mendonça, porém, manteve em segredo investigações que poderiam comprometer futuras operações e diligências, entre as quais a apuração sobre recursos de Daniel Vorcaro destinados a um fundo nos Estados Unidos para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Também permaneceram sob sigilo a investigação sobre a relação do senador Jaques Wagner com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Outra investigação preservada trata de informações da PF sobre Antônio Rueda e ACM Neto, encaminhadas ao ministro Alexandre de Moraes. Já os documentos sobre a relação entre Moraes e Vorcaro foram tornados públicos, embora parte deles já tivesse sido liberada na semana anterior. Entre os 14 procedimentos divulgados estão dois dos principais inquéritos sobre a engenharia financeira que resultou no rombo bilionário do Banco Master e o principal é o inquérito 5026, da Operação Compliance Zero, inicialmente relatado por Dias Toffoli. O processo foi remetido ao STF após a investigação que tramitava na Justiça Federal contra Vorcaro e outros suspeitos.
A partir dele foram abertas outras frentes de investigação. Cinco procedimentos agora públicos tratam direta ou indiretamente das prisões e buscas contra integrantes da chamada “A Turma”.
O grupo teria sido utilizado por Vorcaro para intimidar e perseguir adversários e desafetos. Mendonça também levantou o sigilo da investigação sobre o chamado “Projeto DV”, envolvendo influenciadores.

Segundo a PF, o objetivo seria influenciar a percepção pública sobre Vorcaro e o Banco Master. Documentos liberados também apontam pagamentos de viagens e jantares internacionais por Vorcaro para servidores do Banco Central. Os servidores são acusados de atuar para favorecer o Banco Master. A PF afirma que Vorcaro custeou parte da viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, Belline Santana, e sua esposa a Paris. Também teria financiado viagem do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza para a Disney, nos Estados Unidos. Segundo a investigação, Vorcaro teria tratado diretamente com prestadores de serviços para organizar a viagem a Paris. A PF relata que ele cuidou de reservas, restaurantes, recepção e logística, inclusive fornecendo o contato pessoal do servidor.
A decisão de Fachin ocorre às vésperas da sessão extraordinária do STF marcada para 15 de setembro. O plenário deverá analisar a controvérsia sobre relatório da PF que revelou diálogos entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. A PGR questiona a validade dessa parte da investigação e pediu a nulidade do relatório. Para Fachin, o levantamento do sigilo permitirá aos demais ministros conhecerem o conjunto de informações antes da sessão. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 11/9/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Contrato entre Banco Master e escritório de esposa de Moraes previa R$ 108 milhões líquidos

Contrato estabelecia pagamento mensal de R$ 3 milhões durante três anos e previa atuação em investigações, processos judiciais e programa de compliance da instituição financeira

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Em conversas com Fachin, ministros do STF alertam para pedido de vista, e aliados de Moraes querem julgamento conjunto com Mendonça

Magistrados foram atendidos individualmente pelo presidente do STF

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Empresa que intermediou recurso a produtora de 'Dark Horse' funciona em loja de noivas

Instituto contratado com verba de emenda deveria fazer letramento digital de adultos e adolescentes Empresários citados na investigação não respondem; produtora de filme sobre Bolsonaro nega irregularidades

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

TRE-BA proíbe uso de mulheres seminuas em atos de campanha de ACM Neto

O tribunal considerou que a ocorrência do episódio não foi contestada de forma específica pela defesa.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

PF revela diálogos sobre festa de Vorcaro com autoridades e modelos em SP, aponta revista piauí

Documentos da Polícia Federal mostram organização de evento de Halloween por Daniel Vorcaro

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Líder do MI5 alerta que o próximo 11 de Setembro pode estar a ser planeado para onde não estamos a olhar

Ken McCallum diz que as agências de segurança precisam de estar preparadas para os desafios atuais e futuros. "Sabemos que o próximo choque estratégico, por definição, não se parecerá com o anterior".

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

CAIXA TENTA ENCERRAR A GREVE


A Caixa Econômica Federal apresentou nova proposta aos bancários para tentar encerrar a greve nacional iniciada nesta quinta-feira (10). 
A oferta, válida até sexta-feira (11), altera os percentuais de desconto do plano de saúde e inclui novos benefícios. Entre as medidas estão prêmio de R$ 3.000 por funcionário e pagamento da PLR no dia 18 de setembro. A Caixa também propôs elevar de 6,5% para 8% o teto de custeio do Saúde Caixa. O principal impasse da negociação é justamente o plano de saúde. Pela nova proposta, os empregados pagariam de 2,30% a 4,10% do salário-base, conforme a idade. Também haveria cobrança de R$ 480 a R$ 660 por dependente, de acordo com a faixa etária. A proposta será avaliada pelos empregados em assembleia na sexta-feira. O sindicato afirma que a mudança ocorreu diante da forte mobilização e insatisfação da categoria. A Caixa também anteciparia parcelas de sua contribuição à 13ª mensalidade para ajudar a cobrir o déficit do plano. A partir de 2027, seriam pagos valores referentes ao PAMS e destinados R$ 236 milhões a ações de prevenção à saúde.
Também estão previstos grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência e no financiamento do Saúde Caixa. No plano, a coparticipação anual por família subiria de R$ 3.600 para R$ 4.800. Haveria isenção de coparticipação em telemedicina e mudanças nas regras para dependentes e beneficiários.

Nesta quinta-feira, agências da Caixa amanheceram fechadas em São Paulo, Curitiba e outras localidades. Clientes encontraram cartazes informando sobre a greve, enquanto caixas eletrônicos continuaram funcionando. A paralisação não tem prazo definido para terminar. No Banco do Brasil, a greve é parcial e atinge alguns estados; em São Paulo, o funcionamento foi normal. Os empregados da Caixa e do BB também têm o plano de saúde como principal ponto de divergência. Bancos privados já aceitaram a proposta negociada pela categoria, com reajuste real de 0,6% acima da inflação. A Caixa afirma manter o diálogo aberto com as entidades sindicais para buscar um acordo. Enquanto durar a paralisação, o banco recomenda o uso de aplicativos, internet banking, WhatsApp e caixas eletrônicos. O atendimento também pode ser feito pelo Alô Caixa e pela rede Banco24Horas. O Banco do Brasil informa que participa da mesa geral de negociação dos bancários. O BB também mantém negociação específica com as entidades sindicais sobre questões do funcionalismo. O banco orienta clientes a usar aplicativo, internet banking, correspondentes bancários e canais telefônicos.
A nova proposta da Caixa representa uma tentativa de evitar o prolongamento da greve e retomar o atendimento normal. Os trabalhadores decidirão em assembleia se aceitam ou rejeitam as condições oferecidas. 

TRUMP PROMETE COMPRAR VOTO E RECLAMA SEU NOME NO ESTREITO DE ORMUZ


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu na quarta-feira (9) um pagamento de US$ 5 mil a cada adulto americano caso os republicanos mantenham o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato. 
Trump chamou a promessa de “dividendo Trump” e pediu aos eleitores que votassem como se seu nome ainda estivesse na cédula. “Se os republicanos vencerem, vocês vencem conosco e recebem cinco mil dólares”, declarou durante uma convenção republicana em Dallas, no Texas. O presidente não explicou de onde sairiam os recursos para financiar a medida e o custo poderia superar US$ 1 trilhão, cerca de R$ 5,1 trilhões. Trump afirmou apenas que os Estados Unidos “estão ganhando muito dinheiro”. A promessa ocorre em meio à queda dos índices de aprovação do presidente, que estão pouco acima de 30%. Pesquisas apontam dificuldades para os republicanos manterem o controle da Câmara e do Senado em novembro. A Decision Desk HQ prevê vitória democrata na Câmara, por 230 a 205 cadeiras e no Senado, a projeção é de 51 a 49 a favor dos democratas. Trump alertou que uma derrota republicana provocaria perdas em segurança, controle da fronteira e redução de impostos. Também associou o resultado eleitoral ao risco de o país entrar em uma trajetória que chamou de “comunista”. O presidente defendeu ainda a guerra contra o Irã, apesar da baixa popularidade do conflito. Segundo Trump, uma vitória americana provocaria queda imediata nos preços do petróleo.

Ele voltou a destacar a importância estratégica do Estreito de Ormuz para o transporte mundial de combustíveis, chegando a defender que o estreito recebesse seu nome. O presidente também afirmou que os preços dos alimentos e de outros produtos estão caindo rapidamente. A principal aposta republicana é mobilizar a base fiel a Trump sem afastar ainda mais os eleitores independentes. Durante a convenção, os republicanos destacaram cortes de impostos, endurecimento das leis migratórias e redução nos preços de medicamentos. O partido também explorou o discurso de que os democratas representam uma ameaça de extrema esquerda. A convenção exibiu uma mensagem em vídeo do senador democrata John Fetterman. Sua participação alimentou especulações sobre possível aproximação com os republicanos. Fetterman tem entrado em conflito com setores da esquerda democrata, especialmente por sua posição sobre Israel. Os republicanos esperam que esse tipo de divisão prejudique a tentativa democrata de conquistar o Senado. O evento foi dominado por cartazes de Trump, imagens do presidente e bandeiras americanas. As barracas venderam alimentos, lembranças e livros ligados à família Trump. Entre eles estava “Under Siege”, obra de Eric Trump, filho do presidente. A eleição de novembro será, portanto, um teste decisivo para a força política de Trump. O resultado poderá definir a capacidade do presidente de avançar sua agenda no restante do mandato. A promessa dos US$ 5 mil tornou-se um dos principais elementos de sua estratégia para mobilizar os eleitores republicanos. 

STF: PREDOMINAM "COICES INSTITUCIONAIS"


A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) mobilizou políticos, candidatos e sociedade civil, além de dividir o Judiciário. 
Para o professor Creomar de Souza, ministros transformaram a Corte em “tribunais próprios” por meio de decisões monocráticas. Segundo ele, a estrutura atual favorece decisões individuais e amplia os conflitos internos do Supremo. No dia 1º, André Mendonça retirou o sigilo de um inquérito com mensagens de Daniel Vorcaro para Alexandre de Moraes. Uma delas foi enviada dias antes da prisão do banqueiro, em novembro do ano passado. Dois dias depois, Moraes acusou Mendonça de improbidade, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade. Para o professor Souza, o episódio revela uma divisão entre grupos de ministros dentro do STF. De um lado, estariam Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Cristiano Zanin. De outro, formaria-se um grupo em torno de André Mendonça, com Nunes Marques e Luiz Fux. Edson Fachin estaria em posição delicada, enquanto Cármen Lúcia buscaria preservar sua independência. A crise também pode influenciar diretamente o eleitorado nas próximas eleições. Souza avalia que cresce a dúvida sobre a legitimidade da Suprema Corte, após anos de forte atuação política do STF, enquanto o governo Lula enfrenta um problema eleitoral porque sua narrativa não estava preparada para a crise. Além do caso Banco Master, o Supremo trata de questões relevantes, como as fraudes no INSS. O conjunto dos episódios, avalia o professor, provoca degradação da reputação do STF e perda de confiança da população. Ele considera que a política interna da Corte se tornou uma variável de risco para a estabilidade da República e para o processo eleitoral.

A crise possui ainda diferentes camadas de conflito entre os próprios ministros. A primeira envolve diretamente André Mendonça e Alexandre de Moraes. Outra surgiu com a atuação de Flávio Dino, que reconduziu o diretor-geral da Polícia Federal ao cargo. O professor defende o afastamento de Mendonça e Moraes de decisões com impacto eleitoral. Para ele, ambos deveriam declarar-se impedidos em processos capazes de influenciar diretamente a disputa política. O professor reconhece, porém, que esse cenário ideal não corresponde à realidade institucional de 2026 e o conflito ultrapassa o STF e envolve todos os Poderes da República. Assegura que a atual crise institucional começou a se aprofundar com as manifestações de 2013 e o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Depois vieram a prisão e a soltura de Lula, a eleição de Jair Bolsonaro e os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. A prisão de Bolsonaro também faz parte, em sua avaliação, da sequência de conflitos que alimentaram a crise atual. O especialista afirma que há quase uma década e meia de confrontos entre instituições. Em vez de uma relação harmônica entre os Poderes, predominariam disputas e “coices institucionais”. Para Souza, o impasse representa um desafio à estabilidade política e institucional do país.