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sexta-feira, 15 de maio de 2026

IA PODE TRANSFORMAR VISÃO SOBRE ALMA, CONSCIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE


As implicações da inteligência artificial para a religião têm recebido menos atenção do que seus efeitos no mercado de trabalho ou na disputa tecnológica entre EUA e China. Ainda assim, cresce o debate sobre como a IA pode transformar a visão humana sobre alma, consciência e espiritualidade. 
Um possível cenário aponta a IA como reforço ao ateísmo, levando mais pessoas a enxergar a mente humana como apenas um sistema computacional, sem dimensão espiritual. Em outro, a inteligência artificial tornaria o mistério da consciência ainda mais profundo, fortalecendo o apelo da religião e do misticismo. Entre esses extremos, surge uma terceira hipótese: a IA ampliaria a incerteza metafísica, deixando muitos inquietos sobre questões fundamentais da existência. Essa ambiguidade aparece no próprio Vale do Silício, onde empresários e cientistas, apesar do discurso materialista, recorrem ao budismo, ao cristianismo ou a ideias apocalípticas para interpretar suas criações tecnológicas.

O texto cita o biólogo Richard Dawkins, símbolo do materialismo científico, que relatou interações com o chatbot Claude, da Anthropic. Parte da internet zombou de Dawkins por parecer encantado com respostas filosóficas e elogiosas dadas pela IA. Mas o episódio revela algo mais profundo: a facilidade humana em atribuir significado quase sobrenatural às máquinas inteligentes. Muitas pessoas podem passar a se relacionar com IAs como antigos oráculos ou entidades misteriosas. Dawkins também enfrenta um dilema filosófico: se máquinas podem aparentar consciência sem realmente possuí-la, então qual seria a função da consciência humana? Se inteligência pode existir sem autoconsciência, por que existe o “eu”? Se a IA já for consciente, isso significaria que criamos uma mente sem entender como a consciência funciona. Se não for, a própria existência da experiência consciente humana se torna ainda mais difícil de explicar. O artigo conclui que a IA talvez revele um universo mais estranho do que o materialismo imagina, no qual consciência e mente podem ser mais fundamentais do que a própria matéria. 

RÚSSIA CONTINUA ATACANDO KIEV


A Rússia realizou o maior ataque aéreo em dois dias desde o início da guerra contra a Ucrânia, lançando centenas de drones contra Kiev e outras cidades, segundo autoridades ucranianas, ontem, 14. 
De acordo com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, Moscou disparou 1.567 drones desde quarta-feira (13). Pelo menos 27 civis morreram nos ataques. O presidente russo, Vladimir Putin, havia afirmado no sábado (9) que a guerra estaria “chegando ao fim”. Zelenski rebateu dizendo que os ataques mostram o contrário. Kiev foi o principal alvo. O Serviço de Emergência informou a morte de 21 pessoas, entre elas três crianças. O prefeito Vitali Klitschko decretou luto nesta sexta-feira (15). Equipes de resgate seguem atuando em áreas destruídas da capital. Imagens mostraram socorristas removendo escombros de um prédio residencial de nove andares atingido por um míssil russo Kh-101.

Mais de 1.500 socorristas foram mobilizados em toda a Ucrânia. Segundo Zelenski, 180 instalações foram danificadas, incluindo mais de 50 edifícios residenciais. Na cidade de Kharkiv, 28 pessoas ficaram feridas, entre elas três crianças. Autoridades relataram ataques contra infraestrutura civil, ferrovias, portos e redes elétricas em 11 regiões. O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, afirmou que os bombardeios demonstram que Moscou pretende continuar a guerra, apesar das tentativas de mediação dos Estados Unidos. Ele declarou que líderes como Donald Trump e Xi Jinping têm influência suficiente para pressionar Putin a encerrar o conflito. 

POLÍCIA FEDERAL CUMPRIU MANDADOS CONTRA EX-GOVERNADOR DO RIO


A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (15), mandados de busca e apreensão contra o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, e contra o empresário Ricardo Magro, dono da Refit. 
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que também expediu mandado de prisão contra Magro. Como o empresário mora no exterior, Moraes determinou a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol. O advogado de Castro, Carlo Luchione, afirmou que ainda desconhece a motivação da ação. Já Magro não se pronunciou até a publicação da reportagem. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e suspendeu as atividades das empresas investigadas. Segundo a PF, a operação Sem Refino investiga um conglomerado do setor de combustíveis suspeito de usar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e envio de recursos ao exterior. As apurações envolvem suspeitas de fraude fiscal, ocultação de patrimônio e irregularidades ligadas à operação de refinarias. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de funções públicas no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. 

Entre os afastados está Guaraci Vianna, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio, já afastado anteriormente pelo CNJ por decisões relacionadas à Refit. Ele também foi alvo de buscas. A investigação foi conectada à chamada ADPF das Favelas, que apura relações entre organizações criminosas e agentes públicos no Rio. Magro é dono da Refit, investigada nas operações Carbono Oculto e Cadeia de Carbono, que apuram sonegação de impostos na importação de gasolina e fornecimento de combustíveis para postos ligados ao PCC. Morando em Miami desde 2016, Magro nega irregularidades e afirma ser perseguido por concorrentes. Cláudio Castro também responde a outras investigações, incluindo suspeitas de desvios em contratos da assistência social do governo fluminense entre 2017 e 2020. Em março, o TSE condenou Castro à inelegibilidade por participação em esquema de criação de 27 mil cargos fantasmas para acomodar aliados políticos.

POSSÍVEIS SINAIS DE VIDA FORA DA TERRA


Um estudo publicado na revista Nature Astronomy apresentou um novo método para identificar possíveis sinais de vida fora da Terra sem depender da detecção direta de moléculas biológicas. A técnica analisa a organização estatística das moléculas. 
A pesquisa tenta resolver um problema antigo da astrobiologia: aminoácidos e compostos orgânicos já foram encontrados em meteoritos e asteroides, mas isso não comprova vida, já que processos químicos não biológicos também podem produzi-los. Os cientistas descobriram que organismos vivos deixam um “padrão estatístico” específico. Em materiais biológicos, os aminoácidos aparecem com maior diversidade e distribuição equilibrada. Já em processos abióticos, a composição tende a ser mais limitada e irregular. O mesmo comportamento foi observado em ácidos graxos, reforçando a hipótese de uma assinatura química universal ligada à biossíntese.

O professor Fabian Klenner afirmou que “a vida não produz apenas moléculas; ela produz um princípio organizacional observável por estatísticas”. A equipe analisou micróbios, solos, fósseis, meteoritos e compostos produzidos em laboratório. Até cascas fossilizadas de ovos de dinossauro mantiveram o padrão estatístico. O método também resistiu a simulações de degradação espacial, sugerindo que a assinatura química da vida pode permanecer detectável mesmo após longa exposição ao ambiente hostil do espaço. A descoberta pode ajudar na busca por vida em Marte e nas luas geladas Encélado e Europa. Missões da NASA e da Agência Espacial Europeia devem coletar dados químicos desses mundos. Os pesquisadores ressaltam que nenhuma evidência isolada confirmaria vida extraterrestre. A proposta é combinar dados geológicos, químicos e estatísticos para tornar as análises mais confiáveis. 

JUIZ MANDA GOVERNO TRAZER MULHER DEPORTADA ILEGALMENTE


Um juiz federal dos EUA concluiu na quarta-feira (13) que o governo de Donald Trump provavelmente violou a lei ao deportar a colombiana Adriana Maria Quiroz Zapata para a República Democrática do Congo, apesar de o país africano ter recusado recebê-la. 
O juiz federal Richard J. Leon ordenou que o governo traga Zapata de volta aos EUA, em decisão considerada rara no contexto da política de deportações da gestão Trump. Segundo documentos judiciais obtidos pelo jornal The New York Times, a RDC havia informado ao governo americano que não poderia acolher a colombiana por questões médicas. Zapata, de 55 anos, sofre de diabetes, hiperlipidemia e hipotireoidismo. O Ministério do Interior congolês afirmou que não teria condições de oferecer tratamento adequado. Mesmo após a recusa formal, o governo americano realizou a deportação. Na decisão, o juiz afirmou que enviá-la à RDC foi “provavelmente ilegal”. A legislação dos EUA permite deportações para terceiros países, mas exige que o destino concorde em receber o migrante. O caso ocorre em meio à pressão da Casa Branca sobre o ICE e o Departamento de Estado para encontrar países dispostos a receber imigrantes impedidos de retornar aos seus locais de origem por risco de perseguição ou tortura.

O magistrado comparou o episódio ao caso de Kilmar Abrego Garcia, deportado equivocadamente para El Salvador no ano passado. Zapata afirmou ter fugido da Colômbia após sofrer estupros e agressões de um ex-companheiro ligado à polícia colombiana. Em 2025, um tribunal de imigração dos EUA determinou que ela não poderia ser enviada de volta ao país por risco de tortura. Atualmente hospedada em um hotel nos arredores de Kinshasa com outros deportados, ela relatou medo constante e disse permanecer trancada no quarto o tempo todo. O juiz determinou que o governo informe até sexta-feira (15) quais medidas adotou para trazê-la de volta aos Estados Unidos. Casos semelhantes têm ocorrido com certa frequência no governo Trump.

FLÁVIO BOLSONARO PEDIU RECURSOS A VORCARO


A revista The Economist publicou ontem, 14, reportagem afirmando que a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro pediu recursos a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro pode ameaçar sua candidatura ao Planalto. Segundo o site The Intercept Brasil, o pedido teria sido de R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos por Vorcaro. A produtora Go Up Entertainment e o deputado Mario Frias afirmam não ter recebido os valores. Vorcaro está preso e sua defesa não comentou o caso. A produtora alegou cláusulas de confidencialidade para não revelar a origem dos recursos do filme “Dark Horse”. A Economist afirmou que partidos da direita passaram a discutir alternativas para a eleição presidencial e que Flávio caiu para o segundo lugar em casas de apostas. Segundo a revista, o mercado reagiu negativamente, com queda do real e da bolsa diante do fortalecimento do presidente Luiz Inácio Lula da SilvaA publicação destacou ainda que a ligação com Vorcaro abalou a imagem pública de Flávio e levantou receios de que outros adversários do PT também sejam associados ao banqueiro durante as investigações.

Após a revelação, Flávio negou em entrevista à GloboNews ter solicitado R$ 134 milhões. Mario Frias classificou as acusações como tentativa de sabotagem política contra o senador. A Economist também citou o recente encontro entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo a revista, a aproximação entre os dois incomodou a família Bolsonaro, que costuma destacar sua relação com Trump. Nas redes sociais, porém, o impacto do caso foi negativo para Flávio. Levantamento da AP Exata Inteligência mostrou aumento das menções negativas ao senador e queda nos índices de confiança digital. Até a noite de quinta-feira, 64,3% das menções monitoradas tinham tom negativo, o pior índice desde o início de sua pré-campanha presidencial. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 15/05/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Diálogos Flávio-Vorcaro: dia de silêncio e de desconforto no bolsonarismo

Extrema-direita no Congresso reconhece que pedido de dinheiro do senador ao banqueiro preso causaram desgaste. Mas tenta desviar foco pedindo CPMI do Master

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Fundo para filme, instituto e migração: advogado radicado nos EUA vira elo de dinheiro de Vorcaro com Eduardo Bolsonaro

Advogado próximo de Eduardo Bolsonaro aparece ligado a fundo usado para financiar filme sobre o ex-presidente e instituto conservador no Texas.

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Xi prega estabilidade, enquanto Trump deixa Pequim com menos negócios que o esperado

Cooperação em agricultura e energia ficam sem detalhes, e Boeing vende menos do que o esperado Xi eleva tom sobre Taiwan e propõe nova moldura para relação bilateral com Washington

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Valor de filme sobre Bolsonaro supera o orçamento de 20 vencedores do Oscar

O valor de US$ 24 milhões chama a atenção por ser muito superior ao praticado no mercado nacional — superando mesmo os premiados "O agente secreto" (2025) e "Ainda estou aqui" (2024).

CORREIO DO POVO -  PORTO ALEGRE/RS

Ex-governador do Rio, Cláudio Castro é alvo de ação da PF

Ordem para ofensiva foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Nuno Melo: "Não precisamos de quem ajude os nossos adversários a combater a AD"

Líder do CDS procura reeleição no Congresso que decorre em Alcobaça no fim-de-semana. E nega que o partido se esteja a diluir, ao contrário do que defendem a Juventude Popular e Nuno Correia da Silva

quinta-feira, 14 de maio de 2026

RADAR JUDICIAL


ARQUIVADO PROCESSO CONTRA EX-PRESIDENTE DA AAB

O processo, responsável pela investigação contra o ex-presidente da Associação Atlética da Bahia, Reuvan Sodré, foi arquivado, de conformidade com manifestação do Ministério Público da Bahia, através do promotor Augusto Joaquim de Azevedo Júnior. O entendimento foi de que não havia elementos consistentes para comprovar eventuais crimes, praticados pelo gestor. O procedimento perdurou por três anos até o final com o arquivamento. As suspeitas eram de associação criminosa, estelionato e apropriação indébita em documentos fiscais emitidos no período de outubro de 2019 a março de 2020. Reuvan sempre questionou a movimentação do processo por suas atividades na direção da entidade esportiva. Finalmente, conseguiu provar sua absoluta lealdade.     


MULHER COM 108 ANOS AINDA DIRIGE

Aos 108 anos, Susan Young Browne mantém uma rotina ativa nos Estados Unidos e diz não ter intenção de desacelerar. Moradora de Delaware, ela faz alongamentos diários, participa de aulas de ginástica e continua dirigindo sozinha após renovar a carteira até 2033. Frequentadora do Modern Maturity Center desde 1973, Browne participa das atividades três vezes por semana. “Tenho mais de cem anos. Cento e oito”, brincou ao chegar a uma das aulas. Nascida em 1918, cresceu em uma fazenda durante a segregação racial e se formou em 1945 no atual Delaware State University. Depois, dedicou 30 anos ao magistério em escolas do estado. Mesmo aposentada, nunca quis parar. “Não vou me sentar”, afirmou. Mãe, avó e bisavó, também é conhecida pelo humor e pelas receitas de bolo inglês. Na festa de 108 anos, com mais de 130 convidados, recebeu homenagens e até uma vaga de estacionamento exclusiva para motoristas acima de 100 anos. Sua filosofia de vida resume tudo: “Envelheço com graça”. 


NEW YORK TIMES DEFENDE MATÉRIA SOBRE ABUSO SEXUAL EM ISRAEL

O governo de Israel afirmou nesta quinta-feira (14) que pretende processar o jornal The New York Times e o jornalista Nicholas Kristof por difamação após artigo sobre supostos abusos sexuais cometidos contra prisioneiros palestinos. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse ter orientado assessores jurídicos a estudar “as medidas legais mais severas” contra o jornal e o repórter. Segundo Netanyahu, o texto difamou soldados israelenses ao criar uma “falsa simetria” entre o Hamas e as forças de Israel. O artigo reúne relatos de palestinos detidos por autoridades israelenses, incluindo denúncias de espancamentos e violência sexual em prisões. Após críticas de parlamentares israelenses, o New York Times defendeu a reportagem e afirmou que os depoimentos passaram por extensa checagem de fatos. Segundo o jornal, entrevistas com jornalistas palestinos libertados indicaram relatos de estupro e outras formas de violência sexual durante detenções. Kristof escreveu ainda que os Estados Unidos seriam cúmplices dos abusos por financiarem o aparato de segurança israelense. A Organização das Nações Unidas e entidades de direitos humanos afirmam ter documentado casos de violência sexual tanto por Israel quanto pelo Hamas desde os ataques de 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.

AMERICANO CAUSA APAGÃO EM CUBA

Protestos tomaram as ruas de Havana ontem, 14, em meio aos piores apagões das últimas décadas em Cuba. Moradores bloquearam vias, queimaram lixo e bateram panelas, gritando por energia elétrica. A Reuters relatou manifestações pacíficas em vários bairros, a maior mobilização desde o agravamento da crise energética. O governo cubano informou que avalia uma proposta de ajuda de US$ 100 milhões dos Estados Unidos. A escassez de combustível piorou após novas sanções impostas pelo presidente Donald Trump. Segundo o Ministério de Energia, houve falha no sistema elétrico em grande parte do país. Moradores relataram bairros sem luz por mais de 40 horas, com alimentos estragando e idosos em situação crítica. Em alguns locais, a energia voltou durante os protestos, levando multidões a se dispersarem. Apesar da forte presença policial, as forças de segurança evitaram confrontos. O governo afirmou que Cuba está sem reservas de diesel e óleo combustível. Os apagões já atingem bairros de Havana por até 22 horas diárias, agravando a falta de alimentos e medicamentos. A ONU classificou o bloqueio americano às importações de combustível como ilegal e prejudicial à população cubana.

PRODUÇÃO DE FILME SOBRE BOLSONARO: R$ 159.2 MILHÕES

A empresa Entre Investimentos, apontada como intermediária de repasses entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção do filme sobre Jair Bolsonaro, recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal por suspeita de fraude ligada ao Banco Master. Ainda não se sabe quanto desse valor foi destinado ao filme “Dark Horse”, cuja produção previa aporte total de R$ 124 milhões. Segundo o Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro cobrou pagamentos de Vorcaro em mensagens e áudios divulgados ontem, 13. Parte dos repasses teria ocorrido por meio da Entre Investimentos, ligada ao grupo Entrepay. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília sob acusação de liderar esquema bilionário de fraudes financeiras. A maior parte do dinheiro recebido pela Entre veio da Sefer Investimentos, alvo de investigação da PF na operação Compliance Zero. Outro repasse de R$ 20 milhões partiu do fundo Gold Style, ligado ao Banco Master e citado em apurações sobre lavagem de dinheiro do PCC. A Entrepay, controladora da Entre Investimentos, foi liquidada pelo Banco Central após irregularidades financeiras e risco a credores. A empresa também é alvo de críticas por atrasos em pagamentos a lojistas e de investigações da CVM sobre operações suspeitas com fundos imobiliários. O publicitário Thiago Miranda confirmou ter intermediado negociações para que Vorcaro investisse R$ 62 milhões no longa sobre Bolsonaro. Segundo ele, os pagamentos foram suspensos após a crise no Banco Master e a participação do banqueiro no projeto não seria divulgada publicamente. Em nota, o Grupo Entre afirmou colaborar com as autoridades e disse que já conduzia um processo de encerramento gradual das operações da Entrepay.

Salvador, 14 de maio de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

VENEZUELANOS NÃO RETORNAM AO PAÍS


A captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA gerou euforia entre venezuelanos espalhados pela América Latina e outros países. Em cidades como Buenos Aires, Santiago e Montevidéu, muitos imigrantes comemoraram a notícia e falaram em retornar à Venezuela após anos de exílio provocado pela crise política e econômica. 
A diáspora venezuelana, estimada pela ONU em cerca de 8 milhões de pessoas —quase um quarto da população do país—, é considerada uma das maiores crises migratórias do mundo. A maioria dos emigrantes vive em países da América Latina, como Colômbia, Peru, Brasil e Chile. Apesar da esperança inicial de mudança, muitos venezuelanos decidiram permanecer no exterior. Migrantes afirmam que os problemas que motivaram a saída continuam presentes: inflação, baixos salários, escassez de alimentos, apagões, repressão política e falta de segurança. Nos dias seguintes à queda de Maduro, não houve aumento significativo de retornos à Venezuela, segundo organismos internacionais. Pesquisa da ONU realizada em fevereiro mostrou que apenas 9% dos venezuelanos entrevistados em países da região pretendiam voltar no prazo de um ano. O fluxo migratório transformou mercados de trabalho em diversos países latino-americanos, com venezuelanos ocupando vagas no setor informal, especialmente em entregas por aplicativos. Ao mesmo tempo, a presença crescente de imigrantes alimentou discursos anti-imigração e debates eleitorais. 

No Chile, o novo presidente de direita, José Antonio Kast, afirmou que a saída de Maduro facilitaria o repatriamento de venezuelanos. Já nos EUA, parte dos imigrantes perdeu o status de proteção temporária concedido durante a crise humanitária. Enquanto alguns opositores retornaram ao país após uma anistia parcial para presos políticos, relatos indicam que dissidentes continuam sendo detidos. Integrantes da oposição afirmam que o aparato autoritário permanece ativo mesmo após a destituição de Maduro. A nova líder venezuelana, Delcy Rodríguez, fez apelos públicos para que os emigrantes retornem. Porém, muitos afirmam que ainda não enxergam estabilidade suficiente para reconstruir a vida no país. Migrantes relatam que, embora a saída de Maduro tenha criado expectativa de mudança, a permanência das dificuldades econômicas e políticas impede um retorno em massa. Muitos já construíram novas vidas em países como Argentina, Chile e Brasil e priorizam oportunidades de trabalho, educação e segurança para suas famílias. 

POLÍCIA PRENDE, JUSTIÇA SOLTA EM BRASÍLIA


A frase “a polícia prende e a Justiça solta” simplifica um processo jurídico complexo. Dados do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) mostram que, embora parte dos presos em flagrante obtenha liberdade provisória, milhares continuam detidos por decisão judicial, quando há risco à investigação, à ordem pública ou à aplicação da lei penal. 
Entre janeiro e março de 2026, ocorreram 3.691 prisões em flagrante no DF. Desse total, 2.211 pessoas receberam liberdade provisória, 48 tiveram a prisão relaxada e 1.432 casos resultaram em prisão preventiva. Na prática, cerca de seis em cada dez presos responderam ao processo em liberdade no primeiro trimestre. A liberdade provisória, porém, não significa absolvição. Em muitos casos, ela é acompanhada de medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica, comparecimento periódico à Justiça e restrições de contato ou deslocamento. Os números indicam mudança no perfil das decisões judiciais em relação a 2025. No primeiro trimestre daquele ano, foram 3.808 prisões em flagrante, com 2.623 liberações provisórias e 1.126 conversões em prisão preventiva. Na comparação anual, o número de flagrantes caiu 3,07%, enquanto as liberações provisórias recuaram 15,71%. Já as prisões preventivas cresceram 25,72%, passando de 1.126 para 1.432 casos. O maior aumento ocorreu em janeiro de 2026, quando as preventivas subiram 50,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Fevereiro registrou alta de 31,1%, e março, de 3,5%.

Para especialistas, a frase “a polícia prende e a Justiça solta” não traduz corretamente o funcionamento do sistema penal. O advogado criminalista Fábio Souto afirma que o debate público é marcado pelo “populismo penal”, que aposta em punições mais severas como solução imediata para problemas estruturais. Segundo ele, o Brasil possui uma das maiores populações carcerárias do mundo, com cerca de 850 mil pessoas cumprindo pena, o que contraria a ideia de leniência do Judiciário. O professor Amaury Andrade ressalta que polícia e Justiça exercem funções diferentes. A polícia realiza a prisão em flagrante; o juiz avalia a legalidade do ato e decide se há fundamento jurídico para manter o investigado preso. Os especialistas lembram que, no sistema jurídico brasileiro, a liberdade é a regra e a prisão cautelar é exceção, conforme o princípio constitucional da presunção de inocência. A Polícia Civil do DF afirmou que as decisões sobre manutenção da prisão são exclusivas do Judiciário. Já o TJDFT informou que a prisão preventiva só ocorre quando preenchidos os requisitos previstos no Código de Processo Penal, sendo medida excepcional destinada a proteger a ordem pública, a investigação e a aplicação da lei. 

FLÁVIO NEGA, MAS MUDA PARA JUSTIFICAR CORRUPÇÃO


Em áudio divulgado ontem, 13, pelo portal
 Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, cobra R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair BolsonaroNa conversa, Flávio chama Vorcaro de “irmão” e afirma que estará “sempre” ao lado dele. Inicialmente, o senador negou a autenticidade do áudio, mas depois confirmou a conversa e alegou que a negociação não tinha ilegalidade. Segundo a reportagem, o diálogo ocorreu em novembro do ano passado, um dia antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal em investigação sobre corrupção, lavagem de dinheiro, lobby e pagamento de propina envolvendo setores político, econômico e de mídia. Parte dos recursos teria sido transferida pela empresa Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado a aliados de Eduardo BolsonaroEm um trecho da conversa, Flávio diz: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”. Questionado pela imprensa durante visita ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, Flávio negou inicialmente a existência do áudio. Mais tarde, divulgou vídeo admitindo a conversa e afirmando não ter cometido irregularidades.

A reportagem afirma que ao menos R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio do ano passado em seis operações financeiras. O filme seria produzido nos Estados Unidos sob coordenação de Eduardo Bolsonaro. Vorcaro é apontado como principal investigado no esquema. Entre as instituições citadas está o Banco de Brasília, que teria acumulado prejuízo bilionário após adquirir títulos do Banco Master. A tentativa de compra do Master pelo BRB também levou à prisão do ex-diretor do banco público Paulo Henrique Costa. Segundo fontes da PF ouvidas pelo Correio, o episódio revelado no áudio ainda não integra formalmente as investigações, mas poderá ser incluído nas diligências da Operação Compliance Zero. 

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER


Em dez anos, a Justiça brasileira recebeu 6,47 milhões de processos ligados à violência doméstica e familiar contra a mulher, segundo levantamento da Predictus com dados de 68 tribunais entre 2016 e fevereiro de 2026. 
A média é de um novo processo a cada 49 segundos: cerca de 1.749 ações por dia. Entre 2016 e 2025, os registros subiram de 475 mil para 780 mil processos anuais, alta de 64%. Especialistas afirmam que o aumento reflete não apenas a persistência da violência, mas também maior capacidade de denúncia e ampliação das políticas públicas. A advogada Fabiana Kuele destaca que a criminalização da violência psicológica e patrimonial, além das campanhas de conscientização e da digitalização dos serviços, facilitaram o acesso das vítimas à Justiça. Segundo ela, mais mulheres passaram a reconhecer situações abusivas e buscar ajuda por aplicativos, WhatsApp e canais eletrônicos. O crescimento dos casos também revela que o Estado passou a intervir em situações antes tratadas como “problemas privados”. O Distrito Federal lidera o número proporcional de processos, com quase 12 mil ações por 100 mil habitantes, enquanto o Paraná registra pouco mais de 400.

Para a especialista, a diferença reflete mais a eficiência da rede de proteção do que o nível real de violência. Ela afirma que locais com poucos registros podem esconder subnotificação, dificuldade de acesso às delegacias e falhas no sistema de acolhimento. O estudo ressalta que menos de 10% dos casos de violência chegam efetivamente ao Judiciário. As medidas protetivas de urgência somaram 3,4 milhões, mais da metade dos processos analisados. Fabiana afirma que muitas mulheres só denunciam quando o risco de morte se torna iminente. O levantamento também mostra que 68,3% dos processos acabaram arquivados, enquanto apenas 21,1% tiveram sentença registrada. Segundo a advogada, isso revela dificuldades estruturais, falta de provas, desistência das vítimas e lentidão do Judiciário. Para ela, a ausência de desfechos efetivos gera descrédito no sistema de Justiça e reforça a sensação de impunidade entre os agressores.