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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

ADVOGADOS EM ÓRGÃOS PÚBLICOS CRESCEU


O número de advogados que trabalham em órgãos públicos cresceu de 31.551, em 2019, para 56.918, em 2025, uma alta de 80%. 
O aumento superou o registrado entre os profissionais do setor privado, cujo crescimento foi de 26% no mesmo período. Os dados abrangem advogados que atuam na Justiça, no Ministério Público e nos Poderes Executivo e Legislativo. O levantamento utiliza informações da Rais, do Caged, da Receita Federal, do Inep e do IBGE.
Entretanto, o emprego formal representa uma pequena parcela da advocacia brasileira. Os vínculos registrados correspondem a aproximadamente 9% dos 1,51 milhão de advogados com inscrição ativa na OAB. Sócios de escritórios e profissionais associados não aparecem nessas estatísticas. Na advocacia privada, é comum trabalhar por meio de sociedades individuais ou formadas por vários profissionais. Nesses modelos, os advogados dividem os resultados do escritório, em vez de receber salários como empregados. Segundo Mario Engler, professor da FGV e procurador estadual aposentado, o vínculo trabalhista é atípico na advocacia privada.
O emprego formal concentra-se principalmente em empresas e grandes escritórios. Ele destaca que existem alternativas de contratação menos onerosas, o que desestimula a formalização dos vínculos empregatícios. Outro fator que explica o crescimento da advocacia pública é a maior complexidade da estrutura estatal. Desde a Constituição de 1988, diversos órgãos foram criados ou fortalecidos, ampliando a necessidade de profissionais especializados. A advocacia pública representa União, estados e municípios perante a Justiça. Também atua na cobrança de dívidas, na análise de licitações e contratos e na avaliação da legalidade dos atos administrativos.

A participação do setor público no emprego formal de advogados varia bastante entre os estados brasileiros. No Piauí, 85% dos advogados com emprego formal trabalham em órgãos públicos. Roraima, Amapá, Rondônia, Tocantins e Maranhão também apresentam forte dependência do setor público. Nessas unidades da Federação, pelo menos 77% dos advogados formalmente empregados atuam em instituições estatais. A presença pública também supera a metade dos vínculos no Paraná, com 60,8%, e no Rio Grande do Sul, com 52,9%.
São Paulo apresenta um cenário diferente do restante do país. O estado concentra 28,5% dos vínculos formais de advogados, mas apenas 14,1% deles estão no setor público. No Rio de Janeiro, a participação dos órgãos públicos corresponde a 22,5% dos vínculos. Os números revelam a importância do Estado como empregador de advogados, sobretudo fora dos principais centros econômicos do país. Apesar do crescimento expressivo, a maior parte da advocacia brasileira permanece fora das estatísticas tradicionais de emprego formal. Além disso, uma mudança no preenchimento da Rais, em 2023, pode ter levado ao registro de antigos contratos como novos vínculos.

 

"IA ENTROU NO COTIDIANO DAS EMPRESAS"

Paulo Humaitá, fundador e CEO da Bluefields
A inteligência artificial entrou rapidamente no cotidiano das empresas, passando dos laboratórios para reuniões estratégicas e operações diárias. Sua expansão levanta dúvidas sobre o futuro do trabalho e o papel dos profissionais. Enquanto alguns temem a eliminação de empregos em massa, outros acreditam que a tecnologia resolverá problemas antigos de produtividade. Na prática, porém, a IA está reorganizando o trabalho, e não simplesmente acabando com ele. A automação de tarefas repetitivas permite que as pessoas dediquem mais tempo à criatividade, ao julgamento e aos relacionamentos. Processos que levavam semanas podem ser realizados em poucas horas. Entretanto, é importante alternar o uso da inteligência artificial com atividades mais artesanais, preservando a criatividade humana e o valor dos processos criativos demorados. Nesse cenário, as habilidades comportamentais, conhecidas como soft skills, ganham importância. Segundo o Fórum Econômico Mundial, até 2030 serão criados 170 milhões de empregos e deslocados 92 milhões. Além disso, 39% das habilidades profissionais atuais deverão mudar ou perder relevância. O desafio não consiste apenas em aprender a utilizar novas ferramentas, mas também em desenvolver pensamento crítico, colaboração, sensibilidade ética, criatividade e capacidade de adaptação. No Brasil, o uso da inteligência artificial pelas empresas passou de 13% para 17% em um ano, segundo pesquisa TIC Empresas, realizada pelo Cetic.br. Nas startups, a tecnologia permite testar ideias rapidamente, ampliar operações e desenvolver novos serviços.

Contudo, esses avanços dependem de planejamento estratégico, dados de qualidade e responsabilidade. A IA pode ampliar resultados, mas não substitui a clareza de objetivos nem uma gestão eficiente. Por isso, a transformação tecnológica também exige investimentos em formação contínua, cultura organizacional e governança. As lideranças devem preparar suas equipes com transparência, enquanto instituições de ensino e governos precisam promover a requalificação profissional e estabelecer regras para o uso ético da tecnologia. O futuro do trabalho dependerá menos da potência dos algoritmos do que das decisões humanas sobre sua utilização. A inteligência artificial deve contribuir para desenvolver e valorizar novas competências, com oportunidades distribuídas de maneira mais justa. A prioridade, portanto, é substituir o medo pelo preparo e o deslumbramento pela estratégia. O sucesso dessa transformação dependerá das escolhas feitas pelas empresas e pela sociedade desde agora.

MULHERES SÃO MAIS INTELIGENTES QUE OS HOMENS


Um estudo que reuniu quase três décadas de pesquisas, realizadas em 76 países com mais de 600 mil pessoas, concluiu que as mulheres apresentam, em média, maior inteligência emocional que os homens. A principal diferença está na capacidade de reconhecer, compreender e responder aos sentimentos de outras pessoas. Essa habilidade ajuda a acalmar conflitos, apoiar amigos e perceber tensões em ambientes profissionais. Os pesquisadores ressaltam que os resultados representam médias, não características universais. Há homens com grande inteligência emocional e mulheres com dificuldades nessa área. A diferença entre os sexos é menor na infância do que na idade adulta e diminuiu ao longo do período analisado, entre 1995 e 2023. Isso sugere que fatores sociais e experiências adquiridas contribuem para desenvolver essas habilidades. Pesquisas indicam que pais costumam conversar mais sobre sentimentos com as filhas e incentivá-las a expressá-los. Os meninos, por sua vez, frequentemente recebem orientações para reprimir emoções, o que pode reduzir suas oportunidades de aprendizado emocional. Uma meta-análise de 2019, baseada em 58 estudos, demonstrou que a inteligência emocional pode ser desenvolvida por meio de treinamento, independentemente do gênero. Portanto, essa capacidade não constitui um destino determinado pelo sexo. Entretanto, existe um problema: as habilidades emocionais das mulheres muitas vezes são consideradas naturais, em vez de reconhecidas como competências que exigem prática e esforço. 

No ambiente de trabalho, funcionárias frequentemente assumem a responsabilidade de amenizar conflitos, apoiar colegas estressados e preservar a harmonia das equipes. Embora esse trabalho beneficie as organizações, raramente é valorizado nas avaliações de desempenho ou nas promoções. Os empregadores deveriam reconhecer e recompensar essas contribuições, além de oferecer oportunidades para que todos os funcionários desenvolvam inteligência emocional. Nas famílias e amizades, também é comum que determinadas pessoas assumam a responsabilidade de perceber dificuldades, oferecer apoio e manter os relacionamentos. Esse esforço costuma ser ignorado justamente porque parece espontâneo. Reconhecer a inteligência emocional como uma habilidade, e não como uma obrigação feminina, permitiria distribuir melhor essa responsabilidade. Os homens também poderiam desenvolver essas competências se recebessem os mesmos incentivos e oportunidades de aprendizado. A conclusão é que a vantagem feminina nessa área pode refletir, em parte, maior experiência e estímulo social. Valorizar esse trabalho e incentivar seu aprendizado por todos é essencial para construir relações mais equilibradas, tanto na vida pessoal quanto profissional.

 

SE PERDER, TRUMP NÃO RECONHECERÁ O RESULTADO


Sete
em cada dez americanos acreditam que Donald Trump não reconhecerá uma eventual derrota republicana nas eleições legislativas de novembro, segundo pesquisa do Washington Post, ABC News e Ipsos. Entre os democratas, 94% desconfiam do presidente, percentual que chega a 77% entre independentes e 36% entre republicanos. O levantamento ouviu 2.545 pessoas, com margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa foi divulgada duas semanas antes da votação e coincide com outra sondagem que aponta a aprovação de Trump em apenas 31%, o menor índice de sua carreira política. Preocupado com a possibilidade de perder o controle do Congresso, o presidente percorre o país para mobilizar apoiadores. Em comício no Kansas, pediu votos como se seu nome estivesse nas urnas. Apesar da desconfiança em relação a Trump, 65% dos entrevistados afirmam confiar na contagem dos votos. Outra pesquisa, do Pew Research Center, mostra que 87% acreditam que as eleições serão bem administradas em suas comunidades. As preocupações variam conforme a preferência partidária. Entre democratas, 11% temem interferência do governo na organização do pleito, enquanto 10% receiam que eleitores aptos sejam impedidos de votar. Entre republicanos, 19% demonstram preocupação com fraudes e participação de eleitores irregulares. A desconfiança está relacionada ao histórico de Trump de contestar resultados desfavoráveis e às suas tentativas de ampliar a atuação federal nas eleições. Após perder para Joe Biden em 2020, Trump pressionou autoridades da Geórgia para encontrar votos que revertessem sua derrota. Posteriormente, o FBI apreendeu cédulas e registros eleitorais no condado de Fulton. O presidente também defendeu que os republicanos assumissem o controle da votação em algumas localidades e propôs nacionalizar as eleições, embora a Constituição atribua aos estados a administração do processo.

Trump ainda tentou aprovar o Save America Act, projeto que exige documento com foto e comprovante de cidadania para o registro eleitoral, além de ampliar o compartilhamento de dados entre estados e governo federal. A proposta não avançou no Congresso. A administração afirma que as medidas combatem fraudes e impedem votos ilegais, mas não há registros de fraudes significativas que justifiquem essas preocupações. Aliados do presidente também defenderam maior presença federal durante a votação. Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, sugeriu que agentes de imigração cercassem locais eleitorais, mas o governo declarou não haver planos formais nesse sentido. Diante dos riscos, cerca de dez atuais e ex-integrantes da área de segurança nacional orientaram autoridades de dez estados sobre possíveis interferências federais. Entre os cenários estão o envio de militares ou agentes de imigração aos locais de votação e tentativas de anular resultados sob alegações de fraude. O grupo afirma que suas preocupações se baseiam em declarações e iniciativas públicas do governo, e não em informações sigilosas sobre planos concretos. Para Richard Hasen, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Trump enfraqueceu a confiança no sistema ao insistir, sem provas, que as eleições são fraudadas. Segundo ele, essas declarações alimentam a desconfiança entre apoiadores e opositores do presidente. Hasen avalia que uma vitória expressiva dos democratas na Câmara dificultaria qualquer tentativa de interferência. Entretanto, se o controle da Câmara ou do Senado depender de poucas disputas apertadas, Trump poderá tentar contestar a apuração e a certificação dos resultados, repetindo iniciativas adotadas, sem sucesso, em 2020.