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segunda-feira, 1 de junho de 2026

RADAR JUDICIAL


MORTOS EM ACIDENTE NA BAHIA

Dezesseis pessoas da mesma família morreram na colisão frontal entre uma van e um caminhão na BR-116, em Santa Terezinha (BA), no domingo (31). As vítimas moravam em Salvador e retornavam de uma festa de aniversário em Amargosa. Outras quatro pessoas ficaram gravemente feridas e seguem internadas, uma delas após cirurgia. O motorista do caminhão foi socorrido, transferido para Santo Antônio de Jesus e autuado por homicídio doloso na direção de veículo. A polícia investiga as causas do acidente, mas há indícios de que o caminhão invadiu a contramão. Os corpos foram encaminhados aos DPTs de Santo Antônio de Jesus e Feira de Santana. A rodovia permaneceu interditada por cerca de 12 horas e foi liberada na madrugada desta segunda-feira (1º). Diante da tragédia, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues decretou luto oficial de três dias no estado.


TCE-AM TENTA PERMITIR REELEIÇÕES

A presidente do TCE-AM, Yara Amazônia Lins, tentou alterar as regras do tribunal para permitir novas reeleições à presidência, contrariando entendimento do STF que, em 2024, vetou medida semelhante no Amapá. O projeto enviado à Assembleia Legislativa previa “reconduções” sem limite para cargos de direção, como presidência, vice-presidência e corregedoria. Atualmente, cada conselheiro pode ser reconduzido apenas uma vez ao mesmo cargo, com mandatos de dois anos. Após questionamentos da imprensa, o TCE-AM solicitou a retirada da proposta, alegando que o texto tratava também de outros aspectos administrativos. A corte informou que o projeto continua em debate com deputados estaduais e será reenviado futuramente. Documento obtido pela imprensa mostra que o pedido de retirada ocorreu no mesmo dia em que o tribunal foi procurado para comentar o assunto. Até então, a proposta seguia em tramitação e seria analisada pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia antes de receber parecer da corregedoria da Casa. 


NOME RETIRADO NÃO ELIMINA DÍVIDA

Ter o nome retirado dos cadastros de inadimplência não elimina a dívida. Essa é a principal diferença por trás da chamada “indústria do Limpa Nome”, investigada em vários estados por prometer restaurar o crédito por meio de liminares judiciais. Segundo autoridades, as decisões apenas ocultam temporariamente as restrições, enquanto os débitos continuam existindo. O esquema envolveria associações que ingressam com ações coletivas para retirar registros de inadimplência de sistemas como Serasa e SPC. Investigações apontam que cerca de R$ 130 bilhões em dívidas teriam sido ocultados nos últimos cinco anos. Promotores identificaram entidades registradas em pequenas cidades, muitas vezes sem estrutura real, que obtinham liminares beneficiando milhares de pessoas de todo o país. Há suspeitas de corrupção, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Especialistas alertam que a prática pode gerar prejuízos para empresas, aumentar o risco de crédito e pressionar juros para consumidores adimplentes. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que monitora ações consideradas predatórias e trabalha para identificar demandas abusivas no sistema judicial.

ENTRE 52 INSTITUIÇÕES, 45 CAÍRAM DE POSIÇÃO

O ranking Global 2000 de 2026, divulgado pelo CWUR, mostra um cenário de perda de competitividade das universidades brasileiras. Das 52 instituições do país presentes na lista, 45 caíram de posição, o equivalente a 87% do total. Apenas cinco avançaram e duas mantiveram suas colocações. Segundo o CWUR, a principal causa é a queda no desempenho em pesquisa, agravada pela concorrência internacional de universidades mais bem financiadas. Entre as 52 brasileiras avaliadas, 44 registraram recuo nesse indicador. A Universidade de São Paulo segue como a melhor colocada do país, mas caiu do 118º para o 119º lugar mundial. A Universidade Federal do Rio de Janeiro recuou para a 346ª posição, enquanto a Universidade Estadual de Campinas caiu para o 379º lugar. Para o presidente do CWUR, Nadim Mahassen, o resultado reflete anos de financiamento insuficiente e desvalorização da ciência e da educação, comprometendo a inovação e o desenvolvimento do país. No cenário global, a Harvard University lidera o ranking pelo 15º ano seguido, à frente do Massachusetts Institute of Technology e da Stanford University. O destaque positivo é a China, que ultrapassou os EUA em número de instituições no ranking e registrou melhora em 98% de suas universidades.

TRUMP CENSURA JUIZ

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o juiz Richard Leon por barrar a construção de um salão de festas na Casa Branca. Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o espaço abrigaria um “droneporto” que seria o mais moderno do mundo. Segundo o presidente, a decisão de Leon compromete a segurança nacional e o magistrado seria responsabilizado caso ocorresse algum incidente. Trump também acusou o juiz de permitir a divulgação de informações classificadas e de atuar em uma ação movida por uma pessoa que, segundo ele, não teria legitimidade. O republicano argumentou que as ameaças atuais exigem sistemas de defesa mais sofisticados do que armas convencionais. A defesa do projeto ganhou força após uma tentativa de ataque a tiros durante o jantar anual dos correspondentes da Casa Branca, em abril, quando Trump criticou as condições de segurança do local do evento.

OIT SUSPENDE NOMEAÇÃO DOS EUA

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recusou a nomeação da norte-americana Sheng Li para o cargo de vice-diretora-geral devido aos atrasos dos Estados Unidos no pagamento de suas contribuições à agência da ONU. A nomeação, anunciada em abril, só será efetivada caso Washington regularize os débitos. Os EUA, que costumam ocupar o posto por serem o maior financiador da OIT, suspenderam pagamentos durante o governo de Donald Trump e acumulam dívida de US$ 328 milhões, referente a 2024, 2025 e 2026. A OIT enfrenta dificuldades financeiras, já congelou contratações e viagens e avalia transferir parte da equipe para países com custos menores. Segundo diplomatas, os EUA precisam quitar ao menos US$ 50 milhões para evitar maior instabilidade. Se os débitos dos países-membros não forem pagos até setembro, a organização poderá enfrentar déficit de 27 milhões de francos suíços e cortar até 120 empregos a partir de janeiro. A OIT divulgará uma atualização financeira em junho.

Salvador, 1º de junho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados


CUSTOS ADICIONAIS NAS CONTAS DE LUZ ATÉ 2050


Levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia estima que decisões do governo Lula e do Congresso gerarão até R$ 985 bilhões em custos adicionais nas contas de luz até 2050. O valor inclui despesas ligadas ao acordo de Itaipu, incentivos a energias renováveis, subsídios e contratação de fontes para garantir o fornecimento em horários críticos. Segundo o estudo, os novos encargos equivalem a quase R$ 1 trilhão, sem considerar reajustes tarifários, inflação ou bandeiras. O Ministério de Minas e Energia (MME) contestou a metodologia, afirmando que ela ignora benefícios como segurança energética, expansão da infraestrutura, modernização do setor e geração de empregos. Especialistas apontam que o setor elétrico enfrenta problemas estruturais causados pela rápida expansão das energias renováveis e da geração distribuída por painéis solares. O crescimento dessas fontes elevou os desafios para equilibrar oferta e demanda, especialmente no horário de pico. O principal foco das críticas é o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), realizado em 2026. Segundo cálculos do setor, o certame poderá acrescentar R$ 546 bilhões às tarifas futuras. Empresas e entidades industriais afirmam que o volume contratado foi excessivo e encarecerá a energia para consumidores e empresas.

Outro alvo de críticas são os chamados “jabutis” incluídos pelo Congresso em projetos do setor elétrico. Emendas inseridas no marco legal das eólicas offshore criaram obrigações e subsídios que, segundo estimativas, acrescentarão R$ 197 bilhões em custos ao longo de 25 anos. Representantes da indústria defendem uma reforma ampla do setor a partir de 2027 para reduzir subsídios, aumentar a eficiência e conter o avanço das tarifas. Já o MME sustenta que suas medidas integram uma estratégia de modernização e destaca economias obtidas com renegociação de contratos e mudanças regulatórias. Embora reconheçam avanços recentes, especialistas afirmam que ainda falta uma política integrada capaz de resolver os desequilíbrios estruturais do sistema elétrico brasileiro e evitar novos aumentos na conta de luz.

 

TRUMP PERDE APOIO DE HOMENS ENTRE 18 A 29 ANOS


Pesquisas recentes mostram queda no apoio a Donald Trump entre homens de 18 a 29 anos, um dos grupos mais importantes para sua eleição. Em março, levantamento da Reuters apontou recuo de dez pontos percentuais na aprovação do presidente entre jovens. Antes, pesquisa da Third Way já registrava 66% de desaprovação nesse segmento. O Yale Youth Poll também encontrou rejeição majoritária a Trump entre jovens eleitores e vantagem democrata nas intenções de voto para as eleições legislativas de 2026. Embora Trump não possa disputar novamente a Presidência, os números indicam desgaste político em um grupo visto como símbolo da renovação geracional da direita americana. Os dados não sugerem abandono das posições conservadoras nem aproximação automática dos democratas. O que parece enfraquecido é a capacidade de Trump de manter as promessas que fortaleceram sua conexão com esse eleitorado. Sua narrativa associava dificuldades econômicas, identidade masculina e crítica ao sistema político. Para muitos jovens preocupados com moradia, custo de vida, perspectivas de futuro e conflitos internacionais, Trump prometia prosperidade, valorização da masculinidade e menos envolvimento em guerras.

Mais de um ano após a eleição, porém, a moradia continua cara, a renda não avançou como esperado e questões externas seguem ocupando espaço central na política americana. Isso pode estar contribuindo para a perda de apoio. A aproximação dos homens jovens à direita costuma ser explicada como reação ao feminismo e às pautas de igualdade. Embora o fator de gênero seja importante, a combinação entre masculinidade, ressentimento e promessa de melhora econômica tem sido decisiva para lideranças conservadoras em vários países. As pesquisas sugerem que identidades políticas construídas sobre essa base podem perder força quando os resultados materiais prometidos não se concretizam. Nesse cenário, gestos simbólicos ou apelos à masculinidade dificilmente serão suficientes para recuperar o apoio. Para muitos jovens, a cobrança agora parece ser por resultados concretos.

BRASILEIROS DEIXAM PORTUGAL


Portugal registrou um crescimento expressivo da imigração nos últimos anos, com os brasileiros formando a maior comunidade estrangeira, somando mais de 480 mil residentes oficiais. No entanto, essa tendência começa a mudar, e muitos estão deixando o país. Segundo o jornal Expresso, cresce o número de imigrantes que retornam ao Brasil ou seguem para a Espanha, sobretudo brasileiros. Embora as estatísticas oficiais não retratem com precisão essas saídas, associações, advogados e grupos de apoio confirmam o movimento. A Organização Internacional para as Migrações também registrou aumento nos pedidos de retorno ao Brasil em 2025 e nos primeiros meses de 2026. Entre os principais motivos está o elevado custo de vida. A habitação em Lisboa atingiu níveis recordes, consumindo parcela significativa da renda das famílias. Além disso, alimentação e combustíveis ficaram mais caros. O cenário político também contribui para a insatisfação. Com o governo de centro-direita apoiado pela ultradireita, foram aprovadas leis que endurecem as regras para entrada, residência, nacionalidade e reunificação familiar de imigrantes.

Diante dessas dificuldades, muitos brasileiros avaliam que permanecer em Portugal já não compensa. Ao mesmo tempo, a Espanha atrai mais interesse após aprovar um programa de regularização que pode beneficiar cerca de 500 mil imigrantes indocumentados. Para Portugal, a saída de estrangeiros pode representar um desafio, já que eles são fundamentais para setores como turismo, restauração, agricultura e construção civil, em um país próximo do pleno emprego.

 

GOVERNO TRUMP E A DETENÇÃO DE IMIGRANTES


Grupos de defesa dos direitos civis processaram autoridades dos EUA por supostas violações de direitos humanos no Camp East Montana, em El Paso (Texas), o maior centro de detenção de imigrantes do país. A ação foi apresentada pela ACLU e outras organizações em nome de quatro detentos e tem como alvo o ICE e o Departamento de Segurança Interna (DHS). Segundo a denúncia, mais de 2.700 imigrantes enfrentam condições degradantes, incluindo confinamento em espaços sem janelas, violência de guardas, atendimento médico e psicológico inadequado, uso excessivo de isolamento e exposição a doenças como sarampo e tuberculose. Três pessoas morreram nos nove meses desde a inauguração do centro. O DHS rejeitou as acusações, afirmando que não há abusos nem negação de assistência médica. Ainda assim, uma inspeção realizada em fevereiro identificou 49 violações dos padrões de detenção, incluindo falhas no uso da força e no atendimento médico.

Entre os autores da ação estão o venezuelano Erik Ivan Rodriguez e o camaronês Gerald Akari Angye, que relatam agressões físicas por agentes. O processo também cita a morte do cubano Geraldo Lunas Campos, classificada como homicídio por médicos legistas, embora autoridades inicialmente tenham atribuído o caso a um problema médico. A ação busca melhorar as condições no centro, em meio ao aumento das detenções de imigrantes durante o governo Trump. Em 2025, as mortes sob custódia da imigração americana atingiram o maior nível em duas décadas. 

COLÔMBIA: SEGUNDO TURNO EM 21 DE JUNHO


A presidência da Colômbia será decidida em segundo turno, em 21 de junho, entre Iván Cepeda, da esquerda, e Abelardo de la Espriella, da direita. Com mais de 90% das urnas apuradas, De la Espriella obteve 43% dos votos, contra 41% de Cepeda. Como nenhum candidato superou 50%, a disputa segue para nova votação. A eleição ocorreu de forma pacífica, mas foi marcada pela forte polarização entre defensores da continuidade das políticas de Gustavo Petro e eleitores que exigem mudanças, mais segurança e apoio à iniciativa privada. A esquerda concorreu unida, enquanto a direita se apresentou dividida e o centro teve desempenho fraco. De la Espriella, advogado e empresário de 47 anos, ganhou projeção com um discurso de direita radical. Defende combate duro ao crime, fortalecimento das Forças Armadas, livre iniciativa e valores conservadores. Admirador de líderes como Nayib Bukele, Donald Trump e Javier Milei, promete crescimento econômico e programas sociais financiados pela expansão da economia.

Já Iván Cepeda, de 63 anos, é senador e histórico defensor dos direitos humanos. Filho do líder comunista Manuel Cepeda Vargas, atuou em negociações de paz e na defesa das vítimas do conflito armado. Sua proposta é dar continuidade às reformas sociais de Petro, ampliar a participação do Estado na economia, reduzir desigualdades e manter o diálogo com grupos armados em busca da paz. O segundo turno colocará frente a frente duas visões opostas para o futuro da Colômbia: a continuidade do projeto progressista de Petro ou uma guinada conservadora liderada por De la Espriella.

 

ARÁBIA SAUDITA BUSCA REDUZIR DEPENDÊNCIA DO PETRÓLEO



Os megaprojetos lançados pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman (MBS), dentro do programa Visão 2030, prometiam transformar a Arábia Saudita em uma potência tecnológica e econômica pós-petróleo. Financiados pelo gigantesco fundo soberano saudita, projetos como Neom, The Line, Trojena e The Cube ganharam fama mundial por sua escala futurista. Com a queda das receitas do petróleo, a guerra no Oriente Médio e a falta de investimentos estrangeiros esperados, muitos desses empreendimentos foram reduzidos, adiados ou abandonados. O projeto The Line encolheu, Trojena perdeu os Jogos Asiáticos de Inverno de 2029 e o megacomplexo The Cube foi cancelado. Analistas apontam que o país repete um padrão histórico de anúncios grandiosos seguidos por revisões drásticas. Críticos atribuem parte dos problemas à falta de planejamento realista, à centralização das decisões e à repressão política, que afasta investidores. Apesar disso, o Visão 2030 produziu mudanças importantes. Houve avanços sociais, como a ampliação de direitos das mulheres, além da expansão do entretenimento e do turismo. Projetos mais viáveis, como Diriyah, AlUla e resorts no Mar Vermelho, continuam avançando.

O governo agora prioriza metas mais realistas, eficiência nos gastos e resultados concretos. Autoridades sauditas afirmam que a estratégia entrou em uma fase de execução, substituindo o foco em anúncios grandiosos. Mesmo com dificuldades, a Arábia Saudita conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2034 e mantém o objetivo de diversificar sua economia. O desafio é transformar ambição em resultados sustentáveis, preservando a confiança de investidores e reduzindo a dependência do petróleo.

 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 1º/6/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

"O Brasil não se uniu por uma política antidrogas"

Jurista mostra que dificuldade de combinar visões sobre como combater CV e PCC facilitou avanço das facções. E que o enquadramento como terroristas pelos Estados Unidos tem como pano de fundo a política expansionista norte-americana

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Com maior gasto por aluno, Estado do Rio está em penúltimo lugar na educação do país

Investimento é de R$ 19,5 mil por estudante ao ano, segundo Movimento EducAçãoRio; especialistas apontam falhas de gestão e falta de prioridade política

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Pacotão pró-partidos atinge fiscalização da Justiça Eleitoral e pode não valer para 2026

Minirreforma aprovada em maio reafirma entendimentos do STF, mas pode ter trechos inconstitucionais Tramitação na Câmara foi relâmpago; Senado é mais resistente e pode aparar arestas da proposta

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

A guerra invisível que está confundindo sinais de GPS e colocando aviões em risco

Supostamente, o avião estava voando a apenas 11 quilômetros por hora sobre um lago perto de São Petersburgo.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Empresários esperam que EUA apliquem novas tarifas contra o Brasil nesta semana

Decisão norte-americana contraria acordo prévio entre Lula e Trump e pode impactar a balança comercial entre os dois países

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Quebra histórica. Portugal torna-se um dos países da UE com menos crianças

Fundação Francisco Manuel dos Santos traça retrato da população com menos de 12 anos na União Europeia. Portugal deixou de ser o segundo país da UE com mais crianças em 1975 para ser o quarto com menos. Cenário passa pelas questões económicas, sendo o país um dos que tem a maior carga horária semanal de trabalho.

domingo, 31 de maio de 2026

RADAR JUDICIAL


PACHECO DEIXA A POLÍTICA

O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) anunciou na sexta-feira, 29, que não disputará o governo de Minas Gerais nas eleições de outubro e pretende encerrar sua trajetória política ao fim do mandato. A decisão foi comunicada durante encontro com empresários em São Paulo, encerrando especulações sobre sua candidatura ao Palácio Tiradentes. Pacheco afirmou que deixará a política após concluir um ciclo de 12 anos na vida pública, período em que foi deputado federal, senador e presidente do Senado e do Congresso Nacional. Segundo ele, a decisão foi amadurecida após deixar a presidência do Senado, em fevereiro. O senador disse estar tranquilo com a escolha e avaliou que Minas Gerais possui nomes qualificados para disputar o governo e representar o estado no Congresso. Sem declarar apoio formal, citou o empresário Josué Gomes e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares. Pacheco afirmou deixar a vida pública com sentimento de missão cumprida e confiança na renovação política. Com forte projeção nacional, era apontado como um dos favoritos na disputa pelo governo mineiro. 


FGV INDICA ESPANHA COMO CAMPEÃ DA COPA

Um modelo estatístico criado por estudantes da FGV EMAp aponta a Espanha como principal favorita ao título da próxima Copa do Mundo, com 15,57% de chance de conquista. A Argentina aparece em segundo lugar (13,62%), seguida pela Inglaterra (9,24%). O Brasil ocupa apenas a nona posição, com 4,68% de probabilidade de conquistar o hexacampeonato. O estudo utiliza modelagem matemática e inferência bayesiana, analisando 2.997 partidas entre 187 seleções disputadas nos últimos quatro anos. Cada jogo da Copa é simulado cerca de 100 mil vezes para calcular as chances de classificação e título. Segundo os pesquisadores, fatores individuais, como a presença de Neymar, são difíceis de mensurar diretamente, mas acabam refletidos nos resultados históricos das seleções. Na fase de grupos, o Brasil teria 32,4% de chance de vencer Marrocos, 87,5% contra o Haiti e 61,7% diante da Escócia. As projeções indicam 96,4% de possibilidade de avançar ao mata-mata, mas apontam uma provável eliminação para a Inglaterra nas quartas de final.


PAIS VENDEM FILHAS 

A crise humanitária no Afeganistão atinge níveis dramáticos. Em Chaghcharan, centenas de homens disputam diariamente raras oportunidades de trabalho, enquanto milhões enfrentam fome extrema. Segundo a ONU, três em cada quatro afegãos não conseguem suprir necessidades básicas, e 4,7 milhões estão à beira da fome. O desemprego e os cortes na ajuda internacional levam famílias a medidas desesperadas. Pais admitem vender filhas para casamento ou trabalho doméstico em troca de recursos para alimentar os demais filhos ou custear tratamentos médicos. A situação é agravada pela seca, pelo colapso econômico e pela redução de 70% da ajuda internacional. Hospitais sofrem com falta de medicamentos e equipamentos, enquanto aumentam os casos de desnutrição infantil. Em Chaghcharan, médicos relatam mortalidade elevada entre recém-nascidos e crianças. Muitas famílias retiram os filhos do hospital por não conseguirem pagar os custos do tratamento. Para milhões de afegãos, a sobrevivência depende da chegada urgente de ajuda humanitária.

PCC E CV NO CONGRESSO

A classificação de facções como PCC e CV como organizações terroristas foi discutida durante a tramitação do PL Antifacção, mas acabou rejeitada pelo Congresso. O projeto, que endureceu as penas contra o crime organizado, foi aprovado amplamente na Câmara e por unanimidade no Senado. Inicialmente, o relator, Guilherme Derrite, propôs equiparar facções a grupos terroristas, transferindo crimes graves para a Lei Antiterrorismo, com penas de 20 a 40 anos. Porém, diante de críticas sobre possíveis impactos na soberania nacional, retirou o trecho. A oposição ainda tentou reintroduzir a medida durante a votação, mas a iniciativa foi barrada. No Senado, o relator Alessandro Vieira rejeitou a equiparação, argumentando que facções não possuem motivação política ou ideológica, mas financeira, e que a legislação atual já oferece instrumentos suficientes para combatê-las. Embora tenha solicitado aos EUA a classificação de PCC e CV como organizações terroristas, o senador Flávio Bolsonaro não participou da votação da emenda que previa essa equiparação. Segundo sua assessoria, ele estava fora do plenário e teria votado a favor da proposta caso estivesse presente.

FIFA É INVESTIGADA POR PREÇOS NA COPA

A Fifa está sendo investigada por autoridades de Nova York e Nova Jersey após acusações de inflar artificialmente os preços dos ingressos da Copa do Mundo de 2026 e enganar torcedores durante as vendas. Os procuradores-gerais dos dois estados abriram uma apuração sobre possíveis práticas abusivas. Segundo as denúncias, a criação de categorias mais caras de assentos e a adoção de preços dinâmicos elevaram os valores de cerca de 90 das 104 partidas, com aumento médio de 34%. Torcedores também alegam ter sido induzidos ao erro sobre a localização dos assentos adquiridos. A investigação avaliará o cronograma de vendas, declarações públicas da Fifa e os motivos para os ingressos custarem mais do que em edições anteriores do torneio. A Fifa foi intimada a fornecer informações, mas não comentou o caso. Autoridades afirmam que os consumidores merecem transparência, preços justos e garantia de receber exatamente os ingressos comprados. A apuração ocorre em meio a críticas aos altos custos relacionados ao Mundial.

Salvador, 31 de maio de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

TRADUÇÃO LITERÁRIA TRANSFORMADA EM ATIVIDADE AUTOMATIZADA


A expansão da inteligência artificial ameaça transformar a tradução literária em uma atividade automatizada, orientada pela redução de custos e pela rapidez. O autor defende que traduzir é uma arte, retomando a ideia de Italo Calvino de que o tradutor busca transmitir aquilo que há de intraduzível em cada língua. 
O texto critica a invisibilidade dos tradutores, frequentemente ignorados por leitores, influenciadores, editoras e instituições públicas. Como exemplo, cita o programa MEC Livros, que muitas vezes não informa os nomes dos responsáveis pelas traduções. A tradução é apresentada como uma ponte entre culturas, essencial para ampliar horizontes, combater o isolamento cultural e enfrentar discursos autoritários e nacionalistas. Nesse contexto, são lembrados pensadores e tradutores como Cesare Pavese, Paulo Rónai e Giorgio Agamben, que destacaram a importância cultural, política e artística da atividade.

O autor também questiona o crescimento das traduções indiretas e do uso da IA em obras literárias, alertando para possíveis perdas de qualidade, diversidade linguística e profundidade interpretativa. Embora reconheça os benefícios das novas tecnologias, defende que elas sejam utilizadas com cautela e não substituam o trabalho criativo dos tradutores. Por fim, argumenta que preservar a tradução como arte é uma forma de resistência à lógica do mercado, que privilegia velocidade, inovação e lucro. Valorizar os tradutores significa defender o diálogo entre culturas, a diversidade de vozes e a capacidade humana de interpretar e recriar sentidos além do alcance das máquinas.

 

ELEIÇÃO NA COLÔMBIA EM CLIMA DE MEDO E INSEGURANÇA


A morte do pré-candidato presidencial colombiano Miguel Uribe Turbay, dois meses após sofrer um atentado em 2025, reacendeu na Colômbia lembranças dos anos mais violentos do país, marcados por assassinatos políticos, atentados e sequestros. Embora a violência tenha diminuído desde o acordo de paz com as Farc em 2016, ela não desapareceu, apenas se transformou e se fragmentou. A eleição presidencial ocorre, neste domingo, em meio a um clima de medo e insegurança. O assassinato de Uribe tornou-se símbolo das dificuldades do país em superar seu passado violento. Pesquisas mostram que a segurança voltou a ser uma das principais preocupações dos eleitores. O presidente Gustavo Petro apostou na política de “Paz Total”, buscando negociar com diversos grupos armados. No entanto, críticos afirmam que a estratégia fortaleceu organizações criminosas e ampliou a sensação de insegurança. Entre os principais candidatos estão Iván Cepeda, aliado de Petro e defensor da continuidade da Paz Total; Paloma Valencia, apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe e defensora de uma política de segurança mais rígida; e Abelardo de la Espriella, que propõe medidas inspiradas no modelo de Nayib Bukele, de El Salvador.

Especialistas apontam que nenhum dos candidatos apresenta soluções realmente novas para enfrentar a atual configuração da violência colombiana. Enquanto Cepeda aposta em transformação social e diálogo, Valencia defende o fortalecimento das Forças Armadas, e De la Espriella promete endurecimento penal e interrupção de negociações com grupos armados que descumprirem acordos. Analistas destacam que a violência atual é mais regionalizada e ligada ao crime organizado do que aos antigos conflitos ideológicos. Extorsões e sequestros cresceram, e grupos criminosos ampliaram sua presença em várias regiões. A campanha reflete uma sociedade dividida pelo medo: parte teme o retorno da repressão política, outra teme avanços da esquerda sobre a economia, e muitos se preocupam com a criminalidade cotidiana. A violência mudou, mas continua influenciando decisivamente a política colombiana. A eleição ocorre sob o peso dessa ferida ainda aberta, que segue moldando o futuro do país.

 

GASTOS DA RÚSSIA NA UCRÂNIA ULTRAPASSAM ORÇAMENTO


Os gastos da Rússia com a Guerra da Ucrânia podem ultrapassar o orçamento em pelo menos 2 trilhões de rublos (US$ 28 bilhões) em 2026, segundo documento obtido pelo Financial Times. O Ministério das Finanças prevê que o excedente pode chegar a 4 trilhões de rublos em um cenário negativo. A projeção indica despesas adicionais semelhantes em 2027 e 2028. Para compensar, o governo propôs congelar 2,9 trilhões de rublos em gastos não militares neste ano, além de cortes maiores nos anos seguintes. Mesmo destinando quase 40% do orçamento de 2026 para defesa e segurança, o Kremlin enfrenta crescente pressão fiscal. O déficit previsto para o ano era de 3,8 trilhões de rublos, mas já alcançou 5,9 trilhões nos quatro primeiros meses, equivalente a 2,5% do PIB. A alta do petróleo provocada pela guerra no Irã aumentou as receitas russas, mas não deve ser suficiente para cobrir os custos crescentes do conflito. O ministro das Finanças, Anton Siluanov, afirmou que o orçamento está sendo revisado e admitiu a possibilidade de novos cortes. Segundo ele, as reservas do país são limitadas e o governo busca equilibrar as contas públicas diante das mudanças econômicas globais.

Ao mesmo tempo, o cenário econômico se deteriora. O Ministério da Economia reduziu a previsão de crescimento para 2026 de forma significativa, projetando expansão de apenas 0,4%. Economistas apontam que o orçamento se tornou a principal preocupação do país. Crescem as dúvidas sobre novos impostos, cortes de gastos e redução dos juros. Parlamentares e analistas também passaram a relacionar diretamente os problemas econômicos ao peso dos gastos militares. Críticos afirmam que a prioridade dada à guerra reduz investimentos, pressiona a inflação e limita recursos para áreas sociais e produtivas. Ex-integrantes do governo avaliam que Moscou está priorizando o financiamento do conflito em detrimento de subsídios, compras públicas e investimentos estatais, evidenciando o impacto crescente da guerra sobre as finanças russas.