Centenas de estudantes de Sciences Po participaram de protestos pacíficos em Paris. A manifestação foi reprimida pela polícia com cassetetes e gás lacrimogêneo. Na véspera, mais de 450 mil jovens e simpatizantes protestaram em toda a França. O movimento começou no fim de setembro com o bloqueio de liceus. Os estudantes denunciaram falta de professores e prédios escolares precários. Também criticaram horários sobrecarregados e estruturas inadequadas às mudanças climáticas. Universitários aderiram aos protestos e ampliaram as reivindicações. Eles pedem aumento das bolsas de estudo e do auxílio-moradia e reivindicam novos alojamentos e vagas para todos nas universidades. Outra demanda é o fim do atual sistema de seleção universitária. Os estudantes cobram mais recursos para os restaurantes universitários. A redução das refeições para um euro aumentou a procura pelos restaurantes. Entretanto, a estrutura não foi ampliada para atender à nova demanda. Alunos não europeus também exigem tratamento igualitário. O governo retirou deles o auxílio-moradia e aumentou fortemente as anuidades. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu é acusado de ignorar as reivindicações. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, adotou uma resposta policial repressiva.
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quinta-feira, 8 de outubro de 2026
JOVENS PROTESTAM NA FRANÇA
Centenas de estudantes de Sciences Po participaram de protestos pacíficos em Paris. A manifestação foi reprimida pela polícia com cassetetes e gás lacrimogêneo. Na véspera, mais de 450 mil jovens e simpatizantes protestaram em toda a França. O movimento começou no fim de setembro com o bloqueio de liceus. Os estudantes denunciaram falta de professores e prédios escolares precários. Também criticaram horários sobrecarregados e estruturas inadequadas às mudanças climáticas. Universitários aderiram aos protestos e ampliaram as reivindicações. Eles pedem aumento das bolsas de estudo e do auxílio-moradia e reivindicam novos alojamentos e vagas para todos nas universidades. Outra demanda é o fim do atual sistema de seleção universitária. Os estudantes cobram mais recursos para os restaurantes universitários. A redução das refeições para um euro aumentou a procura pelos restaurantes. Entretanto, a estrutura não foi ampliada para atender à nova demanda. Alunos não europeus também exigem tratamento igualitário. O governo retirou deles o auxílio-moradia e aumentou fortemente as anuidades. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu é acusado de ignorar as reivindicações. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, adotou uma resposta policial repressiva.
SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO
Redemocratizar o quê, Flávio Bolsonaro?
Favorito na eleição precisa apresentar planos para o ajuste fiscal e o seu ministro da Fazenda Fala sobre emendas à Constituição para restabelecer democracia não passa de exagero descabido para mudanças que deveriam mirar reforma do STF
É sempre preocupante quando um candidato com chances de chegar à Presidência da República afirma que pretende mudar, sem mais, a Constituiçãobrasileira —sobretudo quando esse candidato tem o histórico político e familiar de Flávio Bolsonaro (PL).
Pior ainda, Flávio associou em discurso a mudança da Carta à intenção de "redemocratizar" o país, o que inevitavelmente suscita a questão sobre o que é democracia para o bolsonarismo, movimento cujo líder, Jair Bolsonaro, louva a ditadura militar e chegou a fazer apologia da tortura.
Nesta quarta (7), o senador pelo Rio viu-se instado a explicar as declarações do dia anterior. Citou exemplos de alterações constitucionais como redução da maioridade penal, reforma do Judiciário, reforma política, revisão da reforma tributária e fim da reeleição para presidente.
Essas são, em tese, propostas legítimas. A anomalia é a tentativa de espalhar a fake news de que o Brasil não vive uma democracia. Espera-se que essa tenha sido somente uma frase de efeito para os militantes.
Afinal, mesmo os abusos inegáveis cometidos pelo Supremo Tribunal Federal, no meio de eleições plenas e livres, estão longe de tornar o país não democrático.
O STF precisa, como reitera este jornal, de mandatos fixos para seus ministros, de um Código de Conduta e de uma redução drástica do alcance do foro especial para autoridades.
Essas e outras medidas visam fortalecer a corte, nunca privá-la de seu papel fundamental no sistema de freios e contrapesos entre os Poderes republicanos.
Agora favorito na corrida presidencial, Flávio também precisa apresentar seus planos econômicos, em especial para as calamitosas contas do governo.
A dívida pública alcançou 82,9% do PIB em agosto, mais de 11 pontos percentuais acima do registrado ao fim de 2022. O saldo do Tesouro neste ano ainda caminha para um déficit, e nessa toada o endividamento crescerá sem parar —impulsionando os juros e sendo por eles impulsionado, num círculo vicioso.
O debate eleitoral foi indigente até aqui. Se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) qualificou como "babaquice" a necessidade de obter superávits fiscais, seu oponente evita se comprometer com medidas mais duras, porém necessárias, para o reequilíbrio do Orçamento, com medo de perder votos.
Enquanto auxiliares apresentam planos em encontros restritos com empresários, Flávio desautorizou publicamente a ideia de retirar a indexação de aposentadorias e outros benefícios sociais ao salário mínimo.
Limitou-se a falar em venda de imóveis, corte de ministérios e redução de burocracia, propostas nem de longe suficientes.
Uma boa providência para ao menos indicar a orientação de seu eventual governo seria apontar, desde já, seu nome para a pasta da Fazenda. Mais clareza se impõe com a aproximação do desfecho das eleições.
BOLSONARO JÁ APESENTOU DOIS PEDIDOS DE REVISÃO CRIMINAL
Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar, já apresentou dois pedidos de revisão criminal no STF para tentar reverter sua condenação pela trama golpista. A revisão criminal pode ser proposta após o trânsito em julgado, mas somente em hipóteses específicas previstas na legislação. Se acolhida, pode resultar em absolvição, redução da pena ou anulação de provas ou do processo. O segundo pedido, apresentado no fim de setembro, inclui uma solicitação liminar para que Bolsonaro aguarde o julgamento em liberdade. Especialistas ouvidos pela Folha avaliam que uma liminar desse tipo deve ser reservada a situações de erro judicial evidente. Para eles, não há, até o momento, elementos claros que justifiquem a suspensão da pena de Bolsonaro. O relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, havia avaliado decidir sobre a soltura após o segundo turno eleitoral. Ontem, 7, porém, Kassio afirmou que pretende levar o caso para análise do plenário do STF. A defesa apresentou duas revisões criminais contra a condenação do ex-presidente. A primeira, protocolada em maio, sustenta que a decisão contrariou a lei e houve cerceamento da defesa. A segunda acrescenta alegações de fatos e provas novas. Entre as provas citadas está um parecer técnico contratado pela defesa sobre a cadeia de custódia de provas digitais. Segundo os advogados, teriam ocorrido falhas que impediriam a completa auditabilidade desses elementos. A defesa sustenta que o parecer demonstra a existência de fundamento para a concessão da liminar e são citadas manifestações recentes do ministro Alexandre de Moraes envolvendo Daniel Vorcaro.
IMAGENS DE MARTE MOSTRAM PAREDÕES DE ROCHA
O rover Curiosity, da Nasa, registrou uma das imagens mais detalhadas dos chamados “yardangs” em Marte. São paredões de rocha esculpidos pela ação dos ventos ao longo de milhões de anos. A formação aparece ao longe em um panorama feito durante as primeiras horas da manhã marciana. A imagem preserva uma tonalidade azulada na parte mais próxima da paisagem. O registro foi divulgado em 6 de outubro, mas havia sido feito em 11 de agosto. A fotografia corresponde ao 4.982º dia marciano da missão Curiosity. O registro foi produzido pela Mastcam, câmera instalada no rover. Seis fotografias foram enviadas separadamente à Terra e depois reunidas no panorama. Um diferencial da imagem é a preservação das cores originais da paisagem. A fotografia não passou pelo chamado balanço de branco, usado para ajustar as cores. Por isso, mantém características da iluminação natural do início da manhã em Marte. Os yardangs ficam na região noroeste do Monte Sharp e se estendem por cerca de 16 quilômetros. O Monte Sharp possui aproximadamente 5 quilômetros de altura e é explorado pelo Curiosity desde 2014. A formação está relacionada à história geológica da região marciana. O monte é composto por diferentes camadas de rochas, formadas em períodos distintos. Essas camadas preservam informações sobre a evolução da superfície de Marte.
MULHER, SÍMBOLO DE MORADIA EM MADRI, MORREU
Maricarmen Abascal, de 87 anos, morreu ontem, 7, em Madri. Ela havia se tornado símbolo da crise de moradia na Espanha após ser despejada. Maricarmen viveu por mais de 70 anos no mesmo apartamento, desde 1956. Ela foi retirada do imóvel em 23 de setembro, após não conseguir pagar o novo aluguel. A idosa estava internada no Hospital Gregorio Marañón desde o despejo. Seu caso provocou protestos e mobilizações em várias cidades espanholas. Milhares de pessoas se reuniram na Puerta del Sol, em Madri. Um acampamento de protesto permanece instalado no local. O Sindicato de Inquilinas tentou impedir judicialmente o despejo. A entidade lamentou a morte e criticou a demora na solução do caso. Segundo o sindicato, um acordo histórico permitiria seu retorno ao apartamento. Porém, a solução foi alcançada tarde demais para Maricarmen. O episódio também pressionou o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez que propôs medidas urgentes para enfrentar a crise habitacional. Dois decretos, porém, foram rejeitados pelo Parlamento na semana passada. Após a derrota, o primeiro-ministro antecipou as eleições para 29 de novembro. A crise imobiliária espanhola envolve forte aumento dos preços dos aluguéis. Entre as causas estão a escassez de imóveis e o crescimento populacional.
APOIADORES DE FLÁVIO FALAM MUITO EM IMPEACHMENT
Movimentos recentes indicam uma aproximação entre a campanha de Flávio Bolsonaro e o STF. O objetivo seria reduzir a tensão e evitar processos de impeachment contra ministros da Corte. Fontes afirmam que Flávio teve uma conversa sigilosa com o ministro Gilmar Mendes. Na ocasião, o senador criticou Alexandre de Moraes e sua atuação no processo de Jair Bolsonaro. Flávio acusa Moraes de agir politicamente contra seu pai, ex-presidente condenado pelo STF. Depois disso, Rogério Marinho, coordenador da campanha, reuniu-se com Edson Fachin. Marinho levou ao presidente do STF reclamações semelhantes às apresentadas por Flávio. Ele ainda criticou a atuação do ministro Flávio Dino, outro alvo dos bolsonaristas. Sobre Gilmar Mendes, Marinho afirmou que existe diálogo entre os dois lados. O senador, porém, disse que o impeachment de ministros continua na pauta. Segundo ele, a medida dependeria da existência de crime de responsabilidade. Decisões recentes também foram interpretadas como sinais de distensão do STF. Gilmar Mendes rejeitou pedido da PF para abrir investigação contra Alfredo Gaspar. O deputado é candidato a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Gilmar acolheu parecer da PGR, que não encontrou elementos suficientes para o inquérito. Em outro episódio, Alexandre de Moraes autorizou mudança de regime para Débora Rodrigues. Conhecida como Débora do Batom, ela foi condenada a 14 anos pelo envolvimento no 8 de Janeiro. A decisão permitiu que ela cumpra a pena em regime semiaberto.
MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 8/10/2026
CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF
Cientistas que desvendaram moléculas-espelho ganham Nobel de Química
Cientistas da França e do Japão dividem o Prêmio Nobel da Química pelos experimentos que explicaram moléculas espelhadas e conseguiram, em laboratório, obter versões puras para a fabricação de medicamentos
O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ
Governo Lula avalia antecipar leilão para compra de dívidas do novo Desenrola
Primeira rodada está prevista para novembro, mas senso de urgência mudou após resultado do primeiro turno das eleições
FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP
Soltar Bolsonaro em decisão liminar exigiria evidência de erro judicial crasso, apontam especialistas
Defesa de ex-presidente pediu que ele aguarde o julgamento de revisão criminal em liberdade Ministro Kassio Nunes Marques avalia levar caso a julgamento após o segundo turno
TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA
Vitória goleia a Chapecoense e se afasta do Z4 no Brasileirão
Leão da Barra deslanchou no segundo tempo e contou com atuações de gala de Erick e Matheuzinho, cada um com dois gols
CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/S
China anuncia sua candidata para dirigir a OMS
Pequim indica Song Li para o posto máximo da organização de saúde e pode ampliar sua influência após a retirada dos EUA do organismo
DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT
Álvaro Santos Pereira: "Há margem para subir as taxas dos depositantes"
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
FIFA PERMITIU JOGADOR INELEGÍVEL NAS ELIMINATÓRIAS
A Fifa teria concluído, em sigilo, que o Congo escalou um jogador inelegível nas Eliminatórias. O goleiro Lionel Mpasi havia atuado pelas categorias de base da França. Segundo documentos, a mudança de filiação não foi concluída conforme as regras. Mesmo assim, a entidade permitiu que o Congo continuasse na competição. A seleção precisava vencer a Jamaica para chegar à Copa após 52 anos. O Congo derrotou os jamaicanos e garantiu sua classificação ao Mundial de 2026. A denúncia havia sido apresentada pela Nigéria, eliminada anteriormente pelo Congo. A Fifa rejeitou o caso alegando que a reclamação foi apresentada fora do prazo. Documentos analisados pelo New York Times mostram que havia outras alternativas. Entre elas estavam punir o Congo, beneficiar a Nigéria ou manter o resultado. A entidade também poderia ter aplicado multas ou alterado o confronto decisivo. A Fifa não negou as conclusões da investigação jornalística. A organização afirmou que seus comitês são autônomos e seguem os regulamentos. Também disse que Gianni Infantino não participou das decisões sobre o caso. O episódio amplia os questionamentos sobre a integridade da Copa de 2026. A competição já enfrenta críticas envolvendo política e decisões da entidade. Um caso anterior envolveu a suspensão de um jogador dos Estados Unidos. A punição foi revogada após uma ligação entre Infantino e Donald Trump.
IRMÃOS ISRAELENSES COMEMORAM TERCEIRO ANIVERSÁRIO DO 7 DE OUTUBRO 2023
Israelenses marcam nesta quarta-feira (7) o terceiro aniversário do ataque de 7 de Outubro de 2023. Naquele dia, o Hamas realizou uma ofensiva contra comunidades e bases militares no sul de Israel. Cerca de 1.200 pessoas foram mortas e aproximadamente 250 foram levadas como reféns para Gaza. O ataque desencadeou uma guerra devastadora e uma ampla ofensiva israelense no território palestino. Dezenas de milhares de palestinos morreram durante o conflito e grande parte de Gaza foi destruída. Os reféns foram libertados em diferentes etapas, enquanto dezenas morreram durante o cativeiro. Entre os sequestrados estavam os irmãos gêmeos Gali e Ziv Berman, então com 26 anos. Moradores do kibutz Kfar Aza, eles foram capturados e permaneceram dois anos em Gaza. Durante o cativeiro, foram separados, sofreram agressões, fome e passaram longos períodos em túneis. Libertados em outubro de 2025, descobriram que mais de 60 moradores de Kfar Aza haviam morrido. Os irmãos também reencontraram a mãe e souberam que familiares próximos haviam sobrevivido. O pai, que sofre de Parkinson avançado e demência, chorou ao vê-los novamente. Eles também se reencontraram com Emily Damari, amiga e vizinha sequestrada no mesmo ataque. Após a libertação, Gali passou a estudar direito, governança e diplomacia. Ziv iniciou um novo relacionamento e os dois começaram a reconstruir suas vidas. Mesmo livres, afirmam que os traumas do cativeiro continuam presentes em seu cotidiano. Cada irmão perdeu cerca de 20 quilos durante os dois anos de prisão em Gaza.
MP DENUNCIA DEZ PESSOAS PARTICIPANTES DE COMÉRCIO ILEGAL DE ARMAS
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou dez pessoas por participação em um esquema criminoso. A organização envolvia comércio ilegal de armas, vazamento de informações sigilosas e lavagem de dinheiro. Investigação financeira identificou movimentações superiores a R$ 250 milhões. Os valores circularam em contas de pessoas físicas e de cinco empresas ligadas ao grupo. Entre os denunciados estão policiais e ex-policiais acusados de fornecer armas e dados privilegiados. As informações e armamentos teriam sido destinados a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão que é apontado como líder do Terceiro Comando Puro no Complexo de Israel, no Rio. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados. Nesta quarta-feira (7), MPRJ e Polícia Federal deflagraram a Operação Magen. Foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. As ações ocorreram no Rio de Janeiro e no Amazonas; ainda foi determinado o sequestro de três imóveis e 31 veículos. A investigação começou na Polícia Federal, diante do poderio bélico de traficantes. Vitor Hugo Marinho Garcia, conhecido como Batata, seria um dos principais fornecedores. Ex-policial militar, ele é acusado de liderar o esquema de fornecimento de armas. Em outubro de 2022, teria vendido dez fuzis AR-15 ao chefe do TCP.
SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO
Pretensão de Kassio de soltar Bolsonaro é um acinte
- Ministro do STF cogita anular os efeitos da justa condenação do ex-presidente por tentativa de golpe
- A via correta para reduzir penas exageradas é o plenário da corte autorizar logo a vigência da lei da dosimetria, aprovada pelo Congresso
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Causa espécie a notícia de que o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, cogita anular os efeitos da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e permitir a sua soltura, mediante decisão monocrática. Parece que juízes da corte constitucional não compreenderam a intolerância da sociedade com esse padrão de intromissão político-partidária.
A causa é acintosa. Não há dúvidas da participação do então candidato derrotado à reeleição numa trama para subverter o resultado das urnas. Testemunhos e provas asseguram que o Brasil só não viveu a recidiva autoritária pela resistência da cúpula das Forças Armadas,liderada pelo general Freire Gomes, do Exército.
Os acusados percorreram a via canônica do devido processo legal. Denunciados pela Procuradoria-Geral da República, exerceram o contraditório e foram julgados em sessões públicas e regulares. Quatro ministros —Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin— venceram o único dissidente, Luiz Fux, para sentenciar Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.
Pode-se criticar os julgadores pela opção maximalista no momento de definir os crimes e as penas —exagero que se repetiu com diversos réus, não só com o ex-presidente. Isso, porém, não tisna a legitimidade do processo.
A reação do Congresso Nacional foi sensata. Em vez de embrenhar-se pela via irresponsável da anistia, como queria a franja radical bolsonarista, os parlamentares optaram por aprovar um projeto de lei, o que está em sua alçada exclusiva, que na prática reduz as penas para todos os condenados pela intentona golpista.
Promulgada a lei, entrou em cena o poder de obstrução individual que a lassidão em vigor concede a juízes do Supremo. Desde maio, Alexandre de Moraes está sentado sobre ações que questionam a constitucionalidade da lei, tendo suspendido os seus efeitos. Enquanto isso, condenados que já poderiam estar soltos ou ter obtido encurtamento da pena não podem ser contemplados.
A maneira ortodoxa de desfazer o impasse seria o plenário do STFjulgar logo os questionamentos à lei e permitir que ela vigore. Tudo de que o Brasil não precisa agora é a sobreposição de uma nova heterodoxia nesse caso politicamente sensível. Se, com o benefício casuísta a Jair Bolsonaro, Nunes Marques pretende prestar um serviço às forças responsáveis por sua nomeação à corte, deve saber que prestará um enorme desserviço à causa da Justiça.
O antiexemplo de que a punição pelos crimes cometidos contra a Carta de 1988 possa ser anulada vai estimular a repetição dessas ignomínias. A audácia de conceder o perdão pela canetada solitária de um ministro alimentará o moto-perpétuo que investe cada juiz do STF da pretensão de que pode mandar em tudo.
Rasgar a toga para beneficiar um grupo partidário manterá a cúpula da Justiça na penumbra da desmoralização, o que só interessa aos abutres do autoritarismo.







