RENÚNCIA NO GOVERNO MILEI
PREFEITO RETORNA AO CARGOEpstein morreu no Centro de Detenção Metropolitano de Nova York enquanto aguardava julgamento.
RENÚNCIA NO GOVERNO MILEI
PREFEITO RETORNA AO CARGO
Após um ano de forte tensão diplomática, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, se reúne nesta terça-feira (3) com Donald Trump na Casa Branca, em um encontro que parecia improvável em 2025. Adversários declarados, o líder colombiano de esquerda e o republicano terão a primeira reunião presencial após meses de embates públicos e crises bilaterais. A conversa ocorrerá no Salão Oval, conhecido por encontros tensos entre Trump e chefes de Estado. A delegação colombiana será liderada por Petro e incluirá o embaixador em Washington e ministros. As divergências entre os dois envolvem imigração e combate ao narcotráfico. Trump acusou Petro de estimular a produção de cocaína e chegou a sugerir intervenção militar na Colômbia. Petro, por sua vez, criticou a política externa americana e acusou os EUA de supremacia branca. Uma ligação telefônica mediada pelo senador Rand Paul, em janeiro, abriu caminho para a reaproximação. Esta será a terceira visita de Petro à Casa Branca, após encontros com Joe Biden em 2023. Na pauta estão apreensões de drogas, imigração e deportações de colombianos.
Trump defende deportações em massa, enquanto Petro denuncia maus-tratos a migrantes. Conflitos sobre voos de deportação marcaram um dos primeiros atritos entre os países. Após sanções e suspensão de vistos, Bogotá retomou os voos no fim de janeiro. Além do encontro com Trump, Petro discursará na OEA e participará de eventos acadêmicos. O governo colombiano vê a visita como um marco para relançar a relação bilateral. Segundo a chanceler Rosa Villavicencio, o objetivo é fortalecer a cooperação entre os países. Enquanto isso, setores da esquerda colombiana organizam protestos em Bogotá. Eles acusam os EUA de interferir nas eleições presidenciais de maio. Trump tem apoiado candidatos de direita aliados na região. Na Colômbia, o nome mais próximo da Casa Branca seria o ultradireitista Abelardo de la Espriella.
O americano Brendan Banfield foi considerado culpado pelo assassinato da esposa, Christine Banfield, e de Joseph Ryan, em 2023. O caso envolve a brasileira Juliana Peres Magalhães, babá da filha do casal, em Reston, na Virgínia. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (2). Banfield aguarda sentença prevista para maio e pode receber a pena máxima. Ele também foi condenado por uso de arma de fogo e por colocar uma criança em perigo, já que a filha do casal, então com quatro anos, estava na casa. Segundo os promotores, Banfield e Juliana, que mantinham um relacionamento extraconjugal, conspiraram para atrair Ryan à residência e incriminá-lo pelo crime. A investigação aponta que Ryan não tinha relação com a família e foi localizado por meio de um site fetichista. A audiência começou em 12 de janeiro e ouviu mais de 20 testemunhas.
Após o veredito, o promotor Steve Descano classificou a conduta de Banfield como “monstruosa”, destacando que ele mentiu durante o julgamento. Segundo a promotoria, Banfield queria viver com Juliana e não considerava o divórcio uma opção. A brasileira Juliana Peres Magalhães foi presa em 2023 e, em 2024, firmou acordo com a promotoria, declarando-se culpada por homicídio culposo. Em troca de pena menor, concordou em colaborar e testemunhar contra Banfield. A promotora Jenna Sands afirmou que o acordo refletiu a cooperação de Juliana. A defesa atacou sua credibilidade, mas Juliana disse ter feito “a coisa certa”.
Na véspera de nova rodada de negociações de paz mediadas pelos EUA, a Rússia rompeu a trégua parcial com a Ucrânia e realizou um mega-ataque na madrugada desta terça (3). A ofensiva ocorreu um dia após Donald Trump anunciar acordo comercial com a Índia, que prometeu reduzir a compra de petróleo russo. Segundo Trump, a medida “vai acabar com a guerra”. Vladimir Putin havia prometido poupar o sistema energético ucraniano, em meio a temperaturas de até -20 °C. Na segunda (2), não houve ataques relevantes, mas o Ministério da Defesa russo confirmou o fim da pausa. A Ucrânia afirma que 450 drones foram lançados, com 92% abatidos, além de 71 mísseis, dos quais 47% atingiram alvos.
Houve blecautes pontuais, inclusive em Kiev. A DTEK disse ser o maior ataque ao sistema energético em 2026. Foram usados mísseis hipersônicos Kinjal e Tsirkon. Kiev e Kharkiv foram os principais alvos. Há relatos de feridos, sem balanço final. O ataque ocorreu horas após Trump mostrar otimismo com as negociações em Abu Dhabi. O Kremlin diz aguardar confirmação da Índia sobre o petróleo e afirma priorizar a relação estratégica entre os países.
Entrou em vigor nesta semana uma nova regra de segurança do Pix que amplia o alcance do Mecanismo Especial de Devolução (MED) e altera procedimentos de bloqueio e rastreamento de valores em casos de fraude, golpe ou erro operacional. Implementada pelo Banco Central (BC), a atualização busca reduzir o tempo de resposta das instituições financeiras, aumentar a recuperação de recursos desviados e reforçar a proteção aos usuários. O MED passa a ser obrigatório para todas as instituições que operam o Pix, com adoção da versão 2.0 do sistema. A ferramenta permite o bloqueio e a devolução de valores transferidos de forma irregular, desde que haja indícios de fraude ou falha operacional. O mecanismo não se aplica a casos em que o próprio usuário informa incorretamente os dados do destinatário. Uma das principais mudanças é o bloqueio automático de contas denunciadas por fraude. Antes, o bloqueio dependia de análise prévia; agora, ocorre imediatamente, enquanto a apuração segue em paralelo. Segundo o BC, a medida evita a rápida pulverização dos valores entre várias contas, prática comum em fraudes. Outra mudança é o rastreamento ampliado das transferências, que passa a acompanhar o trajeto do dinheiro por contas intermediárias, mesmo após sucessivas movimentações.
As instituições financeiras passam a compartilhar informações de forma integrada e quase instantânea. O prazo para devolução foi reduzido: os valores podem ser recuperados em até 11 dias, ante prazos que chegavam a 80 dias. A expectativa é reduzir em até 40% as fraudes bem-sucedidas. Desde outubro, os bancos são obrigados a disponibilizar o MED por meio de um botão de contestação nos aplicativos, permitindo que o cliente solicite a devolução sem atendimento humano. Em caso de golpe, o cliente deve registrar a contestação rapidamente. O banco de origem comunica o recebedor em até 30 minutos, os valores são bloqueados e, confirmada a fraude, devolvidos à vítima. Para o advogado Angelo Paschoini, a principal inovação é a inversão do procedimento: primeiro se bloqueia, depois se investiga. Segundo ele, a medida ataca o principal gargalo das fraudes via Pix, que é a pulverização dos valores, aumentando a chance de recuperação e elevando o custo do crime. Apesar dos avanços, o desafio será equilibrar segurança e fluidez do sistema, evitando bloqueios indevidos de usuários legítimos.
O novo presidente do TJ-SP, desembargador Francisco Eduardo Loureiro, afirmou ontem, 2, que a corte manterá a política de remuneração dos magistrados, incluindo os chamados penduricalhos. Segundo ele, não haverá mudanças nos pagamentos de subsídios, indenizações ou adicionais previstos atualmente. Em entrevista após evento do IASP, Loureiro disse que os valores pagos seguem a legislação vigente e decisões judiciais. O teto da magistratura estadual equivale a 90,25% do salário dos ministros do STF, hoje acima de R$ 46 mil. Na prática, porém, juízes e desembargadores recebem acima desse limite devido a verbas adicionais. Esses valores incluem indenizações como auxílio-alimentação, saúde, moradia, abonos e pagamentos retroativos. Loureiro rejeitou o termo “penduricalhos” e afirmou que se tratam de verbas legais referentes a períodos anteriores. Segundo ele, esses valores são pagos de forma parcelada.
CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF
O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ
FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP
TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA
CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS
DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT
MENINO DE 5 ANOS É LIBERADO, APÓS 12 DIAS DETIDO
Liam Conejo Ramos, 5, e seu pai, Adrian Conejo Arias, voltaram neste domingo (1º) a Minneapolis após 12 dias detidos pelo ICE. Os dois foram libertados por ordem de um juiz federal após ficarem em um centro de detenção no Texas. Segundo a defesa, pai e filho equatorianos entraram legalmente nos EUA como solicitantes de asilo. A imagem de Liam detido, com mochila do Homem-Aranha, viralizou e gerou indignação. O menino foi um dos quatro menores apreendidos neste mês em um subúrbio de Minneapolis. A detenção ocorreu quando o pai buscava a criança na pré-escola. O juiz Fred Biery classificou a ação como cruel e inconstitucional. Ele criticou o que chamou de uso perverso de poder pelo governo. Autoridades alegam que Arias estaria em situação irregular, o que a defesa nega. Minnesota vive tensão com operações ampliadas de imigração e protestos. Imigrantes relatam medo e ações ostensivas de agentes federais. Dados indicam que ao menos 157 brasileiros menores foram apreendidos em 2025.
INGRESSO PARA ACESSO A FONTANA DI TREVI, EM ROMADELEGADA APOSENTADA É AUTUADA POR FURTO
Uma delegada aposentada de Polícia Civil de Goiás foi flagrada por câmeras de segurança de um supermercado do Alphaville Araguaia, em Goiânia, na sexta-feira, 30, quando encheu uma mala de compras e ia deixar o local sem pagar. A Polícia Militar foi acionada e a mulher entregou a mala cheia de produtos de alimentação e limpeza. A delegada aposentada foi conduzida para a Central Geral de Flagrantes, por seus colegas, e autuada por furto. Não foi revelado o nome da delegada, mas divulgada sua idade de 47 anos.
QUEM APOSTA NÃO MERECE GRATUIDADE
Fundador e presidente do Eurasia Group, consultoria de risco político dos EUA, e colunista da revista Time

2026 é um ano de ponto de virada. A maior fonte de instabilidade global não será a China, a Rússia, o Irã ou os cerca de 60 conflitos em curso em todo o planeta –o maior número desde a Segunda Guerra Mundial. Será os Estados Unidos.
Essa é a linha central do relatório Top Risks 2026 do Eurasia Group: o país mais poderoso do mundo, o mesmo que construiu e liderou a ordem global do pós-guerra, está agora a desmantelando ativamente, liderado por um presidente mais comprometido e mais capaz de remodelar o papel da América no mundo do que qualquer outro na história moderna.
O fim de semana passado ofereceu uma prévia. Após meses de pressão crescente –sanções, uma enorme mobilização naval, um bloqueio total de petróleo– forças especiais dos EUA capturaram o ditador venezuelano Nicolás Maduro em Caracas e o levaram para Nova York para enfrentar acusações na Justiça americana.
Trump já batizou sua abordagem para o Hemisfério Ocidental de "Doutrina Donroe". É sua versão da afirmação da primazia americana nas Américas do século 19 do presidente James Monroe –exceto que, onde Monroe alertou as potências europeias para ficarem fora do continente americano, Trump está usando pressão militar, coerção econômica e acerto de contas pessoal para dobrar a região à sua vontade. E está apenas começando.
Isolacionismo "América em Primeiro Lugar", isso não é. Os Estados Unidos estão simultaneamente se envolvendo mais, não menos, com Israel e os estados do Golfo Pérsico. A disposição de Trump de atacar o Irã no ano passado e se intrometer na política europeia não exatamente grita retração.
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O modelo de "esferas de influência" também não se encaixa. Trump não está dividindo o mundo com potências rivais, cada uma permanecendo em sua faixa. Washington acabou de enviar a Taiwan seu maior pacote de armas de todos os tempos, e a postura do governo no Indo-Pacífico não demonstra desejo de ceder a Ásia à China.
A política externa de Trump não opera em eixos tradicionais –aliados versus adversários, democracias versus autocracias, competição estratégica versus cooperação. Opera em um cálculo mais simples: Você consegue revidar com força suficiente para machucá-lo? Se a resposta for não, e você tem algo que ele quer, você é um alvo. Se for sim, ele fará um acordo.
Trump queria derrubar Maduro, e não havia nada que Maduro pudesse fazer para impedi-lo. Ele não tinha aliados dispostos a agir, um exército capaz de retaliar, nenhuma influência sobre qualquer coisa com a qual Trump se importasse. Então ele foi removido. Não importa que toda a estrutura do regime venezuelano permaneça intacta, e qualquer transição para um governo democrático estável será confusa, contestada e em grande parte responsabilidade da Venezuela.
Trump está pessoalmente satisfeito com a Venezuela continuando a ser governada pelo mesmo regime repressivo, desde que concorde em fazer o que ele manda (de fato, ele escolheu esse arranjo em vez de um governo liderado pela oposição). A ameaça do "faça o que eu mando, senão..." parece já estar funcionando, com Trump anunciando que as novas autoridades da Venezuela entregarão de 30 a 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, com os recursos –palavras dele– "controlados por mim, como presidente". Sucesso na Venezuela, por mais estreitamente definido que seja, encorajará o presidente a dobrar a aposta nessa abordagem e ir mais longe –seja em Cuba, Colômbia, Nicarágua, México ou Groenlândia.
Na outra ponta do espectro está a China. Quando Trump aumentou as tarifas no ano passado, Pequim retaliou com restrições de exportação sobre terras raras e minerais críticos –ingredientes essenciais para uma ampla gama de produtos de consumo e militares do século 21. A vulnerabilidade exposta, Trump foi forçado a recuar. Agora ele está determinado a manter a distensão e garantir um acordo a qualquer custo.
A isto damos o nome de lei da selva, não estratégia: poder unilateral exercido onde quer que Trump ache que pode se safar, desvinculado das normas, processos burocráticos, estruturas de aliança e instituições multilaterais que antes lhe davam legitimidade. À medida que as restrições se apertam em outros lugares –eleitores irritados com a acessibilidade de preços, perdas nas eleições de meio de mandato se aproximando– e sua urgência em cimentar seu legado se acentua, a disposição do presidente de assumir riscos no lado da segurança, onde ele permanece em grande parte sem restrições, crescerá.
O hemisfério ocidental por acaso é um habitat especialmente rico em presas, onde os Estados Unidos têm alavancagem assimétrica que ninguém pode conter e Trump pode marcar vitórias fáceis com resistência e custos mínimos. Mas a vizinhança imediata da América não é o limite da abordagem de Trump.
Se já não estava claro, as ameaças do governo Trump à Groenlândia esclarecem que a Europa agora faz parte do conjunto de alvos da América. As três maiores economias do continente entram no ano com governos fracos e impopulares sitiados por populistas internamente, a Rússia à sua porta, e um governo americano apoiando abertamente a extrema direita que fragmentaria ainda mais a região. A menos que os europeus encontrem maneiras de ganhar influência e impor custos de forma crível que pesem para Trump–e logo– eles enfrentarão o mesmo aperto que ele está aplicando em todo o hemisfério.
Para a maioria dos países, responder a uma Casa Branca imprevisível, não confiável e perigosa é agora um empreendimento geopolítico urgente. Alguns falharão; a Europa pode estar tarde demais para se adaptar. Alguns terão sucesso; a China já está em uma posição mais forte, satisfeita em deixar seu principal rival se minar e vencer por W.O. Xi Jinping pode se dar ao luxo de jogar o jogo longo. Ele estará no poder muito depois do término do mandato de Trump em 2029.
O dano ao próprio poder americano persistirá após este governo. Alianças, parcerias e credibilidade não são apenas boas de se ter –são multiplicadores de força, dando a Washington uma influência que o poder militar e econômico bruto sozinhos não poderiam ter sustentado.
Trump está queimando essa herança, tratando-a como restrição em vez de ativo, governando como se o poder americano operasse fora do tempo e ele pudesse remodelar o mundo pela força sem consequência duradoura. Mas as alianças que ele está destruindo não voltarão ao normal quando o próximo presidente assumir o cargo. A credibilidade leva uma geração para reconstruir –se é que pode ser reconstruída.
Então, sim, 2026 é um ano de ponto de virada. Não porque saberemos como isso termina, mas porque começaremos a ver o que acontece quando o país que escreveu as regras decide que não quer mais jogar por elas.
Projetos de lei municipais apresentados em cidades como Salvador e Divinópolis (MG) propõem programas de “combate à cristofobia”, prevendo multas elevadas a foliões que usem fantasias carnavalescas consideradas “desrespeitosas” aos cristãos, como batinas, véus de freiras ou símbolos religiosos com conotação sexual. Sob o pretexto de proteger a fé, tais iniciativas revelam a expansão do sistema sancionador e a instrumentalização religiosa com fins eleitorais, fragilizando a segurança jurídica e pilares do Estado democrático de Direito. No constitucionalismo contemporâneo, a atuação punitiva do Estado só se legitima diante de conduta materialmente lesiva a bem jurídico determinado. Princípios como legalidade, ofensividade e mínima intervenção devem anteceder qualquer proposta repressiva. A liberdade de expressão artística e cultural é protegida pelo artigo 5º, IX, da Constituição. Sua restrição só se justifica em casos de agressão concreta à liberdade religiosa, como violência, ameaça, impedimento de culto ou incitação direta à violência. Fora desses contextos, sátira, humor e fantasia permanecem constitucionalmente protegidos. O problema central desses projetos é o uso de conceitos jurídicos indeterminados, como “hostilizar” ou “fantasia desrespeitosa”, que permitem sanções baseadas em percepções subjetivas, ampliando o risco de arbitrariedades e perseguições.
O Código Penal exige dolo específico para crimes contra o sentimento religioso. O artigo 208 pressupõe escárnio dirigido a pessoa determinada, não a um grupo abstrato. O vilipêndio exige objeto de culto consagrado, e não mera irreverência. Em todos os casos, exige-se vontade deliberada de ofender, incompatível com o animus jocandi do Carnaval. Raciocínio semelhante vale para normas sobre discriminação racial e religiosa, que também exigem inequívoco animus discriminandi, conforme já reconhecido pelo STF. A prevalência da lógica do “me senti ofendido” gera subjetivismo sancionador, produz autocensura (chilling effect) e enfraquece a previsibilidade do Direito. A história demonstra que a censura nasce de restrições simbólicas e legislações moralizantes. Sou católico praticante e afirmo: o Cristianismo não necessita de tutela administrativa carnavalesca para sobreviver. A fé não é ameaçada pela sátira, mas se enfraquece quando instrumentalizada politicamente. O Direito deve proteger fatos, não sentimentos. Sem violência objetiva ou perseguição concreta, não cabe intervenção punitiva. Ainda assim, no Brasil cada vez mais criminalizador, talvez seja mais seguro manter as fantasias no armário.
Donald Trump tem feito de Minnesota um alvo frequente de ataques verbais e políticos. O presidente já chamou o governador democrata Tim Walz de “incompetente” e fez declarações xenófobas contra a comunidade somali do estado, afirmando que imigrantes teriam “QI baixo” e “não contribuem com nada”. Especialistas apontam que a ofensiva é essencialmente política. Minnesota não está entre os estados com maior número de imigrantes em situação irregular: ocupa a 23ª posição no ranking nacional, com cerca de 130 mil pessoas, o equivalente a 2,2% da população, segundo o Pew Research Center. Mesmo assim, o estado foi alvo de uma operação com cerca de 2.000 agentes do ICE. Para o cientista político Pedro Santos, trata-se de uma “revanche política militarizada”, com Trump usando o estado como bode expiatório. As ações recentes do ICE têm se concentrado em estados governados por democratas. Para a socióloga Silvia Pedraza, o foco está sobretudo nas “cidades gêmeas” de Minneapolis e St. Paul, tradicionalmente progressistas e com forte presença de imigrantes.
Minnesota vota majoritariamente em democratas e rejeitou Trump nas eleições de 2016, 2020 e 2024. Walz, que poderia ter sido vice de Kamala Harris, apoiou protestos contra as operações federais —algo que, segundo analistas, pesa na retaliação presidencial. Desde dezembro, vídeos de detenções dentro de casas geraram protestos. Após mortes de dois cidadãos americanos, houve recuo parcial das ações, que continuam com táticas menos ostensivas. Trump também explora uma investigação bilionária de fraudes em programas públicos durante a pandemia, envolvendo empresários —alguns de origem somali— para generalizar acusações contra imigrantes. Autoridades locais afirmam colaborar com as investigações e criticam o uso político do caso. Além disso, políticas estaduais como aborto legal, maconha recreativa e programas de diversidade contrariam diretamente a agenda conservadora do presidente.