Por décadas, presidentes dos Estados Unidos evitaram lucrar com o cargo. Harry Truman recusou uso comercial de seu nome, mesmo após deixar a presidência. Richard Nixon temia benefícios indiretos à família e chegou a monitorar contatos do irmão. George W. Bush vendeu suas ações antes de assumir. Donald Trump seguiu caminho diferente. Seus negócios familiares cresceram globalmente em ritmo acelerado durante seu mandato. A Trump Organization expandiu atividades, incluindo investimentos em criptomoedas. Os filhos Eric e Donald Jr. lideram essas operações. Esses empreendimentos geraram bilhões, mas levantaram suspeitas de conflitos de interesse. Os irmãos investiram em empresas que buscam contratos com o governo dos EUA. Inclui uma fabricante de drones que tenta vender ao Pentágono e aliados estrangeiros. A Casa Branca nega irregularidades. Especialistas dizem que os conflitos são inéditos e preocupantes para a democracia. Apontam mistura entre decisões políticas e interesses privados. No exterior, os negócios cresceram rapidamente no segundo mandato. Projetos incluem resorts e empreendimentos no Catar, Vietnã e Arábia Saudita. Há indícios de benefícios políticos paralelos a esses países. Outro foco são criptomoedas. A família vendeu parte da World Liberty a investidores dos Emirados Árabes Unidos. Fundos ligados ao país também investiram bilhões via Binance.
Após isso, os EUA flexibilizaram regras para venda de chips avançados aos Emirados. O fundador da Binance recebeu perdão presidencial, gerando questionamentos. A empresa também lucrou com “tokens de governança” e moedas meme. Esses ativos renderam centenas de milhões de dólares. Compradores podem permanecer anônimos, dificultando rastreamento de influência. A fortuna de Trump cresceu, segundo a Forbes, para cerca de US$ 6,3 bilhões. Apesar disso, alguns negócios anteriores tiveram dificuldades. A Casa Branca afirma que não há conflito e que Trump não participa das empresas. Pesquisas indicam queda na confiança de eleitores sobre sua conduta ética. Especialistas alertam que o caso pode abrir precedente perigoso. Temem que futuros líderes sigam o mesmo modelo de mistura entre poder e lucro.