O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe hoje, 7, líderes latino-americanos alinhados à direita para um encontro na Flórida. A reunião ocorre em seu resort em Doral, subúrbio de Miami, e deve discutir segurança, liberdade e “prosperidade da nossa região”, segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. Batizado de “Escudo das Américas”, o evento reúne presidentes de 12 países: Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Honduras, Guiana, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago. A iniciativa será comandada por Kristi Noem, cuja saída do Departamento de Segurança Interna foi anunciada às vésperas do encontro. Em nota, ela afirmou esperar trabalhar com os países para desmantelar cartéis que enviam drogas aos EUA e reforçar parcerias de segurança no hemisfério. Líderes de esquerda não foram convidados, como Luiz Inácio Lula da Silva e Gustavo Petro, apesar de Brasil e Colômbia serem considerados centrais no combate ao narcotráfico. Segundo a Casa Branca, Trump priorizou países que cooperam mais diretamente com Washington no enfrentamento ao tráfico de drogas. Diplomatas brasileiros avaliam que o encontro também busca prestigiar aliados do republicano na região. Eles lembram que Brasil e EUA mantêm há cerca de 20 anos cooperação em troca de informações sobre tráfico e contrabando de pessoas. Apesar do foco oficial no narcotráfico, a imprensa internacional afirma que Trump deve tratar também da guerra envolvendo o Irã e buscar apoio político dos parceiros.
No Palácio do Planalto, a avaliação é que o encontro também mira conter a influência da China na América Latina, em linha com a estratégia de segurança do governo Trump que deve viajar à China no fim do mês para se reunir com Xi Jinping, e demonstrar alinhamento regional antes da visita teria peso político. Mesmo fora do encontro, há expectativa de uma reunião entre Lula e Trump ainda neste mês. O presidente brasileiro indicou a possibilidade de encontro em 16 de março para discutir segurança pública. Após um período de tensão —marcado por tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes—, sinais recentes apontam possível melhora no tom entre os governos. Questionado recentemente, Trump disse que gosta “muito” de Lula e teria prazer em recebê-lo em Washington. Em discurso em Brasília durante conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, Lula criticou pressões externas sobre Cuba e alertou para o risco de escalada de conflitos internacionais. O presidente brasileiro também criticou a exibição de poder militar por parte de Trump, dizendo que seria melhor destacar a capacidade de produção de alimentos e combate à fome.