Pesquisar este blog

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

JOVENS PROTESTAM NA FRANÇA


Centenas de estudantes de Sciences Po participaram de protestos pacíficos em Paris. 
A manifestação foi reprimida pela polícia com cassetetes e gás lacrimogêneo. Na véspera, mais de 450 mil jovens e simpatizantes protestaram em toda a França. O movimento começou no fim de setembro com o bloqueio de liceus. Os estudantes denunciaram falta de professores e prédios escolares precários. Também criticaram horários sobrecarregados e estruturas inadequadas às mudanças climáticas. Universitários aderiram aos protestos e ampliaram as reivindicações. Eles pedem aumento das bolsas de estudo e do auxílio-moradia e reivindicam novos alojamentos e vagas para todos nas universidades. Outra demanda é o fim do atual sistema de seleção universitária. Os estudantes cobram mais recursos para os restaurantes universitários. A redução das refeições para um euro aumentou a procura pelos restaurantes. Entretanto, a estrutura não foi ampliada para atender à nova demanda. Alunos não europeus também exigem tratamento igualitário. O governo retirou deles o auxílio-moradia e aumentou fortemente as anuidades. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu é acusado de ignorar as reivindicações. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, adotou uma resposta policial repressiva.

A violência empregada contra estudantes provocou críticas de pais e professores. Em Lens, um estudante de 15 anos perdeu a mão após ser atingido por uma granada. O episódio aumentou a revolta contra a atuação das forças de segurança. A Sciences Po também cancelou aulas presenciais para conter a mobilização. A direção já havia adotado postura repressiva durante protestos pró-Palestina em 2024. Lecornu tentou reduzir a pressão com um dia e meio de diálogo nas escolas. O governo também criou um site para receber reclamações dos estudantes. Os estudantes, porém, exigem medidas emergenciais e recursos imediatos. O governo acusa o movimento de ser influenciado por Jean-Luc Mélenchon. Políticos da esquerda participaram das manifestações e, em alguns casos, protegeram estudantes. Os sindicatos estudantis negam estar subordinados a partidos políticos. O movimento é apresentado como espontâneo e resultado da insatisfação crescente da juventude. Os manifestantes denunciam anos de políticas que reduziram direitos e perspectivas de futuro. 

SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO

Redemocratizar o quê, Flávio Bolsonaro?

​

​

Favorito na eleição precisa apresentar planos para o ajuste fiscal e o seu ministro da Fazenda Fala sobre emendas à Constituição para restabelecer democracia não passa de exagero descabido para mudanças que deveriam mirar reforma do STF

É sempre preocupante quando um candidato com chances de chegar à Presidência da República afirma que pretende mudar, sem mais, a Constituiçãobrasileira —sobretudo quando esse candidato tem o histórico político e familiar de Flávio Bolsonaro (PL).

Pior ainda, Flávio associou em discurso a mudança da Carta à intenção de "redemocratizar" o país, o que inevitavelmente suscita a questão sobre o que é democracia para o bolsonarismo, movimento cujo líder, Jair Bolsonaro, louva a ditadura militar e chegou a fazer apologia da tortura.

Nesta quarta (7), o senador pelo Rio viu-se instado a explicar as declarações do dia anterior. Citou exemplos de alterações constitucionais como redução da maioridade penal, reforma do Judiciário, reforma política, revisão da reforma tributária e fim da reeleição para presidente.

Essas são, em tese, propostas legítimas. A anomalia é a tentativa de espalhar a fake news de que o Brasil não vive uma democracia. Espera-se que essa tenha sido somente uma frase de efeito para os militantes.
Afinal, mesmo os abusos inegáveis cometidos pelo Supremo Tribunal Federal, no meio de eleições plenas e livres, estão longe de tornar o país não democrático.

O STF precisa, como reitera este jornal, de mandatos fixos para seus ministros, de um Código de Conduta e de uma redução drástica do alcance do foro especial para autoridades.

Essas e outras medidas visam fortalecer a corte, nunca privá-la de seu papel fundamental no sistema de freios e contrapesos entre os Poderes republicanos.

Agora favorito na corrida presidencial, Flávio também precisa apresentar seus planos econômicos, em especial para as calamitosas contas do governo.

A dívida pública alcançou 82,9% do PIB em agosto, mais de 11 pontos percentuais acima do registrado ao fim de 2022. O saldo do Tesouro neste ano ainda caminha para um déficit, e nessa toada o endividamento crescerá sem parar —impulsionando os juros e sendo por eles impulsionado, num círculo vicioso.

O debate eleitoral foi indigente até aqui. Se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) qualificou como "babaquice" a necessidade de obter superávits fiscais, seu oponente evita se comprometer com medidas mais duras, porém necessárias, para o reequilíbrio do Orçamento, com medo de perder votos.

Enquanto auxiliares apresentam planos em encontros restritos com empresários, Flávio desautorizou publicamente a ideia de retirar a indexação de aposentadorias e outros benefícios sociais ao salário mínimo.

Limitou-se a falar em venda de imóveis, corte de ministérios e redução de burocracia, propostas nem de longe suficientes.

Uma boa providência para ao menos indicar a orientação de seu eventual governo seria apontar, desde já, seu nome para a pasta da Fazenda. Mais clareza se impõe com a aproximação do desfecho das eleições.

editoriais@grupofolha.com.br 

BOLSONARO JÁ APESENTOU DOIS PEDIDOS DE REVISÃO CRIMINAL


Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar, já apresentou dois pedidos de revisão criminal no STF para tentar reverter sua condenação pela trama golpista. 
A revisão criminal pode ser proposta após o trânsito em julgado, mas somente em hipóteses específicas previstas na legislação. Se acolhida, pode resultar em absolvição, redução da pena ou anulação de provas ou do processo. O segundo pedido, apresentado no fim de setembro, inclui uma solicitação liminar para que Bolsonaro aguarde o julgamento em liberdade. Especialistas ouvidos pela Folha avaliam que uma liminar desse tipo deve ser reservada a situações de erro judicial evidente. Para eles, não há, até o momento, elementos claros que justifiquem a suspensão da pena de Bolsonaro. O relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, havia avaliado decidir sobre a soltura após o segundo turno eleitoral. Ontem, 7, porém, Kassio afirmou que pretende levar o caso para análise do plenário do STF. A defesa apresentou duas revisões criminais contra a condenação do ex-presidente. A primeira, protocolada em maio, sustenta que a decisão contrariou a lei e houve cerceamento da defesa. A segunda acrescenta alegações de fatos e provas novas. Entre as provas citadas está um parecer técnico contratado pela defesa sobre a cadeia de custódia de provas digitais. Segundo os advogados, teriam ocorrido falhas que impediriam a completa auditabilidade desses elementos. A defesa sustenta que o parecer demonstra a existência de fundamento para a concessão da liminar e são citadas manifestações recentes do ministro Alexandre de Moraes envolvendo Daniel Vorcaro.

Para os advogados, Moraes passou a adotar argumentos diferentes daqueles utilizados durante o processo contra Bolsonaro. Especialistas, entretanto, divergem sobre a força das alegações apresentadas pela defesa. Luisa Moraes Abreu Ferreira, da FGV, afirma que prova nova, para revisão, deve estar relacionada à inocência do condenado. Ela considera que algumas alegações sobre o processo podem justificar discussão sobre eventual anulação de provas. Antonio Santoro, da UFRJ, não vê fundamento suficiente para a revisão criminal prosperar.
Segundo ele, esse instrumento não pode substituir recursos nem repetir argumentos já examinados na condenação. Santoro também questiona a validade do laudo, por ter sido elaborado por perito contratado pela própria defesa. A revisão criminal é admitida em três hipóteses principais previstas no Código de Processo Penal. Entre elas estão sentença contrária à lei ou às provas, descoberta de novas provas de inocência e condenação baseada em elementos falsos. A decisão liminar ocorre durante o processo e exige urgência e fundamentos plausíveis. Em tese, pode ser concedida individualmente pelo relator ou pelo conjunto dos ministros. No caso de Bolsonaro, especialistas consideram difícil justificar uma medida excepcional antes da análise definitiva. 

IMAGENS DE MARTE MOSTRAM PAREDÕES DE ROCHA


O rover Curiosity, da Nasa, registrou uma das imagens mais detalhadas dos chamados “yardangs” em Marte. 
São paredões de rocha esculpidos pela ação dos ventos ao longo de milhões de anos. A formação aparece ao longe em um panorama feito durante as primeiras horas da manhã marciana. A imagem preserva uma tonalidade azulada na parte mais próxima da paisagem. O registro foi divulgado em 6 de outubro, mas havia sido feito em 11 de agosto. A fotografia corresponde ao 4.982º dia marciano da missão Curiosity. O registro foi produzido pela Mastcam, câmera instalada no rover. Seis fotografias foram enviadas separadamente à Terra e depois reunidas no panorama. Um diferencial da imagem é a preservação das cores originais da paisagem. A fotografia não passou pelo chamado balanço de branco, usado para ajustar as cores. Por isso, mantém características da iluminação natural do início da manhã em Marte. Os yardangs ficam na região noroeste do Monte Sharp e se estendem por cerca de 16 quilômetros. O Monte Sharp possui aproximadamente 5 quilômetros de altura e é explorado pelo Curiosity desde 2014. A formação está relacionada à história geológica da região marciana. O monte é composto por diferentes camadas de rochas, formadas em períodos distintos. Essas camadas preservam informações sobre a evolução da superfície de Marte.

Estudos do rover já encontraram evidências de antigos lagos e rios na região. Com o desaparecimento da água, minerais, incluindo sais, permaneceram na superfície. Posteriormente, os ventos desgastaram parte das camadas expostas do Monte Sharp. Esse processo pode ter contribuído para a formação dos grandes paredões. No entanto, os cientistas ainda não sabem exatamente como surgiu o material que os originou. Por isso, os yardangs são considerados importantes para a investigação científica da missão. O Curiosity também alcançou recentemente 1 quilômetro de ganho de elevação no Monte Sharp. Essa é a maior altitude já alcançada por um veículo robótico em Marte. Atualmente, o rover está no segundo ano de sua quinta missão estendida. Ele atravessa uma área com camadas ricas em sulfatos e carbonatos. Esses minerais podem revelar informações sobre antigos períodos de secamento do planeta. A expectativa é que o Curiosity chegue à base dos yardangs em 2027, para analisá-los diretamente.

 

MULHER, SÍMBOLO DE MORADIA EM MADRI, MORREU


Maricarmen Abascal, de 87 anos, morreu ontem, 7, em Madri. 
Ela havia se tornado símbolo da crise de moradia na Espanha após ser despejada. Maricarmen viveu por mais de 70 anos no mesmo apartamento, desde 1956. Ela foi retirada do imóvel em 23 de setembro, após não conseguir pagar o novo aluguel. A idosa estava internada no Hospital Gregorio Marañón desde o despejo. Seu caso provocou protestos e mobilizações em várias cidades espanholas. Milhares de pessoas se reuniram na Puerta del Sol, em Madri. Um acampamento de protesto permanece instalado no local. O Sindicato de Inquilinas tentou impedir judicialmente o despejo. A entidade lamentou a morte e criticou a demora na solução do caso. Segundo o sindicato, um acordo histórico permitiria seu retorno ao apartamento. Porém, a solução foi alcançada tarde demais para Maricarmen. O episódio também pressionou o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez que propôs medidas urgentes para enfrentar a crise habitacional. Dois decretos, porém, foram rejeitados pelo Parlamento na semana passada. Após a derrota, o primeiro-ministro antecipou as eleições para 29 de novembro. A crise imobiliária espanhola envolve forte aumento dos preços dos aluguéis. Entre as causas estão a escassez de imóveis e o crescimento populacional.

Os aluguéis turísticos de curta duração também aumentaram a pressão sobre o mercado. Maricarmen ocupava um apartamento de 92 metros quadrados no bairro de Retiro. O imóvel pertencia à empresa de investimentos Urbagestión. Ela pagava 500 euros mensais, cerca de R$ 2.800, por um contrato antigo. O contrato era do regime conhecido como “renta antigua”, criado no período franquista. A Justiça espanhola decidiu que o contrato não poderia continuar indefinidamente. Em 2020, a Urbagestión passou a ser proprietária do apartamento. A empresa inicialmente exigiu aluguel de 2.650 euros mensais. Depois, reduziu a proposta para 1.650 euros, ainda acima de sua pensão. Maricarmen recebia 1.350 euros por mês e não tinha condições de pagar o novo valor. Após os protestos, a empresa aceitou seu retorno com aluguel semelhante ao antigo. Com sua morte, porém, Maricarmen não conseguiu voltar para a casa onde viveu por décadas. 

APOIADORES DE FLÁVIO FALAM MUITO EM IMPEACHMENT


Movimentos recentes indicam uma aproximação entre a campanha de Flávio Bolsonaro e o STF. 
O objetivo seria reduzir a tensão e evitar processos de impeachment contra ministros da Corte. Fontes afirmam que Flávio teve uma conversa sigilosa com o ministro Gilmar Mendes. Na ocasião, o senador criticou Alexandre de Moraes e sua atuação no processo de Jair Bolsonaro. Flávio acusa Moraes de agir politicamente contra seu pai, ex-presidente condenado pelo STF. Depois disso, Rogério Marinho, coordenador da campanha, reuniu-se com Edson Fachin. Marinho levou ao presidente do STF reclamações semelhantes às apresentadas por Flávio. Ele ainda criticou a atuação do ministro Flávio Dino, outro alvo dos bolsonaristas. Sobre Gilmar Mendes, Marinho afirmou que existe diálogo entre os dois lados. O senador, porém, disse que o impeachment de ministros continua na pauta. Segundo ele, a medida dependeria da existência de crime de responsabilidade. Decisões recentes também foram interpretadas como sinais de distensão do STF. Gilmar Mendes rejeitou pedido da PF para abrir investigação contra Alfredo Gaspar. O deputado é candidato a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Gilmar acolheu parecer da PGR, que não encontrou elementos suficientes para o inquérito. Em outro episódio, Alexandre de Moraes autorizou mudança de regime para Débora Rodrigues. Conhecida como Débora do Batom, ela foi condenada a 14 anos pelo envolvimento no 8 de Janeiro. A decisão permitiu que ela cumpra a pena em regime semiaberto.

Aliados de Flávio, entretanto, negam qualquer acordo com o Supremo. O deputado Nikolas Ferreira defende que o novo Congresso priorize o impeachment de Moraes. Segundo ele, Moraes deveria sofrer impeachment e responder pelos atos que praticou. Nikolas afirmou não defender vingança, mas um julgamento justo e com ampla defesa. Ele acusou o ministro de cometer crimes contra direitos humanos nos julgamentos dos golpistas. O senador eleito Marcel van Hattem também mantém a pressão contra ministros do STF e afirmou que iniciará 2027 defendendo o impeachment de Gilmar Mendes. Van Hattem também pretende apoiar processos contra outros ministros da Corte. A pressão pelo impeachment foi uma das principais bandeiras de sua campanha eleitoral. Moraes aparece entre os principais alvos dos pedidos apresentados por parlamentares. Apesar dos sinais de diálogo, setores bolsonaristas rejeitam abandonar a estratégia. O cenário revela uma disputa entre possíveis pontes institucionais e a pressão política contra o STF. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 8/10/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Cientistas que desvendaram moléculas-espelho ganham Nobel de Química

​

Cientistas da França e do Japão dividem o Prêmio Nobel da Química pelos experimentos que explicaram moléculas espelhadas e conseguiram, em laboratório, obter versões puras para a fabricação de medicamentos

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Governo Lula avalia antecipar leilão para compra de dívidas do novo Desenrola

​

Primeira rodada está prevista para novembro, mas senso de urgência mudou após resultado do primeiro turno das eleições

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Soltar Bolsonaro em decisão liminar exigiria evidência de erro judicial crasso, apontam especialistas

​

Defesa de ex-presidente pediu que ele aguarde o julgamento de revisão criminal em liberdade Ministro Kassio Nunes Marques avalia levar caso a julgamento após o segundo turno

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Vitória goleia a Chapecoense e se afasta do Z4 no Brasileirão

​

Leão da Barra deslanchou no segundo tempo e contou com atuações de gala de Erick e Matheuzinho, cada um com dois gols

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/S

China anuncia sua candidata para dirigir a OMS

​

Pequim indica Song Li para o posto máximo da organização de saúde e pode ampliar sua influência após a retirada dos EUA do organismo

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Álvaro Santos Pereira: "Há margem para subir as taxas dos depositantes"

Governador do Banco de Portugal alerta para a perda de poder de compra de quem tem depósitos a prazo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

FIFA PERMITIU JOGADOR INELEGÍVEL NAS ELIMINATÓRIAS


A Fifa teria concluído, em sigilo, que o Congo escalou um jogador inelegível nas Eliminatórias. 
O goleiro Lionel Mpasi havia atuado pelas categorias de base da França. Segundo documentos, a mudança de filiação não foi concluída conforme as regras. Mesmo assim, a entidade permitiu que o Congo continuasse na competição. A seleção precisava vencer a Jamaica para chegar à Copa após 52 anos. O Congo derrotou os jamaicanos e garantiu sua classificação ao Mundial de 2026. A denúncia havia sido apresentada pela Nigéria, eliminada anteriormente pelo Congo. A Fifa rejeitou o caso alegando que a reclamação foi apresentada fora do prazo. Documentos analisados pelo New York Times mostram que havia outras alternativas. Entre elas estavam punir o Congo, beneficiar a Nigéria ou manter o resultado. A entidade também poderia ter aplicado multas ou alterado o confronto decisivo. A Fifa não negou as conclusões da investigação jornalística. A organização afirmou que seus comitês são autônomos e seguem os regulamentos. Também disse que Gianni Infantino não participou das decisões sobre o caso. O episódio amplia os questionamentos sobre a integridade da Copa de 2026. A competição já enfrenta críticas envolvendo política e decisões da entidade. Um caso anterior envolveu a suspensão de um jogador dos Estados Unidos. A punição foi revogada após uma ligação entre Infantino e Donald Trump.

Outro episódio envolve negociações secretas para investimentos em futuros torneios. O conjunto das denúncias aumentou a pressão sobre a gestão de Infantino. A Nigéria sofreu consequências esportivas e políticas após a derrota para o Congo. A crise contribuiu para a renúncia de toda a diretoria da federação nigeriana. O presidente Ibrahim Gusau pediu uma investigação sobre a atuação da Fifa. Casos anteriores mostram que a entidade já puniu seleções por jogadores inelegíveis. Em 2016, a Grécia perdeu por 3 a 0 após escalar atleta irregular. Em 2018, resultados da Bolívia também foram alterados por irregularidade semelhante. O caso congolês também pode afetar a disputa política pela presidência da Fifa.
Infantino busca apoio africano para permanecer no comando da entidade. Seu aliado Véron Mosengo-Omba foi eleito presidente da federação congolesa. Para críticos, a decisão sobre o Congo pode ter interesses políticos envolvidos. Infantino se reunirá com dirigentes africanos e depende desses votos para sobreviver. 

IRMÃOS ISRAELENSES COMEMORAM TERCEIRO ANIVERSÁRIO DO 7 DE OUTUBRO 2023


Israelenses marcam nesta quarta-feira (7) o terceiro aniversário do ataque de 7 de Outubro de 2023. 
Naquele dia, o Hamas realizou uma ofensiva contra comunidades e bases militares no sul de Israel. Cerca de 1.200 pessoas foram mortas e aproximadamente 250 foram levadas como reféns para Gaza. O ataque desencadeou uma guerra devastadora e uma ampla ofensiva israelense no território palestino. Dezenas de milhares de palestinos morreram durante o conflito e grande parte de Gaza foi destruída. Os reféns foram libertados em diferentes etapas, enquanto dezenas morreram durante o cativeiro. Entre os sequestrados estavam os irmãos gêmeos Gali e Ziv Berman, então com 26 anos. Moradores do kibutz Kfar Aza, eles foram capturados e permaneceram dois anos em Gaza. Durante o cativeiro, foram separados, sofreram agressões, fome e passaram longos períodos em túneis. Libertados em outubro de 2025, descobriram que mais de 60 moradores de Kfar Aza haviam morrido. Os irmãos também reencontraram a mãe e souberam que familiares próximos haviam sobrevivido. O pai, que sofre de Parkinson avançado e demência, chorou ao vê-los novamente. Eles também se reencontraram com Emily Damari, amiga e vizinha sequestrada no mesmo ataque. Após a libertação, Gali passou a estudar direito, governança e diplomacia. Ziv iniciou um novo relacionamento e os dois começaram a reconstruir suas vidas. Mesmo livres, afirmam que os traumas do cativeiro continuam presentes em seu cotidiano. Cada irmão perdeu cerca de 20 quilos durante os dois anos de prisão em Gaza.

Ziv também precisou realizar extenso tratamento dentário após passar longo período sem escovar os dentes. Durante o cativeiro, os irmãos se reencontraram algumas vezes, inclusive em gravações de propaganda. Eles dizem que a liberdade só pareceu completa após Israel recuperar o corpo de Ran Gvili. O policial havia sido levado para Gaza após ser gravemente ferido durante os combates de 7 de Outubro. Os irmãos afirmam que não aceitariam deixar para trás um soldado morto ou ferido. De volta à liberdade, Gali e Ziv viajaram e encontraram comunidades judaicas nos Estados Unidos. Eles também se reuniram com o presidente Donald Trump durante uma viagem ao país. Os irmãos afirmam estar determinados a contar ao mundo o que viveram durante o cativeiro. Recentemente, viajaram à Tailândia e visitaram os túmulos de amigos mortos no ataque. Também procuram se afastar das homenagens ao 7 de Outubro para lidar com as lembranças. No dia da libertação, pediram ao piloto que sobrevoasse o estádio do Maccabi Tel Aviv. Hoje, acompanham partidas de futebol e mantêm forte convivência com familiares e amigos. Apesar das lembranças dolorosas, Gali afirma que os irmãos estão vivos e não dão a vida como garantida. 

MP DENUNCIA DEZ PESSOAS PARTICIPANTES DE COMÉRCIO ILEGAL DE ARMAS


O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou dez pessoas por participação em um esquema criminoso. 
A organização envolvia comércio ilegal de armas, vazamento de informações sigilosas e lavagem de dinheiro. Investigação financeira identificou movimentações superiores a R$ 250 milhões. Os valores circularam em contas de pessoas físicas e de cinco empresas ligadas ao grupo. Entre os denunciados estão policiais e ex-policiais acusados de fornecer armas e dados privilegiados. As informações e armamentos teriam sido destinados a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão que é apontado como líder do Terceiro Comando Puro no Complexo de Israel, no Rio. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados. Nesta quarta-feira (7), MPRJ e Polícia Federal deflagraram a Operação Magen. Foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. As ações ocorreram no Rio de Janeiro e no Amazonas; ainda foi determinado o sequestro de três imóveis e 31 veículos. A investigação começou na Polícia Federal, diante do poderio bélico de traficantes. Vitor Hugo Marinho Garcia, conhecido como Batata, seria um dos principais fornecedores. Ex-policial militar, ele é acusado de liderar o esquema de fornecimento de armas. Em outubro de 2022, teria vendido dez fuzis AR-15 ao chefe do TCP.

José Carlos Ribeiro de Campos, o Ferrugem, também é acusado de negociar armamentos. Ele teria fornecido dois fuzis Colt M4 para integrantes da organização criminosa. O policial militar Johan Borja Portela teria vendido um revólver e nove pistolas Glock. Análises bancárias apontaram patrimônio incompatível com os rendimentos declarados. Os investigados utilizavam empresas e contas de terceiros para ocultar recursos. As cinco empresas envolvidas movimentaram cerca de R$ 173,7 milhões. Vitor Hugo teria movimentado aproximadamente R$ 31,9 milhões entre 2019 e 2023. Marcel Rodrigues Fernandes movimentou cerca de R$ 33,2 milhões no mesmo período. Eduardo Thales Lopes Pires movimentou aproximadamente R$ 33,4 milhões. Três companheiras dos acusados também foram denunciadas por lavagem de dinheiro. Elas são alvo de medidas cautelares, mas não tiveram prisão decretada. A investigação identificou ainda acesso ilegal a sistemas sigilosos das forças de segurança. O policial civil Carlos Barnabé Santos Souza, o Alemão, é acusado de repassar informações. Segundo a denúncia, dados eram usados para localizar pessoas, praticar extorsões e auxiliar criminosos. O MPRJ pediu retenção de passaportes e inclusão dos mandados na Interpol devido ao risco de fuga. 

SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO

Pretensão de Kassio de soltar Bolsonaro é um acinte

  • Ministro do STF cogita anular os efeitos da justa condenação do ex-presidente por tentativa de golpe
  • A via correta para reduzir penas exageradas é o plenário da corte autorizar logo a vigência da lei da dosimetria, aprovada pelo Congresso
  • SALVAR ARTIGOS

  • 144
Um juiz sentado em uma cadeira de tribunal, com uma expressão séria. Ele usa um terno escuro, uma gravata rosa e um broche. A cadeira é de cor dourada e ao fundo há pessoas em trajes formais. O ambiente é de um tribunal, com iluminação suave e paredes escuras.
Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) -  Gustavo Moreno - 12.fev.25/Divulgação STF

Causa espécie a notícia de que o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, cogita anular os efeitos da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e permitir a sua soltura, mediante decisão monocrática. Parece que juízes da corte constitucional não compreenderam a intolerância da sociedade com esse padrão de intromissão político-partidária.

A causa é acintosa. Não há dúvidas da participação do então candidato derrotado à reeleição numa trama para subverter o resultado das urnas. Testemunhos e provas asseguram que o Brasil só não viveu a recidiva autoritária pela resistência da cúpula das Forças Armadas,liderada pelo general Freire Gomes, do Exército.

Os acusados percorreram a via canônica do devido processo legal. Denunciados pela Procuradoria-Geral da República, exerceram o contraditório e foram julgados em sessões públicas e regulares. Quatro ministros —Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin— venceram o único dissidente, Luiz Fux, para sentenciar Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.

Pode-se criticar os julgadores pela opção maximalista no momento de definir os crimes e as penas —exagero que se repetiu com diversos réus, não só com o ex-presidente. Isso, porém, não tisna a legitimidade do processo.

A reação do Congresso Nacional foi sensata. Em vez de embrenhar-se pela via irresponsável da anistia, como queria a franja radical bolsonarista, os parlamentares optaram por aprovar um projeto de lei, o que está em sua alçada exclusiva, que na prática reduz as penas para todos os condenados pela intentona golpista.

Promulgada a lei, entrou em cena o poder de obstrução individual que a lassidão em vigor concede a juízes do Supremo. Desde maio, Alexandre de Moraes está sentado sobre ações que questionam a constitucionalidade da lei, tendo suspendido os seus efeitos. Enquanto isso, condenados que já poderiam estar soltos ou ter obtido encurtamento da pena não podem ser contemplados.

A maneira ortodoxa de desfazer o impasse seria o plenário do STFjulgar logo os questionamentos à lei e permitir que ela vigore. Tudo de que o Brasil não precisa agora é a sobreposição de uma nova heterodoxia nesse caso politicamente sensível. Se, com o benefício casuísta a Jair Bolsonaro, Nunes Marques pretende prestar um serviço às forças responsáveis por sua nomeação à corte, deve saber que prestará um enorme desserviço à causa da Justiça.

O antiexemplo de que a punição pelos crimes cometidos contra a Carta de 1988 possa ser anulada vai estimular a repetição dessas ignomínias. A audácia de conceder o perdão pela canetada solitária de um ministro alimentará o moto-perpétuo que investe cada juiz do STF da pretensão de que pode mandar em tudo.

Rasgar a toga para beneficiar um grupo partidário manterá a cúpula da Justiça na penumbra da desmoralização, o que só interessa aos abutres do autoritarismo.

editoriais@grupofolha.com.br