Liam Conejo Ramos, 5, e seu pai, Adrian Conejo Arias, voltaram neste domingo (1º) a Minneapolis após 12 dias detidos pelo ICE. Os dois foram libertados por ordem de um juiz federal após ficarem em um centro de detenção no Texas. Segundo a defesa, pai e filho equatorianos entraram legalmente nos EUA como solicitantes de asilo. A imagem de Liam detido, com mochila do Homem-Aranha, viralizou e gerou indignação. O menino foi um dos quatro menores apreendidos neste mês em um subúrbio de Minneapolis. A detenção ocorreu quando o pai buscava a criança na pré-escola. O juiz Fred Biery classificou a ação como cruel e inconstitucional. Ele criticou o que chamou de uso perverso de poder pelo governo. Autoridades alegam que Arias estaria em situação irregular, o que a defesa nega. Minnesota vive tensão com operações ampliadas de imigração e protestos. Imigrantes relatam medo e ações ostensivas de agentes federais. Dados indicam que ao menos 157 brasileiros menores foram apreendidos em 2025.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Segundo pesquisa do The Guardian, um em cada cinco vídeos exibidos pelo YouTube a novos usuários já é gerado por inteligência artificial. O ambiente digital está saturado de imagens sintéticas e hiper-realistas, que apelam à emoção e estimulam o compartilhamento rápido. Esse fenômeno abala a confiança no que vemos nas redes. O excesso de conteúdo artificial ganhou o nome de slop, algo como entulho ou sobra digital. No episódio, David Nemer explica por que esses vídeos ganham escala e quem mais produz e se beneficia desse tipo de material. Depois, Roney Domingos detalha como funciona a checagem e dá dicas para diferenciar conteúdo real de material feito por IA.
INGRESSO PARA ACESSO A FONTANA DI TREVI, EM ROMA
A Fontana di Trevi, em Roma, passou a cobrar entrada de turistas nesta segunda-feira (2) para enfrentar a superlotação. O acesso à área próxima à fonte custa dois euros (cerca de R$ 12,44). A medida busca financiar a preservação do monumento em meio ao turismo de massa. Mesmo com a taxa, turistas continuaram posando ao sol diante da obra barroca. Visitantes elogiaram a iniciativa por permitir fotos com menos aglomeração. A fonte é uma das atrações mais visitadas da Cidade Eterna. O local ficou mundialmente famoso pelo filme La Dolce Vita, de Fellini. Grande parte da praça segue aberta ao público, sem cobrança. Muitos optam por fotografar à distância para evitar o pagamento. A prefeitura estima arrecadar ao menos seis milhões de euros por ano. Parte do valor pagará funcionários que organizam o acesso ao local. Os recursos também devem garantir entrada gratuita de moradores em museus de Roma.
DELEGADA APOSENTADA É AUTUADA POR FURTO
Uma delegada aposentada de Polícia Civil de Goiás foi flagrada por câmeras de segurança de um supermercado do Alphaville Araguaia, em Goiânia, na sexta-feira, 30, quando encheu uma mala de compras e ia deixar o local sem pagar. A Polícia Militar foi acionada e a mulher entregou a mala cheia de produtos de alimentação e limpeza. A delegada aposentada foi conduzida para a Central Geral de Flagrantes, por seus colegas, e autuada por furto. Não foi revelado o nome da delegada, mas divulgada sua idade de 47 anos.
QUEM APOSTA NÃO MERECE GRATUIDADE
Uma juíza da 6ª Vara Cível de Piracicaba (SP) negou Justiça gratuita a uma mulher após identificar alto volume de gastos com apostas. A decisão integra um processo de execução de dívida anexado na terça (27). A mulher contraiu empréstimo de R$ 41 mil para renegociar débitos. O valor seria pago em 60 parcelas, mas houve atraso. Com isso, o banco ajuizou a ação de cobrança. A defesa alegou incapacidade financeira para custas e honorários. A magistrada rejeitou o pedido de gratuidade. Segundo a decisão, quem aposta demonstra ter renda disponível. Assim, teria condições de pagar a taxa judiciária. O benefício, afirmou, é para quem não pode arcar com despesas básicas. O processo segue em tramitação na 6ª Vara Cível.
PETRÓLEO: 3,77 MILHÕES DE BARRIS POR DIA
A produção nacional de petróleo bateu recorde em 2025, com média de 3,77 milhões de barris por dia, segundo a ANP. O volume é 12,3% superior ao recorde anterior, registrado em 2023. O resultado reflete a entrada em operação de grandes plataformas do pré-sal. Também houve recorde na produção de gás natural, com 179 milhões de m³ por dia. Parte desse gás, porém, não chega ao continente. O avanço fez do petróleo o principal item de exportação do Brasil pelo segundo ano seguido. Em 2025, as vendas externas somaram US$ 44,6 bilhões. O pré-sal respondeu por 79,63% da produção nacional de petróleo e gás. Os campos de Tupi, Búzios e Mero concentraram 56,27% da produção de petróleo. Em dezembro, a Petrobras respondeu por quase dois terços da produção total. Ambientalistas criticam o ritmo e pedem limites à produção e novas explorações. Já o governo e a indústria defendem ampliar a exploração diante do futuro declínio do pré-sal.
Política externa de Trump segue lei da selva e ameaça estabilidade mundial
Presidente age onde pode se safar, sem normas ou instituições Captura de Maduro inaugura nova era de poder unilateral americano sem limites
2026 é um ano de ponto de virada. A maior fonte de instabilidade global não será a China, a Rússia, o Irã ou os cerca de 60 conflitos em curso em todo o planeta –o maior número desde a Segunda Guerra Mundial. Será os Estados Unidos.
Essa é a linha central do relatório Top Risks 2026 do Eurasia Group: o país mais poderoso do mundo, o mesmo que construiu e liderou a ordem global do pós-guerra, está agora a desmantelando ativamente, liderado por um presidente mais comprometido e mais capaz de remodelar o papel da América no mundo do que qualquer outro na história moderna.
Trump já batizou sua abordagem para o Hemisfério Ocidental de "Doutrina Donroe". É sua versão da afirmação da primazia americana nas Américas do século 19 do presidente James Monroe –exceto que, onde Monroe alertou as potências europeias para ficarem fora do continente americano, Trump está usando pressão militar, coerção econômica e acerto de contas pessoal para dobrar a região à sua vontade. E está apenas começando.
Isolacionismo "América em Primeiro Lugar", isso não é. Os Estados Unidos estão simultaneamente se envolvendo mais, não menos, com Israel e os estados do Golfo Pérsico. A disposição de Trump de atacar o Irã no ano passado e se intrometer na política europeia não exatamente grita retração.
Lá Fora
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O modelo de "esferas de influência" também não se encaixa. Trump não está dividindo o mundo com potências rivais, cada uma permanecendo em sua faixa. Washington acabou de enviar a Taiwan seu maior pacote de armas de todos os tempos, e a postura do governo no Indo-Pacífico não demonstra desejo de ceder a Ásia à China.
A política externa de Trump não opera em eixos tradicionais –aliados versus adversários, democracias versus autocracias, competição estratégica versus cooperação. Opera em um cálculo mais simples: Você consegue revidar com força suficiente para machucá-lo? Se a resposta for não, e você tem algo que ele quer, você é um alvo. Se for sim, ele fará um acordo.
Trump queria derrubar Maduro, e não havia nada que Maduro pudesse fazer para impedi-lo. Ele não tinha aliados dispostos a agir, um exército capaz de retaliar, nenhuma influência sobre qualquer coisa com a qual Trump se importasse. Então ele foi removido. Não importa que toda a estrutura do regime venezuelano permaneça intacta, e qualquer transição para um governo democrático estável será confusa, contestada e em grande parte responsabilidade da Venezuela.
Trump está pessoalmente satisfeito com a Venezuela continuando a ser governada pelo mesmo regime repressivo, desde que concorde em fazer o que ele manda (de fato, ele escolheu esse arranjo em vez de um governo liderado pela oposição). A ameaça do "faça o que eu mando, senão..." parece já estar funcionando, com Trump anunciando que as novas autoridades da Venezuela entregarão de 30 a 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, com os recursos –palavras dele– "controlados por mim, como presidente". Sucesso na Venezuela, por mais estreitamente definido que seja, encorajará o presidente a dobrar a aposta nessa abordagem e ir mais longe –seja em Cuba, Colômbia, Nicarágua, México ou Groenlândia.
Na outra ponta do espectro está a China. Quando Trump aumentou as tarifas no ano passado, Pequim retaliou com restrições de exportação sobre terras raras e minerais críticos –ingredientes essenciais para uma ampla gama de produtos de consumo e militares do século 21. A vulnerabilidade exposta, Trump foi forçado a recuar. Agora ele está determinado a manter a distensão e garantir um acordo a qualquer custo.
A isto damos o nome de lei da selva, não estratégia: poder unilateral exercido onde quer que Trump ache que pode se safar, desvinculado das normas, processos burocráticos, estruturas de aliança e instituições multilaterais que antes lhe davam legitimidade. À medida que as restrições se apertam em outros lugares –eleitores irritados com a acessibilidade de preços, perdas nas eleições de meio de mandato se aproximando– e sua urgência em cimentar seu legado se acentua, a disposição do presidente de assumir riscos no lado da segurança, onde ele permanece em grande parte sem restrições, crescerá.
O hemisfério ocidental por acaso é um habitat especialmente rico em presas, onde os Estados Unidos têm alavancagem assimétrica que ninguém pode conter e Trump pode marcar vitórias fáceis com resistência e custos mínimos. Mas a vizinhança imediata da América não é o limite da abordagem de Trump.
Se já não estava claro, as ameaças do governo Trump à Groenlândia esclarecem que a Europa agora faz parte do conjunto de alvos da América. As três maiores economias do continente entram no ano com governos fracos e impopulares sitiados por populistas internamente, a Rússia à sua porta, e um governo americano apoiando abertamente a extrema direita que fragmentaria ainda mais a região. A menos que os europeus encontrem maneiras de ganhar influência e impor custos de forma crível que pesem para Trump–e logo– eles enfrentarão o mesmo aperto que ele está aplicando em todo o hemisfério.
Para a maioria dos países, responder a uma Casa Branca imprevisível, não confiável e perigosa é agora um empreendimento geopolítico urgente. Alguns falharão; a Europa pode estar tarde demais para se adaptar. Alguns terão sucesso; a China já está em uma posição mais forte, satisfeita em deixar seu principal rival se minar e vencer por W.O. Xi Jinping pode se dar ao luxo de jogar o jogo longo. Ele estará no poder muito depois do término do mandato de Trump em 2029.
O dano ao próprio poder americano persistirá após este governo. Alianças, parcerias e credibilidade não são apenas boas de se ter –são multiplicadores de força, dando a Washington uma influência que o poder militar e econômico bruto sozinhos não poderiam ter sustentado.
Trump está queimando essa herança, tratando-a como restrição em vez de ativo, governando como se o poder americano operasse fora do tempo e ele pudesse remodelar o mundo pela força sem consequência duradoura. Mas as alianças que ele está destruindo não voltarão ao normal quando o próximo presidente assumir o cargo. A credibilidade leva uma geração para reconstruir –se é que pode ser reconstruída.
Então, sim, 2026 é um ano de ponto de virada. Não porque saberemos como isso termina, mas porque começaremos a ver o que acontece quando o país que escreveu as regras decide que não quer mais jogar por elas.
Projetos de lei municipais apresentados em cidades como Salvador e Divinópolis (MG) propõem programas de “combate à cristofobia”, prevendo multas elevadas a foliões que usem fantasias carnavalescas consideradas “desrespeitosas” aos cristãos, como batinas, véus de freiras ou símbolos religiosos com conotação sexual. Sob o pretexto de proteger a fé, tais iniciativas revelam a expansão do sistema sancionador e a instrumentalização religiosa com fins eleitorais, fragilizando a segurança jurídica e pilares do Estado democrático de Direito. No constitucionalismo contemporâneo, a atuação punitiva do Estado só se legitima diante de conduta materialmente lesiva a bem jurídico determinado. Princípios como legalidade, ofensividade e mínima intervenção devem anteceder qualquer proposta repressiva. A liberdade de expressão artística e cultural é protegida pelo artigo 5º, IX, da Constituição. Sua restrição só se justifica em casos de agressão concreta à liberdade religiosa, como violência, ameaça, impedimento de culto ou incitação direta à violência. Fora desses contextos, sátira, humor e fantasia permanecem constitucionalmente protegidos. O problema central desses projetos é o uso de conceitos jurídicos indeterminados, como “hostilizar” ou “fantasia desrespeitosa”, que permitem sanções baseadas em percepções subjetivas, ampliando o risco de arbitrariedades e perseguições.
O Código Penal exige dolo específico para crimes contra o sentimento religioso. O artigo 208 pressupõe escárnio dirigido a pessoa determinada, não a um grupo abstrato. O vilipêndio exige objeto de culto consagrado, e não mera irreverência. Em todos os casos, exige-se vontade deliberada de ofender, incompatível com o animus jocandi do Carnaval. Raciocínio semelhante vale para normas sobre discriminação racial e religiosa, que também exigem inequívoco animus discriminandi, conforme já reconhecido pelo STF. A prevalência da lógica do “me senti ofendido” gera subjetivismo sancionador, produz autocensura (chilling effect) e enfraquece a previsibilidade do Direito. A história demonstra que a censura nasce de restrições simbólicas e legislações moralizantes. Sou católico praticante e afirmo: o Cristianismo não necessita de tutela administrativa carnavalesca para sobreviver. A fé não é ameaçada pela sátira, mas se enfraquece quando instrumentalizada politicamente. O Direito deve proteger fatos, não sentimentos. Sem violência objetiva ou perseguição concreta, não cabe intervenção punitiva. Ainda assim, no Brasil cada vez mais criminalizador, talvez seja mais seguro manter as fantasias no armário.
Donald Trump tem feito de Minnesota um alvo frequente de ataques verbais e políticos. O presidente já chamou o governador democrata Tim Walz de “incompetente” e fez declarações xenófobas contra a comunidade somali do estado, afirmando que imigrantes teriam “QI baixo” e “não contribuem com nada”. Especialistas apontam que a ofensiva é essencialmente política. Minnesota não está entre os estados com maior número de imigrantes em situação irregular: ocupa a 23ª posição no ranking nacional, com cerca de 130 mil pessoas, o equivalente a 2,2% da população, segundo o Pew Research Center. Mesmo assim, o estado foi alvo de uma operação com cerca de 2.000 agentes do ICE. Para o cientista político Pedro Santos, trata-se de uma “revanche política militarizada”, com Trump usando o estado como bode expiatório. As ações recentes do ICE têm se concentrado em estados governados por democratas. Para a socióloga Silvia Pedraza, o foco está sobretudo nas “cidades gêmeas” de Minneapolis e St. Paul, tradicionalmente progressistas e com forte presença de imigrantes.
Minnesota vota majoritariamente em democratas e rejeitou Trump nas eleições de 2016, 2020 e 2024. Walz, que poderia ter sido vice de Kamala Harris, apoiou protestos contra as operações federais —algo que, segundo analistas, pesa na retaliação presidencial. Desde dezembro, vídeos de detenções dentro de casas geraram protestos. Após mortes de dois cidadãos americanos, houve recuo parcial das ações, que continuam com táticas menos ostensivas. Trump também explora uma investigação bilionária de fraudes em programas públicos durante a pandemia, envolvendo empresários —alguns de origem somali— para generalizar acusações contra imigrantes. Autoridades locais afirmam colaborar com as investigações e criticam o uso político do caso. Além disso, políticas estaduais como aborto legal, maconha recreativa e programas de diversidade contrariam diretamente a agenda conservadora do presidente.
Mais de 50 entidades da sociedade civil anunciaram apoio a um manifesto que pede ao STF a adoção de um código de conduta para seus ministros. O documento, lançado em dezembro, já reúne mais de 200 assinaturas e é acompanhado de uma petição online com mais de 45 mil apoios. O texto expressa preocupação com a falta de normas claras de comportamento e integridade para magistrados das cortes superiores e defende diretrizes baseadas em boas práticas de independência judicial. Entre as organizações signatárias estão Transparência Brasil, Open Knowledge Brasil, Fundação Tide Setúbal, Instituto Sou da Paz e Renova BR. O manifesto também conta com o apoio de empresários, economistas e acadêmicos, como Arminio Fraga, João Amoêdo, Antonio Luiz Seabra, Pablo Ortellado e Hélio Zylberstajn, além de nomes como Cristovam Buarque, Carlos Nobre e Oded Grajew.
A mobilização ocorre enquanto o presidente do STF, Edson Fachin, avalia a criação de um código de conduta, mas considera adiar a votação para depois das eleições, buscando consenso entre os ministros. Em meio a uma crise de imagem da corte, Fachin convocou reunião para 12 de fevereiro, quando o tema deve ser discutido. A proposta enfrenta resistência interna, mas ganhou força após episódios recentes envolvendo ministros, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, relacionados a conflitos de interesse no caso do Banco Master.
Israel anunciou ontem, 1º, a reabertura da fronteira de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, exclusivamente para moradores do território palestino. A medida integra o plano de paz proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, aprovado por Israel e pelo Hamas em outubro, mas não mencionou a entrada de ajuda humanitária. Segundo o Cogat, órgão do Ministério da Defesa israelense, a reabertura ocorre em fase piloto, em coordenação com a União Europeia e autoridades locais. O trânsito de pessoas deve começar no dia de hoje, 2, em ambos os sentidos. Egito e Jordânia reagiram negativamente, condenando qualquer tentativa de deslocamento forçado da população palestina. Em comunicado conjunto, os líderes Abdul Fatah Al-Sisi e o rei Abdullah 2º reafirmaram a rejeição a esse tipo de iniciativa. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, estima que cerca de 20 mil pessoas aguardam a reabertura para sair do território em busca de tratamento médico. A passagem estava fechada desde maio de 2024, quando Israel assumiu seu controle. Entre os que aguardam está Mohammed Shamiya, de 33 anos, que sofre de doença renal e precisa de diálise fora de Gaza.
Israel também anunciou que a organização Médicos Sem Fronteiras deverá interromper suas atividades por se recusar a fornecer uma lista completa de funcionários palestinos. O governo afirma que a exigência vale para todas as ONGs e acusa dois colaboradores da MSF de vínculos com grupos terroristas, o que a entidade nega. A MSF classificou a decisão como um pretexto para bloquear ajuda humanitária e afirmou não ter recebido garantias de segurança para seus funcionários. Apesar do cessar-fogo, Israel realizou no sábado (31) um dos ataques aéreos mais intensos da semana, matando ao menos 32 pessoas, incluindo crianças. O governo israelense reconheceu que mais de 25 mil civis morreram desde o início da guerra, em outubro de 2023. As próximas etapas do plano de Trump preveem retirada israelense, desarmamento do Hamas, administração palestina tecnocrata e reconstrução de Gaza sob supervisão internacional. O Hamas rejeita o desarmamento, e Israel ameaça retomar a força militar.
O Superior Tribunal Militar (STM) viverá um ano histórico ao julgar se 17 oficiais, incluindo cinco generais quatro estrelas e o ex-presidente Jair Bolsonaro, podem manter suas patentes após condenações no STF por tentativa de golpe de Estado. A Corte costuma acolher 93% dos pedidos de expulsão do Ministério Público Militar (MPM), mas nunca puniu oficiais do topo da carreira. Especialistas avaliam que essa tradição pode ser rompida em 2026. Os processos começam formalmente amanhã e analisam “indignidade ou incompatibilidade para o oficialato”. As ações podem resultar na perda de postos, patentes e benefícios. O foco do MPM recai sobre oficiais condenados a penas superiores a dois anos. Entre os principais nomes estão Jair Bolsonaro (27 anos e 3 meses), Mário Fernandes (26 anos e 6 meses), Walter Braga Netto (26 anos), Almir Garnier (24 anos), Augusto Heleno (21 anos) e Paulo Sérgio Nogueira (19 anos).
A lista ainda inclui cinco coronéis, cinco tenentes-coronéis, um major e um capitão. Segundo especialistas, há base legal para responsabilização por crimes contra a ordem democrática. O Código Penal Militar permite enquadrar crimes comuns como militares quando praticados por militares. O STM não revisará as condenações do STF, mas fará um “julgamento de honra”. Nos últimos oito anos, 84 de 97 militares perderam suas patentes. Nenhum oficial-general foi julgado antes em casos ligados à ruptura democrática. Cada réu terá um relator sorteado para evitar concentração de casos. Especialistas apontam uma mudança histórica, com o fim da lógica de anistia automática. O cenário indica maior compromisso institucional com democracia, memória e responsabilização.
A divulgação de novos arquivos de Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça dos EUA, na sexta-feira (30), lança nova luz sobre suas relações com figuras poderosas, como Donald Trump, Elon Musk, Bill Gates e Howard Lutnick. O maior lote já divulgado reúne mais de três milhões de páginas, além de milhares de vídeos e imagens. Os documentos incluem denúncias não corroboradas e indicam o grau de conhecimento das autoridades sobre abusos cometidos por Epstein contra menores. Cerca de 4,5 mil documentos citam o presidente Donald Trump. Um deles é um resumo do FBI baseado em mais de uma dúzia de denúncias envolvendo Trump e Epstein. Não está claro por que o resumo foi elaborado. As denúncias não trazem provas corroborativas. Trump nega qualquer irregularidade ligada a Epstein. A Casa Branca afirmou que os arquivos podem conter material falso ou fraudulento. Há uma denúncia anônima acusando Trump de abuso sexual ocorrido décadas atrás. Segundo o Departamento de Justiça, não há elementos para acusações formais contra o presidente. Outros relatos foram classificados como “não críveis”.
E-mails de 2016 mostram Epstein mencionando acusações envolvendo Trump a uma advogada ligada ao governo Obama. O caso não avançou judicialmente. Trump não comentou as divulgações. Os arquivos também citam Bill Gates. Epstein escreveu notas sugerindo relações extraconjugais do cofundador da Microsoft. A Fundação Gates negou as acusações e as chamou de falsas. Gates já afirmou que sua relação com Epstein foi “um grande erro”. O vínculo entre os dois contribuiu para seu divórcio. Há ainda e-mails de 2013 entre Epstein e o bilionário britânico Richard Branson. As mensagens sugerem uma relação próxima. O Virgin Group afirmou que Branson condena as ações de Epstein e apoia as vítimas.
Oficiais condenados pelo STF podem perder patente após análise da Corte Militar. Entre eles, está o ex-presidente Jair Bolsonaro
O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ
Política
Volta do Congresso pressiona governo com vetos e prazo curto para aprovar apostas eleitorais
Planalto vai tentar emplacar bandeiras da campanha à reeleição do presidente
FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP
Mais de 50 entidades anunciam apoio a código de conduta no STF
Transparência Brasil, Derrubando Muros e outras endossam documento proposto em dezembro Texto fala em preocupação com práticas incompatíveis com postura imparcial do Supremo
TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA
Sócio dos irmãos de Toffoli acusa desvio de R$ 100 milhões em resort
Procurado, Tayayá Porto Rico não se posicionou; em ação judicial, empresa classificou acusações de inverídicas e caluniosas
CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS
Novo presidente da Assembleia prevê acirramento das discussões em ano eleitoral: “igual Gre-Nal”
Sergio Peres afirma que Republicanos não terá candidato ao governo ou ao Senado e discute apoio entre PL e MDB
DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT
“As pessoas não sabem como reagir a um Aviso Vermelho”
A comunicação sobre eventos meteorológicos extremos, advertem especialistas, tem de ser melhorada. Não basta alertar para o problema; é preciso dizer como responder a ele.
O estudo foi a bússola que mudou a vida de Katharine de Oliveira Machado, criada em Guadalupe, na Zona Norte do Rio. Desde pequena, gostava de ler, apesar de ter trabalhado cedo para ajudar a família. Sem tempo para estudar, sonhava com um futuro diferente da realidade ao redor. A virada começou na adolescência, como menor aprendiz em um supermercado na Zona Sul. Um cliente percebeu seu potencial e passou a incentivá-la a estudar. Assim, Katharine descobriu a diplomacia e começou a aprender inglês sozinha. Aos 19 anos, tornou-se au pair nos Estados Unidos, onde aprimorou o idioma. De volta ao Brasil, cursou relações internacionais e trabalhou para se manter. Em 2012, mudou-se para a Holanda para estudar e trabalhar em subempregos. Concluiu mestrado e tornou-se professora universitária em Haia. Hoje, é especialista em políticas públicas da União Europeia. Sua história inspira jovens a acreditarem que estudar pode mudar a vida.
PRESIDENTE LUCENA: OFERTA DE EMPREGOS
Jéssica Monteiro, 27, deixou Belém em 2022 e cruzou 3.800 km até Presidente Lucena (RS), atraída pela oferta de empregos. A cidade gaúcha tinha, em 2022, 1.560 pessoas ocupadas, segundo o IBGE. Desse total, 97,8% trabalhavam como empregados no setor privado, maior proporção do país. Na média nacional, esse percentual era de 51,7%. O prefeito Luiz José Spaniol afirma que há mais vagas do que mão de obra disponível. A economia local reúne agropecuária, indústrias de alimentos e vestuário e comércio. Jéssica conseguiu emprego rapidamente em uma indústria de alimentos e hoje atua como auxiliar de compras. Presidente Lucena tinha 3.077 habitantes em 2022, número que pode chegar a 4.000 atualmente. A cidade enfrenta escassez de trabalhadores, apesar do crescimento econômico. O município ficou em 6º lugar no IPS 2025, indicador de qualidade de vida. A maioria dos domicílios é formada por casas, refletindo o perfil interiorano. Segundo moradores, a praticidade e a tranquilidade são vantagens da vida local.
TRUMP DEPORTA ATÉ BEBÊS
Ao menos 157 menores brasileiros foram apreendidos por agentes de imigração nos EUA entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados do governo americano. Desse total, 142 foram levados a centros de detenção do ICE. Os dados foram obtidos pela Folha via lei de acesso à informação e compilados pela Universidade da Califórnia. Há bebês nascidos em 2024 e adolescentes de 16 e 17 anos entre os detidos. Ao menos 114 menores deixaram os Estados Unidos, em sua maioria por deportação. Em cerca de 40 casos, as detenções indicam grupos familiares. Centros no Texas, como Dilley e Karnes, concentraram parte das apreensões. O caso mais longo envolveu um bebê que ficou 44 dias detido antes de ser deportado. Parte das apreensões ocorreu na fronteira com o México, sob responsabilidade do CBP. Meninos são maioria entre os detidos, e Boston concentra casos fora da fronteira. O tempo de detenção variou de horas a cerca de um mês. O Itamaraty afirma que só atua quando é acionado, pois os EUA não compartilham esses dados.
TRUMP PRESSIONA CUBA
A declaração de Donald Trump de que “Cuba vai falir muito rápido” recoloca a ilha no centro da política de Washington e sugere a aplicação da mesma pressão usada contra a Venezuela. A questão é se essa estratégia funciona no contexto cubano. Cuba vive uma crise econômica profunda, com apagões, escassez de alimentos, queda da produção e migração em massa. A dependência energética é central, agravada pela redução do petróleo venezuelano. Sem combustível, colapsam transporte, eletricidade e setores produtivos. Nos EUA, o tema ganha força pela pressão do eleitorado cubano-republicano da Flórida. Há a percepção de que Cuba está mais frágil do que nunca. Essa fragilidade resulta do fim do apoio soviético, do colapso venezuelano e da queda do turismo pós-pandemia. Mas crises severas já ocorreram antes, como no “período especial” dos anos 1990. Diferente da Venezuela, Cuba não tem uma figura política intermediária como Delcy Rodríguez. O sistema cubano é mais fechado e institucionalizado. Resta em aberto se a pressão externa levará, desta vez, a um colapso político.
EPSTEIN E BANNON ELOGIAM BOLSONARO
Uma troca de e-mails atribuída a Jeffrey Epstein e Steve Bannon traz elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As mensagens foram divulgadas pelo Departamento de Justiça dos EUA e fazem parte dos arquivos do caso Epstein. Em outubro de 2018, Epstein afirmou que “Bolsonaro mudou o jogo” e elogiou sua postura política. Na época, Bolsonaro disputava o segundo turno contra Fernando Haddad, após liderar o primeiro. Bannon respondeu dizendo ter proximidade com o grupo de Bolsonaro e cogitou atuar como conselheiro. Epstein reagiu com cautela, chamando a situação de “reino no inferno”. Bannon declarou apoio público a Bolsonaro e o comparou a Donald Trump. Ele negou participação formal na campanha, apesar de dizer ter dado conselhos à família. As conversas também citam Lula e o filósofo Noam Chomsky. Epstein afirmou que Chomsky teria ligado da prisão ao lado de Lula, o que foi negado. Há menções a uma possível viagem de Bannon ao Brasil para apoiar Bolsonaro. As mensagens revelam bastidores políticos e tentativas de articulação internacional.
O Brasil possui regras de impedimento e suspeição de magistrados, mas parte delas foi flexibilizada ou invalidada pelo STF, e não há um órgão efetivo de controle. O debate ganhou força após decisões controversas de ministros, como no caso do Banco Master, envolvendo possíveis conflitos de interesse. Especialistas apontam uma crise de credibilidade na aplicação dessas normas e defendem a criação de um código de conduta para o Supremo, embora haja divergências sobre seu alcance. As regras atuais, previstas nos Códigos de Processo Civil e Penal, buscam garantir a imparcialidade, mas dependem, em geral, da autodeclaração do próprio juiz.
Historicamente, o STF só reconheceu impedimentos quando o próprio ministro se declarou afastado, nunca por decisão do plenário. Em 2023, a Corte considerou inconstitucional a regra que impedia juízes de julgar casos envolvendo clientes de escritórios de parentes, o que ampliou críticas sobre conflitos de interesse. Para juristas, essa decisão criou lacunas e facilitou o tráfico de influência. Propostas da OAB-SP e da Fundação FHC sugerem um código de conduta com mais transparência sobre relações pessoais, eventos e benefícios recebidos. Defensores afirmam que o código ajudaria a esclarecer critérios subjetivos, como amizade íntima. Críticos, porém, alertam que normas formais não bastam e que mudanças dependem também da cultura institucional do STF e de reformas estruturais mais amplas.
Israel realizou ontem, 31, um dos ataques aéreos mais intensos das últimas semanas contra a Faixa de Gaza. A ofensiva atingiu uma delegacia controlada pelo Hamas e áreas onde palestinos deslocados estavam abrigados em tendas e apartamentos. Segundo autoridades de saúde de Gaza, ao menos 32 pessoas morreram, entre elas três crianças. As Forças Armadas de Israel afirmaram ter atacado comandantes e instalações do Hamas e da Jihad Islâmica, alegando violações do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro. O Hamas acusou Israel de romper a trégua, mas não informou se combatentes foram atingidos. Na sexta-feira (30), Israel reconheceu pela primeira vez que seus bombardeios mataram ao menos 25 mil civis desde o início da guerra, em outubro de 2023. Apesar de um cessar-fogo acordado no ano passado, o conflito segue com episódios de violência.
O ataque de ontem, atingiu a delegacia de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza, matando 13 pessoas, incluindo policiais e detentos. Outro bombardeio matou três crianças e duas mulheres em um prédio residencial, e um ataque a um acampamento de deslocados em Khan Yunis deixou sete mortos. Israel afirmou que os ataques responderam a um incidente em Rafah, onde homens armados teriam saído de um túnel. O Hamas não comentou. As ações ocorreram um dia antes da reabertura da passagem de Rafah, prevista no plano de cessar-fogo.