Milei intensificou ataques à imprensa, chamando jornalistas de “escória imunda” e restringindo o acesso de repórteres à Casa Rosada. Na economia, a queda da atividade industrial e do varejo reduziu receitas tributárias e ameaça o superávit fiscal. Apesar do avanço de petróleo, mineração e agricultura, esses setores geram poucos empregos. As reformas liberais expuseram empresas locais à concorrência estrangeira, enquanto juros elevados e crédito restrito dificultam investimentos. O peso valorizado também prejudica manufatura e construção. Mesmo assim, a inflação segue alta, alcançando 3,4% em março. Analistas avaliam que Milei perdeu credibilidade ao prometer inflação abaixo de 1% até agosto, meta considerada improvável. Ainda há expectativa de crescimento acima de 3% neste ano, impulsionado por petróleo, gás e mineração. Porém, investidores demonstram preocupação com a estabilidade política e econômica da Argentina às vésperas da próxima disputa presidencial.
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sexta-feira, 8 de maio de 2026
MILEI ENFRENTA ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO
RECEBIDA DENÚNCIA CONTRA DESEMGARGADORA, JUÍZA E ADVOGADOS DA BAHIA
A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça recebeu parcialmente denúncia do Ministério Público Federal em novo desdobramento da Operação Faroeste, que apura suposto esquema de venda de sentenças para legitimar a posse de mais de 800 mil hectares de terras no oeste baiano. O colegiado acompanhou o voto do relator, ministro Og Fernandes, tornando rés magistradas e empresários acusados de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo o relator, há indícios de comercialização de decisões judiciais, movimentações financeiras suspeitas, pagamentos disfarçados de honorários, depósitos fracionados e compra de bens de luxo para ocultar recursos ilícitos. O STJ recebeu a denúncia contra Adaílton Maturino dos Santos e Geciane Maturino dos Santos por corrupção ativa e lavagem de dinheiro; contra a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago por corrupção passiva e lavagem; e contra a juíza Marivalda Almeida Moutinho por corrupção passiva. A Corte rejeitou as acusações contra Aristóteles Moreira, Marcio Duarte Miranda e João Antônio Franciosi por falta de indícios suficientes. Também rejeitou imputações contra Ediene Santos Lousado, Gabriela Macedo e Maurício Teles Barbosa ligadas a organização criminosa e obstrução das investigações.
O relator determinou o desmembramento da denúncia contra o desembargador José Olegário Monção Caldas e declarou extinta a punibilidade de João Carlos Santos Novaes. O STJ ainda prorrogou o afastamento das funções públicas da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago e da juíza Marivalda Almeida Moutinho. Segundo o MPF, o grupo atuava desde 2015 na produção de minutas de decisões judiciais, pagamento de propinas e ocultação de valores em disputas fundiárias na região de Barreiras. A acusação afirma que Adaílton Maturino e Geciane estruturaram organização criminosa voltada à legitimação da grilagem de terras no cerrado baiano, usando decisões administrativas e judiciais para retirar produtores rurais das áreas ocupadas. O MPF também apontou participação da então presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, Maria do Socorro Barreto Santiago, por supostamente agilizar decisões administrativas relacionadas às terras. A denúncia cita ainda aquisição de joias, obras de arte e relógios Rolex para ocultação de vantagens indevidas. As defesas negaram irregularidades, alegaram ausência de provas e sustentaram que os fatos já seriam tratados em outra ação penal ligada à Operação Faroeste. Ao final, a Corte Especial decidiu manter apenas parte das acusações apresentadas pelo MPF e prosseguir com a ação penal contra os investigados que se tornaram réus.
MAIS UMA TARIFA DE TRUMP É ILEGAL, DIZ TRIBUNAL
A Corte de Comércio Internacional dos EUA decidiu ontem, 7, contra as tarifas globais de 10% impostas por Donald Trump. Segundo o tribunal, o presidente não tinha autoridade legal para aplicar o aumento generalizado sobre importações. A decisão afirma que as tarifas não estão em conformidade com a Lei de Comércio de 1974, usada pelo governo como base jurídica. O caso foi movido por pequenas empresas afetadas pelas medidas. O julgamento terminou em 2 votos a 1. Um dos juízes considerou prematuro conceder vitória total às empresas. Apesar disso, duas companhias obtiveram autorização para não pagar a tarifa global. A decisão também afeta o estado de Washington. As empresas alegaram que o governo tentou contornar uma decisão da Suprema Corte dos EUA, que em 2025 derrubou tarifas aplicadas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Na ocasião, as tarifas foram suspensas após sucessivas reclamações do setor empresarial. No decreto de fevereiro, Trump invocou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite tarifas temporárias para corrigir déficits na balança de pagamentos ou evitar desvalorização do dólar. O tribunal afirmou que a legislação não se aplica aos déficits comerciais citados pelo presidente.
Após a derrubada do tarifaço, o governo informou que adotaria outro mecanismo legal para manter a tarifa de 10% sobre produtos importados. Trump também anunciou o uso da Seção 301 da lei comercial, que autoriza investigações sobre práticas consideradas desleais e pode resultar em novas tarifas. A Seção 122 permite tarifas de até 15% por seis meses sem investigação formal, mas exige aprovação do Congresso para prorrogação. Já a Seção 301 permite sanções sem limite de valor ou duração, embora dependa de investigação e consulta pública. Trump já havia usado esse instrumento em seu primeiro mandato para taxar produtos chineses, iniciando uma longa disputa comercial entre EUA e China.
ALBERTA QUER SEPARAR DO CANADÁ
Os separatistas da província de Alberta, no Canadá, apresentaram uma petição para realizar um plebiscito sobre a independência da região ainda este ano. O grupo Stay Free Alberta afirma ter reunido mais de 300 mil assinaturas, acima das 178 mil exigidas para convocar a consulta popular. O movimento separatista se baseia na chamada “alienação ocidental”, percepção de que Alberta é ignorada pelo governo federal em Ottawa. O diretor do grupo, Mitch Sylvestre, classificou o momento como “histórico”. No entanto, a Justiça suspendeu temporariamente a verificação das assinaturas após ação movida por comunidades indígenas das Primeiras Nações. Os indígenas alegam que a separação violaria tratados firmados com a Coroa Britânica antes da criação do Canadá moderno. O advogado Kevin Hille afirma que uma nova fronteira internacional ameaçaria direitos territoriais e modos de vida tradicionais. Uma decisão judicial de dezembro já havia considerado ilegal um eventual plebiscito separatista, por contrariar direitos constitucionais indígenas. Mesmo assim, o governo de Alberta alterou leis locais para retirar a exigência de que consultas populares sejam constitucionais. Se as assinaturas forem validadas, a votação poderá ocorrer em 19 de outubro.
A pergunta seria se Alberta deve deixar o Canadá e se tornar um Estado independente. Com quase 5 milhões de habitantes, Alberta é a quarta província mais populosa do país e possui vastos recursos naturais. A região abriga as Montanhas Rochosas e grandes reservas de petróleo, gás e carvão. Alberta é o maior produtor de petróleo do Canadá, com 3,79 milhões de barris por dia em 2020. A exploração de combustíveis fósseis gera críticas ambientais e preocupações das comunidades indígenas. Parte da população acusa o governo federal, liderado pelo Partido Liberal, de dificultar a indústria petrolífera em nome do combate às mudanças climáticas. Apesar do avanço separatista, pesquisas indicam que a maioria da população ainda rejeita a independência. Levantamento da empresa Abacus Data mostrou que cerca de 25% apoiam a separação. Já a petição contrária “Forever Canadian” reuniu 450 mil assinaturas. Defensores da independência afirmam que Alberta teria mais controle sobre suas riquezas naturais e revelaram contatos com representantes do governo do presidente Donald Trump.
EGÍPCIA RETIDA NO AEROPORTO ENTRA NO BRASIL
Uma egípcia grávida de 36 semanas e seus dois filhos, de dois e cinco anos, foram autorizados a entrar no Brasil ontem, 7, após quase um mês retidos no aeroporto de Guarulhos. Segundo o advogado da família, William Fernandes, eles serão acolhidos por entidades de defesa dos direitos de migrantes. O pai das crianças, Abdallah Montaser, de 31 anos, segue no aeroporto aguardando análise de pedido de visto humanitário. A família chegou ao Brasil em 8 de abril, vinda da Arábia Saudita, mas foi impedida de entrar no país. O engenheiro civil foi enquadrado na portaria 770/2019 do Ministério da Justiça, que restringe a entrada de pessoas suspeitas de ligação com terrorismo e outros crimes.
Montaser nega qualquer envolvimento ilícito. Ele afirma ter sido condenado no Egito, em 2015, a três anos de trabalhos forçados após participar de protestos contra o governo de Abdel Fattah al-Sisi. Depois disso, mudou-se com a família para o Bahrein. Durante o período retida no aeroporto, a gestante precisou ser levada ao hospital com fortes dores e foi diagnosticada com infecção urinária. A defesa alegou risco à saúde da mulher e do bebê para pedir a entrada da família no país. O caso chegou à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, que solicitou ao Itamaraty e ao Ministério da Justiça medidas urgentes para garantir atendimento médico, condições dignas de permanência e análise humanitária da situação.
J.P. MORGAN PAGA PARA EVITAR PROCESSO
O J.P. Morgan Chase ofereceu neste ano um acordo a um ex-funcionário para evitar um processo por discriminação e assédio, segundo representantes do banco e o advogado do autor da ação. O banco teria oferecido US$ 1 milhão para que o homem retirasse as acusações, mas não houve acordo entre as partes, segundo fontes ligadas às negociações. O processo foi protocolado na semana passada no Tribunal Supremo do Estado de Nova York e relata que o banco permitiu que uma executiva realizasse investidas sexuais e comentários de cunho racial contra um funcionário de origem sul-asiática. O autor entrou na Justiça sob o pseudônimo John Doe, mas foi identificado por fontes como Chirayu Rana, ex-vice-presidente de uma equipe responsável por financiamentos a empresas de baixa classificação de crédito. Na ação, Rana acusa a diretora-executiva Lorna Hajdini de ameaçar seu emprego caso ele rejeitasse avanços sexuais e de fazer provocações ofensivas. O processo também afirma que executivos do banco tentaram dificultar sua recolocação profissional após sua saída, em outubro passado. O caso ganhou repercussão dentro e fora de Wall Street. O site TMZ publicou três reportagens sobre o tema, enquanto o New York Post divulgou nove matérias.
Os advogados de Hajdini classificaram as acusações como falsas e “inteiramente fabricadas”. Já o porta-voz do banco, Brian Marchiony, afirmou que o J.P. Morgan investigou as denúncias e concluiu que elas não tinham fundamento. Segundo o banco, o ex-funcionário se recusou a colaborar com a investigação interna. Marchiony afirmou ainda que a tentativa de acordo buscava evitar custos e desgaste reputacional às partes. O advogado do autor, Daniel Kaiser, rebateu a versão do banco e disse nunca ter visto uma empresa oferecer uma quantia tão alta em um caso que considerasse sem mérito. O valor da proposta foi revelado anteriormente pelo Wall Street Journal.
MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 8/5/2026
CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF
Após reunião de Trump e Lula, Brasil está de portas abertas para os EUA
Ideologias à parte, terras raras e tarifas sobre produtos brasileiros foram os temas na reunião entre Lula e Trump, em Washington
O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ
Delação de Vorcaro é seletiva e busca proteger aliados, avaliam investigadores
FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP
Esquerda vê bolsonarismo isolado após encontro Lula-Trump, e direita minimiza
Presidentes discutiram crime organizado, tarifas e narcotráfico em encontro desta quinta (7) Aliados dizem que Lula volta do encontro reforçando discurso de soberania
TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA
Rui Costa e João Leão dividem palanque pela primeira vez após rompimento
O EX-MINISTRO da Casa Civil Rui Costa e o secretário de Governo da Prefeitura de Salvador, João Leão, voltaram a dividir o mesmo palanque ontem
CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS
Goleiro Bruno volta a ser preso no Rio de Janeiro
Atleta tinha contra si mandado de prisão e não ofereceu resistência em operação da PM
DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT
Ministra do Trabalho afasta proposta do Chega para baixar idade da reforma: “É incomportável”
quinta-feira, 7 de maio de 2026
RADAR JUDICIAL
DESPESAS INTERNACIONAIS DE CIRO NOGUEIRA
NOVA MINISTRA DO TST DEIXA A BAHIA E VAI PARA BRASÍLIA
A desembargadora Margareth Rodrigues Costa foi nomeada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministra do Tribunal Superior do Trabalho, TST. Anteriormente, no dia 29 de abril, o Senado Federal aprovou a indicação da magistrada que ocupará a vaga deixada com aposentadoria do ministro Aloysio Corrêa da Veiga. A nova ministra é natural de Salvador, e ingressou na Justiça do Trabalho em 1990, até ser promovida para o cargo de desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região. Habilitaram para a vaga 23 magistrados, seguiu-se com a listra tríplice composta por mulheres para finalmente ser escolhida a nova ministra.
MICHELLE QUEIXA DE CUIDADOS COM O MARIDO
Michelle Bolsonaro publicou hoje, 6, um desabafo sobre os cuidados que presta ao marido, Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. Ela afirmou que talvez nunca tenha alguém que cuide dela da mesma forma. Contou que ajuda o ex-presidente no banho, seca suas pernas, arruma o cabelo e auxilia na rotina diária. O texto foi publicado após Bolsonaro retornar de cirurgia no ombro direito. Michelle disse sentir paz e gratidão por poder cuidar do marido, apesar do cansaço físico. Também agradeceu a Bolsonaro por “não desistir” diante das “injustiças”. Ela afirmou que seu “maior ministério” é a família e a casa. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação do STF por tentativa de golpe de Estado. A transferência para casa foi autorizada por Alexandre de Moraes após internação por broncopneumonia. Michelle atuou pessoalmente para conseguir a domiciliar junto ao ministro. Desde então, passou a administrar remédios, alimentação e rotina do ex-presidente. A cirurgia no ombro exigirá seis semanas de tipoia e meses de fisioterapia.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão, confirmou a prisão e disse que as investigações continuam. A vítima relatou ter sofrido socos, murros, puxões de cabelo e ameaças de morte após ser acusada de roubar joias da ex-patroa. Grávida de cinco meses, ela afirmou que tentou proteger a barriga durante as agressões. Segundo o depoimento, um homem também participou das agressões. Áudios atribuídos à empresária, anexados ao inquérito, relatam violência extrema contra a jovem. A vítima afirmou ainda que trabalhava quase 10 horas por dia, acumulava funções e recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas. Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência foram afastados após suspeitas de irregularidades no atendimento. A empresária responde a mais de dez processos e já foi condenada por calúnia em 2024. Em nota, Carolina negou intenção de fugir, disse colaborar com as investigações e pediu que não haja “julgamento antecipado”.
DÍVIDA DOS EUA CAUSA PREOCUPAÇÃO NO MERCADO
Para Emre Tiftik, do IIF, não há risco imediato para o financiamento dos EUA, mas a trajetória da dívida é insustentável no longo prazo. Oksana Aronov, do JP Morgan, aponta três fatores de pressão: déficits fiscais elevados, maior emissão de títulos pelo Tesouro e inflação persistente. Segundo ela, não há sinais de contenção da dívida nem dos juros dos títulos de dez anos. Ludovic Subran, da Allianz, afirma que investidores estão diversificando aplicações fora do mercado americano devido à preocupação com déficits e dívida dos EUA. O aumento da dívida americana também afeta o Brasil, onde investidores exigem juros maiores pelo elevado endividamento público, hoje em cerca de 80% do PIB. Globalmente, o avanço das dívidas decorre de maiores gastos militares, envelhecimento populacional e investimentos em energia. Segundo o FMI, metade dos países ampliou despesas militares nos últimos cinco anos. A Otan prevê elevar esses gastos para 5% do PIB até 2035.
DRONES UCRANIANOS ATINGEM ÁREAS DE ATÉ 2 MIL KM NA RÚSSIA
“Somos como uma provocação ao inimigo”, diz um soldado ucraniano enquanto sua unidade monta drones de longo alcance para atacar a Rússia. A Ucrânia intensificou nas últimas semanas os bombardeios contra refinarias e instalações de exportação de petróleo russas. Robert Brovdi, comandante dos sistemas não tripulados, afirmou à BBC que os ataques vão aumentar. Segundo ele, drones ucranianos já alcançam áreas entre 1.500 e 2.000 km dentro da Rússia. Em uma base secreta no leste ucraniano, equipes lançam drones rapidamente para evitar ataques russos. Os aparelhos de fabricação nacional estão mais baratos e conseguem voar mais de 1.000 km. Zelenski afirma que os ataques causam perdas bilionárias ao setor energético russo. Brovdi diz que Moscou transforma recursos naturais em dinheiro usado para financiar a guerra. Após ataques à refinaria de Tuapse, moradores relataram “chuva tóxica” na região. O comandante considera refinarias alvos militares legítimos. Ele coordena operações a partir de um bunker subterrâneo repleto de telas e operadores de drones. As Forças de Sistemas Não Tripulados representam apenas 2% do Exército ucraniano. Mesmo assim, segundo Brovdi, respondem por um terço dos alvos destruídos. Cada ataque é gravado e registrado em tempo real.
TRUMP EXIGE DE TEERÃ INTERRUPÇÃO DO ENRIQUECIMENTO DE URÂNIO
Donald Trump voltou a ameaçar o Irã e afirmou na Truth Social que, caso Teerã cumpra o acordo proposto, a “Operação Fúria Épica” será encerrada e o Estreito de Ormuz permanecerá aberto. Do contrário, advertiu que os bombardeios seriam retomados em intensidade maior. Apesar do tom agressivo, disse depois acreditar ser “muito possível” alcançar um acordo, após conversas positivas nas últimas 24 horas. O governo iraniano reagiu com cautela. O presidente do Parlamento, Mohammed Bagher Ghalibaf, acusou Washington de tentar forçar a rendição do país por meio de bloqueio naval, pressão econômica e manipulação midiática. Já o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, afirmou que Teerã continua analisando a proposta americana, sem descartar a diplomacia. Enquanto isso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou um ataque contra Beirute. O alvo seria Mallek Ballout, comandante da Força Radwan, unidade de elite do Hezbollah. Segundo a agência France-Presse, Ballout morreu no bombardeio. Netanyahu afirmou que os integrantes da Força Radwan são responsáveis por ataques contra assentamentos israelenses e prometeu que “nenhum terrorista tem imunidade”.
Especialistas avaliam que Trump tenta evitar nova escalada militar, embora mantenha pressão máxima sobre o Irã. Gil Barndollar, da Defense Priorities Foundation, disse acreditar que o republicano deseja impedir a retomada das hostilidades, sobretudo após críticas dos Emirados Árabes Unidos à postura belicista da Casa Branca. Ele, porém, considera improvável que Teerã aceite abandonar o enriquecimento de urânio. Para Cristina Pecequilo, professora da Unifesp, Trump usa um comportamento errático como estratégia de pressão para acelerar decisões da liderança iraniana. Segundo ela, há uma diplomacia indireta envolvendo EUA, Paquistão, Rússia e China para influenciar Teerã. A especialista afirma que Washington exige garantias de interrupção do enriquecimento de urânio e do programa nuclear iraniano. Na avaliação dela, Trump não aceitará um acordo que não trate imediatamente da questão nuclear, pois qualquer concessão poderia ser vista como sinal de fraqueza política.
POLÍCIA FEDERAL NO ENCALÇO DO SENADOR CIRO NOGUEIRA
A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (7) mandado de busca e apreensão em endereços do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, em nova fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master. A PF suspeita que o senador recebia valores operacionalizados por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do banco. Segundo as investigações, Felipe teria firmado parceria ligada a pagamentos mensais ao senador, inicialmente de R$ 300 mil, depois elevados para R$ 500 mil. Felipe foi preso temporariamente. Em nota, a PF informou que a operação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro. O advogado de Ciro, Kakay, afirmou que acompanha a ação. A defesa de Felipe Vorcaro não foi localizada. Ao todo, são cumpridos dez mandados de busca e apreensão. A operação é relatada pelo ministro André Mendonça, do STF. A decisão autorizou bloqueio de bens e contas no valor de R$ 18,8 milhões.
Segundo Mendonça, as suspeitas contra Ciro incluem a apresentação de emenda que ampliaria a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A proposta era conhecida como “emenda Master” e buscaria beneficiar o banco, que enfrentava dificuldades financeiras; afirma que o texto da emenda foi elaborado pela assessoria do Banco Master e entregue ao senador, sendo reproduzido integralmente no Senado. Após a publicação, Daniel Vorcaro teria dito que o texto “saiu exatamente como mandei”. Investigadores afirmam ainda que a medida poderia “sextuplicar” os negócios do banco e causar impacto no mercado. A PF aponta também que, em 2023, Vorcaro mandou retirar da residência do senador envelopes com minutas de projetos de interesse particular. Os documentos teriam sido levados a um escritório indicado pelo banqueiro e depois entregues a um servidor do parlamentar. Para Mendonça, os fatos indicam atuação além das relações normais entre políticos e iniciativa privada. As investigações também citam pagamento de despesas pessoais de Ciro, incluindo imóvel de alto padrão, hospedagens, jatinhos, restaurantes e viagens internacionais.