O comando militar do Irã ameaçou agir no mar Vermelho caso os EUA não suspendam o bloqueio naval aos portos do país. Teerã indicou que pode acionar os rebeldes houthis, do Iêmen, já responsáveis por ataques na região. O grupo possui mísseis e drones e apoiou ações contra Israel no conflito recente. Uma ofensiva afetaria rotas comerciais estratégicas, incluindo petróleo saudita e exportações brasileiras. O bloqueio americano entrou no terceiro dia, com dúvidas sobre sua efetividade. A medida foi adotada por Donald Trump para pressionar o Irã durante negociações. Um caso emblemático é o navio chinês Rich Starry, que circulou pelo estreito de Hormuz. A embarcação transporta metanol dos Emirados Árabes, fora do escopo direto das sanções. Não se sabe se o navio pagou taxas impostas pelo Irã em rotas alternativas. Pequim criticou duramente o bloqueio, classificando-o como irresponsável e perigoso. O Irã é um dos principais fornecedores de petróleo da China. A agência iraniana Fars afirma que um superpetroleiro rompeu o bloqueio, sem confirmação independente.
Especialistas dizem que navios podem ocultar rotas desligando sistemas de rastreamento. Consultorias não registram saída de petroleiros iranianos desde o início do embargo. Mesmo assim, Teerã afirma não ter prejuízo, citando flexibilizações americanas indiretas. O país avalia usar portos alternativos, embora a maior parte das exportações saia da ilha de Kharg. Os EUA mobilizaram cerca de 10 mil soldados para monitorar embarcações suspeitas. Dois petroleiros teriam sido interceptados, mas recuaram após abordagem. As regras permitem advertência, inspeção e até apreensão em caso de resistência. Relatórios indicam trânsito limitado de navios por Hormuz, fora do embargo. Alguns petroleiros sancionados seguem operando com cargas indiretas. O cenário ocorre enquanto EUA e Irã buscam solução antes do fim da trégua. Trump afirma esperar um desfecho rápido e novas negociações em breve. Conversas mediadas pelo Paquistão devem continuar, apesar de impasses iniciais. O presidente iraniano sinalizou preferência por paz. Há expectativa de retomada do diálogo diplomático. Um possível acordo pode retomar moldes do pacto nuclear de 2015.