Pesquisar este blog

sexta-feira, 29 de maio de 2026

"O DEBATE PÚBLICO PASSOU A FUNCIONAR COMO UMA DISPUTA ESPORTIVA", DIZ STEVEN PINKER


O psicólogo e linguista Steven Pinker afirmou que a polarização política torna as pessoas mais irracionais, pois fortalece o “viés do meu lado”: a tendência de acreditar que o próprio grupo é moral e inteligente, enquanto o outro seria ignorante. Segundo ele, isso faz até pessoas instruídas interpretarem dados de forma enviesada quando o tema envolve suas convicções políticas. Em entrevista ao Estadão, Pinker disse que o debate público passou a funcionar como uma disputa esportiva, em que o objetivo é vencer, e não buscar a verdade ou melhores soluções. Ele aponta que propostas idênticas podem ser avaliadas de forma oposta apenas pela identificação partidária de quem as apresenta. O professor participou da São Paulo Innovation Week, festival de tecnologia e inovação realizado entre 13 e 15 de maio, na Arena Pacaembu e na Faap. Para Pinker, a polarização também aumentou porque as pessoas convivem menos com opiniões diferentes. Instituições como igrejas, exército e associações perderam espaço, reduzindo o contato entre grupos diversos. Ele critica ainda as redes sociais, que, segundo ele, não possuem mecanismos eficazes de verificação de informações. Sem filtros institucionais, afirma, o ambiente digital favorece erros, rumores e fake news.

Sobre a preferência crescente por vídeos em vez de textos, Pinker explica que a comunicação visual e oral é mais natural ao cérebro humano. Ler exige mais esforço, embora continue essencial para conteúdos complexos, por permitir maior atenção, releitura e profundidade. Na educação, ele defende prioridade para lógica, probabilidade, interpretação de dados e técnicas de argumentação racional, acima de conteúdos menos práticos. Também afirma que debates devem focar nas ideias, e não em ataques pessoais ou na origem política de uma proposta. Para Pinker, a inteligência artificial pode ampliar capacidades humanas, desde que as pessoas aprendam a pensar criticamente, avaliar fontes e usar a tecnologia de forma consciente. O desafio atual, conclui, é recolocar objetivos comuns — como prosperidade, segurança e educação — no centro do debate público. 

IA IMPÕE NOVOS RUMOS PARA AS GUERRAS


As guerras entre 2021 e 2024 mataram quase 750 mil pessoas, além de milhões afetados por fome e doenças. Segundo análise da revista The Economist, os conflitos recentes revelam duas novas realidades: a tecnologia dificultou avanços terrestres e fortaleceu países mais fracos contra potências militares. A guerra da Rússia na Ucrânia virou um desgaste para Vladimir Putin, enquanto o conflito iniciado por Donald Trump contra o Irã mostrou os limites do poder militar americano. Sensores, satélites e drones baratos ampliaram a “zona de abate” nos campos de batalha. Na Ucrânia, soldados atuam em pequenos grupos e robôs terrestres transportam feridos e suprimentos. O uso de drones se espalhou para conflitos no Oriente Médio e pode ser decisivo em eventual invasão chinesa a Taiwan. Especialistas avaliam que os exércitos precisarão investir em bloqueadores de sinal, defesas antidrone e sistemas não tripulados. A Otan já recebe apoio de militares ucranianos especializados em drones durante exercícios.

Outra mudança importante é o uso de inteligência artificial para localizar e destruir alvos em velocidade inédita. Mesmo assim, ataques tecnológicos não garantem vitória rápida. Apesar dos bombardeios de EUA e Israel, o Irã manteve ataques com drones e mísseis, preservou seu programa nuclear e provocou impactos econômicos globais. O texto também alerta para o enfraquecimento das leis de guerra. Rússia, Hamas, Israel e autoridades americanas são citados por violações e discursos agressivos contra civis. A conclusão é que guerras modernas estão mais caras, difíceis de vencer e simples de iniciar, mas extremamente complexas de encerrar.

 

MAIS DE 100 TIPOS DE DEMÊNCIA


Demência” é um termo genérico que vai muito além da perda de memória. 
Ela pode afetar fala, comportamento, sono, visão e movimentos. Existem mais de 100 tipos de demência. A doença de Alzheimer representa cerca de 60% dos casos. Os outros 40% incluem formas raras e difíceis de diagnosticar. Conhecer os sinais precoces ajuda no cuidado adequado. A atrofia cortical posterior (ACP) afeta visão e orientação espacial. Os pacientes podem ter alucinações visuais e dificuldade para calcular distâncias. Ler, subir escadas e identificar objetos tornam-se tarefas difíceis. Os sintomas surgem geralmente entre 55 e 65 anos. Pesquisadores investigam se a ACP é uma forma atípica de Alzheimer. A doença de Creutzfeldt-Jakob é extremamente rara e agressiva. Afeta cerca de uma pessoa por milhão no mundo. É causada pelo mau dobramento de proteínas priônicas. A doença evolui rapidamente, causando perda de memória e movimentos involuntários. Pode ter relação genética ou, raramente, contaminação alimentar. A FTD-MND combina demência frontotemporal com doença do neurônio motor. Além de alterações cognitivas, provoca fraqueza muscular e dificuldade para engolir. Entre 10% e 15% dos pacientes com demência frontotemporal desenvolvem a condição. Ela pode ser hereditária, ligada ao gene C9orf72.

A paralisia supranuclear progressiva (PSP) também é rara. Ela afeta movimento, equilíbrio e visão. Pacientes sofrem quedas frequentes e dificuldade de locomoção. A doença é frequentemente confundida com Parkinson. Ainda não existe cura para esses subtipos de demência. Medicamentos disponíveis ajudam principalmente nos casos de Alzheimer. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial. Mudanças de comportamento, dificuldades motoras, problemas de visão e fala podem ser sinais importantes. Compreender os diferentes tipos de demência ajuda a melhorar o tratamento e o suporte aos pacientes.

IRÃ ENDURECE CONTRA EUA


A Casa Branca classificou como “invenção total” o suposto rascunho de acordo de cessar-fogo divulgado pela mídia iraniana. Em publicação na rede X, o perfil Rapid Response 47 afirmou que o memorando atribuído às negociações entre Estados Unidos e Irã é falso e acusou a imprensa estatal de Teerã de espalhar desinformação. O documento previa a retomada da navegação comercial no Estreito de Ormuz em até 30 dias. Em troca, Washington encerraria o bloqueio naval e retiraria porta-aviões e navios de guerra da região. O presidente Donald Trump demonstrou insatisfação com o andamento das conversas e acusou o Irã de prolongar as negociações. Durante reunião de gabinete, Trump afirmou que Teerã deseja um acordo, mas advertiu que os EUA poderão “terminar o trabalho” caso não haja entendimento. O secretário de Estado Marco Rubio reconheceu “certos avanços” nas negociações, embora sem detalhar os pontos discutidos. Trump também negou que o Irã ou o sultanato de Omã possam controlar o Estreito de Ormuz por meio de pedágios marítimos. Segundo ele, os Estados Unidos manterão influência estratégica sobre a região. O republicano ainda declarou que o regime iraniano mudou após sucessivas crises internas, embora a Guarda Revolucionária Islâmica continue exercendo forte influência política e militar.

O vice-chefe político da Marinha da Guarda Revolucionária, Mohamad Akbarzadeh, afirmou que as Forças Armadas iranianas permanecem em alerta e ameaçou transformar a costa sul do país em “cemitério para os agressores”. Especialistas avaliam que o Irã tenta demonstrar disposição para negociar enquanto busca ampliar sua margem diplomática. Para Denilde Holzhacker, da ESPM, os EUA dificilmente aceitarão propostas envolvendo a retirada de tropas do Golfo Pérsico. Já Cristina Pecequilo, da Unifesp, considera que o impasse sobre o urânio enriquecido segue sendo o principal obstáculo ao acordo. Em outra frente do conflito, Israel realizou mais de 120 bombardeios no sul do Líbano. O Exército israelense declarou como “zona de combate” toda a área ao sul do Rio Zahrani e pediu a retirada de moradores de cerca de 300 cidades e vilarejos. Segundo o Ministério da Saúde libanês, mais de 3,2 mil pessoas morreram desde o início da guerra. 

IA PRODUZIRÁ DECISÕES JUDICIAIS MAIS OBJETIVAS, DIZ MINISTRO


O ministro aposentado do STF Luís Roberto Barroso afirmou que a inteligência artificial deve transformar profundamente o sistema de Justiça, inclusive com a produção de decisões judiciais mais objetivas do que as elaboradas por juízes. A declaração foi feita durante o 5º Fórum Esfera, realizado no Guarujá (SP). 
Segundo Barroso, o STF desenvolveu um programa capaz de elaborar minutas de decisões, embora o sistema ainda não tenha sido liberado por falta de um código de ética consolidado para o uso da IA no Judiciário. Para ele, o futuro passa pelo uso da tecnologia, mas sempre sob supervisão humana. O ministro defendeu que os magistrados terão de justificar quando deixarem de seguir recomendações produzidas por inteligência artificial. Ele reconheceu riscos de vieses algorítmicos, mas destacou que juízes também carregam preconceitos e limitações humanas. Barroso afirmou ainda que a IA já ajudou o STF a reduzir o estoque de processos de 150 mil para 20 mil, graças a ferramentas que identificam recursos repetitivos com base em precedentes já consolidados.

Ao abordar a regulamentação da inteligência artificial, ele ressaltou a dificuldade de acompanhar a velocidade de evolução tecnológica. Citou o crescimento acelerado do ChatGPT, que alcançou 100 milhões de usuários em apenas dois meses, e observou que os desenvolvedores conhecem muito mais a tecnologia do que os próprios reguladores. O magistrado também alertou para impactos sociais da era digital, como a disseminação de desinformação, discursos de ódio e teorias conspiratórias. Segundo ele, a substituição dos meios tradicionais pela internet eliminou filtros informativos e criou “tribos” com narrativas próprias, dificultando consensos sobre fatos básicos. Apesar dos riscos, Barroso afirmou não ter visão pessimista sobre o futuro. Para ele, a solução passa por educação, conscientização e uso responsável da inteligência artificial, especialmente diante dos desafios ligados à desinformação, ao mercado de trabalho e ao uso bélico da tecnologia.

 

PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO GANHA ESPAÇO


O planejamento sucessório deixou de ser visto como tema “macabro” e ganhou espaço entre gestoras, bancos e escritórios de advocacia. A ideia é organizar a sucessão patrimonial antes da morte para evitar custos elevados e disputas familiares. O conceito de “visão holística” virou tendência no setor. Instituições passaram a olhar a vida financeira do cliente de forma integrada, indo além de investimentos e produtos financeiros. Novas plataformas também surgem nesse mercado. O Guarda Digital expandiu seus serviços para consumidores finais, permitindo organizar documentos, senhas, ativos digitais e mensagens pessoais para beneficiários. Os planos vão de versão gratuita a pacotes de R$ 99,90 mensais, com assistência funeral operada pela Caixa Assistência. A empresa nasceu após o fundador Sidney Pedrotti enfrentar dificuldades com contas digitais e finanças após a morte da mãe, em 2020.

Especialistas afirmam que mudanças tributárias aumentaram a necessidade de planejamento individualizado. A reforma tributária alterou regras do ITCMD, o imposto sobre herança e doações. Agora, os Estados deverão adotar alíquotas progressivas e o cálculo passará a considerar o valor de mercado dos bens. Isso pode elevar significativamente o imposto pago pelas famílias. Enquanto alguns Estados ainda não ajustaram suas leis, especialistas veem oportunidade para antecipar doações. A reforma também pode aumentar tributos no setor imobiliário, impactando estratégias sucessórias. Entre as alternativas estão holdings familiares, doações com reserva de usufruto e previdência privada. Especialistas alertam que não existe “fórmula mágica” e que cada caso exige análise específica. Também cresce a preocupação com promessas irreais de economia tributária divulgadas nas redes sociais. 

MANCHETES DE ALGUNS JORANAIS DE HOJE, 29/05/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Estados Unidos e Irã ensaiam entendimento sobre cessar-fogo

Negociações indiretas apontam para nova prorrogação do cessar-fogo em vigor desde abril, a liberação do Estreito de Ormuz e a reabertura de negociações sobre o programa nuclear de Teerã. Analistas veem Trump pressionado pela impopularidade da guerra

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Designação de CV e PCC como terroristas é ineficiente e risco à soberania, apontam especialistas

Leitura, no entanto, é que, uma ação militar norte-americana no país, a exemplo do que ocorreu na Venezuela, seria improvável

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Flávio explora decisão dos EUA como trunfo eleitoral, e aliados de Lula focam 'Dark Horse' e soberania

Pré-candidato à Presidência do PL tenta desgastar governo trazendo segurança pública para campanha; Zema e Caiado também criticam Lula Aliados de petista acusam senador de patrocinar interferência externa, citam milícia e miram caso Master

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Polícia Civil alerta população sobre envio de mensagens da Operação Mobile 360°

A instituição notificará pessoas para apresentarem celulares com restrição

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Trump já definiu como terroristas 14 grupos na América Latina

Seis países da região foram alvo desse tipo de classificação, antes do Brasil

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

Empresários avisam que vão subir ainda mais os preços durante o verão 

Guerra continua e Portugal, pequena economia dependente do exterior, enfrenta a pior inflação dos últimos dois anos. Maioria dos 4.700 empresários inquiridos pelo INE dizem que pior está para vir.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

RADAR JUDICIAL


BRASILEIRO TRABALHA 150 DIAS SÓ PARA PAGAR TRIBUTOS

O Brasil completa, em 2026, 20 anos do Dia Livre de Impostos (DLI), movimento que expõe o peso da carga tributária no país. Hoje, lojistas de todo o Brasil oferecem descontos de até 70%, simulando preços sem impostos. A ação busca mostrar que o brasileiro trabalha, em média, 150 dias por ano apenas para pagar tributos, enquanto saúde, educação e infraestrutura seguem aquém do esperado. O Sistema CNDL e as CDLs lançaram um manifesto cobrando justiça tributária, simplificação e segurança jurídica. O setor critica a transição da reforma tributária, que exigirá convivência entre dois modelos fiscais por anos, elevando custos para as empresas. Também há preocupação com a possibilidade de o Brasil adotar uma das maiores alíquotas de IVA do mundo. O comércio defende neutralidade fiscal e igualdade de condições entre varejistas nacionais e plataformas internacionais de e-commerce. O DLI é apresentado como um alerta por menos burocracia, melhor uso dos recursos públicos e redução da carga tributária sobre quem produz e gera empregos.


EX-INTEGRANTE DE EXTREMISTA ALEMÃ É CONDENADA

Daniele Klette, ex-integrante da organização extremista alemã RAF, foi condenada ontem, 27, a 13 anos de prisão pelo Tribunal Regional de Verden, na Alemanha. A sentença envolve seis acusações de roubo qualificado, extorsão e outros crimes cometidos entre 1999 e 2016. Klette, de 67 anos, nega participação em um assalto a carro-forte na Baixa Saxônia, no qual € 1,3 milhão foram roubados após troca de tiros com seguranças. Apesar de não haver mortos no local, um vigilante morreu depois em um hospital psiquiátrico. A defesa afirma que o processo teve motivação política. Segundo a Promotoria, os roubos serviam para financiar a vida clandestina de ex-membros da RAF, grupo terrorista responsável por ataques violentos na Alemanha entre as décadas de 1970 e 1990. Outros dois ex-integrantes da RAF seguem foragidos. Presa em 2024, Klette foi identificada com ajuda de inteligência artificial após viver anos sob identidade falsa em Berlim, usando o nome brasileiro “Cláudia Ivone” e frequentando uma comunidade ligada à capoeira.


DINHEIRO ESCONDIDO EM SACOS DE LIXO

A Polícia Federal apreendeu R$ 287 mil em espécie escondidos em sacos de lixo na casa de um servidor do INSS em Pernambuco, durante nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada ontem, 27. O dinheiro estava em sacolas dentro de uma mala. Dois carros de luxo também foram apreendidos. A ação foi realizada pela PF e pela CGU, com mandados expedidos pelo STF em Pernambuco, Paraíba, São Paulo e Distrito Federal. A investigação apura um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS entre 2019 e 2024. O prejuízo estimado chega a R$ 6,3 bilhões. Segundo a PF, entidades associativas realizavam cobranças ilegais sem autorização dos beneficiários. A operação mira três núcleos regionais suspeitos de participação nas fraudes. Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares e bloqueio de bens. Entre os investigados estão associações, dirigentes, servidores e ex-servidores do INSS. Em Garanhuns (PE), a apuração se concentra em funcionários ligados ao instituto. Os suspeitos podem responder por organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação patrimonial. As fraudes foram reveladas na primeira fase da operação, em abril deste ano.


EX-GOVERNADOR DESISTE

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, desistiu da pré-candidatura ao Senado após ser alvo de duas operações da Polícia Federal em apenas 11 dias. A decisão ocorre em meio às investigações sobre aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master e suspeitas envolvendo o Grupo Refit. Segundo a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, Castro divulgará vídeo nesta quinta-feira (28) afirmando que precisa focar na própria defesa. Além da apuração ligada ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro, ele também foi alvo de busca e apreensão em investigação sobre supostas fraudes bilionárias atribuídas ao Grupo Refit, um dos maiores devedores do estado. Nos bastidores, aliados avaliam que a candidatura ao Senado se tornou inviável diante do desgaste político. Apesar disso, Castro ainda considera disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Aliado de Flávio Bolsonaro, o ex-governador foi orientado a manter postura discreta enquanto responde aos inquéritos e tenta reverter no TSE a decisão que o tornou inelegível.

FLAVIO TENTA MUDAR O FOCO DA RELAÇÃO COM VORCARO

A viagem de Flávio Bolsonaro ao entorno de Donald Trump tem objetivo político claro: tentar mudar o foco da crise envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. A estratégia busca associar sua imagem à força política, influência internacional e discurso de segurança pública. Aliados avaliam que a viagem tenta construir uma agenda positiva após o desgaste causado pelo caso Vorcaro. Flávio queria evitar que a visita fosse dominada por perguntas sobre o banqueiro e sobre recursos citados nas investigações. Mas a crise segue no centro do debate político, já que perguntas importantes continuam sem resposta. A Polícia Federal quer investigar declaração de Valdemar Costa Neto de que Flávio teria buscado “o restante do dinheiro” na casa de Vorcaro. A fala ampliou preocupações jurídicas na campanha do senador. Investigadores avaliam possíveis indícios de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Segundo a apuração, não seria necessário um ato formal de ofício para caracterizar corrupção passiva. Após a repercussão, Valdemar tentou reduzir os danos políticos internos.
O episódio gerou uma “crise dentro da crise”, porque a suspeita partiu do principal dirigente do PL. Nos bastidores, aliados avaliam que a declaração ampliou o desgaste político e a pressão jurídica sobre o caso Vorcaro.

CANDIDATURA COLETIVA PODE CONFIGURAR FRAUDE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que o uso de candidatura coletiva para promover pessoa inelegível configura fraude à lei eleitoral e pode resultar em cassação e inelegibilidade. A decisão manteve o acórdão do TRE-SP que cassou a vereadora mais votada de Miguelópolis (SP) em 2024, Marcelle Tosta Sarreta. Ela disputou a eleição com o nome “Marcelle do Jeová Coletivo” (PP). Segundo o TRE-SP, a candidatura teria servido para promover Jeová Alves Ferreira, impedido de concorrer por condenação criminal definitiva. O TSE reconheceu que candidaturas coletivas não têm previsão legal, embora o uso do nome do grupo nas urnas seja permitido por resolução da corte. Para os ministros, houve fraude à lei eleitoral e abuso de poder político, pois os eleitores teriam sido induzidos ao erro. Relator do caso, Nunes Marques afirmou que o abuso de poder deve ser interpretado de forma ampla, incluindo condutas fraudulentas que afetem a legitimidade das eleições. O tribunal concluiu que rever o entendimento do TRE-SP exigiria reanálise de provas, medida proibida pela Súmula 30 do TSE.

EMPRÉSTIMO EM NOME DE MENORES

Uma menor de idade não pode ser titular de empréstimo, mesmo representada pelos pais. Com esse entendimento, a juíza Helen Komatsu, da Vara Única de Cardoso (SP), anulou um empréstimo consignado feito em nome de uma adolescente beneficiária do BPC do INSS. A mãe da jovem contratou um crédito de R$ 1.166,60, descontado do benefício por três meses. A ação pediu nulidade dos contratos e indenização por danos morais. As instituições financeiras alegaram regularidade da operação, mas a magistrada destacou que o Código Civil exige autorização judicial para empréstimos em nome de menores. Segundo a decisão, contratos firmados por incapazes são nulos. A juíza também afirmou que o recebimento do dinheiro pela mãe não valida a operação. Ela determinou a suspensão dos descontos, devolução em dobro dos valores cobrados e indenização de R$ 3 mil por danos morais, devido ao caráter alimentar do BPC. O valor emprestado será abatido da condenação para evitar enriquecimento ilícito.

Salvador, 28 de maio de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

KIEV RECUPERA ÁREAS TOMADAS PELOS RUSSOS


A decisão do governo de
Vladimir Putin de intensificar os ataques contra Kiev coloca a Guerra da Ucrânia em uma fase ainda mais perigosa. Desde segunda-feira (25), quando Moscou recomendou que estrangeiros deixassem a capital ucraniana, cresce o temor de novos bombardeios com mísseis Orechnik. Segundo o analista russo Ruslan Pukhov, a guerra entrou em um impasse e a Rússia aposta agora na chamada “guerra das cidades”. Para ele, Vladimir Putin ainda busca objetivos amplos, incluindo controle político sobre toda a Ucrânia. Pukhov afirma que os recentes ataques de drones ucranianos pressionaram Moscou a reagir de forma mais dura. Ele considera a nova ofensiva uma resposta típica de conflitos prolongados e estagnados. Apesar de avanços russos em 2025, o front perdeu ritmo. Kiev recuperou algumas áreas, embora tropas russas sigam avançando lentamente em Donetsk. Soldados relatam que os drones transformaram a linha de frente em um cenário muito mais perigoso. Segundo militares russos, ataques baratos e constantes ameaçam rotas de suprimento. O enfraquecimento das comunicações também prejudicou Moscou, após restrições ao Starlink e bloqueios de aplicativos e VPNs.

Na Ucrânia, autoridades tratam a ameaça russa como tentativa de intimidação, mas moradores de Kiev demonstram preocupação crescente. O engenheiro Vitali Uchenko afirmou temer o uso do míssil Orechnik contra o centro da capital. Segundo ele, mesmo sem explosivos, o impacto do armamento seria devastador. O Orechnik é um míssil balístico de alcance intermediário capaz de transportar ogivas nucleares. Segundo Volodymyr Zelenskyy, dois foram usados em ataques recentes. O temor de armas nucleares táticas voltou a crescer após exercícios nucleares russos e novos testes de mísseis. Também aumentaram as tensões entre Moscou e a Otan por drones que atingiram países da aliança. Zelenski afirma ainda que Putin prepara nova mobilização militar com apoio de Belarus. Com o avanço da violência e o fracasso das negociações de paz lideradas por Donald Trump, cresce o risco de mais mortes civis. Para Pukhov, o principal obstáculo para um acordo continua sendo a dúvida sobre os reais objetivos de Putin na Ucrânia. 

ISRAEL É PREPARADA PARA MATAR


O Exército de Israel afirmou ter realizado um ataque aéreo “preciso” contra Beirute, capital do Líbano, nesta quinta-feira (28), após ofensivas no sul do país deixarem ao menos 12 mortos e 21 feridos. Segundo militares libaneses, o bombardeio atingiu um apartamento na região de Choueifat, ao sul da capital. 
O Ministério da Saúde do Líbano informou que os ataques israelenses no sul do país mataram ao menos 11 pessoas, incluindo duas crianças. Um soldado do Exército libanês também morreu em um ataque separado na região de Nabatieh. Em Sidon, um bombardeio atingiu um prédio e matou cinco pessoas, entre elas duas mulheres, além de deixar 21 feridos, incluindo cinco crianças. Já a Defesa Civil libanesa relatou oito ataques contra a cidade de Tiro desde a noite de quarta-feira, além de bombardeios em áreas vizinhas. O cessar-fogo entre Israel e Líbano entrou em vigor em 17 de abril, mas tem sido desrespeitado por ambos os lados. Israel mantém ataques frequentes contra alvos ligados ao Hezbollah no sul libanês.

Nesta semana, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, prometeu intensificar as ofensivas contra o Hezbollah. Na quarta-feira, o Exército israelense declarou todo o território libanês ao sul do rio Zahrani como “zona de guerra”, ampliando a área potencial de operações militares. A medida foi anunciada pelo porta-voz Avichay Adraee, que ordenou a retirada de moradores da região, incluindo cidades como Tiro e Nabatieh, já atingidas por novos ataques. O rio Litani marca a área da qual Israel se retirou após a ocupação do sul do Líbano entre 1982 e 2000. A ampliação da zona militar indica uma nova fase do conflito e sugere expansão da presença israelense no território vizinho. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 3.200 pessoas morreram desde o início das hostilidades, sendo ao menos 600 após o cessar-fogo. O conflito já deslocou mais de 1,2 milhão de pessoas.

 

O HOMEM DE VOLTA À LUA



A Nasa divulgou detalhes de módulos robóticos, drones e veículos que pretende enviar à Lua para viabilizar uma futura base lunar dos EUA. Entre as empresas contratadas estão a Blue Origin, a Intuitive Machines e a Astrobotic. Os EUA querem levar astronautas de volta à Lua antes do fim do mandato do presidente Donald Trump, em 2029, enquanto disputam com a China a nova corrida espacial. Os chineses planejam pousar astronautas na Lua até 2030 e lançaram recentemente a nave Shenzhou-23 rumo à estação espacial Tiangong. Em março, a NASA anunciou um programa de US$ 20 bilhões para criar uma base permanente no polo sul lunar até 2032, usando energia nuclear e solar. O administrador da agência, Jared Isaacman, afirmou que os EUA “nunca mais abrirão mão da Lua”. O projeto prevê três fases. Primeiro, drones e módulos robóticos irão explorar e mapear a superfície lunar. Depois, serão instalados sistemas de energia e veículos para transporte de astronautas e equipamentos científicos.

A Blue Origin desenvolverá o módulo Endurance, capaz de pousos autônomos de precisão. Já o módulo Griffin-1, da Astrobotic, deverá pousar próximo ao polo sul lunar. As missões também levarão câmeras e instrumentos a laser para auxiliar nas operações. Segundo a Nasa, a fase robótica deve durar até 2029, com 25 lançamentos e quatro toneladas de carga enviadas à Lua. Em 2032, a meta é permitir estadias humanas “semipermanentes” na superfície lunar. O polo sul da Lua é considerado estratégico por conter água congelada, que pode ser usada para consumo e produção de oxigênio. Apesar do avanço do programa Artemis, especialistas consideram o cronograma ambicioso. A SpaceX enfrenta atrasos no desenvolvimento da nave Starship Human Landing System, responsável por levar astronautas à Lua. Para o cientista lunar Simeon Barber, a etapa mais difícil continua sendo pousar humanos com segurança na superfície lunar.







PAIS CONDENADOS POR EDUCAR FILHAS EM CASA


O debate sobre educação domiciliar (“homeschooling”) voltou às redes após um casal de Jales (SP) ser condenado a prisão em regime semiaberto por educar as duas filhas, de 11 e 15 anos, em casa. A escola onde as meninas estudavam denunciou a família ao Conselho Tutelar, já que o ensino domiciliar não é permitido no Brasil. Os pais alegaram que as filhas tiveram melhor desenvolvimento intelectual fora da escola e apresentaram mais de 3 mil páginas de laudos e documentos. Segundo a defesa, as meninas estudam português, matemática, latim, música e leitura intensa, além de frequentarem coral, piano e clubes de jovens. Mesmo com pedido de absolvição do Ministério Público, o juiz entendeu que houve abandono intelectual e condenou os pais a 50 dias de detenção. A defesa recorreu e afirma que a pena ainda não começou a ser cumprida. O caso reacendeu a polarização sobre o “homeschooling”. Defensores afirmam que os pais devem ter liberdade para escolher como educar os filhos e sustentam que o desempenho acadêmico costuma ser superior ao da escola tradicional.

Críticos dizem que a escola é essencial para a convivência democrática, diversidade de opiniões e proteção contra violência doméstica. Também alertam para aumento das desigualdades e sobrecarga da educação pública. Atualmente, o ensino domiciliar não é regulamentado no Brasil. Em 2018, o STF decidiu que a prática não é inconstitucional, mas depende de lei específica. Um projeto em tramitação no Senado busca autorizar o modelo, prevendo avaliações periódicas, fiscalização e acompanhamento pedagógico. Hoje, famílias que adotam o “homeschooling” podem responder por abandono intelectual ou violação do direito à educação. O modelo já é regulamentado em mais de 60 países, como Estados Unidos, Portugal, França e Japão, mas as regras variam conforme cada local.